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FEEDS


 Sylvia Beirute

Natural de Faro, Portugal. Estuda cinema e teatro e nasceu em 10 de dezembro de 1984. Escreve poesia e teatro para mudar o seu mundo e diz-se a favor do Acordo Ortográfico na versão de 1945.

Integra o grupo literário texto-al  e é autora do blogue Uma casa em Beirute. Tem colaborações dispersas em revistas literárias de Portugal, Espanha, Argentina e Brasil.

Poemas de Sylvia Beirute

CIDADE - PONTO

{ao tiago gomes, com amizade}


não escrevi um livro em miniatura sob uma lupa falsa.

não pedi qualidade aos clássicos.

não pretendi reparar a eficácia de qualquer sistema humano.

não endossei poemas porque os poemas não são cartas.

não tenho um cativeiro de poetas.

não visitei cidades - poema.

não segui preceitos que se vejam.

não azuleci por pertencer ao céu.

não tive ilusão e coragem para crer na desistência.

não escrevi que o fingimento pode ser um ódio com casca.

não tenho maneiras puramente estéticas.

não tenho processos literários.

não tenho dois corações.

não li masaoka shiki ou matsuo basho.

não li a crítica para não perder a liberdade e o meu

dom impreparado.

não peguei no tempo e o atirei para dentro do corpo

como células estaminais.

não escrevi sobre a revolução industrial.

não respeitei o meu passado enquanto índice temático.

não estimulei diagnósticos de subtileza grosseira.

não recuperei emoções com a cabeça.

não coloquei questões delicadas no campo da poesia suprema.

não transferi permissões de mim para mim.

não imaginei versos paralelos para prender significados.

 

AMAZON

uma incerteza é uma incerteza. a consciência
da incerteza é uma certeza. apenas porque a consciência
é ela mesmo uma certeza. o que vem a seguir
à palavra «consciência» já pouco interessa em termos de
dúvida ou indúvida.
hoje duvidei. duvidei simples e no subjuntivo. e primeiramente
duvidei directamente.
depois, duvidei indirectamente, isto é, duvidei da dúvida, do seu
mapa, do seu rabo-cortado-mas-como-se-a-visão-ainda-
-representasse-um-certo-impressionismo-da-ausência, e ainda
desindirectamente, ou seja, duvidei da dúvida que constituía
a sua substância recusante.

o que quero exprimir é que aconteceu que alguém
vendia a sua alma no amazon.
diz que tudo se pode vender no amazon.

 

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AASUL