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BIOGRAFIA E ENTREVISTA
DULCE
RODRIGUES
ESCRITORA PORTUGUESA RESIDENTE EM PORTUGAL E NA BELGICA
Quem é Dulce Rodrigues
O meu nome é Dulce Rodrigues e sou autora de LIVROS e do sítio para JOVENS www.barry4kids.net.
Nasci num dia de Primavera, já lá vão muitos anos... «Alfacinha» e portuguesa de nacionalidade e de coração, vivi grande parte da minha vida na cidade que me viu nascer. Mas embora traga Lisboa e o meu belo Portugal sempre no coração, a minha «aventura» profissional levou-me a outras cidades e países, e durante cerca de quarenta anos, reparti a minha vida profissional entre o meu país de origem - que adoro - e os países estrangeiros que adoptei e que me adoptaram. Isso tem-me permitido divulgar mais facilmente a enorme riqueza cultural do meu país e conhecer de perto novas gentes e mentalidades, o que inevitavelmente abriu o meu horizonte espiritual e influenciou a minha própria vivência.
Divido assim o meu tempo entre as viagens afectivas ou de lazer, e os livros. Escrever, sobretudo para crianças, é fonte de grande prazer e realização pessoal. E porque a língua é a alma de um povo, a melhor maneira que encontrei para compreender os outros foi aprender a língua deles. Sou poliglota, falo seis línguas vivas e escrevo regularmente pelo menos em três, o que me permitiu ganhar quatro prémios em concursos literários internacionais com contos para crianças em três línguas.
Os meus verdes anos passei-os no Bairro da Encarnação. Os meus pais mudaram-se para lá na véspera dos meus quatro anos. Ali frequentei a escola e encontrei os primeiros amigos e amigas, e muitas dessas amizades perduraram através do tempo; algumas, infelizmente, já nos deixaram prematuramente.
Fui uma adolescente como tantas outras, mas nesse período da minha vida começou a manifestar-se o meu interesse pela escrita, pela Ciência e pela História... Circunstâncias várias levaram-me, contudo, a seguir primeiramente o campo das Letras. Talvez porque comecei cedo a contactar com Alemães, uma vez que o meu pai praticamente sempre trabalhou na Siemens em Portugal, apaixonei-me pela língua alemã, e logo após ter terminado o meu curso do British Council, inscrevi-me no Goethe-Institut, que alguns anos mais tarde me ofereceu uma bolsa de estudos, o que me levou pela primeira vez a viver num país estrangeiro e a começar a tomar verdadeiramente gosto pelas viagens.
Regressei a Portugal, mas o apelo da Alemanha, que para uma jovem adulta da época representava a aventura e a liberdade, foi mais forte. Assim começou uma carreira profissional internacional que interrompi para voltar de novo para Portugal. Mas alguns anos depois parti novamente. E como a vida às vezes nos prega partidas, embora eu seja contra a guerra e contra tudo o que é violência, a verdade é que as minhas vivências profissionais no estrangeiro me levaram sempre a trabalhar com organizações de carácter bélico.
Nos anos 60, na Alemanha, fui tradutora de inglês/alemão junto do ENGCOMEUR, por outras palavras, do Comando de Engenharia das Forças Armadas Norte-americanas na Europa, entidade que pertencia ao Ministério da Defesa dos Estados Unidos. Anos mais tarde, já nos anos 80 e no Luxemburgo, fiz parte do pessoal internacional da NAMSA, ou seja, da agência da OTAN que faz a manutenção e reparação de material bélico para os países que pertencem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Foi esta organização que me ofereceu a minha segunda bolsa de estudos, quando paralelamente à minha actividade profissional me decidi a pisar de novo os campos universitários, desta vez com uma universidade inglesa, para finalmente realizar o meu sonho no campo da Ciência.
Tenho uma grande ânsia de aprender sempre e cada vez mais, e todos os assuntos me fascinam. A História é outra das minhas paixões. Adoro viajar e sou um pouco como o vento - sempre em constante deslocação. Mas aprecio igualmente o aconchego da minha casa, quer seja a de Portugal ou a da Bélgica. Sou uma apaixonada pela Natureza, pela sua grandeza e diversidade. Aprecio todas as formas de expressão artística, desde que elas nos transmitam Beleza, pelo que sinto uma grande tristeza quando penso na Arte - se é que podemos dar-lhe esse nome - que nos legou o final do século XX e com que se estreou o século XXI. E porque amo a Vida, ela também tem sabido amar-me.
Tenho dois filhos que são o melhor presente que a Vida me podia ter dado: Doutor Eduardo Rodrigues (Doutoramento em Física de Partículas) e Dr. Gustavo Rodrigues, MBA (Mestrado em Administração de Empresas).
ENTREVISTA A DULCE RODRIGUES
Raizonline (RO): - Como sabe já publicámos há alguns
meses,
um artigo sobre a sua actividade literária e cultural.
Gostaríamos de
a dar a conhecer melhor aos nossos leitores e portanto agradecemos que
dentro do possível, nos esclarecesse alguns detalhes da sua carreira e
actividades, através desta pequena entrevista. Assim não se importa de
partilhar com os leitores do nosso jornal, como e quando começou a escrever
e porque escolheu dedicar-se á escrita infantil?
Dulce Rodrigues (DR) - Primeiramente, gostaria de agradecer o artigo que
Raizonline publicou há alguns meses sobre as minhas actividades. Foi muito
simpático da vossa parte. Agradou-me verificar que Raizonline se interessa
pela cultura portuguesa e os seus actores e agentes de uma maneira geral,
não unicamente por aqueles « consagrados » pelos meios de comunicação
oficial.
RO: - Já vimos que prefere escrever livros em edições
bilingue, usando o português e o francês. Pode por favor, explicar-nos por
que o faz e como lhe surgiu esta ideia?
RO - Sabemos que em Portugal é politica das editoras, publicar preferencialmente, obras de nomes já consagrados. Pode esclarecer-nos se é por essa razão que prefere publicar os seus livros com editoras de países europeus, ou será porque como vive na Bélgica, é mais fácil a publicação de livros onde é mais conhecida?
DR – Esta pergunta está praticamente respondida acima, gostaria, contudo, de acrescentar que se não sou mais conhecida em Portugal ou pelos Portugueses não é certamente pelo facto de viver há muitos anos no estrangeiro. Venho a Portugal umas cinco vezes por ano e, nos primeiros anos após ter começado a escrever, até contactei autarquias e escolas da região em que vivo – Oeiras, Cascais, Lisboa. Ainda estou à espera de resposta, mas, curiosamente, algumas das propostas que lhes fiz na altura vi-as postas em prática anos mais tarde… com outros autores. Também no estrangeiro se nota entre as comunidades portuguesas esta tendência para ignorar os outros Portugueses (escritores, cientistas ou de outra actividade) que não fazem parte da elite consagrada em Portugal, mas que, por uma ou outra razão, beneficiam de um certo reconhecimento por parte das comunidades internacionais. E muito triste, mas enquanto as mentalidades não evoluírem, temos de aceitar essa realidade.
RO - Vimos que divulga e coloca à venda os seus livros, através da Internet, das editoras, e também de associações de amizade entre Portugal e países europeus. Pode explicar-nos quais as vantagens desses meios de comercializar e divulgar a sua obra e que tipo de compradores consegue atingir, assim?
DR – Acho que devemos acompanhar a evolução ou revolução
que está a acontecer no mundo, neste caso a nível da literatura, por isso, a
Internet é uma componente mais do que preciosa. Fico espantada com as
pessoas, dos mais diversos horizontes, que me contactam. Pergunto sempre a
mim própria « mas como é que eles me encontraram ? » Claro que é através de
palavras-chave. Também me acontece, quando eu própria faço uma avaliação do
meu grau de popularidade nos motores de pesquisa, encontrar sítios que
mencionam os meus livros ou os meus artigos; e não faço ideia de quem são.
Quanto às associações estrangeiras, com uma única excepção, em que tive a
oportunidade de conhecer a presidente e o marido num encontro em Portugal,
todos os contactos foram feitos através da Internet ou por intermédio de
algum evento em que participei e onde me conheceram. Foi assim que pude
estar presente em França, na Bélgica, no Luxemburgo, na Alemanha, na
Roménia… e até mesmo recentemente, quando fui à índia, tive oportunidade de
visitar uma escola
RO - Sabemos também que se dedica a actividades culturais, direccionadas ás
crianças, nas escolas. Como é solicitada para esse tipo de actividades?
Pelos professores, os pais ou os próprios leitores?
DR - Até agora,
quer as actividades nas escolas ou outras, como conferências, todas têm sido
solicitadas através das associações estrangeiras, dos professores, dos
contactos criados em eventos em que participei e, em menor escala, pelo
conselheiro pedagógico ou cultural de uma câmara.
RO - E fantástico, como vivendo na Bélgica, consegue desdobrar-se em
actividades e deslocações através da Europa. E também requisitada pelas
comunidades de emigrantes portugueses nos países que visita, para
actividades culturais? Nessas comunidades, como é a aceitação dos seus
livros?
RO - Por último, descobrimos que usa a Internet, para difundir as suas
actividades e obras literárias. Pode indicar aos nossos leitores os seus
sites, para ficarem a conhecer melhor todas as múltiplas facetas a que
dedica o seu talento?