pagina seguinte
 
poesia
 
cronicas
 
contos
 
cultura
 
educação
 
agenda cultural
 
humor
 
ambiente
 
solidariedade
 
assuntos europeus
 
ciência
 
tecnologia
 
colunas/empresa
 
biografias
 
 
 


O Pai Natal está constipado

picture of Barry's Adventure book

Il était une fois... une Maison

Le Théâtre des Animaux

Aventura do Barry

Aventure de Barry

 EDIÇAO Nº69 , 2º NUMERO  DE MAIO DE 2010      EDIÇAO Nº69, 2º NUMERO  DE MAIO DE 2010     EDIÇAO Nº69, 2º NUMERO  DE MAIO DE 2010      EDIÇAO Nº69, 2º NUMERO  DE MAIO DE 2010

COMENTARIOS GERAIS       COMENTARIOS TEXTO A TEXTO NO FINAL DE CADA ARTIGO.        COMENTE !        QUEREMOS OUVIR A SUA VOZ.         VEJA O NOSSO LIVRO DE VISITAS.

LINKS E SITES        Passe o rato para parar o scroll       OS NOSSOS FAVORITOS       Passe o rato para parar o scroll        OS MELHORES BLOGS       Passe o rato para parar o scroll

CARREGUE NOS ANUNCIOS DOS NOSSO BLOGS - MANTENHA O NOSSO JORNAL SEMPRE  INDEPENDENTE - Blog Um - Blog Dois - Blog Tres - Blog Quatro - Siga o seu noticiário dia a dia.    

Agenda de EventosEmail Blog UmMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Blog DoisOndas Musicais Blog Tres


FEEDS


BIOGRAFIA E ENTREVISTA

photo de l'auteurDULCE RODRIGUES

ESCRITORA PORTUGUESA RESIDENTE EM PORTUGAL E NA BELGICA

Quem é Dulce Rodrigues

O meu nome é Dulce Rodrigues e sou autora de LIVROS e do sítio para JOVENS www.barry4kids.net.

Nasci num dia de Primavera, já lá vão muitos anos... «Alfacinha» e portuguesa de nacionalidade e de coração, vivi grande parte da minha vida na cidade que me viu nascer. Mas embora traga Lisboa e o meu belo Portugal sempre no coração, a minha «aventura» profissional levou-me a outras cidades e países, e durante cerca de quarenta anos, reparti a minha vida profissional entre o meu país de origem - que adoro - e os países estrangeiros que adoptei e que me adoptaram. Isso tem-me permitido divulgar mais facilmente a enorme riqueza cultural do meu país e conhecer de perto novas gentes e mentalidades, o que inevitavelmente abriu o meu horizonte espiritual e influenciou a minha própria vivência.

Divido assim o meu tempo entre as viagens afectivas ou de lazer, e os livros. Escrever, sobretudo para crianças, é fonte de grande prazer e realização pessoal. E porque a língua é a alma de um povo, a melhor maneira que encontrei para compreender os outros foi aprender a língua deles. Sou poliglota, falo seis línguas vivas e escrevo regularmente pelo menos em três, o que me permitiu ganhar quatro prémios em concursos literários internacionais com contos para crianças em três línguas.

Os meus verdes anos passei-os no Bairro da Encarnação. Os meus pais mudaram-se para lá na véspera dos meus quatro anos. Ali frequentei a escola e encontrei os primeiros amigos e amigas, e muitas dessas amizades perduraram através do tempo; algumas, infelizmente, já nos deixaram prematuramente.

Fui uma adolescente como tantas outras, mas nesse período da minha vida começou a manifestar-se o meu interesse pela escrita, pela Ciência e pela História... Circunstâncias várias levaram-me, contudo, a seguir primeiramente o campo das Letras. Talvez porque comecei cedo a contactar com Alemães, uma vez que o meu pai praticamente sempre trabalhou na Siemens em Portugal, apaixonei-me pela língua alemã, e logo após ter terminado o meu curso do British Council, inscrevi-me no Goethe-Institut, que alguns anos mais tarde me ofereceu uma bolsa de estudos, o que me levou pela primeira vez a viver num país estrangeiro e a começar a tomar verdadeiramente gosto pelas viagens.

Regressei a Portugal, mas o apelo da Alemanha, que para uma jovem adulta da época representava a aventura e a liberdade, foi mais forte. Assim começou uma carreira profissional internacional que interrompi para voltar de novo para Portugal. Mas alguns anos depois parti novamente. E como a vida às vezes nos prega partidas, embora eu seja contra a guerra e contra tudo o que é violência, a verdade é que as minhas vivências profissionais no estrangeiro me levaram sempre a trabalhar com organizações de carácter bélico.

Nos anos 60, na Alemanha, fui tradutora de inglês/alemão junto do ENGCOMEUR, por outras palavras, do Comando de Engenharia das Forças Armadas Norte-americanas na Europa, entidade que pertencia ao Ministério da Defesa dos Estados Unidos. Anos mais tarde, já nos anos 80 e no Luxemburgo, fiz parte do pessoal internacional da NAMSA, ou seja, da agência da OTAN que faz a manutenção e reparação de material bélico para os países que pertencem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Foi esta organização que me ofereceu a minha segunda bolsa de estudos, quando paralelamente à minha actividade profissional me decidi a pisar de novo os campos universitários, desta vez com uma universidade inglesa, para finalmente realizar o meu sonho no campo da Ciência.

Tenho uma grande ânsia de aprender sempre e cada vez mais, e todos os assuntos me fascinam. A História é outra das minhas paixões. Adoro viajar e sou um pouco como o vento - sempre em constante deslocação. Mas aprecio igualmente o aconchego da minha casa, quer seja a de Portugal ou a da Bélgica. Sou uma apaixonada pela Natureza, pela sua grandeza e diversidade. Aprecio todas as formas de expressão artística, desde que elas nos transmitam Beleza, pelo que sinto uma grande tristeza quando penso na Arte - se é que podemos dar-lhe esse nome - que nos legou o final do século XX e com que se estreou o século XXI. E porque amo a Vida, ela também tem sabido amar-me.

Tenho dois filhos que são o melhor presente que a Vida me podia ter dado: Doutor Eduardo Rodrigues (Doutoramento em Física de Partículas) e Dr. Gustavo Rodrigues, MBA (Mestrado em Administração de Empresas).


ENTREVISTA A DULCE RODRIGUES

Raizonline (RO): - Como sabe já publicámos há alguns meses, um artigo sobre a sua actividade literária e cultural. Gostaríamos de a dar a conhecer melhor aos nossos leitores e portanto agradecemos que dentro do possível, nos esclarecesse alguns detalhes da sua carreira e actividades, através desta pequena entrevista. Assim não se importa de partilhar com os leitores do nosso jornal, como e quando começou a escrever  e porque escolheu dedicar-se á escrita infantil?

Dulce Rodrigues (DR) - Primeiramente, gostaria de agradecer o artigo que Raizonline publicou há alguns meses sobre as minhas actividades. Foi muito simpático da vossa parte. Agradou-me verificar que Raizonline se interessa pela cultura portuguesa e os seus actores e agentes de uma maneira geral, não unicamente por aqueles « consagrados » pelos meios de comunicação oficial.

Relativamente à vossa pergunta, a verdade é que esta paixão pela literatura infantil já vem de há muito. Como leitora, porque quando criança passava mais tempo doente do que o contrário, e as pessoas da família ou amigos que me visitavam levavam-se sempre um livro. Mas também como « contadora » de estórias às outras crianças, algumas mesmo da minha idade.

Infelizmente, a minha vida pessoal e profissional não me permitiram dedicar-me a essa actividade antes de me reformar, mas isso aconteceu mais cedo do que seria de esperar, por razões de saúde. Estávamos em Janeiro de 1999, eu tinha ido buscar o meu cão Barry que ficara no canil durante as nossas férias de Natal a Portugal e, nessa altura, veio-me à ideia escrever um livro infantil contando estórias de alguns dos meus animais de companhia ao longo dos anos. O livro foi publicado na Bélgica sob o título « L’Aventure de Barry, suivie d’autres histoires d’animaux et d’enfants ». Eram todas estórias verdadeiras, portanto, e a que dava o nome principal ao livro foi de facto a aventura vivida pelo meu Barry quando o trouxemos de Portugal para a Bélgica.

A título de curiosidade, atendendo a que tanto esse livro como o CD-Rom em português estão esgotados, tenciono fazer novas edições este ano, mas somente da aventura do Barry, como, aliás, foi o caso com o livro que publiquei recentemente nos Estados Unidos e Canadá. Quanto às outras estórias, umas já foram publicadas entretanto em francês como peças de teatro – e uma delas representada na Roménia e no Luxemburgo. Outras serão publicadas também isoladamente, quando a oportunidade se apresentar.

Veja este vídeo e outros da Barry4Kids após este através da lista final na YouTube

RO: - Já vimos que prefere escrever livros em edições bilingue, usando o português e o francês. Pode por favor, explicar-nos por que o faz e como lhe surgiu esta ideia?

DR – Há duas razões para isso. A primeira é que ter de propor os meus manuscritos aos editores não é propriamente a fase que mais me atrai no processo de publicação de um livro. E dirigir-me a um editor que nem sequer tem a cortesia de me responder ou, então, a resposta (negativa) que me dá é uma ridícula desculpa... sinceramente, nunca gostei de respostas que pretendem fazer dos outros parvos, por isso, desisti de contactar editores em Portugal. Em segundo lugar, falo seis línguas e escrevo regularmente pelo menos em três, o que me possibilita publicar directamente num outro país. Mas, como adoro a minha língua materna – o português, infelizmente tão maltratado em Portugal – obviamente que traduzo ou melhor, reescrevo os meus manuscritos nessa bela língua e tento sempre convencer o editor a publicar o livro bilingue. Como deve calcular, não é fácil, sobretudo que é do conhecimento geral no estrangeiro que os Portugueses não lêem – ou lêem muito pouco – e os editores não querem arriscar. Porque se um livro na língua do país se vende muito bem, mesmo sendo de um autor estrangeiro, o mesmo não acontece com um livro bilingue em que a outra língua não interessa ao comprador. Embora o meu « O Pai Natal está constipado » se tenha vendido muito bem até agora, possivelmente vender-se-ia muito melhor se fosse somente em francês, à semelhança dos outros livros.

Pessoalmente, devo dizer que sou pelos livros bilingues, na medida em que vivemos em sociedades cada vez mais multiculturais, em que as pessoas gostam de poder ensinar aos seus filhos a sua língua materna. Tenho recebido vários testemunhos nesse sentido… sempre de estrangeiros: Russos, Romenos, Chineses… E certamente que teria muito êxito em Portugal um livro bilingue Português - Romeno ou Português - Russo. Até não seria difícil para mim arranjar facilmente quem o traduzisse, visto que um dos meus ilustradores é romeno, tenho amigos russos e também ucranianos. Mas não tenciono, em princípio, contactar mais editores portugueses. Aqueles que estiverem interessados, encontram-me facilmente, como me encontram as pessoas que me escrevem dos quatro cantos do mundo, apesar de nunca nos termos conhecido

RO - Sabemos que em Portugal é politica das editoras, publicar preferencialmente, obras de nomes já consagrados. Pode esclarecer-nos se é por essa razão que prefere publicar os seus livros com editoras  de países europeus, ou será porque como vive na Bélgica, é mais fácil a publicação de livros onde é mais conhecida?

DR – Esta pergunta está praticamente respondida acima, gostaria, contudo, de acrescentar que se não sou mais conhecida em Portugal ou pelos Portugueses não é certamente pelo facto de viver há muitos anos no estrangeiro. Venho a Portugal umas cinco vezes por ano e, nos primeiros anos após ter começado a escrever, até contactei autarquias e escolas da região em que vivo – Oeiras, Cascais, Lisboa. Ainda estou à espera de resposta, mas, curiosamente, algumas das propostas que lhes fiz na altura vi-as postas em prática anos mais tarde… com outros autores. Também no estrangeiro se nota entre as comunidades portuguesas esta tendência para ignorar os outros Portugueses (escritores, cientistas ou de outra actividade) que não fazem parte da elite consagrada em Portugal, mas que, por uma ou outra razão, beneficiam de um certo reconhecimento por parte das comunidades internacionais. E muito triste, mas enquanto as mentalidades não evoluírem, temos de aceitar essa realidade.

RO - Vimos que divulga e coloca à venda os seus livros, através da Internet, das editoras, e também de associações de amizade entre Portugal e países europeus. Pode explicar-nos quais as vantagens desses meios de comercializar e divulgar a sua obra e que tipo de compradores consegue atingir, assim?

DR – Acho que devemos acompanhar a evolução ou revolução que está a acontecer no mundo, neste caso a nível da literatura, por isso, a Internet é uma componente mais do que preciosa. Fico espantada com as pessoas, dos mais diversos horizontes, que me contactam. Pergunto sempre a mim própria « mas como é que eles me encontraram ? » Claro que é através de palavras-chave. Também me acontece, quando eu própria faço uma avaliação do meu grau de popularidade nos motores de pesquisa, encontrar sítios que mencionam os meus livros ou os meus artigos; e não faço ideia de quem são. Quanto às associações estrangeiras, com uma única excepção, em que tive a oportunidade de conhecer a presidente e o marido num encontro em Portugal, todos os contactos foram feitos através da Internet ou por intermédio de algum evento em que participei e onde me conheceram. Foi assim que pude estar presente em França, na Bélgica, no Luxemburgo, na Alemanha, na Roménia… e até mesmo recentemente, quando fui à índia, tive oportunidade de visitar uma escola em Bombaim. Independentemente do aspecto financeiro, que na maior parte dos casos inclui também as despesas de deslocação, alojamento, refeições, há a considerar o aspecto do relacionamento humano, e esse para mim não tem preço, sobretudo quando se trata de crianças. A minha experiência na Etiópia é algo que nunca esquecerei. E o meu grande desejo seria poder lá voltar.

RO - Sabemos também que se dedica a actividades culturais, direccionadas ás crianças, nas escolas. Como é solicitada para esse tipo de actividades? Pelos professores, os pais ou os próprios leitores?

DR -  Até agora, quer as actividades nas escolas ou outras, como conferências, todas têm sido solicitadas através das associações estrangeiras, dos professores, dos contactos criados em eventos em que participei e, em menor escala, pelo conselheiro pedagógico ou cultural de uma câmara.

RO - E fantástico, como vivendo na Bélgica, consegue desdobrar-se em actividades e deslocações através da Europa. E também requisitada pelas comunidades de emigrantes portugueses nos países que visita, para actividades culturais? Nessas comunidades, como é a aceitação dos seus livros?

DR -  Como digo acima, as comunidades de emigrantes portugueses só se interessam normalmente pelos Portugueses consagrados em Portugal e parece, até, que fogem dos Portugueses com um certo reconhecimento no estrangeiro, mas pouco ou mal conhecidos no seu próprio país. Esta não é só uma constatação minha. Tive oportunidade de falar com outros Portuguesas por esse mundo fora, que me afirmaram sentir-se igualmente ostracizados pelas comunidades portuguesas dos países em que vivem.  E um tema muito complexo e que seria impossível explicar agora aqui. E é verdadeiramente uma pena, pois eu gostaria de poder passar às gerações mais novas, nas escolas e liceus, pelo menos um pouco da minha grande experiência, pois tive a sorte de fazer um percurso completamente diferente da grande maioria dos Portugueses da minha geração e gerações imediatamente seguintes. Já nos anos 60 eu viajava sozinha por esta Europa, mesmo a um país do antigo bloco de Leste. Estudei e trabalhei no estrangeiro e, quando na Alemanha, tive o prazer de ser tradutora de inglês/alemão junto do Comando de Engenharia do Exército Norte-Americano, que dependia do Ministério da Defesa Norte-Americano. Uma experiência extraordinária, mas não a única a contar. Se eu fosse americana e, sobretudo, se vivesse nos Estados Unidos, dificilmente teria tempo para corresponder a todas as solicitações para palestras e actividades semelhantes.  Mas como sou portuguesa…

RO - Por último, descobrimos que usa a Internet, para difundir as suas actividades e obras literárias. Pode indicar aos nossos leitores os seus sites, para ficarem a conhecer melhor todas as múltiplas facetas a que dedica o seu talento?

DR – Terei o maior gosto nisso. Tenho um sítio pessoal em três línguas – www.dulcerodrigues.info – onde se podem encontrar variadas rubricas, algumas das quais remetem para blogues meus, por comodidade de espaço. Tenho também o meu sítio infanto-juvenil, de componente didáctica, www.barry4kids.net , em quatro línguas e sempre em constante evolução, embora às vezes esteja um pouco em atraso (como aliás o meu pessoal), tanto por falta de tempo da minha parte, como da criadora gráfica, que é uma jovem ilustradora portuguesa. Algumas das minhas fotos encontram-se espalhadas por vários sítios de partilha, também por razões de espaço. Normalmente, de uns sítios pode-se passar para os outros.

Despeço-me agradecendo a Raizonline a oportunidade que me deu e que muito apreciei, e a todos os que me lêem o meu « até breve ».

 

Comente esta página