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Poesia de Joaquim Sustelo

(Ver Nota biográfica)

 

 

A GAIVOTA

Eu pus um sonho a voar
Nas asas duma gaivota...
Um sonho de liberdade
De paz, amor e carinho;
Num impulso sobre o mar
Ela tomou sua rota
Cheia de força e vontade
De vencer todo o caminho.

Esperei dias, esperei noites
Pelos ventos de mudança...
Mas chegou-me um vento frio
Gélido todos os dias;
Ondas do mar em açoites
Rodopiam numa dança
Batendo no cais vazio
Em alvoradas sombrias.

Talvez a minha gaivota
Tivesse perdido o rumo...
Quem sabe se o sonho voa
Pelas terras de ninguém...
Ou ao lembrar-me em risota
Tenha perdido o aprumo,
Não achando ideia boa
Levar um sonho de alguém.

Talvez tenha sucumbido
Caído nalguma vaga…
Sem cumprir essa missão
Que eu com afecto pedira;
Talvez não vendo o sentido
Ou achando não ser maga
Largasse o sonho - ilusão
Como mais uma mentira.

Vou ao cais de vez em quando
Como quem inda acredita,
Mas perdendo quase a esperança
De alguma coisa mudar...
De gaivotas vejo um bando,
Vou escolher a mais bonita!
A ver se leva e não cansa,
Este meu sonho a voar.


Joaquim Sustelo
(editado em OS MEUS CAMINHOS)

 

 Pode ouvir e ler este poema recitado pelo autor carregando no play acima.

Tão Longe...

(acróstico, à minha amiga Maria Eveline Frenzel)

Moras tão longe... para além dos ecos
Aqueles que ao chamar-te, aqui invento;
Rasgam os ventos os espaços secos
Irrompem seus gemidos pelos becos
Ah! Mas tu moras para lá do Vento!

Ergo os meus sonhos para te encontrar,
Viajam nuvens com eles no espaço...
E o tempo voa no imenso mar
Lá onde vogo para te abraçar
Inda que o tempo me pareça escasso

Nada se vislumbra do verde em teus olhos
E só... tão somente... barreiras, escolhos!

Franze-se-me a alma na distância imensa
Rasgam-se as pupilas, faíscam-me lume!
Eis que então me chega no ar que se adensa
Nua, invisível, uma fragrância intensa
Zumbidos no vento... um rasto em perfume...

Es tu a chegar, matando a saudade
Laivos de ternura se em ti me concentro...

- Moras tão longe da minha cidade
Mas perto, tão perto!... que me estás cá dentro.



Joaquim Sustelo
(editado em MURMURIOS NO TEMPO)

 

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