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EDIÇAO NºLXIV
, I NUMERO DE ABRIL DE 2010 -
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21 gramas de Incertezas
Cynthia Kremer
Estava lendo uma matéria da revista IstoE, com o tema: «11 perguntas que os
cientistas ainda não conseguem responder» e uma delas, se referia à «alma». Ou
peso atribuído à «alma».
Foi o que afirmou o médico americano Duncan MacDougall, em 1907, quando quis
comprovar a existência da alma. Sua teoria era que qualquer ser humano, não
importando o tamanho ou a idade, perdia, na hora exata da morte, 21 gramas.
O que para ele, seria esse, o peso da alma. Já para o neurologista Gilberto
Fernando Xavier, «a alma nada mais é do que os bilhões de neurônios do cérebro
alimentados pela formação cultural e toda sorte de informação que um indivíduo
recebe durante a vida». Me identifico mais com a segunda hipótese.
Segundo os espíritas, nós, quando nascemos, somos possuídos por uma alma, a
essência do que somos. Eles afirmam também, que esta mesma «alma» ou «espírito»
que nos possui, que nos dá vida agora, já possuiu e deu vida a centenas de
outros corpos antes. E que nós somos o resumo de todas as suas existências
anteriores. Quando eu digo «suas», é porque a partir do momento em que não tenho
consciência de que vivi vidas anteriores, a minha percepção de que pertenci,
vivi em outros corpos, é muito abstrata. não consigo dizer «minhas existências»
anteriores, se somos lacrados, formatados e zerados de qualquer remota lembrança
de uma possível existência anterior, quando nascemos.
Então o que chamam «alma», ou «espírito», não poderia ser a nossa própria
psique? A essência do que somos? A consciência de nós mesmos que pode advir do
nosso ego, do nosso Id? um conjunto estruturado do cérebro humano que nos dá a
identidade que temos, a percepção da nossa própria existência. Uma única e
intransferível digital genética (nosso Id) que ganhamos ao nascer e que em
conjunto com as experiências que adquirimos ao longo da vida, que como um
«modulador», (nosso Ego) nos dá a exata medida do que somos e/ou nos tornamos à
partir da genética cerebral primária, com a qual vamos construindo a nossa
psique?
Eu me pergunto isso, porque não creio em reencarnação. Suponho que quando
morremos, cerramos qualquer tipo de vida, incluíndo a extra-corpórea. O que mais
me faz crer que o que existe é o aqui e agora, é muito mais uma questão
matemática do que filosófica. Se existem hoje, muito mais corpos habitando o
planeta, do que por exemplo, há 2 mil anos atrás, como então seria possível a
«lei da reencarnação», onde se compreende que uma mesma alma que habita hoje um
corpo, já habitou centenas de outros corpos no passado? Obviamente, há mais
demanda de almas hoje - por existirem mais corpos - do que há 2 mil anos atrás.
De onde vêm então, todas as «novas almas»? Pois seria impossível que
continuassem sendo as mesmas. Decerto iriam sobrar muitos corpos a serem
habitados...