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Poesia de Ana Barbara Santo António 

Vive no Porto - Sabe Língua portuguesa, Língua francesa, Língua castelhana e 3 outras. Natural de Torre De Dona Chama, Bragança.

 

DIALOGO de um sonhador NOITE & DIA(musa)… à beira-mar


Dos meus sentidos intactos abrem-se fissuras tácteis na palma da alma
partilho completamente o teu gosto, mas com uma boa companhia, com uma cumplicidade mutua e sem ninguém por perto para quebrar o momento
instantes que podem ser imaginados mesmo com este dia cinzento e molhado... por isso o sol dentro de ti quando esta a chover
imaginação.... essa pode levar-nos onde mais queremos, uso-a como arma secreta em alguns momentos, mas neste momento queria mesmo era sentir a areia debaixo dos pés
nada que não se possa sentir... secretamente escapulindo-se para esse areal imaginado
por mim era já, largava tudo e partia, não olhava para o ontem, e nem perdia mais tempo
o tempo não existe na imaginação
pode existir, no âmbito de o podermos parar ou esticar, prolongar certos momentos
perdidos no tempo
dois pensadores sempre são melhores que um só
existencial sentir num imaginário de solidões
com pensamentos secretos e quentes, húmidos como o tempo
pálidos e excitantes
ofegantes com respiração ritmada
gestos e carícias de enlouquecer
peles meladas de roupas coladas, com cheiro de terra
corpos extenuados no sentir
lábios murmurantes de sussurros com asas
dança de mãos num bailado de olhares
indiferentes com o redor
com o jogo das incertezas
mimos dedicados
e muitas outras proezas
como dois escorpiões tentando ferroar-se mutuamente
diante de um julgado de mar bravio barulhento e chuva intensa
a areia sulcada de grossas gotas e marcas de pés nus
a roupa sai do corpo por gestos manipulados
os corpos fundem num só
resvalam como duas enguias
sem atrito sem pudor
mordidelas suaves no corpo
textura sentida nas palmas das mãos
sopros de brisa marítima modelam arrepios na pele
formas que se elevam entesam
olhos que fumegam em delírio
bocas que sorvem beijos de chuva
mãos que se digladiam em martírio
momentos pelos quais não se quer parar
aceleração e abrandamento constante
a forja recebe o metal derretido
os uivos de dois lobos ecoam no horizonte
as garras de duas águias rasgam a pele
as vagas revoltadas fazem ninho em espuma branca
o mar parece vazio diante de tão intenso sentido
cheio de desejo cavando na pele fome de beijos
a praia é uma terna e doce manta
adoras a imaginação… iol
és uma poetisa com estilo
vives o momento e sentes a emoção
mas eu deixo-me levar, envolvo-me e sinto-me febril, ardente e emocionalmente envolvido
fico com vontade e desejo de um toque, de uma carícia de um beijo…

sonhador Noite & Dia musa

 

 

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