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FEEDS




 

Amar é o Remédio.(Bullying em questão)

Por Meg Klopper (Veja nota biográfica)

Eu queria estrear minha participação no Raizonline com uma prosa, um conto ou algo bem leve e alegre para levantar a moral e o astral de quem lê. Mas sei que um jornal é uma actividade que visa colectar, investigar, analisar e transmitir ao grande público informações da actualidade para difundi-las. Por isso, hoje, estreando, eu quero divulgar algo que me incomoda como pessoa e como mãe. Dirijo um apelo a sociedade.

Existe uma palavra que anda na mídia em geral, mas o povo mal sabe o que significa. Sabem que é algo ruim, mas o significado dessa palavra é muito abrangente, é muito grande e gera conflitos e males de toda espécie. Bullying... Estou a falar de Bullying, um assunto polémico, mas necessário.

E o que é Bullying?

«E definido como a imposição de sofrimento intencional em relações de desigualdade. Compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adoptadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os actos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais que tornam possível a intimidação da vítima.

Não se trata de um fenómeno tão moderno, mas, actualmente, os pais andam preocupados porque o Bullying se alastrou nos locais onde há grupos de crianças e jovens, principalmente nas escolas. Todos temem que seu filho seja alvo de humilhação, exclusão ou brincadeiras de mau gosto por parte dos colegas.
Uma realidade que actualmente vitimiza uma parcela considerável de estudantes e que pode acarretar em atitudes extremas como as tragédias escolares que nos últimos dez anos vêm sendo noticiadas com frequência pela mídia.

«Os jovens de hoje são mais agressivos do que os das gerações anteriores», afirma o psicólogo e pedagogo italiano, Alessandro Costantini.

EM PORTUGAL

Desde 1997 que a investigadora do Instituto de Estudos da Criança, Maria Beatriz Pereira, trabalha sobre a violência escolar. Em 2002 publicou o livro «Para uma escola sem violência. Estudo e prevenção das práticas agressivas entre crianças».

. De acordo com os dados então recolhidos, em Portugal pensa-se que «uma em cada cinco crianças e jovens é afectada pelo bullying».

Dos seis mil e duzentos estudantes do 1º, 2º e 3º Ciclo, observados no triénio 1995/97, a equipa de Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está «intimamente» ligado ao bullying.

«Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros».

A «única solução» para reduzir os efeitos das agressões físicas e verbais é, para a docente da UM, «a criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir».

«A comunidade educativa tem que reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual, uma equipa vai definir as regras de intervenção», sustentou a investigadora

PORTUGAL

A história de Leandro, o menino que se atirou ao rio Tua supostamente por estar cansado das agressões dos colegas da escola, colocou o bullying no centro das atenções. As escolas têm dificuldade em lidar com este problema e há investigadores que defendem uma campanha nacional de sensibilização.

Leandro tinha 12 anos, frequentava a EB 2,3 Luciano Cordeiro em Mirandela, e lançou-se ao rio Tua supostamente por ter sido vítima de bullying, agressões físicas e psicológicas de forma continuada e repetida, por parte dos seus colegas de escola. O alegado suicídio da criança chocou o país e o debate sobre a violência no interior dos portões da escola reacendeu-se.

O que é necessário fazer? Justifica-se uma estratégia nacional? O Ministério da Educação deve definir regras para combater estas situações? As escolas estão preparadas para lidar com estes casos? Como devem ser tratadas as vítimas de bullying? Qual o acompanhamento a dar aos pequenos agressores? E qual deve ser o papel dos pais?

BRASIL

- (O Globo RJ, editorial - PAÍS, 28/1/2003). - «Ex-aluno invade escola atira em oito crianças e se mata».

EUA

22-Abr-2007 - Bullying pode ser umas das explicações para a tragédia nos EUA. Conhecida como agressão moral, prática é comum e pode levar à depressão.

O estudante Cho Seung-Hiu, 23, autor do massacre que resultou na morte de 32 pessoas na Universidade de Tecnologia da Virgínia, nos Estados Unidos, foi vítima de bullying escolar. Segundo seus colegas disseram à rede NBC que ele era ridicularizado durante o ensino médio por causa do excesso de timidez e pelo «jeito esquisito de falar».

Para os especialistas, a agressão moral sofrida por Seung - Hiu pode ser uma das explicações para o ataque. O estudante, que também apresentava transtornos psicológicos, se suicidou após o tiroteio.

JAPAO

sábado, 13 de março de 2010 - Bullying: Do conto infantil a tragédia social

A princesa japonesa Aiko foi vítima de «assédio escolar» no colégio em que estuda.

Vejam a nota:

«A princesa, que estuda na renomada escola Gakushuin, em Tóquio, se queixou de dor de estômago e ansiedade, e desde terça-feira passada não foi à escola, segundo um porta-voz citado pela agência «Kyodo».

Aparentemente, um grupo de meninos da escola intimidou vários colegas, entre eles a princesa Aiko, o que levou o Palácio Imperial a intervir e pedir aos responsáveis pelo colégio para solucionarem o problema, informou o porta-voz. Esta é a primeira ocasião na qual a Casa Imperial japonesa intervém para resolver problemas no colégio da pequena Aiko.

 

Casos Infelizmente famosos

1. 1. No dia 19 de novembro de 2004, em Atlanta, Estados Unidos, duas meninas de 13 anos foram presas por terem feito um bolo com remédio vencido, lixívia, barro e molho de pimenta, que depois, serviram aos colegas da escola. Doze adolescentes foram parar no hospital por causa da maldade das garotas.

2. 2. Eric Harris, de 17 anos, e Dylan Klebold, de 18, sem antecedentes criminais, no dia 30 de abril de 1999, armados, invadiram o colégio Columbine High School (Colorado, Estados Unidos), onde estudavam, e mataram 13 pessoas. Depois do massacre, os jovens se suicidaram. A explicação para a tragédia é que ambos eram alvos de chacota de colegas e professores. Essa rejeição causou revolta nos meninos, que acabaram tomando atitudes extremas.

Temos que ficar atentos para as causas e para a origem desse triste fenómeno que assola negativamente grande parte da sociedade mundial.

Onde o Bullying ocorre?

O BULLYING é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição, seja primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.

As escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING entre seus alunos, desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo temendo, porventura, que sejam responsabilizadas.

• Os autores são, comumente, indivíduos que têm pouca empatia. Geralmente pertencem a famílias desestructuradas, nas quais há pouco relacionamento afectivo entre seus membros. Seus pais exercem pouca supervisão sobre eles e fomentam , como modelo para solucionar conflitos, o comportamento agressivo ou explosivo. Admite-se que aqueles que praticam o BULLYING têm grandes probabilidades de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos podendo, inclusive, tornarem-se delinquentes ou criminosas.

• Os alvos são pessoas frágeis ou grupos que são prejudicados ou que sofrem as consequências dos comportamentos de outros e que não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os actos danosos contra si.

• São, geralmente, pouco sociáveis. Um forte sentimento de insegurança os impede de solicitar ajuda;
São pessoas sem esperança quanto às possibilidades de se adequarem ao grupo;

• A baixa auto-estima é agravada por intervenções críticas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento. Alguns crêem que são merecedores do que lhes é imposto.

• Têm poucos amigos, são passivos, quietos e não reagem efectivamente aos actos de agressividade sofridos. Muitos passam a ter baixo desempenho escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a simular doenças.

• Trocam de colégio com frequência, ou abandonam os estudos. Há jovens que devido a depressão causadas pelo Bullying, muitas vezes tentam ou cometem suicídio.

• As testemunhas, representadas pela grande maioria dos alunos, convivem com a violência e se calam em razão do temor de se tornarem as «próximas vítimas». Apesar de não sofrerem as agressões directamente, muitas delas podem se sentir incomodadas com o que vêem e inseguras sobre o que fazer. Algumas reagem negativamente diante da violação de seu direito a aprender em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Tudo isso pode influenciar negativamente sobre sua capacidade de progredir académica e socialmente.

Existe a chamada síndrome do Bullying?

• O portador dessa síndrome possui necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e pertencendo a um grupo; de auto-afirmação, de chamar a atenção para si. Possui ainda, a inabilidade de expressar seus sentimentos mais íntimos, de se colocar no lugar do outro e de perceber suas dores e sentimentos.

• Esta Síndrome apresenta rica sintomatologia: irritabilidade, agressividade, impulsividade, intolerância, tensão, explosões emocionais, raiva reprimida, depressão, stress, sintomas psicossomáticos, alteração do humor, pensamentos suicidas. E oriunda do modelo educativo predominante introjectado (absorvido) pela criança na primeira infância. Sendo repetidamente exposta a estímulos agressivos, eversivos (causa destruição) ao seu psiquismo, a criança os introjecta (absorve) inconscientemente ao seu repertório comportamental e transforma-se posteriormente em uma dinâmica psíquica “mandante” de suas acções e reacções. Dessa forma, se tornará predisposta a reproduzir a agressividade sofrida ou a reprimi-la, comprometendo, assim, seu processo de desenvolvimento social.

E o Bullying envolve muita gente?

A pesquisa mais extensa sobre BULLYING, realizada na Inglaterra, registra que 37% dos alunos do primeiro grau e 10% do segundo grau admitem ter sofrido BULLYING, pelo menos, uma vez por semana.

Os meninos, com uma frequência muito maior, estão mais envolvidos com o Bullying, tanto como autores quanto como alvos. Já entre as meninas, embora com menor frequência, o BULLYING também ocorre e se caracteriza, principalmente, como prática de exclusão ou difamação.

Como os pais podem perceber que seu filho está sendo alvo de «bullying»? - Quais são as mudanças mais visíveis que o alvo passa a apresentar?

• Comportamento agressividade, isolamento, depressão, ansiedade, medo;
• Sentimento - baixa auto-estima, desejo de morte;
• Relacionamento com a escola - notas baixas, não cumprimento das tarefas, desejo de não ir à escola;
• Danos à saúde - dores de cabeça, dores abdominais, anorexia, bulimia, alterações digestivas;
• Outras alterações - roupas e materiais danificados, feridas inexplicáveis, pedidos de dinheiro ou retirada de dinheiro escondido, perda do lanche, desatenção, esquecimento etc.

Quais são as consequências psicológicas do Bullying?

As consequências para as «vítimas» desse fenómeno são graves:

Alvos do Bullying (os agredidos):
• Promovem no âmbito escolar o desinteresse pela escola, o deficit de concentração e aprendizagem, a queda do rendimento, o absentismo e a evasão escolar.
• No âmbito da saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na auto-estima, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, a depressão e o suicídio.

Consequências para o Agressor (Para os que cometem o Bullying):

• Para os «agressores», ocorre o distanciamento e a falta de adaptação aos objectivos escolares, a super valorização da violência como forma de obtenção de poder, o desenvolvimento de habilidades para futuras condutas delituosas, além da projecção de condutas violentas na vida adulta.

Consequências para os espectadores do Bullying:

• Para os «espectadores», que é a maioria dos alunos, estes podem sentir insegurança, ansiedade, medo e estresse, comprometendo o seu processo sócio - educacional. Temem ser atingidos pelo Bullying.

Portanto, vemos no dia-a-dia acontecimentos que nos deixam inseguros e amedrontados quando percebemos que não podemos impedir esta acção violenta se não houver uma consciência colectiva de que é em casa que tais atitudes podem começar a ser coibidas. Nossos filhos vão para escola para adquirir intelecto, instrução, cultura e, principalmente, se integrarem à sociedade.

Uma escola é formada por diferentes pessoas, ou seja, por aqueles que a dirigem, por aqueles que ensinam (professores) e por aqueles que aprendem os ensinamentos (alunos). Entre a família e a escola deve existir uma unidade e uma sintonia de princípios e de valores para que actos assim não venham destruir sonhos e emporcalhar a vida social, já que é facto vergonhoso comparado ao crime que desfila nos Tribunais.

OS PAIS E SEUS MOTIVOS

Os pais têm por hábito dizer: Coloco meu filho na escola para que tenha uma boa educação. Mas não podemos confundir «Educação Escolar» com «Educação Familiar».

A escola representa um complemento, uma direcção e um viés na educação familiar. Assegura a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano e é responsável pela sua manutenção e perpetuação às gerações que se seguem, dos modos culturais de ser, estar e agir necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo ou sociedade.

A educação familiar é responsável pela formação do ser humano, já que crianças necessitam de adultos que sirvam de modelos, nas quais possam se inspirar. Não há dúvidas de que muitos factores contribuem para que este tipo de comportamento seja praticado. Sendo assim, não basta apenas punir os agressores/autores, é necessário que se tenha conhecimento do ambiente familiar em que está inserido, qual o papel desempenhado nesse ambiente, quais são suas dificuldades e de que maneira é tratado por seus familiares, uma vez que estes factores aliados a um ambiente escolar propício para a violência, contribuirão cada vez mais para que o aluno que provoca o Bullying se torne muito mais agressivo com seus colegas e até com seus professores.

Na adolescência, é necessária uma atenção redobrada. Por mais que os educadores desempenhem papel de grande importância na orientação da criança, não exime os pais da responsabilidade maior na educação de seus filhos. Pais e responsáveis não podem transferir totalmente para a escola a difícil tarefa de educar, deixando de lado da sua principal responsabilidade: acompanhar a formação integral do seu filho.

E necessário que as famílias se mobilizem para mostrar aos seus filhos que não vale a pena menosprezar, humilhar, caçoar, desfazer, zombar, enfim, fazer que alguém sofra desnecessariamente. Não há motivo para vivermos como animais selvagens que brigam por um espaço. Não é admissível que o mundo, a nossa casa, torne-se mais difícil para viver, graças ao mau humor ou a falta de educação daqueles que não sabem conviver em sociedade.

Pessoas que agem dessa forma, naturalmente, vivem à margem da sociedade e infernizam aqueles que apenas desejam viver, progredir e aprender, mas que são vetados à liberdade e a própria felicidade porque o seu irmão, aquele que está com ele diariamente não consegue conviver em grupo sem se mostrar superior.

Assim sendo, meu objectivo é tentar sensibilizar aos educadores, as famílias e a sociedade para a existência do problema e suas consequências, despertando-os para o reconhecimento do direito de toda criança e adolescente a frequentar uma escola segura e solidária, capaz de gerar cidadãos conscientes do respeito a pessoa humana e as suas diferenças.

A escola, decerto, representa um importante papel em todo esse contexto, já que é no ambiente escolar que o Buylling ocorre com maior frequência. Mas, por outro lado, cabe aos pais ou responsáveis conversarem mais com suas crianças e adolescentes, alertando-os para um comportamento mais humano e fraterno.

«Uma casa sem alicerce desmorona» e uma criança sem base e apoio familiar pode sofrer graves consequências futuras. Portanto, é necessário que no ambiente familiar haja muito diálogo, compreensão e principalmente AMOR, pois todos os actos de uma criança são adquiridos no seio de sua família ou no meio que frequentam e são exteriorizados da forma que eles aprenderam através dos exemplos e direcções que lhes foram oferecidos.

Termino o artigo com uma frase de um homem que um dia concorreu ao Prémio Nobel da Paz. Ele não ganhou o prémio, mas como ele mesmo disse, ficou com a paz do prémio. A frase é assim:
«Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.» CHICO XAVIER

 

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