EDIÇAO NºLXIII
, V NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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José Varzeano
Fontes
de Zambujo montes do sul da Freguesia do Pereiro
Iremos hoje abordar estas três pequenas povoações relativamente perto umas das outras e que se distinguem, como é habitual, por de Cima, de Baixo e do Meio. As Memórias Paroquiais (1758) apresentam-nas no seu conjunto tal como indicamos. Situam-se como o título refere na parte sul de freguesia, aquela que sem dúvida tem melhores solos no aspecto agrícola e é por lá que se encontra o maior e melhor número de árvores, principalmente oliveiras e azinheiras.
Enquanto
no nosso trabalho, A Freguesia do Pereiro (do concelho de Alcoutim) «do passado
ao presente», 2007, fizemos a abordagem separada, aqui vamos fazê-la em conjunto
até porque há dados que são fornecidos sem qualquer distinção.
Para as encontrarmos, uma vez na sede de freguesia, a aldeia do Pereiro, tomamos
já dentro dela o caminho municipal nº 1051 e que foi concluído em 1988.
Passamos o Barranco da Aldeia e depois o da Fornalha. Deixamos à direita dois
moinhos há muito desactivados e mais adiante o despovoado monte da Silveira. A
estrada ainda que estreita é asfaltada e suficiente para o movimento que
suporta. Foi repavimentada em 2001. (1) Começa-se a descer e as oliveiras a
aparecer nos terrenos mais baixos, enquanto nas encostas algumas amendoeiras. Um
pequeno desvio à esquerda leva-nos a um «monte» situado bem no alto de um cerro,
estamos na Fonte Zambujo de Cima.
Junto ao «monte» ainda havia terrenos limpos e produtivos.
Uma
eira e chaminé interessante datada de 1967. Energia eléctrica só depois do 25 de
Abril. A água foi distribuída por cinco fontanários e levada ao domicílio em
2005(2). Existiam três furos artesianos particulares.
As ruas da povoação foram pavimentadas em 1993 e colocado painel de caixas do
correio em 1996. Fica a 4 km do Pereiro. A pastorícia era actividade importante
para os moradores, 15 em 1991 e 11 dez anos depois, segundo os censos
populacionais. Já em 1771 o era como provam os manifestos feitos por António
Rodrigues, João da Palma Cavaco e Manuel Lourenço e constituído por centenas de
cabeças, nomeadamente cabras e ovelhas. (3) As Memórias Paroquiais (1758)
referem como produtos da terra trigo, cevada, centeio e linho (quesito 15).
A nível histórico referimos que com o liberalismo, António Gonçalves, natural de Alcaria Ruiva, concelho de Mértola, e que veio casar com a filha de um lavrador local (Ana Cavaco) (4), presidiu à Junta de Paróquia entre 1835/38 e em 1839 era o Procurador Fiscal na Câmara de Alcoutim. Em 1850/51, exerceu o cargo de Juiz Eleito da freguesia em que residia. Foi vereador na Câmara de Alcoutim pelo menos em 1854 tendo assumido a presidência da mesma entre 1855/58.
António
Cavaco e José Guerreiro eram dos maiores contribuintes da freguesia. Igualmente
em 1858, António Botelho pertencia à Junta de Paróquia e José Guerreiro foi Juiz
Eleito em 1854. O já referido António Cavaco ou outro com o mesmo nome,
juntamente com outros lavradores da freguesia, em 1891, comprometeram-se a
adiantar «verbas que estavam em falta por alguns fregueses», a fim dos serviços
da padroeira (igreja matriz) poderem funcionar até ao pagamento das importâncias
em falta, isto desde que a Junta de Paróquia não lançasse por enquanto a
contribuição (derrama) que a lei lhe facultava.(5)
Fomos procurar a segunda Fonte de Zambujo. Voltámos a percorrer em sentido
inverso o pequeno ramal que nos tinha levado ao monte de Cima, voltando assim à
estrada municipal 1051. Mil metros andados encontramos o pequeno núcleo
populacional que procuramos. Era lá que se encontrava, por ter uma posição
central, a escola do ensino primário que reunia as crianças dos «montes»
próximos, desactivada em 1982 por falta de alunos e aproveitada, após restauro e
adaptação, para núcleo museológico, A Construção da Memória, inaugurado em Junho
de 1998 (6) mas depressa encerrado como não podia deixar de ser.
Ainda havia (1992) um rebanho de 100 ovelhas. Dois fontanários para três
moradores. Em 1931 foram concedidos 500$00 para arranjo do poço existente,
trabalho fiscalizado pelo vereador da Comissão Administrativa da Câmara, José
Teixeira .(7)
Alguém,
um dia, trocou, por pura ignorância, o topónimo Lombada por Lombardos, isto
aconteceu já depois do 25 de Abril quando se fez a actualização de um primeiro
folheto turístico mandado editar pelo então presidente da Câmara, Luís Cunha. O
desdobrável, a cores, veio cheio de gralhas o que aborreceu bastante aquele
nosso Amigo, como nos manifestou. Com a Corografia do Algarve, de Silva Lopes,
aconteceu o mesmo como se pode verificar.
Já fomos acusados do erro nos pertencer por na chamada «Monografia de Alcoutim»
termos publicado um mapa do concelho onde o erro existe. Acontece que este mapa
nos foi fornecido pela Câmara Municipal e só posteriormente o detectámos. O que
mais nos confrange é a Entidade responsável continuar a insistir no erro apesar
de todos os reparos feitos. Fá-lo por teimosia ou ignorância.
Lombada é a Fonte de Zambujo do Meio já que se situa entre a de Cima e a de
Baixo. Era esta a designação que se lhe atribuía pelo menos em meados do século
passado. (8) O topónimo Lombada, de que existem vários exemplos no país, é de
origem topográfica, do substantivo feminino lomba.
Para alcançar o «monte» que nos falta, o de Baixo, continuamos a descer na mesma
estrada, para pouco depois subirmos, pois a pequena povoação situa-se numa
elevação. Distará cerca de 6 km da sede da freguesia.
O
monte recebeu energia eléctrica, arranjo das ruas e o fornecimento de água
praticamente na mesma altura que os seus homólogos. A última vez que lá
estivemos (2007), só dois fogos eram habitados com efectividade. A estrada
termina neste «monte» e existe um caminho para as Soudes. As Memórias Paroquiais
de 1758 atribui às Fontes de Zambujo 23 vizinhos (fogos) e setenta e duas
pessoas e Silva Lopes, na Corografia do Algarve, 1841, mas referente ao ano de
1839, indica que as Fontes do Zambujo têm 16 fogos. Nos dois últimos censos
existem duas indicações: - Fonte Zambujo e Fonte Zambujo de Cima. Pensamos que a
designação de Fonte Zambujo corresponde ao que designamos como a de Baixo e a do
Meio.
Deixámos
para o fim aquilo que costumamos fazer no princípio, a abordagem do topónimo.
Trata-se de um topónimo composto por Fonte e Zambujo e de fácil explicação.
No nosso país, na Galiza e no Brasil, «Fonte» é um topónimo muito frequente, só
ou acompanhado, existindo também variadíssimos derivados.
A existência de água e consequentemente de «fontes» foi sempre indispensável e
importante para a fixação do homem, o que aqui veio a acontecer. Para a
distinção de qualquer outra recorreu-se ao reino vegetal optando-se pelo zambujo
(zambujeiro ou azambujeiro) certamente devido à sua existência na zona e que por
enxertia veio a originar oliveiras.
O topónimo tem sido designado ao longo dos tempos por Fontes de Zambujo, Fontes
do Zambujo ou Fonte Zambujo, o mais recente.
E é o que se nos oferece dizer sobre estes «montes» hoje quase despovoados.
NOTAS
(1) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 8 de Setembro de 2001, pág. 3
(2) – Alcoutim, Revista Municipal, nº 11, de Janeiro de 2005, pág. 9.
(3) – Livro de Manifestoz e Arolam. to da Camera doz Gadoz, iniciado antes de
1771 (faltam folhas)
(4) – Assento de Óbito nº 19, de 8 de Setembro de 1866 (Freguesia do Pereiro),
in Arquivo Distrital de Faro.
(5) - Acta da Sessão da Junta de Paróquia do Pereiro de 21 de Janeiro de 1891.
(6) - “Alcoutim inaugura Museu do Pereiro”, in Jornal do Algarve de 2 de Julho
de 1998.
(7) – Acta da Sessão da Câmara Municipal de Alcoutim de 6 de Agosto de 1931
(8) – Vide acta da Sessão da Junta de Freguesia do Pereiro de 28 de Fevereiro de
1942
Publicado por José Varzeano
Nota Raizonline: Indice de fotos (de cima para baixo)
[Fonte Zambujo de Cima, 1992. Foto JV]
Publicado por José Varzeano
BLOG ALCOUTIM LIVRE - jose.varzeano@gmail.com
[Chaminé de 1967. Foto JV, 1992]
[Fonte Zambujo de Cima, 2006. Foto JV]
[Lombada ou Fonte Zambujo do Meio. Foto JV, 2006]
[Oliveiras e montado. Foto JV, 2006]
[Fonte Zambujo de Baixo. Foto JV, 2006]