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EDIÇAO NºLXIII , V NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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TIA ZENAIDE !

CONTO POR JOSÉ GERALDO MARTINEZ

 

 

Engraçado, esta tarde eu tive uma recaída de saudosismo! Acho que foi pela presença da minha tia Zenaide, vinda lá de Uberlândia. Conversa vai, conversa vem... Notícias dos primos e parentes, novidades tantas que acabei chegando a conclusão que sou mesmo um ser à parte da família.

Não demorou para os quitutes serem discutidos, lembrados com cheiro e tudo. Na infância eu era um ser presente, muito presente! Adorava as tias e primos e nas tardes quentes da bucólica Araçatuba de então, fartava-nos de sol, riachos, bolas e traquinices.

Tratei logo de coar um café, afinal, estaria recebendo a tia Zenaide, aquela mesma que enchia a mesa de café no sítio, com pão caseiro e manteiga, além de queijos e requeijões que davam gosto.

As fruteiras esbanjavam fartura, cobertas de carambolas, bananas, laranjas, melões caipiras... Para não perder o costume, coloquei à mesa a minha coleção de xícaras esmaltadas e vale lembrar que o café eu passei em coador de pano.

Afinal, eu estava recebendo a tia Zenaide! Notícias dadas de José Francisco, Zezé e Carlos Roberto (primos), todos bem, graças a Deus, seguimos para os pães de torresmo! Uma delícia... O cheiro da fornada nos remetia ao Paraná de 1966. Por lá passava as minhas férias em meio ao cafezal, a desbravar riachos, campos e pomares.

Lá batizei a minha alma de cabocla e, nas cantigas de tia Zenaide, encurtava o dia num sono angelical. «Catito, Catito, Catito mio... pedaço de cielo, que Dios me dio...» Música esta cantada para o caçula José Francisco.

Nos dias em que a tia Zenaide nos visitou, não faltaram histórias que ainda ontem não dava muito valor. Afinal, a vida é tão corrida e quantas coisas não seriam mais importantes?

Albuns revistos de fotografias onde eu parecia sorrir livremente, rodeado de amigos e primos. Ríamos de nossas roupas estranhas (shorts com suspensório) e de nossa infância simples, porém, coberta de riqueza em nossas vivências.

Algumas lágrimas dividimos: Eu e tia Zenaide! Fragmentos de lembranças: Natais, carnavais, festas juninas, quermesses... E neste tempo bobo onde o ter esquece o ser, dividindo em duas estradas nossos caminhos, separamo-nos!

Hoje o ser que abandonou o ter, abraça a velha tia e no seu ombro despenca seus desatinos. Hoje, quando o ontem brotou em nós, mexendo em nossa essência pura e feliz, trazemos ao colo de nossa mãe o menino de então.

Na despedida de tia Zenaide uma lágrima amargurada de saudade. Como ontem, de quem nas despedidas perdia o chão.

 

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