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EDIÇAO NºLXIII , V NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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Dueto Poético

Regina Coeli Rebelo Rocha

José Geraldo Martinez

Poeta sem NOME

Regina Coeli Rebelo Rocha

Com carinho, respeito e admiração,
minha alma oferece à alma
de José Geraldo Martinez

Quem és tu, Poeta sem NOME
que eu não encontro nas antologias
nos compêndios de Poesia
mas de escrever sei que tens fome...

Quem és tu, Poeta sem livro
que eu não vejo nas estantes
mas que arrebatas num só instante
logo na primeira linha...

Quem és tu, Poeta da melancolia
não aquela que vem com os versos
mas a que nasce do lado adverso
que a lida mostra pra ti...

Quem és tu, Poeta - Maior
que eu não vejo nas rodas
será que a alguém incomodas
por seres apenas... maior?

Quem és tu, Poeta - menino
que guarda lembranças de outrora
que lembra o ontem e chora
a saudade que mora nas veias...

Quem és tu, Poeta perfeito
na idéia, na forma, na rima,
no sentimento que ensina
o belo da Vida a passar...

Quem és tu, Poeta da Dor
que eu sinto no teu peito
que dói e cujo defeito
é te fazer chorar sem parar...

Quem és tu, Poeta sensível
de onde vem o teu poetar
das terras de além-mar
do sol, das estrelas ou da lua...

Quem és tu, Poeta - triste
quero ser um teu amigo
dar-te o ombro como abrigo
pra que eu possa me consolar...

Quem és tu, poeta Martinez
que papel e pena encantas
teus escritos são como mantras
que abrem caminhos de Luz...

Quem és tu, Poeta de brilho
envolto nas sombras da noite
que tomas as palavras sem açoite
ainda que estejas marcado...

Quem és tu, Poeta Martinez
dize-me, responde-me agora
se o verso triste te revigora
porque o alegre não te vem...

Quem és tu, Poeta
aonde irei pra te encontrar
onde ficas, Poeta sem par
Das tuas mãos, um simples toque...

Quem és tu, Poeta de mãos perfeitas
que derramam versos candentes
que queimam Amor e Dor na gente
Onde estás, Poeta...

Quem és tu, Poeta - clássico
Que faz Castro Alves renascer
e Casimiro de Abreu resplandescer
nos versos bem construídos...

Quem és tu, Poeta - Enorme
que me chegas aos pedaços
quebra-cabeças que faço
tentando te conhecer...

 

QUEM SOU ?

José Geraldo Martinez

Regina, agradeço!
Confesso: fiquei emocionado...
Muito embora, trouxeste-me um sorriso,
ao ter, em teu coração, meus versos tocado!

Quem sou eu ?
Alguém que as dores coloca em poesia...
Um perdido pelas noites insones,
talvez, um louco pelas madrugadas frias!

Às vezes, nem sei quem sou .
Pareço-me uma obra inacabada...
Um homem que brota dos poros, o amor,
noutras, uma estátua fria e sem nada !

Uma mistura de sentimentos,
um conflito interno infinito...
Poeto a ilusão dos sonhadores
ou a realidade que ouço em altos gritos?

As dores das ruas?
Do cotidiano de cada um ?
Ou romanceio olhando as estrelas e a lua,
caindo depois em lugar comum ?

Regina, querida...
Gostaria de poetar alegrias!
Dia e noite, noite e dia ...
Não consigo!
Ainda ontem morreu em um assalto,
um grande amigo...

Não tão longe perdi um grande amor...
Daquele que eu pensava ser eterno!
Um mendigo bem pertinho de mim
não suportou o frio do inverno!

Quem sou ?
Estou perdendo a identidade ?
Um poeta que apenas sonha um
mundo que não existe ?
Poesia alegre ou triste
ou poeto, ao mundo, a verdade?

Disse bem , " poeta sem nome" !
Talvez a voz do ignorado que não sabe poetar...
A vida que não lhe poupa os castigos,
o pão lhe tem negado e um abrigo para morar !

Cansei, minha amiga, de falar das flores,
dos amores que vivi por esta vida...
Cansei de só mostrar a minha dor,
escondendo dos outros as feridas !

Poeta menino?
Ah, esse não abandonei !
Ainda há pouco com a tua homenagem,
qual menino, chorei!

Chego realmente em pedaços...
Nem eu mesmo sei quem sou ?
Sem nome, anônimo, desconhecido
poeta besta...
Um complicado quebra-cabeça !?

Onde me encontra?
Nas mil faces pelas ruas!
No flanelinha, no mendigo, no trabalhador...
Sobre os montes, no clarão da lua !

No homem que canta,
no homem que chora...
Nas tardes que partem todos os dias,
nos amanheceres com suas auroras!

No amor não correspondido,
nas paixões proibidas existentes...
Nas enxurradas pelas chuvas caídas,
nas terras que fazem brotar as sementes!

Encontra-me nas cartas que
chegam para os que sentem saudade...
Na poesia esquecida de qualquer jornal !
Num sebo qualquer de uma livraria,
num livro jogado no fundo de um quintal!

Sou um poeta sem nome !
Isto é, se poeta eu for!
Sou a lágrima do sereno que rompeu a noite,
a brilhar cristalina na pétala da flor...

Sou o que nem sei...
Um punhado de sentimentos !
Jogando versos em desarmonia,
contemporâneo, em meu tempo...

 

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