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EDIÇAO NºLXIII , V NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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COLUNA DE ROSA PENA

 

 

Sou um ET ?

 

E de repente fez-se um certo silêncio na net. Algum feriado?
Sábado é meio devagar mesmo, domingo é dia de descanso.
Mas quem está cansado?

 

Vejo nos grupos, cada dia que passa, o número mais reduzido de mensagens. Bem menor que o comum.

Eu acostumada, para não dizer viciada, em certos escritores que aprendi a amar, reparo que não estão postando. Fico sem graça de enviar, pois estarei expressando minha enorme carência. Também não posso cobrar deles. Então se todos diminuíram suas remessas, embarco nessa de escassez também.

Mas, toda hora vou à caixa de entrada e fico esperando negritar. Amigos que mandam piadas, também estão quietinhos. Formatadores, sem textos.

Bem, talvez seja bom, pois, ando numa fase de disparar no papel meus conflitos inconscientes.
Andei querendo me mancar de tanta vontade escrever. Talvez seja a hora. Não tenho o direito de pisar no acelerador das minhas inquietudes e atropelar meus leitores com minhas amarguras.

Mas que o burburinho virtual me faz bem, faz.

Estou acostumada com as poesias, com as músicas, com a mensagem pesada que trava tudo, com a invasão da minha caixa por nomes que nunca vi, com minhas brigas com meu provedor. Acostumada até com spam!

Estou sem motivos para criticar a mim, a mesmice de alguns, estou sem razão para chorar de alegria ou tristeza, estou sem cúmplices na minha solidão.

Preciso até de conflitos para aliviar minha angústia.

A net, não é apenas meu passatempo.
E meu álibi, meu argumento, é a forma que achei para suportar melhor o peso da minha existência.

Este maldito silêncio virtual, cria um eclipse afetivo em minha alma.

Não dá para ser visto por astrônomos, não é compreendido por médicos ou cientistas, mas admite ser contemplado por usuários da rede. Somos compreendidos entre nós. Quem não está aqui, deve nos achar loucos.

Não posso compartilhar este sentimento emotivo com o passante real, que não fica conectado.
E como falar de menstruação com o padeiro.
Fica tipo...- ridículo e anormal.
Ele olha como se eu fosse um ET.

Por falar nisso, será que não sou um?

 

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