Sanio Aguiar Morgado - Biografia
Filho de emigrantes portugueses da região do Douro, Paredes da Beira, Conselho de São João da Pesqueira em Viseu, nasceu em Campo Grande na zona oeste do Rio de Janeiro, Brasil em 1955.
Recebe o nome Sanio Morgado, quarto e ultimo filho, sendo o único homem, teve em sua irmã mais nova então com 15 anos e ainda solteira, os cuidados maternais e passaria o começo da sua infância marcado pela liberdade e contacto com a natureza, um isolamento que tornaria maior a sua vivência interior das coisas.
Aos cinco anos sua irmã mais velha, que não teve filhos, adopta-o e propicia uma melhor educação e formação nos estudos, em Ipanema. O despertar pela poesia estava chegando, numa mistura de ouvir os sonetos de Camões, versos de Cecília Meireles e músicas de Charles Aznavour.
Passa a estudar no Colégio São Bento, de Padres Beneditinos, nesta fase e já com doze anos perde seu pai, que acabou por não conhecer as virtudes e inspirações literárias. Num trabalho de aula de francês, onde teve de declamar um poema, o professor deu-lhe a nota máxima e única na turma, embora não o poupasse mais tarde da segunda época na matéria de língua francesa.
Licenciado em arquitectura e urbanismo em 1981, desde cedo já especializava-se em desenho e na área industrial, em 1975 passa a trabalhar na Companhia Carioca Industrial, mas foi na Empresas Nucleares Brasileiras onde trabalhou por dez anos, seu período mais importante profissionalmente até fins de 1986, vindo depois a Petrobrás e Quaker Química S.A, nos últimos anos até 2006 trabalhava independente planeando e construindo casas, mas nunca afastando-se das letras, que vai mantendo à parte nos seus momentos mais íntimos. E pai de uma médica ginecologista e obstetra e de outra completando seu licenciamento.
O seu poema «Regresso» classifica-se entre 80 trabalhos em concurso, no ano de 1987, promovido pelo Centro Brasileiro de Letras e Artes, tendo sido publicado em livro e entregue um diploma. «Quadro poético» volta a ser destacado, em 2005, entre 40 poesias, na final nacional brasileira do Fest Campos de Poesia Falada, na sua sétima edição.
Em 1992, convidado por Joel Motta, Jornalista e Director do Jornal Barracondominios, passa a escrever sua «Viagem Poética» neste tablóide, que circula em condomínios da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, divulgando autores antigos de língua portuguesa.
Publicou um trabalho independente chamado «ANSEIOS», impresso na fábrica de livros do Senai, o qual faz parte do acervo da «Association Bião –Pour la diffusion de la culture brésilliene en France», o que o deixou muito satisfeito. -«Meu trabalho é intuitivo, não tenho conhecimento teórico e literário profundo, mas qualquer detalhe pode se transformar em inspiração».
Adopta o pseudónimo Sanio Aguiar Morgado, incluindo o Aguiar de sua mãe e dedica-se nos tempos vagos a letras para musicas que vão surgindo espontaneamente, uma nova fase que lhe dá imensa satisfação, embora iniciante de violão e não tenha dotes musicais ou de cantor, espera que um artista venha a concretizar o seu sonho nesta área.
POESIA DE SANIO AGUIAR MORGADO
CONTACTO
Poesia é fazer contacto,
ir além dos nossos sentidos,
explorar todos os cantos,
penetrando nos seus espaços.
Esbarrar em tudo
que nossos olhos não vêm,
transportar-se ao imprevisível,
um mundo invisível e diferente.
E como estar noutra época,
numa nova dimensão, sem
passado, presente ou futuro,
viajando em todos os tempos.
Acima de tudo é perceber
em toda a sua essência,
que existe uma alma humana
na nossa divina presença.
HERANÇA ALEM TEJO
Lavo a alma
nas águas do Tejo,
alma das cartas que
ficaram sem resposta.
Do tempo esquecido,
de esperanças na partida
e saudades que
ficam no horizonte.
Tejo que certo dia
se tornou um ponto,
o risco de cicatriz com
corte antigo e profundo.
As marcas que ficaram
no coração, de
lágrimas que nunca
secam completamente.
Deixo nele este tesouro,
uma arca vazia que levo comigo
e esta herança que não
cabe no meu peito.
ARQUITECTO DO AMOR
Sou arquitecto,
mas não uso tijolos,
utilizo estes versos.
São versos armados,
nenhum deles concreto,
não são pedras deste universo.
Há colorido nos poemas
que escrevo com as cores
do que estou sentindo.
Cada palavra tem sua
textura e não são mais
lisas as que falam de dor.
São todas revestimentos,
sobrecargas que pesam na alma
de um arquitecto do amor.
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EDIÇAO NºLXIII
, V NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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