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EDIÇAO NºLXI
, III NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
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A busca do «eu» no que é simples - em resposta à uma amiga, sobre as coisas da vida.
Por
Se-Gyn
Uma amiga mandou-me um e-mail muito interessante, no meio da qual me pergunta se
estou na «correria» da vida e, se está valendo a pena. Uma pergunta tão direta
me fez pensar e, responder, assim:
Estou mesmo na correria, como todo mundo - mas, sendo muito sincero, nesta
altura da vida, embora hipnotizado pela imagem do horizonte, tenho que ir
olhando também para os lados e, o que vai ficando na paisagem que se afasta,
pois a cada passo, ficam marcas, traços e, a memória que teima.
Agora, que vai passando a agitação de sonhos e coisas que não são
necessariamente minhas, mas, que fluem através de minhas atitudes e manifestavam
a força e a dureza deste mundo desesperado, feito consumismo e inconsciência, e,
tendo certeza de que o que me agrada se encontra em coisas bastante simples,
imagino que estou mais próximo da paz, como um estado de espírito que já sou
capaz de incorporar sem medo e sem pressa.
Aprendo errando, como todo mundo, cego de luz e urgências. Contudo, creio que,
de agora em diante, em vez de abrir mais e mais caminhos, vou preferir percorrer
ou voltar às estradas conhecidas, me sentar à margem delas e, buscar as
novidades daquelas paisagens familiares, mas, muito pouco conhecidas.
Com o tempo vamos aprendendo a lidar com a idéia de que a resolução de nossa
vida depende de muitos fatores que estão num contexto geral. Chegamos, enfim, à
humildade, que nos leva a aceitar que não podemos (nem nunca pudemos!) parar o
mundo para viabilizar o que demandamos.

A certa altura, aceitamos também que, muitos dos resultados ruins que colhemos,
foram fruto da ansiedade, da pressa, que impede um olhar mais profundo sobre
todas as situações e, medir as vantagens e desvantagens de certos atos e
decisões - uns resultados ruins não podem ser mudados e, muitas oportunidades de
fazer coisas boas para si ou para outras pessoas e, que nada custariam, não
voltam mais...
Por fim, percebemos que, a despeito de muitos dos nossos esforços, não somos
capazes, sozinhos, de alterar certas situações e, assim, temos que recebê-las,
da melhor forma possível, já que teremos de conviver com elas.
E é nesse momento que notamos a preciosidade dos gestos e atitudes que podem
alterar a realidade e o mundo ao redor.
E nesse pequeno universo, que nossas vontades e atitudes podem fazer diferença,
alterando pequenas situações, embora muitas vezes, não apareçam à vista.
Assim, podemos lamentar a ausência da força de um ciclope, a inteligência de um
gênio ou a determinação de um leão, mas, todavia, não podemos negar que temos
uma infinidade de oportunidades para agir no lugar onde podemos agir.
Levando em conta que todas outras pessoas se encontram na mesma situação e
diante das mesmas possibilidades, então percebemos que o outro, na sua
fragilidade e força, é, em síntese, igual a nós mesmos, o que indica que se deve
no outro, não, o oponente, mas, o igual, que lida com a mesma (e dura)
realidade, numa perspectiva diferente.
Estes são aspectos da vida que, agora, penetram a mente pelos sentidos e,
percorrem a mente, entre o inventário de emoções e lembranças de tudo o que
vivi.
E isso o que sinto. é assim que vou.