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EDIÇAO NºLXI
, III NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
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Crónicas «Ver e Sentir»
Por Cristina Maia Caetano
(XLV)
Confesso que gosto de roupa! De a vestir, de observar a minha silhueta dentro do
que eu escolho, do que eu tenho…
E é da repetição que tantas vezes se nota no universo da Moda, que eu de facto
não aprecio. Se calhar, o problema é meu! Se calhar, apenas eu vejo assim o
assunto…
Não posso, no entanto, de deixar de achar curioso que colecções inteiras sejam
baseadas em hipotéticos anos vindouros, em anos passados e repassados como os
anos 70, ou anos 80… Mais curioso ainda, acho, o lapso constante na ausência do
momento presente? Principalmente, porque simplesmente não acredito que
imaginação para tal não haja....
O que é claro para mim, é que com roupas do passado, roupas do futuro, é difícil
mesmo que o cérebro acompanhe o presente… a par claro, de toda uma envolvente
social… de dizeres tão sobejamente conhecidos, tal como «quando eu era criança,
fazia-se assim…», ou «daqui a 10 anos, vou ter…», reparem pois: já tive; já fui,
vou ter; vou ser… Discurso gerado apenas e só no passado, no futuro. A ausência
do presente é para mim, deveras assustadora!
No presente, me encontro, no dia a dia vivo. Para quê pensamentos obsoletos ou
futuristas? Para deixarmos de viver o dia a dia? De apreciarmos o presente? Ou
será simplesmente, uma artimanha da sociedade, de manter os seus súbditos
vinculados a ressentimentos idos e a esperanças futuristas? Assim, de facto, não
parece ser necessário olhar para o presente…
Felizmente que com as meditações, aprendi a desbloquear-me, a suster o
pensamento e a pará-lo, limpando o meu cérebro;
Felizmente que conheci o significado do perdão;
Felizmente que vivo o dia a dia;
Felizmente que acredito que sou merecedora de tudo de bom, até de uma bonita
camisola elaborada para o dia de hoje, deste ano, deste século…
Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto, com a certeza que o
melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...
