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EDIÇAO NºLXI
, III NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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POESIA DE ARLETE DERETTI FERNANDES
Tempestade e Bonança.
Sem limite ou direção,
forte e tresloucado vento,
por que carregas contigo,
todo este triste lamento?
Enquanto as águas tamborilam no telhado,
vergam-se casuarinas lá fora,
e a voz da montanha solta um triste gemido,
pássaros enfiam-se nos ninhos com alarido.
Veloz desce o rio de águas turvas,
das calhas escorrem apressadas chuvas.
Nuvens escuras parecem tudo desafiar,
como figuras de monstros de bocas abertas,
,
querem pela frente tudo abocanhar.
Riscam o horizonte fortes raios de luz,
Cada ser se aquieta em seu refúgio,
Onde protege-se do forte vendaval.
Suas forças potentes, a Natureza silencia.
E volta ao normal e à paz, tanta grandeza reverencia,
enquanto no galho de uma árvore um pássaro canta:
«Depois da tempestade, vem sempre a bonança».
Ciclo inexorável
Sinto-me cercada de todos os mistérios,
da essência de todas as vidas,
da existência universal.
Observo a perfeição da Natureza,
o nascer luminoso de mais uma manhã,
o formato geométrico de um favo de mel.
No relógio do tempo a ampulheta segue
devagar, mas inexorável como a lei que marca.
Enquanto isto passam lentos ou rápidos os dias...
Nem todos tem inquietudes,
Mas eu as tenho, e por isso, nestes ciclos
permanentes revejo minha bagagem e o meu papel.
Que terei para levar neste trajeto sem fim?
- A alegria de viver?
A gratidão por tantas bênçãos?
A depuração no sofrer? Tudo isto e muito mais.
Meus amores, amigos, afetos, lições e aprendizagens.
Sonhos concretizados, outros frustrados.
Sei que em todas estas andanças
Fiz a minha parte, chorei, sorri e aprendí.
O que ainda me for permitido, eu vivo, viverei e viví.
As Flores do Meu Jardim.
Fui eu que as plantei,
Elas são como minhas filhas.
Por isso as reverencio,
E alegre as vejo crescer todo dia.
São alamandas cor de vinho,
Buganvíleas de cachos coloridos,
Gerâneos pendurados nas floreiras.
Enfeitam as janelas lindas trepadeiras.
As petúneas despencam como sinos,
Ornam a vida e dão alegria à Natureza,
O verde matiza o fundo em váriados tons.
Cercas vivas, pingos de ouro.
Samambaias, bromélias, jasmins perfumados,
Belezas multicores que a mãe-natureza pintou,
A vista se encanta com tão lindas cores.
As borboletas bailam no meio destas flores.
As joaninhas brincam nos canteiros,
Abelhas sugam o néctar especial.
De tudo exala um perfume sem fim.
São as flores que plantei no meu jardim.