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EDIÇAO NºLXI
, III NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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POESIA DE DENISE SEVERGNINI

ALGIDO PANORAMA
O alabastro é friagem
Como gélida é a imagem
A compor a paisagem
Retratada na visão
Seres fétidos povoam
As vizinhanças do burgo_(ser)
Que arriscam insurgir da lápide truanesca
Se a extenuação é certa
E a veracidade é cruciante
Faço um giro de 180º na grua
E peço valhacouto na praia erma
Enregelado clima transparece na existência afável
Que enfastia... Intrinco meus nortes
Abrolho adeus as tuas bestiais preces
Volito para outras esferas à expectativa do fenecimento!
LUA NUA
Lua, nua lua,
Despi-me toda
Diante de teus raios
Luz que não é tua
Luminosidade
Que roubas do sol
E exibes como essência natural.
Em verdade, tu és lua nua,
Nua como eu,
Despida de emoções profanas.
Despi-me diante de ti, oh lua!
Humildemente, busco,
Aspergir o perfume da noite morna
Deste fevereiro quente
E interminável...
Sobrevôo o céu azeviche
Envolta em brumas,
Estas tingidas de mil cores,
Como os anéis de Saturno.
Oh, lua! Lua nua...
Nua lua...
Despida como minh’alma,
Sem nódoas ou máculas...
Sem pesares ou tristezas...
Eu estou leve!
E a leveza sustenta meu ser,
Transportado no breu da noite.
A escuridão não me assusta,
A lua nua, pendurada na abóbada celeste,
Deixa transparecer uma réstia
De sua luz emprestada
(Ou será roubada?)...
E madrugada! Almas dormem...
Vagueiam, planejam...
Atuam, amam...
Minh’alma não,
Esta navega num universo paralelo,
A procura de outros sóis
Que não emprestem
Seus raios à Selene oferecida.
Tu e eu, lua,
Ambas nuas,
Tu de luz,
Eu de tristezas!