|
Poesia
de Maria da Fonseca
No Parque do Estoril; Apelo ao Menino Jesus; Lindos Dias de Janeiro
No Parque do Estoril
A noite está agradável,
E é grande o movimento.
Há luzes por todo o lado,
E não se levantou vento.
Na árvore de copa espessa
Escondem-se mil pardais.
Demos por isso ao Sol pôr,
Regressaram dos quintais.
Voavam muito ligeiros,
Sem qualquer hesitação.
Agora estão a dormir
Nesta noite de verão.
O ruído das pessoas,
Que enchem a esplanada,
Embala o seu descanso,
Não os incomoda nada.
Mas, aos sábados à noite,
Acordam bem assustados.
Solta-se o fogo na praia,
Com desenhos encantados.
Rápidos os pardalitos
Já voam em debandada.
Brincadeira ruidosa,
Que espanta a passarada.
Maria da Fonseca
Apelo ao Menino Jesus
O Natal da minha infância,
O Natal do meu Menino,
Tão frágil, tão pequenino,
Santo Deus, a que distância!
E venceste e resististe
Como Filho que és do Pai!
Senhor Deus, acompanhai
Este mundo em que investiste.
Criador do Universo,
Da Eternidade sem fim,
Mandaste teu Filho afim
De excluir o controverso.
Nem mais lutas, nem mais guerra,
Nem palavras que magoem,
As gentes que se perdoem
E haja Paz em toda a Terra.
Sermos todos sempre unidos,
Nos amarmos como irmãos,
Filhos do Pai e cristãos
Solidários, destemidos.
O Nosso Jesus Menino,
Ano após ano a nascer,
Venha o mundo proteger
Pra todo o sempre, Divino.
Maria da Fonseca
Lindos Dias de Janeiro
Os dias que maravilha!
Lindo o Sol no céu azul.
Tão pura e límpida a luz
Destes países ao Sul!
Despida das suas folhas,
Vive além a ameixieira.
E no ramo o melro pia
Pela sua companheira.
Vejo assim, com nitidez,
Seu esforço prà chamar.
Junta ao seu forte piado,
Suas penas a agitar.
- Não tem chovido em Janeiro, –
Clamam os agricultores.
Dizem ser ano de seca.
O Sol nimba as minhas flores.
E, mesmo em frente de mim,
Com toda a vivacidade
Dois pombos apaixonados
Fazem amor, de verdade.
O Inverno continua
Com este encanto sem par.
Só me custa e fico triste,
Quando o Sol se vai deitar.
Com a noite chega o frio.
A nossa respiração,
Na falta da fotossíntese,
Soma a da arborização...
é a hora do repouso
Pra todas as criaturas.
Faça Sol ou faça chuva,
Novo dia traz ternuras.
Os pardalitos alegres,
Quando espreito à janela,
Já brincam de ramo em ramo,
Na manhã húmida e bela.
Maria da Fonseca
|