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Poesia de Xavier Zarco

 

[O cinzel do instante] ; [Nunca a palavra será árvore]; [No teu olhar, trazias o vento e as marés] ; [no teu olhar]

 

[O cinzel do instante]

 

O cinzel do instante
desliza por sobre a colina
onde a cidade se derrama
como se encostasse
a cabeça
no travesseiro das rochas
e o sol tocasse os ténues cabelos
que ondulam
no dorso do olhar.

 

[Nunca a palavra será árvore]

 

Nunca a palavra será árvore
desnuda e desprovida de vida. A
palavra é fruto gerado
e gerador. Marco geodésico.
Cordão umbilical.
Potência solar,
enigma, teorema,
força íntima do poema.
Sémen que fecunda o ventre
da própria memória.

 

[No teu olhar, trazias o vento e as marés]

 

No teu olhar, trazias o vento e as marés
e a exacta cadência lunar,
exposto brilho em movimento
eterno e terno que acaricia
a quente face do areal
onde o vazio preenche a ausência
em que outrora um batel pronunciava
sede e fome de mar e de infinito.

Das ondas, o infindo azul, o
branco da espuma onde os cavalos
alados do sonho nascem
para atoarem os barcos
sobre o agitado dorso do mar.

No íntimo dos teus olhos, havia utensílios.
Machado, serra, plaina, grosa, lima,
formão, lixa para a faina
das árvores navegantes.
E astrolábio, carta, régua, esquadro,
compasso, cálculo de longitude
e latitude. No teu olhar,
há o momento exacto em que enfunadas
as velas preenchem a linha
do horizonte em silêncio.

Ou somente a distância precisa
medida entre partir e regressar.

 

[no teu olhar]

 

no teu olhar
se decifra
a corola

ampla

de um abraço

 

 

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