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POESIA DE DULCE SALDANHA


Imaginei um quadro!; Num canto vazio; Conjuguei o verbo amar  

 

Imaginei um quadro!  

 

Quis a mente vazia
oca de emoções.
Não queria tristeza,
não queria alegria,
apenas o nada.

A tela, em branco!

Delineei teu rosto.
desenhei os olhos.
Tão perto e distantes,
quentes,
sedutores.

A boca, atraente,
lábios molhados,

Amor,
desejo.

O resto, é conjunto
do rosto perfeito.

Dei por acabado!

Maria Dulce Saldanha

 

Num canto vazio

 

Pelas vielas de um inverno incerto
há passos que passam correndo nas ruas
as folhas caídas, as árvores nuas
noite cerrada...ninguém... um deserto!

Lágrimas de chuva, resvalam pelo chão
não trazem abrigo, nem trazem calor
num canto vazio apenas um cão
transmite a um mendigo um pouco de amor

Partilham o pão e o sofrimento
a fome e o frio, o pouco alimento
na noite, seu leito, velho cobertor

O Velho e o cão, filhos da má sorte
sem esperanças de vida, esperando a morte
são quadros vividos, são quadros de dor

Dulce Saldanha

 

Conjuguei o verbo amar

 

Conjuguei o verbo amar
mas não fui inteligente,
era cedo para chorar,
ainda era adolescente!

Empreguei-o no passado
num pretérito imperfeito,
mas um ser apaixonado
vê-o no mais que perfeito.

Mas voltei a conjugar
o verbo... eu não me curo!
mas, não sei se quero amar
num presente , sem futuro.

Com um amor virtual?
se tentasse, o que seria?
era no condicional...
será que eu amaria?

Vou ficar a esperar
o que pode acontecer,
ou vou voltar a amar,
ou o melhor é esquecer?

Maria Dulce Saldanha

 

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