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Desde 7 de Março de 2011

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A História da dupla Raul Torres e Florêncio

 

Por Helena Emília Bortoloti

Continuação ( Leia desde o início)

 

A dupla Torres e Florêncio foi realmente um «Marco» que fez escola na Música caipira. Escola essa que durou até o aparecimento de uma dupla que mudou bastante o panorama da musica sertaneja em 1944, Tonico e Tinoco era uma revelação no programa Capitão Furtado «Arraial da Curva Torta».

Raul Torres e Florêncio, juntamente com o acordeonista Rieli, apresentaram na radio Record o Programa «Os Três Batutas do Sertão» que ficou no ar durante quase 30 anos e só terminou com o falecimento do Raul.

No repertório de Raul Torres estão toadas, moda de viola, emboladas, rasqueados e cateretês alem de um ou outro samba sertanejo.

Em 1944 uma seca terrível castigava o interior paulista. Em Barretos, João Pacifico ( que havia viajado para se apresentar numa exposição de gado) viu os fiéis rezando e fazendo promessas numa procissão para que chuva viesse.

A reza inspirou o João Pacifico que escreveu a letra da música Pingo D’ água que logo foi musicada pelo Raul Torres que imediatamente gravou juntamente com Florêncio a belíssima canção.

Qual é o sertanejo que não se emociona com a letra da música Pingo D’água? O homem do campo que tanto precisa da natureza para o seu trabalho e para a sua sobrevivência! Esta composição de João Pacifico e Raul Torres tocou fundo o coração do caipira que viu nela a sua realidade e também uma esperança.

A letra fala sobre «a promessa de, ao chegar à chuva, levar o primeiro pingo d’água e molhar a flor da santa em frente ao altar...» e a ultima estrofe encerra o poema de forma genial resumindo toda a emoção do homem do interior: Em pouco tempo a roça ficou viçosa/ A criação já pastava, floresceu meu cafezá / Fui na capela e levei três pingo d’água/ Um foi o pingo da chuva... dois caiu do meu oiá...

 

Em 1955 Raul Torres se casa pela segunda vez com Adelina Barreira que ele conheceu em Sorocaba quando ainda trabalhava na estrada de ferro em seu emprego onde dividia com a carreira artística.

Raul Torres também teve problemas com a política, já que com o golpe militar em 1964, a sua composição «Desabafo» teve sua execução proibida já que foi considerada subversiva por retratar a realidade social e a má vontade dos que governam.

Em 1969, quase no fim do ano, após um enfarto, o médico proibiu Raul Torres de apresentar Os Três Batutas do Sertão na Radio Record. Florêncio continuou no comando do programa enquanto Raul Torres se recuperava. No entanto em 1970 um novo enfarto complica seu estado de saúde. O médico, sem esperança deixa que Raul vá para casa e recomendando repouso absoluto.

Em 11/07/1970 no dia em que Raul completava seus 64 anos morre sua irmã Izabel, mas a sua esposa não deu a noticia, pois o Raul estava muito fragilizado e poderia não suportar a emoção. No dia seguinte 12/07/1970 Os Três Batutas do Sertão lançavam seu novo disco.

O maior Patrimônio da Música Sertaneja com as músicas «Jacaré no Caminho, A Mulher e o Trem» entre outras e foram executas o dia todo na rádio. No fim do dia Raul foi dormir exausto e bastante emocionado.

No dia seguinte a noite, 13/07/1970, sai do ar umas das vozes mais querida do radio Brasileiro. Recostado em sua cama assistindo a um jogo de futebol na TV Raul deixou esse mundo terreno aos 64 anos e dois dias.

Após o seu falecimento em 1970, o programa na Record apresentado por Florêncio e Rielinho, durou apenas mais alguma semana, pois Florêncio não conseguiu prosseguir com o mesmo sem a presença do companheiro Raul. Bem que Florêncio havia tentado, pois este era o desejo de Raul Torres havia expressado e era também interesse da Radio Record.

Mas Florêncio que sentia muita falta de Raul não viu sentido em continuar com o programa e se despediu dos ouvintes. Esta dupla era tão afinada que ainda em 1970 também morre o Florêncio.

Dois anos depois a gravadora Copacabana lançou um LP que em seu título resumiu perfeitamente o valor e a importância da dupla Torres e Florêncio: O Maior Patrimônio da Música.

No entanto, a dupla Torres e Florêncio foi uma das duplas de maior durabilidade no mundo fonográfico com uma atuação que se estendeu por quase trinta anos, período durante o qual a dupla lançou dezenas de discos.

 

Helena Emilia.

 

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