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Poesia
escrita e declamada de Arlete Piedade
Sonho impossivel
Sonhei em encontrar um amor
que fosse antes de mais, amigo
que falasse e brincasse comigo
a quem confidenciar as mágoas
e receber dele, uma palavra amiga
que fosse também minha fantasia
que comigo fizesse acontecer magia
na troca de olhares, a faísca
do amor, da paixão incendiária
em quem pudesse confiar sem medos
a quem pudesse entregar por inteiro
meu corpo, minha alma e coração
queria poder chamar-lhe meu amigo
mas também minha grande paixão!
procurei sem critério por aí
um homem ideal, alto e bonito
de olhar brilhante, fascinante,
que eu confiasse e pudesse amar
e me correspondesse sem hesitar
mas só coleccionei desilusões
breves paixões de sabor amargo
traços breves no corpo e alma
anos passados sem encontrar
essa alma gémea para eu amar
então mudei de ideal a alcançar
não importava o físico bonito
mas a alma para me conquistar
o que eu mesmo buscava era alguem
que me pudesse na verdade, amar!
alguém a quem me pudesse dedicar
para dividir amor e compartilhar
ideias, emoções e sentimentos
alguém a quem pudesse respeitar
alguém que merecesse fidelidade
sem a exigir, nem a atraiçoar
mas onde está esse ser único
que há tantos anos, ando a buscar?
Dias, meses e anos sempre a passar
a idade cruel sempre a acumular
os negros cabelos a embranquecer
o rosto bonito, já a enrugar
os olhos sem ver, ja a desfocar
as doenças sempre a avançar
os ossos sem forças, a vergar
as carnes flácidas, a desfalecer
o corpo que era rijo,agora a doer
então para quê, ao amor aspirar
se já não tenho corpo para o gozar?
se só tenho alma para o sentir?
mas se resta a mente para imaginar?
todas as delícias que queria viver
se é a alma gémea que quero encontrar
para que preciso do corpo para a amar?
resta o sonho impossível para recordar
do amor encontrado, no mundo perdido
em outro corpo e alma, agora a amar
e esta alma torturada aqui a chorar!
Arlete Piedade
Terapia
Deste coração dolorido e tristonho
Vou expulsar um amor do passado
Para limpar de mágoas e fantasmas
Esta alma que agora te quer tanto
E que hoje só a ti deseja para amar
O passado está enterrado há muito
Numa terra longínqua para lá do mar
Num cemiterio desconhecido ao sol
Repousam os seus restos mortais
O sonho há muito que já terminou
Mas a vida tem que continuar
Enquanto o coração ainda bater
E o meu sangue nas veias circular
Enquanto o sol pela manha, nascer
Eu ainda vou ter alguém para amar
és tu o amor maduro no ocaso da vida
és tu que me amparaste na queda
és tu que me fizeste sentir querida
és tu que me fizeste sentir amada
és tu que quero a meu lado ate ao fim
és tu que ele queria saber junto a mim
és tu que mesmo sem querer, amo,
és tu que quero continuar a amar
és tu que quero ter a meu lado
para até ao fim contigo partilhar
o amor e a ternura que guardo
para ainda um dia te poder dar!
Arlete Piedade