Pagª 8 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         


Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis HomepageAlbum FotosIndice Geral Arquivo

João Dacota na casa de Ditinha

Jorge André, «O Seu Catalão» (1915-2007)

Escrito por Sandra Fayad

João Dacota era meu vizinho solteiro e gente boa, desde que não tivesse tomado bebida alcoólica. Do contrário era um sujeito impulsivo, agressivo e metido a valentão.

Seus pais já não viviam e ele morava com sua irmã beata, solteirona, na frente da minha casa. Nunca fomos grandes amigos, mas de vez em quando saíamos juntos para tomar uma cervejinha ou nos encontrávamos para uma prosa rápida na porta de casa, até mesmo porque eu já tinha minha turma.

Maria Fernandes, mais conhecida como Ditinha, era a proprietária de uma boate grande com muitos quartos, que ficava depois da linha de ferro, na periferia da cidade. Naquela noite haveria uma grande festa lá para comemorar ao aniversário da empresária.

Foram convidadas autoridades de Uberlândia, Araguari, Ipameri, Goiandira e Catalão, naturalmente. Várias mulheres da Região foram escolhidas e convocadas para atender os clientes ilustres. Solteiro e sem compromisso, fui para lá também, interessado em participar do evento grandioso, no final da tarde. Tudo estava indo muito bem, com o Onório tocando seu violão e cantando as músicas de Nelson Gonçalves, quando o João Dacota entrou pela porta principal na maior valentia.

De cara, deu um chute no violão do Onório. Só vi quando o instrumento subiu, girou e caiu no meio da sala com as cordas e cravelhas espatifadas. O Onório, que era vesgo, caiu de lado com as pernas para o ar.

Homens e mulheres corriam de um para outro recinto, gritando e até se jogando pelas janelas, apavoradas. Estava instalado o pânico.

João Dacota entrou pelo corredor, ao longo do qual ficavam os quartos das mulheres, gritando e xingando como um louco. Como foi até o final e não encontrou ninguém, voltou pisando duro ao salão, onde eu estava sentado na mesma cadeira de antes da confusão.

Parou na minha frente, me encarou com os olhos vermelhos, de onde parecia saírem faísca de fogo, e perguntou:
- Ô Jorge, por que é que você não correu também?
- Correr por que, João? Somos vizinhos, amigos...
- Seu desgraçado! – gritou ele.

E foi-se jogando sobre mim. Caí de costas e não tive outra alternativa senão lutar, porque ninguém se atreveu a se aproximar de nós, apesar dos meus pedidos de socorro. Percebi que ele tentava pegar a garrucha de dois canos que estava na sua cintura.

Quando ele a retirou, consegui segurar-lhe o braço e dobrá-lo para baixo, depois para cima até que ele disparou a arma duas vezes sobre o portal interno. Nesse momento, consegui tomar-lhe a garrucha e atirá-la para fora da casa. Ficamos em igualdade de condições.

Pensei:
- Tenho que nocautear esse sujeito, já que ninguém se atreve a me ajudar.
Reuni todas as minhas forças e apliquei-lhe um soco violento no rosto. Ela ainda se levantou e eu o soqueei novamente, deixando-o desmaiado no chão.

Completamente zonzo e sem forças, tentei sair dali em vão. Acabei caindo do lado de fora da porta. Quando dei por mim novamente, estávamos eu e ele sob os cuidados das mulheres.
Bem, não é necessário dizer que a festa acabou.

Mais tarde , ao retornar à casa, deparei-me com a irmã do João conversando com minha irmã Geni. Ela havia ido oferecer dinheiro para eu não denunciar o irmão ao Delegado. Ouvi a conversa e disse:
- Nada disso. Vou relatar exatamente o que aconteceu. Ele estava armado. Quase me matou.

Chegando à Delegacia, deparei-me com duas situações extremas. De um lado um funcionário, primo do João Dacota, que também me pedia para não condenar o parente arrependido; de outro o Cabo Alemão, que não gostava do sujeito e queria vê-lo atrás das grades. Conversei com um, conversei com outro... Pensei, pensei ... e acabei aliviando para o lado do infeliz no depoimento.

O Delegado disse:
- É caso de cadeia, Jorge. Afinal este sujeito estava bêbado, armado, atirou. Podia ter matado você ou outra pessoa.
- Mas sabe como é, doutor. Eu consegui controlar a situação. E depois ele é meu vizinho. Tenho certeza que de agora em diante não vai fazer mais isso...
- Pode confiar, seu Delegado – respondeu o João, cabisbaixo.

O delegado olhou para mim, olhou para ele, sacudiu a cabeça para lá e para cá e disse ao soldado:
- Desta vez, vou liberar esse cara aí. Mas, de outra... é cadeia na certa!
E se levantou, contrariado.

Obs.: Jorge André é pai da autora.

 

 

O meu Principiar a escrever...

Por Armando C. Sousa

 

Jovem amava ler… casado ao sábado com meus colegas de sempre me dirigia para lugares onde houvesse bons livros, e onde pudesse ler...O mosteiro de Singeverga um mosteiro de Frades Jesuítas...
Eles estudavam a religião Católica e trabalhavam a terra duma grande quinta sustento dessa grande congregação...
Num desses dias li os castigos a que eram submetidos os estudantes menos estudiosos.... era vexatório

Nesse dia era o dia litúrgico do beija pé...diversos agregados lavavam os pés a seus superiores , esta hierarquia mais elevada, e a hierarquia menos elevada tinha de lavar, limpar e beijar os pezinhos ao altíssimo do bando.

Se gostei?... não... era um bando vexatório e hipócrita.... certos livro apetecia-me os ler, entre eles o de S. Cipriano e o Agnus Dei, os das receitas de licores estavam guardados a sete chaves, se amei a visita?... claro que amei, só pelo aprender.

Os mesmos amigos e eu dávamos um tostão cada um para por dia termos o jornal todos os dias...principiamos por compreender que era muito feio nosso nic nome...então convínhamos de não usar nome nic em ninguém. Tornou-se vexatórios para os mais mal educados, mas uma sensação para a aldeia... O povo da Aldeia principiava a ver surgir uma luz que nunca iluminara. Nossa primeira pequenina vitoria...
.
Então a casa de Camilo Castelo Branco principiou a abrir todos os sábados da uma as cinco... e tinha uma pequena mas linda biblioteca. Dessa biblioteca pude ler os meus primeiros amores...Nossa Senhora de Paris... Obra do grande Vítor Hugo...os Miseráveis... de Alexandre Dumas, de Tolstoi de Voltaire...as sua próprias obras amor da predição, a bruxa do monte Córdova... ensaio de teatro... Rosa do Adro, Sinal da Cruz. Filho Pródigo. Morte de Abel ... as risadas... entretanto chegou o tempo der querer ser alguém diferente... casar-me e ser pai....saber quando um criança chora, se e por doença, por morrinha ou a sua forma de se queixar dos tratos, ou ainda fome ou frio.

Aprendi que andar com uma mulher a meu lado que jurou fidelidade, e um sentimento muito doce...não sei se a infidelidade acarreta loucura, minha esposa apesar de uma grande depressão do parto da terceira filha, tem sido exemplar através destes dois continentes onde nasceram todos os filhos.

Foi um espaço de tempo dedicado a tempo inteiros aos filhos esposas e responsabilidade de trabalho, e bom cidadão do pais que me acolheu.

Neste espaço aprendi muito...despi-me da hipocrisia da mentira... e peguei na verdade e na fantasia... enchi o tinteiro principiando a escrever depois de ficar reformado...
Quase logo encontrei uma mulher que principiava a poesia da mesmo forma... longe de mentira, mas com medo da família a descobrir pegou num nic nome que ainda hoje o usa e poucas sabem quem é...nem a própria família..

A verdade encontrando-nos... esta achou meus primeiro poemas relíquias poéticas... simples doces e verdadeiros.

Encontram-nos no MSN... ali peça por peça nos desnudámos, ficando nus mas anjos poéticos, ela me conhecia como um pai que nada desta vida lhe ocultou; eu a conheci toda despida de preconceito e uma vida dorida passada, assim iniciamos escrevendo... ela disse-me que formataria tudo o que pudasse fazer....e seu site seria minha casinha...

Mesmo depois da morte...esta casinha estaria de pé para albergar todos os meus escritos.

Lembrai-vos que não existe outro casal de poetas igual no Universo... sim houveram muitas com inveja que quiseram quebrar a magia, a união angélica... sem nunca o conseguir... desnudados sempre caminhamos juntos, sem eu nunca ter visto a cara de meu anjo, destinado a formatar e dar musica a meus poemas e contos, fazendo-os correr o mundo.

Mas nas vezes em que minhas forças estavam de baixo astral... logo ela aparecia com magia para me levantar...Foi assim desnudada que a pequenina vem surgindo uma das mais notáveis poetisas do nosso tempo... Ela terá muito para dar ao mundo, uma menina 38 anos apenas... eu por mim estou me apagando com 76 anos. Mas podeis ler minha obra...não é assim tão pequena... e ajudai-me a levar mais contente meus anos de ouro.