Pagª 44 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Lago dos Sonhos - Nos botões que salteiam
Poemas de Pequenina
Lago dos Sonhos
É madrugada, mais uma noite se vai
Desperto, abro as janelas do quarto
Vejo o mar...
Ondas altas, pássaros que voam
O dia amanhece e a vida continua
Sem sentido, sem esperanças...
Só saudade, por estar longe de ti
Assim vou seguindo, tal como o rio
Que corre, para um oceano sem fim
E juntos se fundem, temperando as águas
Sigo meu destino, chorando as mágoas.
Vivendo o não viver, lutando com a vida
Em busca da sorte, levando comigo...
A lembrança de um sonho
Aquele sonho lindo que se foi...
Junto às águas do rio que segue seu rumo...
Rompendo barreiras, devastando matas
Em minha alma um vazio, sonhos e ilusões
Ah! Um dia terei coragem de mergulhar...
Nas ondas do mar, atravessar o oceano
Na corrente das águas, romper barreiras...
Seguir o meu rumo, encontrar o meu rio
E juntos formaremos o lago dos sonhos
Tudo renascerá em minha alma...
Que grita, explode...
Num silêncio sem fim...
Nos botões que salteiam
Nas artérias do meu corpo
Encubro os meus sentimentos
Os maus e os bons momentos
Minhas mãos deslizam, agitadas
Sem melindres, aligeiradas
Nos botões que salteiam
Pelas frinchas da blusa, incoerentes
Ousados e indecentes …
Na dureza do grito
Um gemido rouco e atrevido
Se expande e palmilha o meu peito
E sem nenhum preconceito
Mostra a minha alma nua
Os meus cabelos assanhados…
Um esfomeado felino
Sem pudores e sem tino.
Despejada ao vento
Busco o abrigo de um ninho
Entre uma, e outra taça de vinho
Clamo e choro baixinho
Anseio em tocar os teus pêlos
Vastos, em desalinho
Um convite ao pecado
Um futuro sem passado…
Na minha alucinação
Avisto um Anjo, o Mito…
Desgarrado, no altar do infinito
Onde a alma não morre, descansa
Na poesia das estrelas, na dança…
Nos montes, na fé da esperança…
No canto dos pássaros, na lua cheia
Nas ondas do mar, na areia…
Queria esquecer-me
Poema de Armando Sousa
Ho… quem gosta de viver e sofrer o desdém?
Sempre amei, conviver com gente que desse alegria
Procurei atirar as tristezas fora. Para longe; o alem
Escrevendo minhas historias, dar amor à poesia
Nesta dança apareceu uma fada que muito adorava
Levou-me com ela, conhecer seu castelo seu viver
Essa fada, perde-la da minha vida nunca sonhava
Desapareceu; agora sofro, não a posso esquecer
Todos ganhamos com a alegria uma parte de sofrer
Não queremos a demitir que o pior chegara um dia
Depois!... não queríamos viver; Só poder esquecer
Choramos barafustamos, mas já é tarde em demasia
Que vale ser poeta, sem musa, sem fada, sem amor
Como estar num teatro sem ninguém a ver, e aplaudir
É estar num deserto, e não se poder abrigar do calor
Ver a fada a aparecer em nossos sonhos e se fundir
Queria esquecer-me, destes momentos de amor na vida
Poder resistir, a beleza do sonho ao doce perfume da flor
Mar... leva o pensar... no sonho deixa-a ficar escondida
Deixa-me viver... leva a sensação deste cheiro de dor
Feijão tropeiro, no rancho do Santo...
Por
Se-Gyn
Texto IV - Da Terrinha
Para ir ao rancho do Santo, é preciso passar pelas terras do Dr. Geraldo, um
tipo urbano e simpático, que foge do perfil de fazendeiro, se constituindo num
empresário rural.
Em suas terras, além do gado leiteiro de altíssima produtividade, também pratica
a agricultura de ponta, com a utilização de irrigação mecânica e tudo o mais,
nas lavouras de feijão e, tomate rasteiro - utilizado na indústria de extratos.
Por volta de agosto, o Dr. Geraldo estava cultivando feijão irrigado e, a safra
prometia ser das melhores.
Certo dia Santo e uma boa turma ia indo para o rancho. Não resistiram em parar
na estrada pra colher umas vagens de vez do legume, para fazer feijão tropeiro -
e, claro, não esqueceram de pegar um pouco de tomate rasteiro, que fica durinho
quando maduro - excelente para o tira-gosto.
Já era de noitinha, quando o tropeiro ficou pronto. Com o som do violão e das
músicas, Dr. Geraldo foi lá, pra visitar a turma. Foi entrando no rancho e,
cumprimentando todo mundo, com seu jeito popular. Quando chegou na cozinha, para
cumprimentar o cozinheiro, notou as cascas das vagens do feijão de vez.
Foi logo perguntando com seu jeito sestroso e sotaque nordestino: «Santo, esse
feijão não foi pego na minha lavoura não, né ? Porque, olhe, Santo, bati muito
veneno naquele feijão!»
Santo, meio apertado, bateu firme na informação de que o feijão tinha vindo da
cidade. E o outro respondeu, com o olhar desconfiado: «Então, tá certo. Porque
aquele feijão da roça não pode ser consumido ainda, pois bati veneno nele, dias
atrás...» E Santo, não arredou pé da origem do feijão...
Ficou aquele sem-gração no ar, mas o feijão tropeiro que estava sendo preparado
pelo Gerônimo Ypioca (sobre quem também já publiquei uma crônica ) cheirava cada
vez mais.
Quando ficou pronta a comida, a turma avançou para os pratos e talheres, prontos
para o banquete pantagruélico. Santo convidou o Dr. Geraldo que, ficou meio sem
jeito, inicialmente, mas, depois, também pegou um prato e, foi pra cozinha se
servir.
Dentro da cozinha, ele sentenciou: «Bom, Santo, se esse feijão não foi pego na
minha roça, então não tem perigo. A gente pode comer tranquilo!...»
E fartou-se com uma senhora pratada do feijão de sua produção.
A carne do sol
Em ti, como se fosse o véu da lua
o olhar de moça linda
e alma nua
Em mim, como se fosse a carne do sol
o olhar de armeiro loução
e alma pálida
O que anda e arde em mim e em ti
em tudo distante e diferente
referente, porém
que nos une
e bem
vamos pra casa, balançar na rede
matar toda a minha fome
saciar toda tua sede
o que impede
nos impele
a porta
a pele
o que vês em mim
o que vejo em ti
a lua que abriu
feridas no sol
e se partiu
tão ferida
e febril
vamos agora embora
como deuses vãs
antes das horas
antes dos dias
num jogral
de astros
sol e
lua
Se Gyn