Pagª 22 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


Ser Pai

Homenagem ao Dia dos Pais

Arlete Deretti Fernandes

 

 

 

 

Pai zeloso e protetor, que desde o primeiro momento,
Com muita ternura e amor, protege seu terno rebento.
Dá o alimento, o abrigo, o amor e toda a doçura.,
Ao ser pequenino e inocente, apanágio de tanta candura.
Nos papéis que vive hierarquiza, ao filho o maior cuidado,
Esta inocente criança é de Deus um precioso legado.
A responsabilidade lhe diz, por meio da intuição,
Que deve dar o melhor de si, valores, moral, gratidão.
O filho traz no sangue a herança, que deve ser bem conduzida,
Seu encaminhamento constante, leva-o à felicidade na vida.


Fera Ferida

Poema de Arlete Piedade

 

(Dedicado a meu pai, que está a melhorar lentamente na sua cama hospitalar)

Paizinho hoje pediste para escrever
Dei-te um bloco de papel e uma caneta
Segurei-o para o fixar junto ao teu olhar
E a caneta coloquei na tua mão liberta!
Soltei as tuas mãos das humilhantes amarras
Que te mantêm preso nessa cama hospitalar
Eu sei que é para te proteger meu paizinho
Mas lutaste e esbravejaste tanto contra elas!

Era para não tirares os equipamentos médicos
Que te davam sustento á vida e te curavam, pai
Mas só sentias as dores e as humilhações, eu sei
Sei sim pai, porque também as sentia em mim!
És daquela têmpera dos velhos lusos, meu pai
Do antes quebrar que torcer, querias morrer
Mas isso era só a revolta e o desespero pai!

Agora já não te sinto mais, como a fera ferida
Amarrada e humilhada numa cama de doente
Travaste as tuas lutas, até perdeste a razão
Mas era a doença e a febre, essa alucinação!
Hoje renasceste como um homem de verdade
A tua humanidade renasceu nuns garatujos
Quase ilegíveis que traçaste a custo para mim
Mas eu fiquei contente meu pai, de ver-te assim!

Tentei decifrar os teus pedidos nessas letras trémulas
Que a tua mão desenhou para mim, e consegui pai!
A tua humanidade renasceu nesses pedidos singelos
Querias o teu telemóvel pai, para te comunicar
Pedias um banho e querias também te lavar,
E até rubricaste o teu pedido, quase sem vacilar!
Obrigada meu Deus! O paizinho está a melhorar!


Difíceis eram os tempos

Poema de Humberto Teixeira

Os nossos campos vazios
planavam qual aves de agouro
na erva seca que nos calçava

respirámos o quente das noites
sufocando soluços entre as vidraças

debruçados na oca planura dos ventres
os nossos corpos foram árvore profunda
entranhada em longos braços
percorrendo lágrimas

Nem soubemos das chuvas que caíram

E sol após sol
difíceis tempos concebemos
- haveria deus? perguntavas
pousando as pálpebras

e rectos os meus dedos
apontaram o talvez
sempre

 



Se-Gyn

Curriculum:

Se-Gyn (pseudônimo), 46 anos, natural de Turvânia e residente em Goiânia, capital do Estado de Goiás, Brasil, advogado dedicado à gestão pública autárquica, cronista e haicaista, fã de história regional, música popular, cinema e bandas desenhadas ( contato: se_gyn@yahoo.com.br  ).


Impressões rasas - as fotografias de alguns escritores e poetas estampadas num jornal de Goiânia.

Me caiu nas mãos, a pouco, um caderno encartado no jornal «O Popular», que circula em Goiás, denominado «Vestiletras», cujo público visado são os pré-vestibulandos e, o escopo é a veiculação de ensaios de análise sobre as obras de autores selecionados para os vestibulares das maiores universidades locais.

Na capa do tal encarte, estão, as fotos, pela ordem, de Ivan Angelo, Adélia Prado, Clarice Lispector, Marina Colasanti e Afonso Félix de Souza.

De Ivan Ângelo só li «Malagueta, Perus e Bacanaço» e, a despeito da leitura prazerosa, não sei se impressionou muito. Já Adélia Prado me encantou vivamente, desde que a li, a partir de um comentário do Ziraldo, lá pelos anos 80 - ela, é dona de um fazer poético genuíno, e de uma simplicidade profunda e misteriosa.

Clarice Lispector é uma autora que me impressiona pela incrível capacidade de mergulhar corajosamente e, prescrutar o mais recôndito da alma e do ser.

Marina Colasanti, confesso, li pouco e, olhe lá, em artigos publicados numa revista semanal. Já Afonso Feliz de Souza, modernista da segunda geração, é um poeta de competente fazer poético e, é, o meu poeta favorito dentro os goianos.

Mas, a minha intenção aqui, não é tratar de quaisquer aspectos da obra desses escritores e poetas consagrados, porque me faltaria conhecimento e competência para tanto. Quero falar é da impressão que me causou as suas fotografias, espalhadas na capa do «Vestiletras», um conjunto chamativo, senão provocadoras de algum comentário.

Ivan Ângelo, de braços cruzados e corpo um pouco recurvado para trás, na foto, domina a cena e, impressiona, do alto de seus cabelos embranquecidos, pelo olhar objetante e seguro - parece mesmo dizer estar seguro de que é bom escritor, impondo ao espectador uma desejada distância.

Adélia, com seus olhos miúdos, cercados pelos vincos do tempo e, seu sorrio tímido, me falam de uma alma rica de experiências, de vivências profundas, escondidas na delicadeza da timidez, denunciada pelos braços firmemente cruzados sobre o peito (a despeito de se mostrar, talvez, um pouquinho envaidecida, senão, seduzida pelo ato de ser fotografada).

O retrato de Clarice, para mim, é surpreendente (e foi ela, que me levou a estas linhas): ela está de lado, o rosto enquadrado pelo lado esquerdo. O queixo está levemente abaixado, parecendo confiante bastante na própria elegância e beleza.

Os olhos - meu Deus, os olhos! - olham de uma forma corajosa e desafiadora para a câmera e, parece sondar desconfiado, seu maquinismo e, mais além o fotógrafo . A elegância da fotografia é ditada pela fotografada, que se exibe um belo penteado e vestes sóbrias.

Mas, há algo mais - daquele conjunto expira muito da melancolia de Clarice (me ocorre a lembrança, agora, daquela espantosa e franca entrevista à TV Cultura, onde ela, se mostra, como pouca gente ousaria)... E, não sei porque, minha mente teima em associar essa foto, aqueles traços, em especial, os olhos amendoados, com as imagens das pinturas femininas de Lasar Segal!

Marina, exibe um olhar algo cansado, voltado para a esquerda. A mão forte e ossuda, indica um gesto de argumentação suspenso no ar, como se depois de ter consultado a memória sobre algum dado ou assunto, tivesse sido surpreendida por um assunto diverso que lhe puxou a atenção. A fotografia terá sido obtida durante um seminário ou evento parecido?

Por fim, a foto de Afonso Félix de Souza. O olhar perde-se em algum ponto distante, parecem sugerir distância ou questionamento do momento da captação da fotografia. Exibe um terno de linho branco - daqueles, que sua geração gostava de envergar, na juventude. As órbitas oculares, estão cercadas das rugas impostas pelo tempo e pelos rigores da vida. A boca, semi-cerrada parece denunciar a alguém que, à parte de seu ofício, enfrentou a vida em muitos combates e muitas fronteiras diferentes...


O estudo da iconografia dos nossos grandes escritores, talvez valham muitos e bons ensaios e, boa literatura. Alguém com bom traquejo no ofício, nos poderia brindar com excelente literatura, se debruçando sobre a fala muda da iconografia dos nossos grandes escritores e poetas.

De Machado de Assis, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Stanislaw Ponte Preta e Millor Fernandes, por exemplo, restaram um legado de fotografias pra lá de interessantes.

Se Gyn