Pagª 17 - EDIÇAO NºXXXIX , III NUMERO  DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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 Coluna de Liliana Josué  

A MODA

Meu dilecto amigo E T
comecei a recear
que tivesses optado pela
indiferença, ou esquecimento
e, palavra, podes crer
senti aborrecimento.

Ao receber tua carta
pulei de contentamento.

Fiquei muito impressionada
com as fotos que enviaste.

Reparei que a cor mudaste
agora já não és verde
mas mais tom azul bebé.

Entendi ser aí moda
e entraste na onda, meu.
Ora assim mesmo é que é.

Informaste-me que agora
se usa, nesses planetas,
pôr as antenas de fora
mas curtas e muito louras
e pendurados nas pontas
raminhos de violetas.

Se és um extra p’ra frentex
avança sem qualquer stress.

Disseste estar relutante
em aceitar vestuário
mas que aí é o que impera
nada tendo de elegante,
pois veres teu corpo enfiado
num pano fantasiado
é coisa que não convence...
mas a moda tudo vence!

Por aqui nada mudou
apesar de não parecer:
O osso ao nariz voltou
só que mais sofisticado.

As peles envolvem os corpos
hoje de corte apurado.

Como os nossos ancestrais
todo o corpinho pintamos
e ao deus da moda nos damos
só que agora mais formais.

Como já vai longa a carta
vou pôr um ponto final
informando já estar farta
da moda ser sempre igual.

 

 

Coluna de Rosa Pena

Não perdeste o senso «por ouvir estrelas»

(Menção a Tolice Filosófica de Herculano Alencar)

O poema pede a fórmula dos teus sonhos, as histórias da tua estrada com riso ou choro, com poeira ou chuva, ruídos de vento, silêncios acompanhados, benditos momentos vindos da razão ou só da emoção.

As rimas estão à espera da chegada de teu lirismo. Fala das águas, dos arbustos com folhas sem clorofila, dos sapos jururus na beira da calçada, das redes sem pesca e sem corpo em descanso (inventa uma que balança bem no alto daquele arranha-céu), chora teus cansaços, busca as marcas de teus pés numa cidade coberta pela neblina da estupidez, de um mar longínquo em que tua pele não provou o sal, do cometa que não viu, das estrelas que te ouviram mais do que escutaram Bilac, da boca que beijou transbordante de amor, da filha tão bonita, teu melhor poema, que nem acreditas que foste tu que escreveste.

Na tua frente à página em branco pede o desenho do teu viver para virar um soneto.

Tolice e loucura?
E deixá-la ficar amarelada sem ter experimentado o gozo maior do poeta. A bendita inspiração.

Tolice filosófica
Herculano Alencar

Sou um tolo vestido de poeta!
Vagueio, na fronteira da sandice,
A ruminar a secular mesmice,
Como se fosse nova descoberta.
 
Não sei ao certo, mas alguém já disse:
«Um tolo é, pra outro, referência».
Um arremedo de inteligência,
Que se apropria de igual tolice.
 
Eu sou um tolo por concepção.
Meu cérebro -menor que o coração -
É um jazigo de fertilidade.
 
E serei tolo minha vida inteira,
Posto a chorar e rir-me à maneira,
até virar poeta de verdade.
 
 
Obra completa em meu site pessoal. Clique em:
www.rosapena.com