Pagª 10 - EDIÇAO NºXXXIX
, III NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
AUTO DA PRIMAVERA
Poema
de
Sandra Fayad
Do Verão, és alma gêmea - a irmã preferida,
Que lhe coça as costas e massageia o ego.
Se apagas as cinzas e regas de cores a vida,
Em tua presença, a cantar no banho me pego.
Do Inverno, és meio-irmã, mas deves-lhe gratidão:
Sem ele não serias tão prestigiada, tão rainha...
À sua sombra, tomas as rédeas da coloração,
Despertando paixões do amanhecer à tardinha.
Do outono, és prima querida, afinada e generosa:
Juntas alimentam almas e levam perfume à mesa.
Se a uma agradeço por ser de frutos a dadivosa,
À outra rendo homenagens por viver tanta beleza.
Corres o Planeta, carregando no bolso a esperança,
Para presentear os «inverneiros» de plantão.
Há os que te aplaudem desde os tempos de criança,
E os que nem sabem se um dia te aplaudirão.
Mesmo assim vais injetando tons e sabores
Nos poros saudáveis da Mãe-Terra adoentada,
Para mostrar aos homens como podem as flores
Provocar, em suas vidas, a grande virada.
O estranho caso de Benjamin Button
Por
Francis Raposo Ferreira
O filme «O estranho caso de Benjamin Button» fez-me pensar se de facto
não existirá muita gente, mesmo entre os nossos amigos, a quem terá
sucedido o mesmo que ao personagem Benjamim Button, espantados?
Verdade, quantas das pessoas com quem nos cruzamos, não terão vivido uma
experiência semelhante à de Benjamim Button, não que tenham velhos e
caminhado para novos, mas sim porque terão começado a saber o que é
realmente viver, quando já tinham muitos anos de vida, e muitos mais de
sofrimento, quantos nunca conheceram o amor de mãe ou pai, quantos foram
criados a comer o pão que o Diabo amassou e só conseguiram compreender o
verdadeiro significado da palavra família, quando, contrariando as vozes
agoirentas que lhe previam um triste fim, construíram a sua própria
família.
Uma família onde a palavra avós não faz qualquer sentido, mas onde o
amor paterno/materno é uma constante.
Será que afinal não haverá muitos mais Benjamins Button do que aquilo
que possamos pensar, e que aquela história de ficção, não está muito
mais próxima da realidade do que possamos pensar.
Eu acredito que sim, pois, de certeza, nem todos tiveram a felicidade de
terem sido bafejados pelo amor de pai como eu o fui.

O Estranho Caso de Benjamin Button
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
País: Estados Unidos Ano: 2008
Género: Drama Duração: 155m
Realização:David Fincher
Interpretação:Julia Ormond, Cate Blanchett, Brad Pitt, Taraji P. Henson,
Tilda Swinton
Argumento:Eric Roth
«Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais». É assim que começa «O Estranho Caso de Benjamin Button», adaptado a partir da história de F. Scott Fitzgerald, sobre um homem que nasce com oitenta anos e regride na sua idade: um homem, como qualquer um de nós, que é incapaz de parar o tempo. O filme conta a história de Benjamin e da sua «viagem» fora do comum, das pessoas e lugares que descobre ao longo do seu caminho, dos seus amores, das alegrias da vida e da tristeza da morte, e daquilo que dura para além do tempo.
A Coluna de José Geraldo Martinez

Se não morrer...
Se não morrer agora,
quando em mim foi cravado o punhal do adeus,
morreria por todas minhas auroras,
que restassem dos dias meus!
Não mereço morrer todos os dias,
ainda eu que te amei em verdade...
Alongando de mim triste agonia,
morrendo, aos poucos, de pura saudade!
Se eu não morrer agora que fechas a porta
e ainda carregas pesada mala com tuas roupas,
morreria por todas minhas madrugadas frias,
aos beijos do sereno substituindo a tua boca!
Não mereço morrer todos os dias,
ainda eu tenha vivido só prá ti !
Que eu morra hoje o que importa?
De mim mesmo me esqueci!
Culpar a quem?
Ninguém!
Jás fostes!
Dias que me esperam...
Para cada segundo levar um pouco de mim!
Tua ausência é mal que nada supera...
Triste verdade, meu fim!
«Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que
tu percebas a ternura invisível tocando o centro do teu ser eterno.»
Wagner Borges in «Oração da Presença»
ONDE VIDA HOUVER...
Nos romperes dos sois,
no cosmo infinito estelar,
Onde vida houver, nos mistério deste
céu e desta terra,
nosso amor estaria a caminhar!
Onde impossível fosse aos olhos humanos,
daqueles incrédulos adeptos de Tomé...
Nosso amor sobreviveria sobre todos os planos,
nos mistérios deste céu e desta terra
onde vida houver!
Galáticos sumiríamos nas constelações,
onde só quem ama tem entendimento!
Além desta terra que nos cerca, homem pequeno...
Nosso amor etéreo desafia o tempo!
Onde vida houver e a carne não seja necessária
e as flores brotem nos jardins cósmicos estelares,
onde nossas almas caminham felizes,
sem tempo de se reconhecerem seculares!
Onde vida houver lá estaremos!
Além desta minúscula janela da qual espreito...
Com a certeza de quem olha esta vida temporona
e passageira,
qual pequena é, ao amor deste peito!
QUISERA FOSSE!
Teus cabelos esperam as flores
que minhas mãos trêmulas carregam...
Um dia foram firmes e decididas!
Hoje minha alma as elevam
às carícias por teu rosto, minha vida!
E, tu me olhas com ternura!
Como se fosse o primeiro encontro de nossa vida.
A lua os teus olhos, vem beijar...
Trazendo as estrelas atrevidas!
Nossa cama, nossa casa...
Filhos , netos barulhentos!
Uma sala inteira para sonhar,
ao sopro nas cortinas do fresco vento!
E, tu segues me olhando,
como se a cuidar do teu menino...
Meus olhos sem querer vão te entregando,
lágrimas agradecidas em desalinho!
Quadros pela parede...
Cômodo a cômodo coisas tão queridas!
Chama-nos ao papo o balançar da rede,
a ninar juntinhos ilusão vivida...
Partimos no imaginário,
Como partem as aves aos seus ninhos!
Adormeces em meu peito, minha vida...
Faze-me, em teus braços, passarinho!
Quiçá morrêssemos assim de verdade!
Com almas de aves,
numa noite onde os alecrins
perfumassem os caminhos
que levassem a eternidade!
Ah, ilusão de mim!
Ilusão nossa( suspira meu amor!).
Quisera fosse!
«Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que
tu percebas a ternura invisível tocando o centro do teu ser eterno.»
Wagner Borges in «Oração da Presença»