Pagª 27 - EDIÇAO NºXXXIX
, III NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Apresentação de India Libriana, a poeta menina no Jornal Raizonline
Por
João Furtado
Há cerca de dois anos, quando o telefone tocou e apanhei. Do outro lado esta a
telefonista da Delegação de São Vicente da minha empresa, os T.A.C.V. e me
anunciava que a D. Maria Teresa queria falar comigo.
Pensei que era uma colega minha, muito amiga, que trabalhava nos serviços de Reservas de Espaço, o mesmo sector que também eu trabalhava, mas na Praia. Autorizei que me passassem a chamada, ciente na dificuldade que sempre tive para comunicar com a minha amiga Maria Teresa, ela, além de ter um sotaque muito acentuado da Ilha de São Nicolau, falava muito depressa, sempre tive que me esforçar para entender o que a Maria Teresa dizia.
Uma vez
convidei-lhe, ela tinha vinda a Praia fazer uma formação, a vir passar algumas
horas connosco. Ela foi simpática e aceitou. Tivemos uma boa tarde juntos e
quando ela regressou para o hotel, a minha filha mais velha, a Belma voltou para
mim e perguntou-me:
- Pai porque que aquela senhora falava Inglês contigo?
Foi razão de uma boa gargalhada, e a prova de que a Belma não entendeu nada que a Maria Teresa disse. Para ela a minha colega havia falado Inglês. Bem podia ser Chinês.
Quando do
outro lado da linha ouvi o «Aloh» soube logo que era outra Maria Teresa, a voz
da outra era inconfundÃvel. E menos dúvidas tive eu ainda, quando ela se fez
apresentar:
-Sou a Teja, Furtado (quase todos os meus colegas chamam-me apenas pelo meu nome
de famÃlia - FURTADO). Gostaria de saber como fizeste para publicares poemas no
«Nôs ku Nôs»…
«Nôs ku Nôs» é um jornal interno dos T.A.C.V. Havia publicado nos últimos dois ou três números um poema em cada um, alias a colega que trabalhava (ainda trabalha) na altura na confecção do referido Jornal, a Yolanda, me pediu autorização para publicar uns poemas que lhe mostrei. Não havia como recusar, aceitei.
-… tenho alguns poemas na «gaveta», até já me prometeram uma publicação… estou a espera. Enquanto isto, queria ver se publicava alguns no «Nôs ku Nôs».
-Bem, foi a
Yolanda que me disse se eu queria publicar, fala com ela. Já agora que achas dos
que leste?
-São bons Poeta!
-Desculpa, mas não sou poeta, brinco com letras. Posso ver alguns dos teus?
-Tens MSN ?
Trocamos MSN e ela desligou o telefone, pouco depois de a chamar a brincar Poeta Menina. Efectivamente pouco depois ela me enviaria alguns poemas no MSN que achei muitÃssimo bons, muito melhor que os meus. Sem duvidas nenhumas.
Para lhe agradecer fiz um poema «online» para ela com o titulo «Poeta Menina», ela gostou, por muito tempo usou este nome no MSN.
Usou precisamente até ontem, sexta feira 04 de Setembro, quando me enviou quatro poemas para eu mandar para Raizonline a fim de serem publicados.
A Teja ou Maria Teresa Assunção ou Poeta Menina como passei a lhe chamar ou «India Libriana» , o pseudónimo dela, é minha colega de trabalho há quinze anos. Ela trabalha há quinze anos na empresa onde estou a trabalhar há 25 anos. E nos tempos livres escreve poemas ou faz Teatro. Uma mulher de cultura.
Com muito orgulho que tenho o prazer de a apresentar no Raizonline. Estou certo que é mais uma voz Cabo-Verdiana, em particular da Ilha de São Vicente, neste mundo da Lusófonia que lutamos para criar.
A ti, Poeta Menina, te desejo as melhores felicidades neste ramo artÃstico, espero poder ver nas bancas, o mais rápido possÃvel, obras tuas.
João Furtado
Praia, 05 de Setembro de 2009
Biografia de India Libriana

Maria Tereza de Jesus Assunção, nasceu a 15 de Outubro de 1966 na Vila da Ribeira Grande – em Santo Antão, filha de Geraldo Manuel Assunção e Antónia Paulina da Graça Assunção; é a 1ª de seis irmãos.
Viveu a sua infância em Boca de Coruja até aos nove anos altura em que o pai faleceu tendo ido morar na Vila da Ribeira Grande onde oferecia melhores condições para a vida que o destino lhe reservava após a orfandade. De Boca de Coruja guarda as maiores recordações da sua infância. Também nesse lugar viveu o alvorecer da Independência de Cabo Verde e, embora criança, sentiu a importância de tal acontecimento.
Divorciada e
mãe de dois filhos – um rapaz e uma menina ambos estudantes no Brasil; reside em
São Vicente desde 1991. Trabalha na TACV – São Vicente há 15 anos.
Em 2005 fez o Curso de Iniciação Teatral e com outros actores criou a Companhia
de Teatro SARRON. Como actriz já representou algumas Peças de Teatro tais como
SófamÃlia, Rei Lear, Up-Grade Bô Democracia e Um Vez Sóncent era Sáb – Este
último um musical de Neu Lopes.
Sócia da Associação ArtÃstica e Cultural – Mindelact que realiza todos os anos
em Setembro o Festival Internacional de Teatro – Mindelact, evento que concentra
Artistas de Teatro de vários paÃses do Mundo. Este Ano o referido Festival
decorre de 10 a 20 de Setembro.
O pseudónimo India Libriana surgiu em Fortaleza – Ceará Brasil. Inspirada na
Ã?ndia Iracema e Libriana por ser ela uma nativa de Libra. Escreve poesia desde a
juventude, mas de forma organizada e sistemática só desde 2002.
É uma mulher sensÃvel, atenta a tudo que a rodeia e isso reflecte-se
na sua poesia.
HABEAS CORPUS
Vim para soltar da garganta o verbo
o grito que te sufoca e te prende no papel
pois é este teu medo de alforria que te dá tropel
Mas cautela! Nada de estar em assoberbo...
Vim desatar o nó do laço que te aperta forte,
fazer desaparecer dele medos e dores,
fluir das suas entranhas flores e amores
e fazer-te largar para os mares do norte...
Que a tua voz se erga bem alto
A altitude dos que esperam te ouvir
E dos que te desconheçam deste asfalto!
Esquece tudo o que antes te foi torpe,
que na nova via seja de maiêutica teu esculpir.
Estás solto dos teus grilhões. Que tenhas corpo!!!
India Libriana -
(14Outubro2007)
DESESPERO DE UMA LAGRIMA
Na mitologia és eterna no lamento de NÃobe
pela vingança de Leto, perduras em dilúvio
e no monte Sépilo és real em toda a orbe
à s vezes és anteparada mas de nós ainda o alÃvio...
No coração fazes a tua nascente sem agaloas
ora errante pela face, ora jorrante pela alma
sempre na missão de lavar o desaire das fráguas
dos entes em privação ou em excesso de calma...
Agigantas-te em muralhas, na eternidade da prece
na imensidão do amor, no viver e na saudade
das coisas e entes nossos no agrado e no desgosto
Das nossas existências e do tudo que deles fenece
resta apenas o inteligÃvel de ti e tua amenidade,
mas não te afliges! Cais tão bem nesse rosto.
Ã?ndia Libriana