Pagª 40 - EDIÇAO NºXXXIX
, III NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
A FALA DOS ANIMAIS E DOS HOMENS
Por
Daniel Teixeira
Sabe-se que a linguagem falada constitui a forma corrente de comunicação entre
os homens. A sua origem, as suas características e a sua natureza são questões
interessantes que não podem ser desligadas, nem nos seus aspectos puramente
anatómicos nem nas suas formas culturais, de toda a problemática da hominização
nos seus diversos aspectos e incluindo o plano que se refere ao desejo íntimo do
ser humano se diferenciar (de forma sublimada ou ostensivamente) dos outros
animais.
Afirma-se que os animais emitem sons vocais (e atitudes gestuais) para
comunicarem entre si. Ora comunicar não implica, necessariamente, utilizar um
processo linguístico.
A própria etimologia da palavra confirma a nossa opinião
atrás expressa: comunicar é comungar = communicare = comunicar, e uma e outra
querem dizer que é : "«pôr ou ter em comum, repartir, compartilhar, receber em
comum».
Embora a conotação do termo comungar possa parecer de origem religiosa (ex:
comunhão com Cristo) e por isso nos possa levar a pensar que poderá, neste caso,
não haver reciprocidade na comunicação / comunhão (nós comunicamos com Cristo
mas ele não comunica - pelo menos da mesma forma - connosco, para além de poder
discutir-se se existe ou não comunicação embora possa haver comunhão com este)
certo parece ser, no entanto, que não se fala aqui (na comunicação ) da comunhão
religiosa - que pressupõe neste caso uma hierarquia de comunicantes - mas sim da
comunhão de seres iguais, em que aquele que comunica tem de ser entendido e
aquele que é objecto da comunicação tem de entender ( compreender ).
Quando a comunicação é um acto instintivo a sua sede cerebral parece ser
límbica, mas a comunicação verbal é, em geral um acto elaborado.
O seu estudo
encaminha-se sempre para duas vias: a da Anatomia e a da Psicologia comparadas.
A faculdade de comunicação está bastante desenvolvida em todos os primatas,
sobretudo nos mais evolucionados, mas a comunicação verbal nunca atinge nem a
riqueza sonora, nem a frequência e muito menos a importância que possui no
homem.
Dos antropóides, o grupo dos babuínos parece ser aquele cuja vocalização mais se
assemelha à voz humana ( Andrew - 1973) embora desde há muito se tenha
verificado que o chimpanzé pode produzir alguns sons idênticos a fonemas humanos
sobretudo à custa dos seus beiços.
Este antropóide é, além disso, dotado de uma capacidade de aprendizagem notável
que nos últimos tempos tem vindo a ser muito estudada (Lawick-Godall, 1973;
Stopa, 1976 e Wind, 1976).
O estudo do desenvolvimento da linguagem inicia-se através da complexa evolução
filogenética da comunicação e exige a discussão de toda a problemática da
hominização física e cultural.
Nos primatas superiores, a comunicação verbal, basicamente emocional e
instintiva, passa pela análise de numerosas e muito complicadas adaptações e
inter-relações anatómicas e funcionais. A linguagem falada do homem exige um
conjunto anátomo - funcional que inclui, entre outros aspectos, o seu bipedismo,
a configuração e a capacidade de volume do seu tórax, a redução relativa das
dimensões da mandíbula, das fossas nasais, do nariz e das vias aéreas
superiores, da anatomia particular da laringe, das cartilagens e das cordas
vocais, das qualidades dos seus aparelhos de visão e de audição e da musculatura
cutânea da face, o desenvolvimento do cérebro, em especial do córtex da fonação
(áreas de Broca e de Pierre Marie ), etc.
Acerca da complexidade inesgotável desta questão são muito interessantes as
investigações anatómicas, funcionais e psicológicas realizadas por Wind (1976)
que não se podem considerar concluídas.
Muitas vezes é difícil - senão
impossível - separar a linguagem emocional com os seus componentes variados - o
choro, o riso, os gestos, a postura corporal, a expressão mímica, o olhar, etc.
- cuja elaboração nervosa tem localização predominantemente límbica, da
linguagem voluntária meditada, cuidada, elaborada, rica de vocabulário e de
vigor que possui a sua sede no neocórtex.
Kotchetkova (1960), citado por Camnpbell (1972), admite que as moldagens
endocranianas do Pithecantropus mostram que na superfície do seu córtex cerebral
já se diferenciava a área de Broca e quadrilátero de Pierre Marie, pelo que se
admite que a comunicação verbal pode ter começado com estes recuados
representantes indiscutíveis do género Homo.
Além disso, esta teoria tem a reforçá-la o facto anatómico de se haver
verificado que a assimetria cerebral e craniana devem ter surgido igualmente por
esta época bio - antropológica.
Por outro lado, a vida tribal, a caça, a
indústria dos utensílios líticos e o uso do fogo pressupõem uma cooperação
social frequente e plena e, assim, o desenvolvimento da linguagem.
Todas estas conquistas se acompanham da aquisição e do aprofundamento da
consciência do Eu e depois da consciência moral, características essas
específicas do Homem.
Mas, se a aquisição da comunicação verbal é uma conquista extraordinariamente rica e complexa, recordemo-nos de que a linguagem escrita é outro facto cultural quase dos nossos dias e que ainda hoje não se pode considerar estabelecida pois se encontra muito longe de ser uniforme.
Tributo a Tico da Costa

Por Deth Haak - «A Poetisa dos Ventos»
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins - RN ; Cônsul Poeta Del Mundo – RN; Embaixadora Universal da Paz
Um Tico Pra Tico
Sua música alenta a alma
Sulca face, de o riso meu
só não sustentou esse dia
Pingando colmos à noite.
Porem, a afoita estultice
Foi e veio, a dizer calma;
Rompa da alma o vazio
Na verborrágica literatice;
É panacéia pra todo mal!
E no impulso da sobrevida
Versejando ao sorriso final
Acalento a alma sentida...
Poeta, o escriba erudito
Mortal como compositor
Imortaliza o já escrito
Na singularidade da dor...
Os dedos não obedecem,
A fantasia já não excita
Treme a medo indivíduo
De o papel borrar a tinta.
E na fresta do reposteiro
Entreolho a esperança
No adeus ao companheiro;
Fé em Deus é a herança!
Choram versos secos olhos
Penso em uma boa comida
Violão futebol, pimpolhos...
Pra dizer-te adeus, a vida!
E assim leio a mensagem
De o imo que enterneceu
Sabendo-se finda viagem
De a vida que aqui viveu.
Lembro o papo na esquina;
E as arquibancadas vazias
Ouço a fanfarra nesta rima
E solar bênção, as poesias.
Adeus, dos que aqui sentem
Cantando o que a vida deu
Um até breve eternamente
Faça-se luz, amigo meu!
Tributo a Tico da Costa

Que jamais seja permitido deslembrar quem com a Arte ao lado de outros, incansavelmente, edificou a Paz focada nos tijolos da Justiça Social manuseando a argamassa do Amor ao próximo.
Não sou dos que acreditam que a morte redime o homem, modificando-lhe os traços significativos de toda uma vida e sim que a mesma com o passar do tempo, converte a lembrança saudosa, e cada vez menos dolorosa resgata a memória dos homens pelo que construíram em vida! Assim relembro Tico da Costa, com quem convivi tão pouco e de quem muito ouvi falar.
Nosso reencontro estava há muito agendado... Francisco das Chagas Costa, homem de
Areia Branca, o mais Internacional dos potiguares, «Um Anjo Vestido de Homem»
que ao voejar por outras terras semeou o amor pela humanidade intercambiando
experiências.
«Sou de pouca conversa (...). Minha Viola é quem fala quem canta e quem chora o
que tem pra contar.»
