Pagª 4 - EDIÇAO NºXXXIX
, III NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Dois Poemas
Por Denise Severgnini
Sentindo a morte de perto
Há um beijo que não dei, mas já é tarde
O destinatário partiu faz muito tempo...
Há aquela flor que não reguei... Sem alarde,
Dou-lhe a líquida fonte de vida... Contratempo
Há em mim, aquela dor que não cultivei...
Há no firmamento, A Força Maior,
Que agnóstica, inconsiderada, quase eu repudiei...
Visita-me espectro das sombras... De amor,
Busco roupagem... A disfarçar as mazelas que experimento
De passagem marcada à estação terminal... Repenso!
Escrevo ,eu trabalho, leio estudo,... Pra quê?...Nem minto!
Há ainda lavrado em meu peito aquele verso denso...
Não exaurido, nem sentenciado... Que sem querer eu sinto!
Tenho tempo... Dou-me o tempo... Apesar do desalento
Andejo de mãos dadas com o Criador... Sobrevivendo!
Meu jazigo aguarda-me, mas não agora!Entendendo,
Que há a expectativa do mal, mas a finalização do bem
Vou indo... Escrevendo... Chorando... Com ELE... Até o além!
A Poetisa Fenecida
Expirado o momento d’inspiração
Carnífice martírio de letras soltas
Mal diagramadas numa expiação
Em plúmbeo veludo, já envoltas
Traçam ritos da vate tão exaurida
Harpejam fúnebres árias... Riem
Do seu não ser expresso em vida
Letras malfadadas sobrevivem...
Poetisa serpenteia na soturnidade
Diáfanas vestes encobrem a agonia
Sem sua lira, não há prosperidade
Nem como poder falar de idolatria
Epopéias do desencanto desfraldam
Bandeiras que sacolejam escuridão
Perecidas almas a ela circunavegam
Impingindo um tanto de aliviação...
Não há conforto na palavra oblíqua
Um ego sorumbático nada produz
Nem mesmo um cura a ele se adéqua
Pois ela não se ajoelha ante uma cruz
Sucumbiram quimeras, versos alados
Desalento unânime na incerta essência
Tranquiliza na lápide, ossos cansados
Como epitáfio: Poetisa por excelência!
Histórias da Vida Real
Crónicas por Martim Afonso Fernandes
Primeiro Circo Tourada
Lembro-me claramente de quando chegou o primeiro circo tourada em Imbituba: 1948. Foi armado na Rua de Baixo, a Getúlio Vargas, em frente da garapeira do Senhor Hermínio Rosa, ao lado da barbearia dos irmãos Ivo e Lilino Pimentel e da Pensão do Seu Piero Pitigliani.
Era uma área grande, de grama, entre a rua e a Estrada de Ferro. Às quatro horas
da tarde o caminhão do circo estava trazendo os dois touros para a estréia.
Havia bastante gente esperando para ver os touros.
Ao longo da ferrovia os postes sustentavam as linhas telegráficas que pertenciam
à estrada de ferro.
Ao tirarem um dos touros do caminhão, o animal escapou e saiu em disparada.
Um conhecido cidadão de Imbituba, que por sinal tinha os pés chatos e era
conhecido como Pé de Pato, estava distante do touro uns cincoenta metros. Na
corrida em que vinha o touro, direto a este cidadão, o Pé de Pato só teve tempo
de largar os chinelos para o ar e subir no poste que nem um gato, pois a
velocidade e proximidade do touro quase que proporciona uma tragédia.
O Pé de Pato agarrado ao poste, seus pés próximos aos chifres do touro, gritava
com toda a força que possuía.
O touro ficou à espera, com tanta vontade de chifrar os pés do Pé de Pato, que
nem se deu conta de que o pessoal do circo não teve trabalho para armar o laço
sobre seus chifres e o levarem de volta ao circo, para a noite testarem a
habilidade dos toureiros, que na verdade a provaram aos espectadores.
Pé de pato, por ser muito conhecido em Imbituba, quando passava pelas ruas, seus
amigos logo gritavam:
-Olha o boi!!!!
