Pagª 1 - EDIÇAO NºXXXIX , III NUMERO  DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Noticias comentadas

Por : Haroldo P. Barboza

 

Fonte: BANDNEWS-FM – set / 2009

Um morador da favela do Barbante (RJ) denunciou à polícia algumas atividades ilícitas de milícia que domina a região. O grupo criminoso espancou e torturou algumas pessoas que se recusavam a obter «serviços» oferecidos pelo bando (gás em bujão, net pirata, etc) a custos 20% mais caros que nas empresas especializadas.

O denunciante ficou incógnito durante o processo policial. Mas na fase judicial, seu nome e endereço caíram nas mãos do advogado do bando. A Lei (?) permite isto, mesmo para quem faz parte do programa de proteção à testemunha.

Sete pessoas da família do denunciante foram chacinadas. Ele escapou por chegar 2 minutos atrasado em casa.

O programa de «proteção» à testemunha «oferece»: outra identidade, moradia menor, água potável a 50 m da residência e emprego cuja remuneração não passa de 2 salários mínimos. No caso em questão, o denunciante tinha salário de quase R$ 3.000,00 antes de prestar o corajoso ato de cidadania. Hoje ele tem de fazer «bicos» na área de alvenaria, hidráulica e eletricidade. Além de viver em condições precárias.

HPB pergunta: se você souber que na casa ao lado mora um casal que todo mês seqüestra crianças e depois de receber o resgate as afoga no mar, fará registro na polícia e entregará as possíveis fotos que comprovem sua denúncia?

Por isto a impunidade se alastra em nossa terra. E os legisladores estão preocupados apenas com a fatia que lhes caberá no «pré-sal».


Fonte: agência senado

O acordo a ser firmado com a França permitirá ao Brasil ingressar no pequeno grupo de países - Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e China, além da própria França - capazes de projetar, construir e operar submarinos nucleares, disse nesta quinta-feira (27/08) o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O documento será assinado «simbolicamente» no dia 07/09/09, durante a visita ao Brasil do presidente Nicolas Sarkozy, segundo informou.

Jobim ressaltou a transferência de tecnologia como o ponto mais importante do acordo, durante audiência pública promovida conjuntamente pelas Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O ministro rebateu as críticas feitas à escolha da França como parceira para a construção de cinco submarinos - dos quais um de propulsão nuclear até 2021.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) custará 6,7 bilhões de euros. Desse total, 4,3 bilhões referem-se a um financiamento do governo francês, cujo pedido de autorização já se encontra em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Como a aprovação final da operação ainda pode levar algum tempo, informou o ministro, optou-se por uma assinatura «simbólica» do acordo no dia 7.

Em resposta aos senadores Flávio Arns (PT-PR) e Eduardo Suplicy (PT-SP), interessados em maiores detalhes sobre a quantia a ser destinada ao programa ao longo dos próximos anos, Jobim informou que o projeto de Orçamento da União para 2010 já contém a previsão de R$ 2,3 bilhões para o Prosub e que outros R$ 2,1 bilhões deverão ser destinados ao programa em 2011.

Suspeitas de HPB:

1 – mais um fator para aumentar nossa dívida externa. Uma fortuna mal aplicada no momento.

2 – países desenvolvidos costumam nos vender sucatas, como ocorreu pelos idos de 1960 quando adquirimos a preço de «promoção» o porta-aviões Minas gerais que já estava obsoleto a mais de 10 anos no país de origem.

3 – A educação vai continuar a «ver navios».

4 – A saúde vai «afundar» mais.

5 – Tais embarcações não combaterão os «tubarões» das drogas que continuarão trazendo armas pelos nossos portos mal aparelhados.

6 – neste processo só tem «peixe grande».

7 – esta transação será aprovada em mais um «ato secreto»?

Para ler todas as publicações de Haroldo P. Barboza.

 

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Por outro lado, e diz-se que ter pensamentos assim pode ser como comer cerejas - uns seguem-se aos outros quase naturalmente - isso fez-me revisitar o site tantos anos depois e verificar com alegria por um lado e tristeza por outro que; primeiro o site ainda lá está e segundo que não me parece ser alimentado como seria desejável. Mas não só...

A referência à iconografia fez-me lembrar alguns trabalhos que fiz sobre a iconografia de Florbela Espanca e o que mais notei na altura foi alguma agressividade expositiva por parte da escritora portuguesa. Enquanto que o Se-Gyn referia atitudes expectantes ou de dúvida, nas «suas» mulheres, ou de indecisão mas de qualquer forma demonstrando alguma estranheza ou algum desenquadramento emotivo com a máquina (ao que se supõe, pode ser relacionado com o fotógrafo também) o caso de Florbela era não de à-vontade mas sim de agressividade. Ora, numa poetiza que se conhece pela fragilidade (pelo menos emotiva) eu achei isso estranho. 

Mais tarde, e no decorrer das minhas investigações sobre a Florbela (levei quase um ano nisso, diga-se, quer dizer, a trabalhar sobre ela) vim a descobrir que o pai dela era fotógrafo - quer dizer em pleno Alentejo tinha uma loja onde tirava fotografias e deslocava-se a casa das pessoas para fazer aquelas fotos de família - e reinterpretei a sua atitude para com a máquina como uma atitude de raiva ou de demonstração dominadora.

Florbela, em resumo, não tira fotos, naquele sentido que se conhece de se ser fotografado, antes fotografa-se: eu explico...não é o objecto do acto fotográfico mas sim o sujeito (pretende ser) do processo e fá-lo de tal maneira que cai naquele erro muito comum que é o exagero. Em resumo comporta-se como se estivesse atrás da máquina, naquele tempo uma posição de demonstração de poder.

Na verdade o fotógrafo naqueles tempos punha e dispunha as pessoas, colocava-as segundo uma dada ordem, via através da lente a simetria, corrigia posições, ordenava, era o senhor.

Conta-se que os índios ou os negros, ou ambos, não me lembro bem, quando confrontados com máquinas de fotografar as destruíam alegando que estas lhes roubavam a alma. É claro que isso só acontecia depois de verem a foto, nunca soube bem porquê... Provavelmente é treta dos antropólogos - que são os maiores mentirosos institucionais reconhecidos como cientistas - mas parece-me evidente que de alguma forma, ao tirar-se uma foto naquele tempo, ao obedecer ao «homem da máquina» se perde um pouco a nossa alma, pelo menos a alma do momento.

Por isso, na minha modesta opinião, o Se-Gyn deve analisar também o fotógrafo e não só a máquina...

Regressando às mulheres  que eu e o Zezé Pina amamos, acho a Marina Colasanti muito pesada,(deve ter lido em demasia a «Estranha Leveza do Ser») a Clarice Lispector uma senhora da poesia e a Adélia Prado excelente, mas o meu grande amor, pelo menos numa poesia, que quase constitui minha leitura de cabeceira, refiro a Cecília Meireles:

Venturosa de sonhar-te

Cecília Meireles

Venturosa de sonhar-te,
à minha sombra me deito.
(Teu rosto, por toda parte,
mas, amor, só no meu peito!)

– Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!

Em barca de nuvem sigo:
e o que vou pagando ao vento
para levar-te comigo
é suspiro e pensamento.

– Barqueiro, que doce instante!
Barqueiro, que instante imenso,
não do amado nem do amante:
mas de amar o amor que penso!

Daniel Teixeira

 

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Mundial do Mar – 24 de Setembro de 2009 (Ver Início)

Um dos objectivos é também realçar o trabalho da Organização Marítima Internacional, cujo Secretário-Geral, Mr. Efthimios E. Mitropoulos, subordinou este ano o tema das comemorações ao título «Alterações climáticas: um desafio também para a OMI!», tendo afirmado nomeadamente, na sua mensagem e passo a citar:

«A humanidade enfrenta um dilema, porque, quer queiramos quer não, o nosso modo de vida colectivo tornou-se insustentável e precisamos de fazer algo a esse respeito, e depressa. As opções que temos tomado sobre os nossos estilos de vida têm vindo a degradar lentamente o próprio sistema de apoio que nos permite viver e respirar. Esta situação não pode, nem deve, continuar.

Temos que tomar algumas decisões difíceis, temos que tomá-las agora e temos que actuar em uníssono, com um compromisso íntegro e total, agora e no futuro. Perante factos indiscutíveis, temos de considerar as nossas prioridades e aceitar que temos que fazer alguns sacrifícios. Temos que começar a colocar a «vida» à frente do «estilo de vida».

Com efeito este é um tema mais que pertinente e actual, já várias vezes abordado sob várias perspectivas neste coluna, e que faz cada vez mais parte das preocupações e objectivos não só de ambientalistas e cientistas, como de políticos e da população em geral.

Este dirigente, aborda na sua mensagem, que pode ser vista aqui na íntegra :  o tema dos transportes marítimos, analisando o custo dos combustíveis, o impacto do mesmo sobre o ambiente, através da emissão dos gases com efeito de estufa, e equacionando os efeitos económicos, resultantes da diminuição da velocidade e do consequente aumento do tempo de viagem, necessários para diminuir os impactos sobre o ambiente.

É uma relação delicada e difícil de gerir, que passa por encontrar alternativas energéticas, e por optimizar as performances dos cascos dos navios com vista a aumentar as velocidades diminuindo as superfícies de atrito.

Mas como é referido e já citei, optamos pela vida, ou pelo «estilo de vida», sob pena de os nossos filhos e netos, terem apenas a opção de sobrevivência nas condições degradadas que herdarem desta nossa geração.

Portugal tem uma herança antiga e importante, que não deve nem pode renegar, como um dos precursores dos descobrimentos e do estabelecimento de importantes rotas marítimas que há mais de seis séculos ligaram e ligam, povos, nações e continentes.

Não se trata de saudosismo, mas de reconhecer a importância histórica do legado deste pequeno país ao mundo, e que hoje como uma das principais portas de entrada marítima na Europa assim como o rosto deste continente que está virado ao oceano e ao continente americano, tem que saber liderar e firmemente defender uma posição de defesa na problemática ligada aos oceanos.

O nosso país tem as condições naturais para estudar e investigar com a sua extensa costa e as condições climáticas excelentes que temos, bem como o material humano e o saber dos nossos cientistas.

Portanto esperamos que os nossos governantes não se demitam das suas responsabilidades neste importante sector e saibam defender as competências do nosso país neste domínio, junto das grandes organizações internacionais, com vista a uma melhor eficiência e um ambiente mais limpo para o presente e o futuro.

Nesta semana e dia, várias iniciativas estão programadas em todo o pais, cujo programa completo, poderá ser consultado em:
http://www.imarpor.pt/dmm.htm

Escolha a que mais perto de si se realizar e participe. Mas principalmente participe mudando cada dia um pequeno pormenor que seja no seu estilo de vida, com vista a fazer a sua parte na mudança que se pretende ao nível global.

Por exemplo: - Já pensou para onde vão os sacos de plástico que deita para o lixo? Sim, vão para a lixeira...reciclados? Não, as câmaras municipais e os aterros não têm capacidades para reciclar tudo isso...ficam lá nos aterros e as águas das chuvas vão arrastando esses detritos para os cursos de água a caminho do mar. Como não se decompõem, vão assim mesmo para o mar, onde formam camadas nas orlas marítimas e se depositam nos fundos ou flutuam nas águas.

Quantos peixes e aves não sufocam enredadas nesses detritos? E redes de pesca e hélices dos navios? Já pensou? Então prefira usar sacos biodegradáveis para as suas compras e reutilize os outros as vezes que conseguir. Quando os deitar para o lixo, corte-os em pequenos pedaços, para minimizar os riscos que referi.

Bem, isto é uma sugestão minha apenas. Cada um de nós pode usar a lógica e tentar ser amigo do ambiente, pensando e pondo em prática, medidas simples como esta. Que tal cada um dos nossos leitores escrever-nos e contar as suas ideias? Podíamos fazer uma lista de medidas «amigas do ambiente». Que acham?

Fico á espera de respostas e deixo em jeito de despedida e inspiração esta citação de Fernando Pessoa, um dos nossos maiores poetas, do poema «Mar Português» publicado no seu livro «Mensagem»:

«O mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!»

Vamos honrar o nosso Fernando Pessoa?

Arlete Piedade

(Ver o Poema Mãe Negra e apresentação P.Point-pps)

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.

 

POESIA de Conceição Bernardino

 

 

Lamento de uma guitarra

A visão nega-me o ensejo da luz sadia
em cera queimada, já sem pavio.
Pudera eu ser a razão
de uma razão qualquer errante.

Deixem-me aqui quieta
no medo que já não me amedronta
onde as candeias se apagam à noite,
no lamento de uma guitarra.

…pudera eu ser o que já fui
sem ser o que não mais serei…

Deixem-me aqui
onde o meu fado mora também.
Onde o silêncio sente e escuta
este sentir, vazio de ninguém.