Pagª 29 - EDIÇAO NºXXXIX
, III NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
As Cerejeiras do Japão

Por José Pedreira da Cruz
Sou um brasileiro que vergonhosamente nunca viu um Pau Brasil (razão do batismo de meu PaÃs), esquecido por todos e quase que exterminado descaradamente pelo ganancioso vandalismo econômico no transcorrer de séculos, mas que muito admira a beleza exuberante do Sakura, ou «Sakurá», como se pronuncia em japonês; ou simplesmente cerejeira, como se diz por aqui.
Quando chega o mês de agosto as abelhas abrilhantam com seus zumbidos incessantes a festa das cerejeiras do Parque do Carmo: um dos maiores da cidade de São Paulo localizado na sua zona leste.
A revoada de beija-flores e de insetos à procura do néctar das flores rosadas é intermitente e uma sensação de se estar envolvido com a natureza faz com que, todos os anos, este espaço ambiental se torne alvo da visitação pública, aonde os olhos se encantam com a beleza Ãmpar da florada das cerejeiras, sutilmente transformando em róseo tudo que por ali antes era verde.
O quê deveria ser orgulhosamente chamado de festa do Pau Brasil, chama-se de festa do «Sakurá», isto em razão dos imigrantes japoneses terem pacientemente transladado oceanos com mudas de cerejeiras do Japão e presenteado o Brasil com sua árvore sÃmbolo nacional, e que, anualmente, se jubilam com orgulho, cânticos, comilanças, danças, ritmos, respeito, alegria e admiração.
- E assim que se faz no Japão; é assim que matamos a saudade de lá! – foi o que me disse um velho nissei, que parecia voando na felicidade, e sorria prazeroso, ao ver sua neta vestida a rigor e dançando suavemente o Asadoya -Yunta, a dança da celebração do amor, com gestos leves na cadência rÃtmica da melodia nipônica.
O colorido das vestimentas se misturava alegremente ao movimento sutil da dança tÃpica embalada pela música suave que aquietava a platéia, e todos os olhares se focavam para o deslumbrante espetáculo de som e flores em meio ao cor-de-rosa das cerejeiras do Japão.
E eu, como um simples assistente, mas com uma inquietante dúvida, sem resposta
silenciosamente me questionava:
- Será que os brasileiros emigrantes no Japão têm por lá a festa do Pau Brasil?
Melhor seria se Pedro Ã?lvares Cabral tivesse batizado esta terra como antes queria: Terra de Santa Cruz, assim, quem sabe?...
Esqueceriam nossas florestas e o Pau Brasil estaria a salvo dos assassinos florestais, e eu, assim como os netos e os bisnetos (nisseis e sanseis) dos japoneses fazem, também pudesse festejar alegre e orgulhosamente nossa árvore sÃmbolo nacional, mas, como não a temos, continuarei a festejar o «Sakurá» que agora, também, é brasileiro.
A galinha flutuante
Por Se Gyn
Essa também aconteceu na terrinha e, foi contada por um amigo...
O velho Braz, aposentado e viúvo, vivia só em sua casinha, na última rua do bairro da periferia da cidade. Era uma pessoa afável, bem quisto pela vizinhança, mas tinha lá uns costumes dos quais não abria mão.
Um deles, era o cigarro de palha e, o outro, era criar umas galinhas no
fundo do quintal, apenas para o consumo próprio, e distração, em sua vidinha
sem graça.
Em geral, se satisfazia com a manutenção de umas 15 cabeças, entre frangotas
e galinhas no ponto de abate.
Mas, veio um tempo em que alguém da sua vizinhança resolveu dar em cima de
seu plantel e, suas penosas começaram a desaparecer.
Toda semana, uma ia embora. Ele repunha a galinha sumida, mas as mais gordas
continuavam desaparecendo, inexoravelmente.
Certo dia o velho Braz, empertigado estristecido com o mistério do sumiço
das preciosas galinhas, estava sentado na sala, assistindo um filminho
modorrento de sessão da tarde na televisão.
De repente notou um movimento no
quintal, através da janela do quarto, que estava aberta.
AÃ, começou a ver pela janela uma das suas galinhonas batia asas, e parecia
flutuar na direção da borda do muro de divisa da casa, acima.
Era uma cena estranhÃssima e, ele não acreditava no que via. Passado o
torpor, correu para o quintal e a galinha continuava lá, à beira do muro, no
ar, e batendo com força as asas.
Mas, como andava desconfiado, agarrou-se à borda do muro e, quando olhou do
outro lado, estava um vagabundo muito bom no trato, que mudara para a casa
vizinha, puxando a linha de uma vara de anzol com a qual tinha «pescado» uma
de suas bichinhas – depois de engolir a isca com anzol e, serem fisgadas, o
malando já sabia que elas não emitiam nem um piado!
