Pagª 26 - EDIÇAO NºXXXIX
, III NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
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Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Reencarnação do Poeta
Conto
de Armando Sousa
O poeta via nesta criança, alguém que poderia ter sido um pouco de seu sangue...
via
essa pequenina que tanto amava ler e brincar com tudo que este magico poeta e
escritor pensava e escrevia.
Ho que amor louco esta criança tinha pela literatura... agora deitada nesta cama
hospitalar. Branca e em coma, por ter sido medicada. Pensava o que deveria fazer
por esta criança. Sá Tinoco em parte sentia-se culpado... porque deveria ele,
ter dado a palestra sobre verdade e jornalismo, nas redondezas?...
Porquê seus fãs, eram tão devotos ou fanáticos de suas palavras?... Porquê esta
criança deveria atravessar naquele exacto momento?...Então pensava...Haverá
Deus?... Deus viu essa criança correr e não a deteve,.... se existe deus, ele
não viu: ou então a quis punir... Ho... punir uma criança? Que mal fez ela?...
Para me castigar a mim: que mal faço eu?...
Para castigar meu amigo?... não... não deus não comanda... Deus deu a cada um de
nós um destino, a tal sorte... o tal fado, talvez mal fadado... se Deus esta por
detrás de tudo, tem bem escondidas suas razões...Mas erguer as mãos cheias de
pranto nada adianta... rezar isso são coisas de fanáticos medrosos... acreditar
e se punir ou matar... são coisas de loucos varridos... Deus quer isso?...
Não. Não... se deus existe, ele apenas quer para nós o melhor...e que tudo venha
de nosso trabalho... assim como nós devemos querer para o nosso semelhante tudo
que para nós desejamos, estando nós de boa saúde mental. Nunca nos devemos
deixar mentalizar pelo fanatismo de religiões... o mundo andou sempre em guerras
umas vezes para se defender, outras com o ódio entranhado na sua mentalidade
doentia, apenas querem ver destruição da humanidade sem motivos...
Será que Deus vê?... Era a pergunta que Sá Tinoco sempre fazia...Veio o Dr.
Acompanhado por uma Enfermeira... o Dr. disse; ainda não houve família que
viesse saber desta criança que fui obrigado a amputar-lhe a perna acima do
joelho, vou-a manter medicada por três dias, e só depois se tudo correr bem ela
poderá falar se o desejar.
Sá Tinoco apresentou-se ao Dr. escrevendo um cheque que entregou ao Dr.
pedindo... que seja o Sr. toda a sua família... esta menina vivia com o avô que
esta invalido com artrozes reumáticas que o retêm na cama ou cadeira de rodas...
ela era toda a sua ajuda... tomarei providencias para que seja ajudado...
As semanas passaram, o poeta mandou que fosse medida uma perna com o joelho
mecânico coisa que obrigou a virem técnicos do pais vizinho... Mas ao fim de um
ano a menina já passava seu tempo com as crianças menos afortunadas que ela...
crianças com deficiências nervosas. Era coisa que Ana tanto amava era contar
suas historias de criança e os ensinar a escrever...Sá Tinoco um dia chamou a
Ana e lhe disse; faz o que tens de fazer, e o que gostas de fazer... só que por
vezes para sobreviver temos de escolher.
O governo nada te paga pelo teu trabalho, eu te poderei empregar na livraria. O
que te fará independente da caridade... te dará tempo para escreveres e quem
sabe, seres a continuação de algum poeta ou escritor que ames... Ana entregou
sua demissão... ao director... que ficou embaraçado sem ninguém que pudesse
fazer o que Ana fazia com as crianças, sabendo ele que Ana nada custava ao
hospício, e alguém estava beneficiando com o trabalho da criança.
A gritaria das crianças pedindo a volta de Ana, era enorme, e o director fez um
corte no seu chorudo ordenado para acomodar Ana que prometeu vir um dia por
semana para contar historias a seu amiguinhos de hospício.
Poemas de Manuela Pittet

O MEU AMOR
Eu amo a morte
Porque ela não morre em mim (…)
O meu pensamento não morre
Porque eu mato a morte
Com meus punhais de vida!…
Viver a morte com vida
Morrer a vida sem morte (…)
E pronunciar as palavras
Que nenhum ser humano aprendeu
(Estas que meus olhos falam
mas que teimosamente não querem ouvir…)
enfim…
esfregar meu corpo na areia da Terra prometida
fazer amor com o sol e as estrelas
e ser o feixe de luz
que desmente a morte e a vida
que é com seu calor e brilho
A EXISTÊNCIA
O IDEAL
O SONHO…
E ser assim, o Amor
E os esposos da felicidade
CASADOS PELO VENTO QUE AQUI NÃO SOPRA!…
(in: «Cartas da minha Alma»)
EIS-ME…
… Eis que se confirmam
As certezas da imaginação racionalista
E as incertezas do imprevisto onírico…
Como pedras rolantes
De um planeta sem vida
Onde se inventam pássaros
E se dança a monotonia
Da racionalidade inexistência (…),
Eis que chega
O viajante « intemporal » !…
Eis que felicito
A ignorância do sábio
E o orgulho do ignorante…
Eis-me que cheguei
Perante o incognoscível
Da inteligência metafísica
E o ocultismo
Da sabedoria dogmática
Enlatada de misticismo...
EIS-ME QUE VOS CHEGO
NA TARDE LONGA
DA MINHA PARTIDA !…