Pagª 44 - EDIÇAO NºXXXVIII , II NUMERO  DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Caminhante Errante

Poema de Pequenina

Mãos rudes, embrutecidas
Pés descalços, nas calçadas da vida
Pernas rígidas e endurecidas…
Trôpegas, mal resolvidas
Passadas curtas…
Inflexíveis, constrangidas
Cansado e humilhado, vai
Um vulto que declina, mas não cai…
Caminhante errante…
Vindo de um remoto passado
Já bem distante
Nasceu, sofreu e morreu…
Morreu em vida…
Limitado dos seus gestos
Sem protestos…
Com a lucidez corrompida
Dolência de uma alma enfraquecida
O querer ser e não poder
O desprazer, os desamores…
As dores, sem favores…
Nada para si, foi um mar de flores
A mudez das portas fechadas
O vai e vem das longas caminhadas
Vida e morte se encontram
Como pedras se acasalam, se defrontam
Na galeria do tempo, empobrecido
Abandonado, envelhecido
A sina de um esquecido...

 

 

 

 


 

mudaram a quadrilha do pé de manga de lugar...

Por Se-Gyn

Texto I - Da Terrinha

Chegando à terrinha e me inteirando das novidades, me informam que a quadrilha do pé de manga, assim chamada a dança de quadrilha criada pela molecada da cidade, não vai ocorrer, esse ano, no lugar original - isto é, o frondoso pé de manga pequi da pracinha da rodoviária.

E os motivos desta notícia variam, de acordo com o interlocutor. Um diz que a prefeitura resolver unificar as três quadrilhas - do bairro Campos Verdes, vila Mercedes e a «quadrilha do pé de manga», para realizar as três num mesmo evento e lugar, com a estrutura adequada.

Outro, entretanto, sustenta que a quadrilha do pé de manga foi incorporada a um outro evento pelo prefeito da cidade, apenas porque ela era realizada com o suporte financeiro de um Vereador.

No interior, como sabem todos, o jogo da política não acaba nas eleições. Mas, acho a motivação política furada - só lamento que não tenham trazido o evento para junto do pé de manga da pracinha da rodoviária, para não romper com o motivo poético e voluntarista da quadrilha dos meninos...

Mas, vejam só como são a aves bicudas da política interiorana : discutindo o assunto, um declarou: «a quadrilha dos meninos tem que ser no lugar original! Pra quê mudar?...», tentando, evidentemente, dar uma bicada provocativa na iniciativa da prefeitura. E, o outro não deixou por menos: «Ah, sô, muda a administração, muda a quadrilha!».

Sentindo a altura perigosa do assunto e considerando que sou amigo do prefeito desde o tempo de criança, saí de fininho de perto das duas bocas de Matilde...