Pagª 20 - EDIÇAO NºXXXVIII , II NUMERO  DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

 

 

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 Poesia de Armando Sousa

Como eu desejo

Há… como eu desejo ver o sorriso em crianças
Como eu amo ver pais e crianças a saltar e correr
Sejam concretizadas um dia minhas esperanças
Grandes pistas de corrida, e ginásios, me da prazer.
Como eu desejo ver as escadas de tribunais a cair
Desejo ver ervas daninhas nas escadas a espreitar
Das tabernas e casas da noite ver homens a fugir
Ao portão ver os namoros a se beijar.
Como eu desejo ver crianças de escola a competir
Avós, pais e amigos como espectadores
Dar seu melhor, nunca perder a compostura do rir
Fim da partida, prémios de beijos dos seus amores.
Como eu desejo; pão e manteiga em cada mesa
Ver mãos calejadas, e as mulheres sem pneus
Castigo à vista em cada pensamento de avareza
Aves e pensamentos voando suavemente os céus.
Como eu desejo, a riqueza se baralhar e todos ter
Que o trabalho seja pago a trabalhar
A humanidade poderem sair e ter prazer
Que seja forte o desejo de se beijar e abraçar.
Como eu desejo as balas serem graeiro de milho
Como eu desejos como os gansos poder voar
Ser orgulhoso de suas penas a ter mais brilho
Outras gentes e outras terras saudar.
Como eu desejo apenas uma língua para falar
Como eu desejo que todos saibam ler e escrever
Como desejo sejas meu destinado amor e te beijar
Que partíssemos um dia antes de chegar sofrer.

Armando C. Sousa

Retalhos de amor

Subi ao alto monte, no sol e orvalho via amor
Sol aquece o mar e seca o orvalho a seu jeito
É amor de doce beijos, como da abelha à flor.

Direito de paz, de prazer, e viver com liberdade
Desejos intrincados, ninguém vê no pensamento
Olho o mar subo ao monte, sinto muita saudade.

Anos passam se aprendi na vida, está a esquecer
Estou idoso, se aprendi, foi saber que nada sei
O que sei não e mentira, sei que tenho de morrer.

Minha vida e um sonho, vivi-o agora esta no fim
Lutamos nesta batalha da vida mas perdemos
Com sorrisos, devemos cheiras rosas deste jardim.

Amo montes, amo mares, amo jardim e mulheres
Amo verdades, amo igualdades, as cores, amo a paz
Alegria, o escrever poesia, são meus bem me queres.

Amo o azul, as nuvens, amo-te a ti e as aves dos céus
Odeio religiões, pelas mentiras e seus medos
Receio as dores e sofrimentos, mas confio em Deus.

 

 

 

 

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XXXVII)

Ar! Ar! E mais ar! Tanto ar, que raramente pensamos como ele é vital, como ele é importante para a vida, a nossa vida!

Tal como um circulo continuo e incorrupto, ele entra devagar, devagarinho dentro de nós, e pelos mesmos orifícios sai silenciosamente e sem perturbações… sem nos apercebermos que se trata do movimento da vida, que tantas e tantas vezes esquecemos de agradecer…

Concentremo-nos pois na arte respiratória. Fixemo-nos nos movimentos do nariz e da boca… suavemente respiremos todo o ar que podermos pelo nariz. É um ar puro, do universo, liberto de qualquer ânsia, mal-estar ou solidão. É fresco, tal como uma suave brisa marítima repleto de partículas de paz e outras tantas de harmonia cósmica. E tem cor… de um bonito violeta libertador de toda e qualquer impureza que tudo transmuta, tudo altera e modifica para infinitamente melhor, tal como cada um de nós merece…

Já no nosso aparelho respiratório, este ar invade o nosso corpo instalando-se em cada pórinho do nosso ser, alastrando-se rapidamente pressionando o antigo ar que pelas nossas entranhas circula… E esse ar viciado e carregado pelas nossas angustias, doenças e mal-estares gerais, vê-se agora encurralado, apertado, aguilhoado… e num ímpeto explode, saindo rapidamente pela boca…

Sem darmos por ela, … nas nossas veias o tal ar puro, percorre-nos tal como um indiscreto bocejar… Sem darmos por ela, esse ar limpa-nos, cicatrizando as nossas feridas, os nossos sofrimentos… sem darmos por ela, estamos envolvidos numa agradável aura violeta, onde tudo é possível modificar, possível alterar… sem por ela darmos conta…

Inteligente o universo, sabe sempre o que faz para nossa felicidade, nosso descanso interior, paz e harmonia… pena é tão absorvida andar a sociedade, que por esse verdadeiro milagre não dá conta! No entanto ele acontece e ocorre tantas e tantas vezes por segundo, por minuto, por hora, por semana, por mês! Razões, pois, para dizer que tão incompreendido este verdadeiro fenómeno milagreiro é! E tanto perto e dentro de nós está e se encontra!...

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza que o melhor é mesmo não fazerem-se julgamentos...