Pagª 10 - EDIÇAO NºXXXIV , IIIº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
DESODEIE
Por
Sandra Fayad
Primeiro peço que você relaxe, livre-se de qualquer preconceito e leia.
A vida é uma maravilha. O céu azul, as flores, o mar com as ondas
morrendo na praia, os pássaros em revoada, a luz do sol e as noites
enluaradas.
Há quanto tempo você não olha para cima? E virar cambalhotas, você sabe? Já subiu em uma árvore para colher mangas, jabuticabas, ameixas? Já pulou amarelinha? Quais são suas queixas?
Que cara é essa, cara? Hei, a vida é bela! O mundo é feito de tantas coisas boas. Triste é doença incurável, horrível é pronto socorro de um hospital? E uma UTI, então? Já entrou em alguma? Há quanto tempo você não vai a um velório? É...caixão, morto, sepultura, terra em cima...muito triste! Não, não é legal.
Pra que ficar filosofando, usando de subterfúgios, buscando chifre na cabeça de cavalo? Olha, se você não consegue aceitar as pessoas como elas são, pense que há gente que também acha que você devia mudar.
Mudar a cor dos cabelos, o jeito de falar, os modos. Olhe bem para as pessoas que te cercam. Pergunte a elas, sinceramente, o que é que acham de você. Pode haver gente que o ache pedante, orgulhoso, feio, bobo. Vai ter gente que o considera cansativo, teórico ou filosófico demais.
E se alguém o vê como um grosso, antipático, metido, i n s u p o r t á v
e l!
- Insuportável, eu???
Claro que as pessoas que dependem de você de alguma forma, vão dizer que
você é o máximo, fenomenal. E você vai acreditar nisso? Pode até ser,
mas vá com calma.
Acorde! Seja realista! O mundo é assim mesmo. Vivemos em uma sociedade capitalista, de trocas, de toma lá, dá cá. Pare um pouco de conversar sozinho com os outros. Medite! Você sabia que às vezes as pessoas sacam seus defeitos, saem de fininho sem dizer nada e desaparecem?
Mas há quem faz diferente. Se perceber que você é vaidoso, enche mais a sua bola com falsos elogios, passa-lhe uma rasteira e ainda fica rindo da sua estupidez.
Você já ficou desempregado? Quem foi que lhe estendeu a mão? Houve alguém? Quantos? Você já se viu em apuros? Sem grana, sem perspectivas, abandonado, traído, descompensado? Quem foi que ouviu suas lamentações e se solidarizou com você? Q u e m? Quantos foram? Você se lembra? Não, não é? - - - Melhor esquecer isto.
Então, olhe para os lados e vê se você não está fazendo «m». Seja duro, não com os outros, mas com você mesmo. Olhe-se no espelho. Pense: quem sou eu? O que eu realmente quero na vida? Quais são as minhas principais metas? O que eu estou oferecendo?
E aí, sim, pergunte-se: Qual é o retorno que eu estou tendo das pessoas que me cercam? Faça isto antes de sair por aí espalhando veneno por todos os lados, só porque você não consegue lidar com diferenças, com situações inéditas, com o medo que você tem de si mesmo.
Cuidado com as «neuras». Vá à luta. Saia dessa! Sorria!!! Experimente fazer uma boa corrida: estimula a SERATONINA. É bom demais...
Mas se você não conseguir fazer nada disto, então procure ajuda. Faça umas dez sessões de terapia, pelo menos. Vale a pena!
O terapeuta tem métodos eficientes para ajudar você a descobrir se o que está fazendo com a sua vida e com a dos outros está mesmo lhe fazendo bem e ao mundo. Se ele for dos bons mesmo, vai levá-lo a uma trilha onde irá se conhecer melhor e ao contexto em que está inserido, para que você mesmo faça as correções de rumo.
Não perca tempo. A vida é curta. No máximo, você vai viver cem anos. Corra!
Desrancorize! Desodeie! Rancor e ódio provocam câncer, enfarto, aneurisma, gastrite...enxaqueca!
Aí você pode morrer mais cedo e o mundo continuará muito bem, obrigado.
A Coluna de José Geraldo Martinez

Dueto Martinez & Ana Maria Brasiliense
Não demore!
José Geraldo Martinez
Não demore, meu amor,
que os dias são ligeiros e nublados...
Pintam meus cabelos de branca cor,
meus olhos azuis apagados!
Não demore, amor,
que as primaveras passam nos campos...
Quem me garante o perfume da derradeira flor,
nesta vida que falta acalanto?
O frio toma conta do meu peito
que geme triste em solidão...
Quem há de aquecer estendidas,
os desejos de minhas trêmulas mãos?
Não demore, amor,
que as serras não morrem no horizonte...
Morro eu nesta longa espera,
no hoje que abrevia o ontem!
Os cumes guardam as neves,
que no verão despencam em riachos...
Quem me garante a visão,
se fracassam até os meus passos?
Não demore, amor,
que as chuvas banham as campinas...
Continuam as estrelas sapecas,
pelas noites eternas e meninas!
Nós passaremos!
Logo ao chão tornaremos pó...
De que vale quatro metros quadrados
de terra e o esquecimento
do nosso amor sem dó?
Não demore, amor...
Ainda que os anos tenham cobrado-lhe
o vigor e sua beleza apenas a alma
guarda...
Serás para mim a eterna flor,
ainda com a pureza juvenil que a afaga!
Que tenha enviuvado, tudo bem!
Talvez divorciada?
Separada...
Que mal tem?
Tem filhos?
É maravilhoso!
Netos! Divino!
O importante é que tornemos em nosso
caminho...
Espere-me simplesmente?
Também a esperei a vida inteira...
E, se demora, amor de mim,
talvez não escute minha súplica derradeira!
Não demore, amor!
O outono pinta o chão de folhas mortas...
Ainda consigo com dificuldade,
abrir com esperança a minha porta...
Ainda consigo sonhar e
te amar e amar de verdade...
Até quando? Não sei!
Não ouso medir a eternidade...
Tão pequeno sou, Senhor !
Ai, de mim !
Pudesse medir esse amor...
Não posso demorar
Ana Maria Brasiliense
Não posso demorar
e meus olhos ja estão cansados de chorar
verdes lágrimas nesse meu mar...
Não posso demorar,
a primavera ja passou em meu campo
levando todo vigor e o perfume desta flor
ela ja se foi para não mais voltar.
Não posso demorar,
vivo dias outonais nas horas de hoje
lembrando horas primaveris
nos dias de ontem...
Não posso mais demorar
preciso manter o calor do verão
as cores da primavera.
Tenho medo de perecer no frio do inverno
Não posso demorar
Quero ser sol nos teus dias de chuva...
Quero ser verão em teu outono.
Quero ser primavera
nos teus dias de inverno...