Pagª 42 - EDIÇAO NºXXXIV , IIIº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Coluna Poética de Laila Murad

Eu e Você

Vem meu doce e querido amante
Meus braços te acolhem ansiosos
Vem e prende meu corpo no teu abraço.
Aquele abraço demorado, acolhedor
Que sabe o nosso compasso

E une nossos corpos
Num amplexo amplo,
delicioso e total.

Que amalgama nossos corpos
E os une em bela sintonia
Fundindo-nos um no outro
Totalmente, harmoniosamente
Nem um nem outro mais,
Apenas um lindo casal!


Almas Afins

Vagando pelo espaço infinito
Talvez por obra do acaso ou destino
Dá-se o encontro de duas almas em sintonia.
Companheiras afins talvez de inúmeras jornadas
Seguem juntas no novo caminhar em perfeita harmonia.

Outras se querem muito, mas vivem dos contrastes,
Suas idéias são diferentes, apesar do bem-querer
E convivendo vão acertando suas disparidades
Até perceberem que o encanto desse encontro par
Está na singularidade que cada uma traz em si;
Quando separados, se sentem vazios e solitários,
Mas unidos se tornam fortes e se completam no amor.


AMIZADE VERDADEIRA

Bem-vindos amigos e companheiros
Vamos repartir os momentos inigualáveis,
Em que o riso espontâneo e a alegria solta
Vêm temperar nossa vida com euforia.

E não apenas nesses ditosos momentos,
Em que a felicidade nos traz o gosto de mel,
Mas se a dor e a tristeza chegarem ao coração
Trazendo consigo um fardo duro e cruel,
Estejamos também unidos em todos os dias.

Afinal foi Deus, na sua infinita sabedoria,
Que nos fez seus anjos pela Dádiva Divina,
Nossos corpos são moldados em matéria terrena,
Mas os nossos espíritos adejam soltos e leves
Pelo espaço, onde a imaginação os conduz
E livres como pássaros, voam em harmonia.


Vem Amor

Vem amor, beija-me, abraça-me
Gruda seu corpo no meu...
Sinta o compasso louco, acelerado
Desse coração que soa
De encontro ao seu...

Com o toque de suas mãos e boca
Venha colher os sussuros e gemidos
E os gritos dessa mulher, fêmea louca
Que, amante insensata, se esfrega em você.
Movida pela paixão , desejo , tesão...

Aperta-me contra ti, meu doce amor
Desvende os segredos e mistérios ocultos
No corpo, na alma, no coração de uma mulher

 

 

 

 




Crónicas da Minha Terra

Por Arlete Piedade

Cartaxo e a Rainha Santa

 

Caros leitores e amigos, hoje vou falar-vos de uma cidade da minha região, e da lenda da origem do seu nome, associada á passagem de uma rainha a caminho do seu retiro espiritual.

Estava-se em finais do século XIII e reinava em Portugal D. Dinis, cuja esposa D. Isabel, tinha vindo de Aragão aos 17 anos casando por procuração com o rei português, a quem estava prometida como noiva, desde os 10 anos de idade.

A Rainha era conhecida pela suas obras de ajuda aos pobres e necessitados, e por sua devoção á oração. Durante a sua vida pelas suas obras e nobreza de carácter foi conquistando fama de santidade, que foi confirmada depois pela Igreja vindo a ser beatificada em 1516 pelo papa Leão X e canonizada em 1625 pelo papa Urbano VIII.

Entre as várias lendas que lhe são atribuídas, a mais conhecida é sem dúvida a do Milagre das Rosas que se verificou quando num dia de Janeiro muito frio, a Rainha saiu do seu castelo no Sabugal, com pães escondidos no regaço do vestido, para distribuir aos pobres.

Mas foi surpreendida pelo rei e esposo, D. Dinis, que lhe perguntou:
- Onde ides Senhora e que levais no regaço? – A Rainha prontamente respondeu: - São rosas, Senhor!
- Rosas em Janeiro? – retorquiu o rei desconfiado.

Então D. Isabel abriu o seu regaço e o rei pode ver as mais belas rosas em que os pães se tinham transformado por milagre.

Mas não era desta lenda que vos queria falar. Como já disse a rainha era também devota da oração e do retiro espiritual e tinha uma aia D. Berengária Aires, que por promessa efectuada a sua mãe, mandou edificar um convento na vila de Almoster, a 3 Kms da actual cidade do Cartaxo e a 8 kms de Santarém.

Como é normal, essa obra demorou tempo até ser construída e era também cara, pelo que a Rainha resolveu ajudar a sua aia, no que fosse necessário, para a execução do mosteiro que seria dedicado á ordem de Cister.

Consta que num dia de Verão, D. Isabel ia a caminho do convento de Almoster, para ver as obras e rezar, e sentia muita sede e calor, pelo que ao avistar um recanto muito frondoso, sombreado por altas árvores e com uma fonte de águas frescas e cristalinas, fez uma paragem para descansar com o seu séquito, bem como matar a sede e refrescar-se.

Enquanto estava á sombra, bebendo da fresca água da fonte, começou a ouvir um canto maravilhoso de avezinhas que voavam de árvore em árvore, com as suas plumagens de cores variadas, como se namorassem entre si.

Fascinada a rainha, ficou admirando as lindas aves cantoras, até que ao ver-se aproximar um grupo de trabalhadores do campo, lhes perguntou:
- Senhores, que aves maravilhosas são estas, tão lindas e com tão mavioso canto?

E os trabalhadores não sabendo que era a Rainha, mas subjugados pela sua aura de santidade e pureza, respeitosamente responderam:

- São cartaxos, Senhora! Cartaxinhos também lhe chamam! – E a rainha perguntou em seguida como se chamava aquele local tão agradável.
- Chama-se Lugar da Fonte, Senhora! – Responderam os homens.

Então a Rainha terá respondido:

- Pois a partir de agora, chamar-se-á Cartaxo! Eu sou a Rainha D. Isabel e pelos poderes que me foram conferidos, irei pedir ao rei meu esposo, D. Dinis, para este local que tanto me confortou, passe a chamar-se assim, para sempre!

Esta é uma lenda sobre a origem do nome do Cartaxo, cidade que dista da minha, cerca de 15 kms a caminho de Lisboa, e que é famosa pelos seus vinhos de qualidade.

No próximo número, continuarei a falar-vos desta bela cidade dos famosos cantores alados!

Arlete Piedade