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POESIA DE MARIA DA FONSECA
O Pessegueiro; Campainha Azul; Pertenço a ti, Natureza
O Pessegueiro
Tão linda a Arvore, Amiga,
Que Deus ali fez brotar,
Para que, quando eu passasse,
Pra ela pudesse olhar.
O Outono está magnÃfico.
E o pessegueiro que eu amo,
Nem calculas como o vejo,
Um feitiço em cada ramo.
Desde o castanho ao vermelho,
Suas folhas matizadas
Guarnecem a bela copa,
Pelo Sol, iluminadas.
CaÃdas há pouco tempo,
Algumas brilham no chão.
E seus frutos de veludo
Sempre alguém encantarão.
Nada se move, acredita,
Nesta manhã deslumbrante.
A lÃmpida transparência
Brinda todo o cambiante.
Foi num dia como este
Que o Deus Menino chegou.
Devota, a mãe Natureza,
Pra O receber, se enfeitou.
Campainha Azul
Linda, a flor que me of'receste
De pétalas aniladas.
Linda, a flor que tu colheste
A recordar madrugadas.
Do arbusto bem nascida,
Linda, a flor te encantou,
Atraiu-te, seduzida
Pelo carinho que gerou.
Aceitou contigo vir,
Embora de vida breve,
Por trazer outra a florir
No mesmo raminho leve.
Ainda olho a flor sedosa,
Que domingo me trouxeste.
Dum botão surgiu mimosa,
Campainha azul celeste.
Nosso amor também é assim
Sempre vivo, renovado.
Sou a flor do teu jardim,
Feliz por 'star a teu lado.
Pertenço a ti, Natureza
Pertenço a ti, Natureza,
Como vós, filhos de Deus!
Nunca sozinha serei
Ao lado dos irmãos meus.
Eu pertenço-vos enquanto
Todos vós me pertenceis.
Nossa origem foi a mesma,
Variados os papeis.
A vida vive em redor,
Em toda a parte ela habita.
O nosso Deus projectou
E criou-a infinita.
Venho rogar ao Senhor,
Que de mim se compadeça,
Concedendo-me outras vidas,
Em que a musa não esmoreça.
Sei que dela faço parte
E jamais a deixarei.
Deus, o Todo-Poderoso,
Agora e sempre amarei.