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EDIÇAO NºLXI , III NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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POESIA DE MARIA DA FONSECA

Reviver a Primavera

Ainda a sebe não tem rosas,
Já está o abrunheiro em flor.
O melro corre na relva,
A perseguir seu amor.

E mais uma Primavera
Que chega pra me encantar.
Eu, que poeta não sou,
Tento também versejar.

Também sinto, também vibro
Co’o movimento do Sol
Ou da Terra, na verdade,
E ao cantar do rouxinol.

Este azul do céu me assombra
Em qualquer hora do dia,
Enquanto o verde viceja
E meus olhos extasia.

A luz me alegra, e ilumina
O meu jardim a florir,
Enquanto aragem suave
As folhas põe a bulir.

A rezar ao Criador
Vivo eterna a agradecer,
Grata p’la missão divina
Que entregou a cada ser.

Em Algum Lugar do Passado

Nalgum lugar do passado,
Deixei minha fantasia.
Não vi mais o azul do céu,
Fez-se a noite em pleno dia.

E maldosa, a feiticeira,
Que aquele acto realizara,
Só o meu mal desejou.
Sempre maldição espalhara!

Prostrada caí por terra,
Sem forças, aniquilada,
Meu coração exaurido
E minha alma angustiada.

O tempo, eu não sei bem quanto,
Passou, sem eu dar por tal,
E voltou o azul ao céu
E a andorinha ao seu beiral.

A fada, minha madrinha,
No jardim enfeitiçado,
Surgiu ligeira, bondosa,
Trajando manto doirado.

«Provações, eu não as posso
Retirar da tua vida.
Mas amada serás sempre,
De um príncipe, a escolhida.»

A fada assim me falou.
E olhando-me bem nos olhos,
No meu coração verteu
Animo contra os escolhos.

Em busca do meu destino
Me afastei desse lugar.
E no presente renasço
Para viver e te amar.
 

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