Pagª 5 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Passeios por Lisboa (3)
Por
Francis Raposo Ferreira
Hoje o meu passeio por Lisboa é diferente de todos aqueles, imensuráveis, que já dei por esta cidade que eu amo como se fosse de facto a minha cidade.
Aliás, esta é a minha cidade. Como dizia o meu passeio de hoje é diferente de todos outros, e é diferente por causa de uma notícia que me fez passear pela minha memória.
Sempre que tenho viajado para uma qualquer cidade, ou até mesmo vila, de um qualquer país estrangeiro, é com admiração que ouço a maneira apaixonada com que as gentes dessas cidades, ou até mesmo vilas, falam dos seus monumentos, das suas tradições, dos seus costumes, das suas festas, incentivando-nos a participar das mesmas, a entrar em locais que, quando vistos de um modo menos apelativo ou emocional, poderiam não nos dizer nada de especial, mas que ganham outra vida graças à emotividade que os seus conterrâneos colocam no discurso de apresentação.
Por vezes falam com um encantamento tal de cada pedacinho da sua terra que nos parece que estamos a ser envolvidos numa daquelas histórias de encantar que nos contavam quando éramos crianças.
Há algum tempo atrás senti isso na cidade do Porto, as pessoas mostram um certo orgulho quando falam do seu Majestic, colocam essa mesma emotividade, essa mesma paixão, que sinto noutros países, noutras cidades, noutras vilas quando falam do seu património, das suas riquezas arquitectónicas, do seu passado, dos seus testemunhos de vida, da sua história, isto é, quando falam da sua vida, de si mesmos, sim porque cada pedaço de parede desses testemunhos da luta da vida é também um pedaço das suas vidas, talvez por isso vivam lutando com todas as suas forças para que os mesmos não sejam vitimas de atentados, eles são pedaços de história, com todo o simbolismo que representam nas suas vidas.
Mas afinal o que é que tudo isto te a ver com a alteração do meu passeio por Lisboa e com a notícia que me fez alterar os planos? È que essa noticia dizia pura e simplesmente que o Café Martinho da Arcada ia fechar portas!!!!
Não quis acreditar naquilo que estava a ouvir, já nos tiram o Monumental, o Parque Mayer, a feira popular, o Cinema Condes, O Eden, o Império, e agora vão tirar-nos o Martinho da Arcada.
Será que quando resolver voltar a passear pelo largo Camões, ainda lá vou encontrar A Brasileira do Chiado, ou que quando for a Belém ainda consigo ver os Jerónimos?
Afinal o que querem deixar para os nossos filhos?
Vamos dizer: Basta de destruírem a história da vida e da luta dos Lisboetas.
A ciência da felicidade
Projecto prova que as emoções são contagiosas
Um projecto liderado pelo psicólogo Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, Reino Unido, envolveu um largo número de pessoas durante quase uma semana. O objectivo era expandir a felicidade. Segundo o investigador, as emoções são contagiosas e acredita que as pessoas possam passar felicidade para aqueles que as rodeiam, ajudando assim a «alegrar o mundo».
Autor do livro «59 Segundos: Pense um pouco, mude muito» («59 Seconds: Think
a Little, Change a Lot»), Richard Wiseman conduziu o estudo com 26 mil
participantes e os resultados iniciais estarão acessíveis em breve numa
publicação científica, ainda não determinada.
Numa parte do estudo, os participantes foram aleatoriamente designados a um
dos cinco grupos existentes. As pessoas dos primeiros quatro grupos viam um
vídeo descrevendo uma das quatro técnicas normalmente utilizadas para
estimular a felicidade: expressão gratidão, sorrir, recordar um
acontecimento agradável do dia anterior ou praticar um acto de gentileza.
Foi pedido aos elementos do quinto grupo, o «grupo de controlo», que
pensassem simplesmente no que tinha acontecido no dia anterior. Este grupo é
muito importante porque ajuda a avaliar o nível de mudança na felicidade
obtida por efeito de placebo.
A Felicidade é contagiosa
Aos participantes foi-lhes pedido que continuassem a treinar as técnicas
ensinadas e que no final do projecto reportassem qualquer mudança no seu
humor. Todas as tácticas, mesmo as do «grupo de controlo», resultaram num
aumento da felicidade. No entanto, os participantes a quem foi pedido que
pensassem numa coisa positiva do dia anterior foram os que registaram o
maior nível de alegria (mais 15 por cento do que o «grupo de controlo»).
A outra parte do projecto incluía duas sondagens a nível nacional, uma antes
outra depois do estudo. Perguntou-se a duas mil pessoas para avaliarem o seu
humor.
Metade das pessoas que responderam descreveram-se como alegres, 30 por cento
desanimadas e 20 por cento indecisas.
Os resultados revelaram 7 por cento de crescimento de alegria após a
experiência. É impossível, no entanto, dizer se este crescimento se deveu
apenas ao projecto ou se foi causado por outros factores.