Pagª 50 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Hillary Clinton - Cabo Verde, sim é possível!

 

A secretária de Estado norte-americana terminou hoje um périplo de 11 dias por sete países africanos tecendo os mais rasgados elogios às autoridades de Cabo Verde, modelo de democracia e progresso económico.

«O Presidente Obama e eu dizemos: sim, é possível, a boa governação em �frica. Olhem para Cabo Verde», disse Hillary Clinton durante uma conferência de imprensa na ilha do Sal. «Em todos os países por onde passei havia aspectos positivos e outros negativos. Aqui, a lista dos positivos é maior do que a dos negativos. O que aqui ouvi é música para os meus ouvidos», afirmou a secretária de Estado, que manifestou a intenção de voltar, dessa vez mais em jeito de passeio, com o marido, o antigo Presidente Bill Clinton.

O desenvolvimento do turismo, do comércio e da indústria dos transportes foram alguns dos aspectos a que a visitante deu atenção, durante as cerca de 16 horas passadas no arquipélago. Mas também tratou de questões referentes à segurança regional, ao narcotráfico e às migrações. «Este é o único país em toda a �frica onde as mulheres se encontram em maioria no Governo», sublinhou Hillary Clinton, depois de ter constatado que a equipa de José Maria Neves tem mais ministras do que ministros.

Na conferência de imprensa dada antes de regressar a Washington, defendeu «um melhor comportamento dos países da �frica Ocidental, nomeadamente da Guiné-Bissau, contra o flagelo dos cartéis» e recordou que o FBI colabora com a polícia de Cabo Verde na luta contra o crime e em questões de segurança marítima. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, prometeu também mais apoio dos EUA no combate ao tráfico de droga, de armas e de pessoas.

«Face à posição geoestratégica de Cabo Verde no corredor do Oceano Atlântico, os Estados Unidos vão aumentar o apoio na luta contra os vários tipos de tráficos: droga, armas e pessoas», anunciou Hillary Clinton. «Nós temos estado a trabalhar com Cabo Verde na formação da polícia e assistência do FBI em aspectos específicos e estamos prontos a expandir a nossa assistência em segurança marítima», disse.

A secretária de estado norte-americana avançou que este incremento da cooperação deve passar pela discussão de uma estratégia de combate aos diversos tipos de crime. «Cabo Verde está estrategicamente localizado e tem a boa governação como um dos pilares, pelo que queremos trabalhar com para que tenha a segurança que merece», disse Clinton. «Isso quer dizer discussão de uma estratégia de combate aos tráficos de todos os tipos: armas, drogas, pessoas, imigração ilegal, problemas com que estamos preocupados no mundo», referiu, prometendo que os EUA vão discutir mais detalhadamente as necessidades «neste combate» do Governo cabo-verdiano.

Por seu turno, o primeiro ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, disse que Cabo Verde quer continuar a ser um país útil para o combate aos diversos tipos de tráfico no Atlântico Sul e contribuir para a segurança e a estabilidade na sub-região. «Por isso saudamos a cooperação que temos vindo a desenvolver com os EUA neste domínio, principalmente na luta contra os tráficos ilícitos, a criminalidade organizada, assim como na gestão dos conflitos na região», disse José Maria Neves.

«Cabo Verde quer continuar a ser um país útil e parceiro dos Estados Unidos para que esta região seja uma região de paz, estabilidade, de boa governação e de cooperação para o desenvolvimento», garantiu. José Maria neves afirmou ainda que o país representa «uma �frica nova e emergente optimista, positiva».

A secretária de Estado concluiu em Cabo Verde um périplo que começara no Quénia e incluiu a �frica do Sul, Angola, a República Democrática do Congo e a Nigéria, antes de ter chegado à Libéria, país criado no século XIX para receber antigos escravos norte-americanos. Entretanto na Nigeria, o Partido Popular Democrático (PDP), no poder, insurgiu-se energicamente contra as declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, durante a sua visita de 36 horas ao país.

Hillary Clinton, que deixou a Nigéria quinta-feira de manhã, considerou que a corrupção e a má liderança a todos os níveis são algumas das razões que impedem o país de explorar as suas potencialidades. O porta-voz do PDP, o professor Rufai Ahmed Alkali, disse que «apesar de reconhecemos que a tarefa diante de nós é enorme e que a situação actual pode ser melhorada, achamos que as suas declarações condescendentes contra o nosso país e os nossos dirigentes não são apropriadas».

Segundo ele, Hillary Clinton foi vítima de desinformação por parte de «indivíduos ou de grupos e outros políticos perdedores». Além do porta-voz do PDP, um antigo senador e responsável do grupo sociocultural Arewa Consultative Forum (ACF), Joseph Waku, rejeitou os comentários de Hillary Clinton sobre a Comissão de Combate aos Crimes Económicos e Financeiros (EFCC).

A secretária de Estado americana considerou que os desempenhos da Comissão, órgão de luta contra a corrupção na Nigéria, baixaram. Joseph Waku apresentou os resultados da Comissão para provar que a Secretária de Estado americano foi mal informada, segundo ele. Recordou que no ano passado a Comissão conseguiu mais de 65 condenações, mais de 400 casos diante dos tribunais e recuperou fundos dum montante superior a 50 milhões de nairas.

 


 

 

 

 

 

 


Geoglifos do Acre são um desafio para a ciência

Geoglifos na Amazónia podem revelar o passado dos povos da América do Sul

A existência dos geoglifos em áreas de terra firme da Amazônia ocidental, no Estado do Acre e adjacências, indica que populações pré-colombianas que habitavam estas áreas eram mais avançadas do que a condição de horticultores de coivara semi-sedentários, que nunca desenvolveram complexas instituições sociais ou cultura material elaborada

As pesquisas arqueológicas na Amazônia começaram a pautar-se, a partir da metade do século XX, pelo debate sobre o desenvolvimento cultural visto a partir de perspectivas ecológicas.

Segundo a corrente de pensamento que predomina atualmente, os povos que habitaram a floresta tropical Amazônica são considerados meros sobreviventes em uma região de solos pobres e escassa proteína animal. Esta sempre foi a principal justificativa para explicar a escassez de indícios de civilizações avançadas em áreas de florestas de terra firme na região

Uma exceção foi trazida à luz no livro Amazônia, a Ilusão de um Paraíso (Meggers, 1971, 1977), no qual se reconhece a superioridade da várzea do Amazonas e seus grandes tributários sobre as áreas de terra firme. Esta idéia foi baseada no fato da várzea apresentar solos com fertilidade superior e à oferta abundante de fauna aquática.

Seria nestas áreas, portanto, que as artes e a política poderiam ter alçado voos mais significativos. Desde então, a dicotomia várzea-terra firme persistiu nos trabalhos arqueológicos e antropológicos posteriores. Críticas a tal visão simplista de uma Amazônia imensa, reduzida a dois habitats principais foram realizadas por estudiosos de outros campos (Morán, 1995), mas sempre a consideração da superioridade da várzea permaneceu na literatura arqueológica.

A primeira crítica ao senso de que as várzeas foram o berço das civilizações mais avançadas da Amazônia foi feita por Heckenberger (1996, 2005, Heckenberger et al., 2003), um estudioso das comunidades regionais do alto rio Xingu. Outra voz dissonante foi a de Carneiro (1960, 1961), que por falta de argumentos arqueológicos, deixou de ser ouvido pelos estudiosos das sociedades pretéritas amazônicas.

A descoberta dos Geoglifos na Amazônia ocidental trás um novo elemento para esta discussão, indicando que os habitats de terra firme não eram, necessariamente, inapropriados para o estabelecimento e desenvolvimento de civilizações avançadas.

Denise Schaan (Universidade Federal do Pará), Martti Pärssinen (Universidade de Helsinque), Alceu Ranzi (Museu de Paleontologia de Rio Branco e Universidade Federal do Acre) e Jacó César Piccoli (Universidade Federal do Acre), em seu artigo «Geoglifos da Amazônia ocidental: evidência de complexidade social entre povos da terra firme» trazem, pela primeira vez, provas concretas de que a existência de civilizações avançadas em regiões de terra firme da Amazônia pode ter ocorrido no passado.

Seus argumentos estão apoiados na descoberta de mais de 100 geoglifos construídos nos solos argilosos de terra firme da porção oriental do Estado do Acre, sul do Estado do Amazonas e oeste de Rondônia. Eles são, segundo o entendimento dos autores, prova inequívoca da existência de uma população considerável manejando áreas tidas como inadequadas para suportar grandes densidades populacionais.

Os autores afirmam, deliberadamente, que com os dados do artigo que publicaram, pretendem colocar mais uma pedra no caminho dos deterministas ambientais, os poucos que ainda negam-se a admitir a crescente quantidade de evidências que apontam para uma história amazônica plena de episódios de superação das supostas dificuldades ecológicas. Eles acreditam ainda que a existência dos geoglifos tem o potencial de reescrever a história da ocupação humana da Amazônia.

 

Area ardida na Europa em 2009 já atinge 200 mil hectares

Relatório do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) mostra que já arderam 200 mil hectares na União Europeia (UE) em 2009.

O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais informou, na segunda-feira (10), que a estimativa da área ardida este ano na Europa totaliza 200 mil hectares, o que já ultrapassa o total ardido em 2008, sendo Espanha e Itália os países mais atingidos.

Espanha e Itália foram os países mais atingidos até agora, sobretudo em consequência das condições climáticas extremas, propícias aos incêndios, registadas na segunda quinzena de Julho. A França e em menor dimensão a Grécia e Portugal também sofreram incêndios significativos.

Segundo o relatório do EFFIS, em Março registaram-se vários incêndios em Portugal e no Noroeste da Espanha, onde o clima seco e os fortes ventos contribuíram para que ardesse uma área estimada em cerca de 25 mil hectares. Durante os próximos dias, o risco de incêndio é elevado em muitas zonas mediterrânicas mas sem atingir os níveis de alerta do fim de Julho.