Pagª 17 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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 Coluna de Liliana Josué  

Caminhando Pela Vida

Na aparência dum passo decidido
caminha sem saber p'ra onde vai
mas quer continuar (acto incontido)
e dessa sua crença ela não sai
que embora nada seja consistente
a ânsia de vencer está presente.
Cansada abre a porta do seu quarto
olha-se ao espelho do austero roupeiro
tira a blusa soltando o seio farto
descalça as botas num gesto rotineiro
descola a saia da redonda cintura
deixando apenas as meias de cor escura.
Atira a janela, cerra as portadas
desliza na cama, corpo afogueado
solta e cruza as pernas bem torneadas
suas mãos deslizam no acetinado
das meias negras tão exuberantes
e os seios contempla, belos, excitantes.
Lânguida observa seu corpo marfim
na sua indiferença por quem não a vê
é a eterna Mulher sem princípio ou fim
Vénus do amor sem saber porquê
Morfeu a enlaça seu sono guardando
ela se entrega num sorriso brando.
Mulher é assim: No corpo a sensualidade
na alma a bravura sã de lutas renhidas
vencendo o poder desta dualidade
discriminações e raivas escondidas
na hipocrisia dum insano mundo
que não quer olhar um pouco mais fundo.

A Lágrima

Vagueei naquela rua batida
De gentes cansadas, transfiguradas.
Vi homens nojentos, mulheres da vida
Com expressões ausentes, desenganadas.
Recantos por onde Deus nunca andou
Descurando impiedoso estes seus mundos!
E mais: nem uma lágrima deitou
P’ra chorar seus eventos tão imundos.

Através duma porta entreaberta
Espreitava um menino sujo, assustado
Olhando quem passava, num alerta
De quem está sempre só, esfomeado.
Senti-me fútil ave enternecida
E uma caustica lágrima rolou
Sulcando minha crença enegrecida.
A impotência em mim se enraizou.

Aventurei-me mais p’la rua escura.
Num canto malcheiroso estava um cão
Roendo escanzelado côdea dura
De olhar ferido, sem consolação.
Senti tamanha dor e destempero
Que soltei um grito indignado e mudo.
O cão, penetrando meu desespero
Lambeu as lágrimas do corpo ossudo.

Prossegui meu caminho divagando
De corpo e alma mortalmente feridos
Sequei uma lágrima deslizando...
Toda eu de sentidos aturdidos
Constatei que a Mãe Terra é uma enorme
Lágrima azul, em suspensão no ar
E que a imensa dor Humana, disforme
E mão de Deus, cruel, a castigar!

 

 

Coluna de Rosa Pena

karaokê

É melhor ser alegre que ser triste. Isso é o samba da benção ou auto-ajuda? Vinicius não tinha cara de gostar de ler «Quem Me Roubou de Mim?» ( livro do padre cantor que é tão bonitinho).

Meu poetinha era muito mais sacana do que eu, mas uma coisa é fato: Estou de saco cheio de caras feias e de palavras duras ditas com ar de inocente. Magoa! When somebody loves you!

Eu amo de paixão beber Coca-Cola, comprar sabonetes coloridos, comer pipocas com muito sal e dar beijo na boca. Cafuné virou utopia, portanto tiro de vez da lista dos dez mais. It's no good unless he loves you...

Eu odeio a frase «A vida como ela é! Isso é muita <navalha na carne». Perdoa  meu anjo Nelson e não me julgue.  Eu cansei de porrada. Adoro sonhar que não deixei passar oportunidade alguma de ser feliz. Vivi todas... All the way!

Eu choro aos montes e dou gargalhadas na mesma intensidade. Será que eu sou bipolar? Ainda assim é melhor do que ser apenas do lar. Caraca que rima babaca. Puts outra vez eu rimei. Sai poesia desse corpo de cronista que não lhe pertence! Volta pro Olavo Bilac, Nathan de Castro... Happy to be near you.

Eu lembro de muitas coisas de ontem e esqueço meus óculos de perto everyday. Preciso queimar só calorias em vez de queimar minha mufa por pouca coisa. Quebrar as unhas num é fato relevante pra me deixar nessa injúria toda. Já  culote ou  pés de galinha!? When you need someone to cheer you...

Eu dirijo carro mais ou menos, mas estaciono muito mal nas estações das perdas. Gasto compulsivamente lágrimas por quem até merece, mas quando estou com deprê, ah!

Choro em churrasco ao ver uma linguiça. Lembro de Cícero, um dos três porquinhos. «Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou!«Quem vai? Os sete atrás da Branca. All the way...

Antigamente quando eu dormia só tinha sonho bom. Agora, com tarja preta, tenho pesadelo. Ouço a balança gritar horrores pro bombom. Quando o chocolate será beneficiado pela anistia da medicina contemporânea? Café, ovo, laranja, entre  outros já foram. Chocolate! Chocolate! Chocolate! Eu só quero chocolate, só quero chocolate! Taller than the tallest tree is...

Sinto saudades de nós como éramos. Não o corpo, mas a cabeça fresca. Agora a gente esquenta all the way!

Eu sempre fui exagerada, mas uma coisa é certa. Eu morro de ternura por você (meu bem querer é sagrado, está sacramentado em meu coração... meu bem querer tem um quê de pecado acariciado pela emoção... Djavan mandou muito nessa) e quero morrer assim. Exagerada, jogada aos seus pés, eu sou mesmo exagerada. When somebody needs you...

Sexta eu vou viajar. Entre os lugares em que passarei vou parar um tempo num Campo de Estrelas. Santiago do Campus Stellae ou Campo das Estrelas, origem do nome Compostela.

Nesse bate-bola com elas na Galícia falarei como é grande o meu amor por você...
Alllllllllllllllllllll the wayyyyyyyyyyyyy!

Mas sei que elas sabem de tudo onde estiverem! «Estrelas mudam de lugar e chegam mais perto só pra ver.» 


ps: (até a volta)