Pagª 40 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Apresentação de Helena Lisboa
Por
João Furtado
Encontrei Helena num encontro cultural. Um dos poucos que participei, sou uma pessoa muito tímida e muito discreta. Sou daqueles pessoas que se sentem bem, fechadas na sua casa deitado a ver televisão ou sentado no computador a escrever.
Iria fazer a minha primeira apresentação pública dentre de dias, havia participado numa Antologia da ULLA – União Lusófona de Letras e Artes. Quisemos fazer um lançamento. Eu pessoalmente estava a tremer de medo de enfrentar o publico, o meu colega e amigo Jorge Soares acho que devíamos ir a Cidade velha ver um Lançamento de um livro Histórico do Historiador Daniel Pereira, tendo eu que enfrentar o Publico dias depois, não tinha como negar. Não podia arranjar uma desculpa. A única solução era ir.
O Jorge me apresentou a Helena Lisboa, que imediatamente se fez minha amiga e se ofereceu para ler alguns poemas no lançamento do livro. Trocamos email e mais tarde lhe enviei alguns poemas. Ela leu e gostou, escolheu os que iria ler. Mas no dia marcado, não apareceu. Foi no dia em que a Cidade Velha foi transformada em Património Mundial da Humanidade. Compreendi, a Helena devia estar na festa em Cidade Velha. Era um valor mais alto que se levantava e eclipsava o meu humilde lançamento.
Dias depois recebia outro email da Helena. Disse que queria falar comigo. Não foi fácil. Hoje por fim a vi. Fui ver uma amiga e madrinha da minha mulher que o infortúnio lhe levou os dois pés. A Helena e ela são vizinhas, aproveitei e falei com a Helena. Fomos para uma pequena doçaria «Boca Doce».
Ela me mostrou um caderno, falamos cerca de 10 ou 15 minutos no máximo, enquanto ela tomava um café, eu li três ou quatro poemas no caderno de poemas e algumas prosas manuscritos. Gostei do que li e lhe propus que publicasse alguns no Jornal Raiz Online.
Ela enviou-me três poemas e Biografia. Espero que como eu gostei do que li, os leitores também gostem. A Helena Lisboa, desejo tudo de bom e que continue a escrever e que consiga um dia publicar o seu livro.
Helena Maria Ramos Lisboa
Concelho
de são João Baptista Ilha da Brava.
Cabo Verde
Formação - Professora do ensino básico integrado, fiz a formação no Instituto
Pedagógico _ Escola de Formação de Professores da Praia no ano de 1992 a 1995.
Participei em varias formações profissionais, entre eles a formação de
Cidadania.
Também participei no filme «Cabo -Verde Nha Crectheu» da realizadora
Cabo-verdiana Ana Lisboa, em que escrevi um texto alem de fazer parte de outras
funções como guarda-roupas, cabeleireira, produção, foi uma experiência de quase
três meses em gravações cinematográficas.
Sou representante da casa de produção cinematográfica Brava Florida.
Participei como actriz, no filme O meu Coração, do realizador Nigeriano Jean
Paul Ume. Participei na leitura de trechos do ultimo livro do escritor
Cabo-verdiano Danny Spinola , no qual vem por escrito um agradecimento ao meu
nome pela colaboração no livro; organizei a exposição do mesmo artista , neste
caso pintura, que decorreu nos dias 25, 26 de Julho e 1 de Agosto deste ano
2009.
Sou uma dos integrantes do Documentário sobre Eugénio Tavares, do realizador
Júlio Silvão. Sou membro integrante da SOCA - Sociedade Cabo-verdiana de
Autores.
Participo em vários eventos culturais , como apresentadora. Sobretudo, gosto de
escrever poesias e contos infantis.
Amarga partida
Amarga partida
Que nem na despedida
Me adoçou
Deixou só
O meu leito
Sem onde colocar
O meu peito
Amarga partida
Que me rouba as noites
Que leva com ela os dias
Já não tenho
Mais vida
Nem sonhos doirados
Porque neste ser
Domina a inquietação
Amarga partida
Que me parece sem regresso
Que o tempo não passa
Onde estou sem consolo
Amarga partida
Traga de volta
O meu amparo
Paixão é uma revolução do amor que melhora o coração.
Helena Lisboa
Helena Lisboa
ola joao
gostei da apresentação , ao ler senti que era real, um acontecimento puro,
descrita de forma clara. obrigada
Boa Noite Helena
Não podia deixar de agradecer a tua amável contribuição, esperando que ela
continue por vários e vários números deste jornal, o Raizonline. Espero que com
ela a Ilha da Brava em particular e Cabo Verde em geral se sinta melhor
representada no mundo Lusófono que tentamos com a nossa contribuição tornar cada
vez mais uma realidade incontornável..
Claro que fiquei muito contente ao saber através do teu email que gostaste de
ver teu trabalho publicado, eu também fiquei e como já disse acima, espero que
sejas nossa parceira por longos anos.
Dei um jeito no teu poema, sei que ao passares para o computador, nas
circunstâncias que o fazes, descuidas um pouco, é natural.
Não podia deixar de dizer que gostei do poema, vai em anexo para o Daniel e a
Arlete para fazerem ultima analise e verem se publicam no próximo número.
Prometeste-me um conto infantil para o próximo número, como um bom «badiu» que sou, quem me promete tem que cumprir. Vou esperar e se não vier, podes ter a certeza que cobrarei…
Não quero terminar sem te dar um abraço crioulo do tamanho deste torrão de terra composta de dez Ilha, nosso querido Cabo Verde.
Deste teu amigo,
João Furtado
SONHEI
Sonhei contigo esta noite
Que tinhas roubado
O meu coração
Com uma canção
Era uma melodia
Suave, calma
Embriagaste-me assim
Até ao nascer do dia
Acordei atordoada
A tua procura nos lençóis
Quando não te encontrei
Confortei com as emoções
A outra face
Durante todo o dia
Toda a noite
És o meu semblante
Durante todo o dia
Toda a noite
És a minha solidão
Todo o dia
Toda a noite
És a minha angústia
O dia, a noite
És o meu viajante
Dia e noite
Uma só paixão
Uma só carência
Um só desejo
A tua presença
A flor
Que arrepio no meu corpo
Ao te ver entrar pela porta
Trazendo na mão
A flor amarela
Não sabia se era para chorar
Ou para sorrir
Palavras não saíram
Naquele momento magico
Andei sorrindo
Andei pensando
No abrir da porta
E na flor amarela
Procurei uma jarra com urgência
Para colocar a flor amarela
Coloquei-a em cima da banquinha
Ao pé da minha cama
Acordo de manha
Vejo a flor ao meu lado
Lembro-me assim de ti
Quando abri a porta
Tenho a flor
Tenho a ti
Tenho a imagem
De um momento guardado
No meu peito
Noite
Noite escura, noite serena
Noite calma
Noite de luar
Noite de labor
Noite que esconde a imperfeição
Que nos faz sentir emoção
Que nos leva a perdição
Noite a beleza onde não há manchas
Noite onde despertas a tua mascara
Noite de murmúrios
Noite de vozes enlouquecidas
Enfim é noite