Pagª 42 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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A Língua Portuguesa - Ecos da Lusofonia - Continuação da Coluna de Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano. (Ver inicio)

• O verbo cutucar em português, origina-se do tupi kutuk, cujo significado original — furar, espetar — modificou-se ligeiramente. Em português, cutucar é tocar com a mão ou com o pé.

• Estar jururu é estar melancólico, tristonho, cabisbaixo. O termo indígena aruru, de onde surgiu a palavra, tem o mesmo sentido.

• Várias palavras mantiveram pronúncia e significado praticamente originais: mingau (papa preparada geralmente com farinha de mandioca), mirim (que significa pequeno), Açu (grande) e socar (do verbo sok, com o mesmo significado).

• A expressão «estar na pindaíba» muito brasileiro conhece: significa estar em graves dificuldades financeiras. É uma expressão que vem das palavras pinda’yba — vara de pescar (pindá, isoladamente, significa anzol). Antigamente, quando a pobreza abatia as populações ribeirinhas, era comum se tentar tirar a subsistência do rio, pescando para comer ou para vender o pescado. Segundo os pesquisadores, a expressão nasceu no período colonial brasileiro, em que o tupi em sua forma evoluída conhecida como «língua geral» era falado pela maioria dos brasileiros.

Pindaíba é ainda uma fruta da mesma família das «atas», «nonas», «frutas do conde», «marolos», «articuns», com uma diferença fundamental: a parte central tem um «caroço» enorme e por isso tem muito pouca popa, ou seja, tem pouca substância. Atualmente, no Brasil, estar na pindaíba tem o mesmo significado de quando da descoberta: é não ter nada (dinheiro, posses, amores, etc.).

• A perereca recebe esse nome simplesmente porque ela pula. Vem do verbo pererek, pular, que é também a origem do Saci - Pererê que, por não ter uma perna, anda aos pulos.

Lamento que os filólogos, que deveriam estudar mais esta riqueza da língua tupi, do Nheengatu (estou pesquisando a respeito) e das influências de todos os povos que contribuíram para aumentar este tesouro que é a Língua Portuguesa, não pesquisem mais. E, se pesquisam, não divulgam.

Ando entusiasmado com o encontro semanal que tenho com lusófonos de todas as partes do mundo, através do jornal virtual Raiz on Line.

As contribuições que podem dar à língua Portuguesa, os lusófonos que habitam na �ndia, na China, na �frica, na Oceania, na América e na Europa (por que não?); só farão aumentar e enriquecer este tesouro, já tão precioso: a língua portuguesa; a última flor do Lácio, inculta e bela, que é a um só tempo, esplendor e majestade; nas palavras de Olavo Bilac.

Eu, ACAS, modestamente vou expondo o «caipirês» para o conhecimento geral. Espero estar contribuindo.

- Acreditem: muita gente gosta disso!

 

 

 

 




Crónicas da Minha Terra

Por Arlete Piedade

Cartaxo e a Rainha Santa

 

Caros leitores e amigos, hoje vou falar-vos de uma cidade da minha região, e da lenda da origem do seu nome, associada á passagem de uma rainha a caminho do seu retiro espiritual.

Estava-se em finais do século XIII e reinava em Portugal D. Dinis, cuja esposa D. Isabel, tinha vindo de Aragão aos 17 anos casando por procuração com o rei português, a quem estava prometida como noiva, desde os 10 anos de idade.

A Rainha era conhecida pela suas obras de ajuda aos pobres e necessitados, e por sua devoção á oração. Durante a sua vida pelas suas obras e nobreza de carácter foi conquistando fama de santidade, que foi confirmada depois pela Igreja vindo a ser beatificada em 1516 pelo papa Leão X e canonizada em 1625 pelo papa Urbano VIII.

Entre as várias lendas que lhe são atribuídas, a mais conhecida é sem dúvida a do Milagre das Rosas que se verificou quando num dia de Janeiro muito frio, a Rainha saiu do seu castelo no Sabugal, com pães escondidos no regaço do vestido, para distribuir aos pobres.

Mas foi surpreendida pelo rei e esposo, D. Dinis, que lhe perguntou:
- Onde ides Senhora e que levais no regaço? – A Rainha prontamente respondeu: - São rosas, Senhor!
- Rosas em Janeiro? – retorquiu o rei desconfiado.

Então D. Isabel abriu o seu regaço e o rei pode ver as mais belas rosas em que os pães se tinham transformado por milagre.

Mas não era desta lenda que vos queria falar. Como já disse a rainha era também devota da oração e do retiro espiritual e tinha uma aia D. Berengária Aires, que por promessa efectuada a sua mãe, mandou edificar um convento na vila de Almoster, a 3 Kms da actual cidade do Cartaxo e a 8 kms de Santarém.

Como é normal, essa obra demorou tempo até ser construída e era também cara, pelo que a Rainha resolveu ajudar a sua aia, no que fosse necessário, para a execução do mosteiro que seria dedicado á ordem de Cister.

Consta que num dia de Verão, D. Isabel ia a caminho do convento de Almoster, para ver as obras e rezar, e sentia muita sede e calor, pelo que ao avistar um recanto muito frondoso, sombreado por altas árvores e com uma fonte de águas frescas e cristalinas, fez uma paragem para descansar com o seu séquito, bem como matar a sede e refrescar-se.

Enquanto estava á sombra, bebendo da fresca água da fonte, começou a ouvir um canto maravilhoso de avezinhas que voavam de árvore em árvore, com as suas plumagens de cores variadas, como se namorassem entre si.

Fascinada a rainha, ficou admirando as lindas aves cantoras, até que ao ver-se aproximar um grupo de trabalhadores do campo, lhes perguntou:
- Senhores, que aves maravilhosas são estas, tão lindas e com tão mavioso canto?

E os trabalhadores não sabendo que era a Rainha, mas subjugados pela sua aura de santidade e pureza, respeitosamente responderam:

- São cartaxos, Senhora! Cartaxinhos também lhe chamam! – E a rainha perguntou em seguida como se chamava aquele local tão agradável.
- Chama-se Lugar da Fonte, Senhora! – Responderam os homens.

Então a Rainha terá respondido:

- Pois a partir de agora, chamar-se-á Cartaxo! Eu sou a Rainha D. Isabel e pelos poderes que me foram conferidos, irei pedir ao rei meu esposo, D. Dinis, para este local que tanto me confortou, passe a chamar-se assim, para sempre!

Esta é uma lenda sobre a origem do nome do Cartaxo, cidade que dista da minha, cerca de 15 kms a caminho de Lisboa, e que é famosa pelos seus vinhos de qualidade.

No próximo número, continuarei a falar-vos desta bela cidade dos famosos cantores alados!

Arlete Piedade