Pagª 4 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
DENISE CASOU

No dia 1 do presente mês, a felicidade espelhava-se no rosto da nossa
colaboradora, a simpática poetisa e professora gaúcha, Denise Severgnini, ao
sair pelo braço de seu marido, Márcio Prass, da Igreja Luterana de Lomba Grande
- Nova Hamburgo - Rio Grande do Sul, conforme podem verificar pela foto inclusa.
Os apaixonados companheiros tinham acabado de contrair matrimónio, concretizando
um sonho antigo, e a Redação do Raizonline, associa-se a este ditoso
acontecimento, desejando as maiores felicidades ao casal e fazendo votos que
esta se prolongue no espaço e no tempo e derrame raios de luz e bem-estar nas
suas vidas e na daqueles que com eles privam, pessoalmente e virtualmente, mesmo
com oceanos de permeio.
Arlete Piedade - Chefe de Redação do Raizonline

Para ver as imagens em tamanho maior carregue aqui, s.f.f.
Nota da Direcção:
Em qualquer altura na vida das pessoas, mas sobretudo numa altura em que uma nossa grande amiga dá um passo desta importância como é o casamento, não pode (nem quer) a Direcção do Raizonline deixar de demonstrar o apreço que sente por esta nossa grande amiga e colaboradora.
Não temos o prazer de conhecer a Denise há tanto tempo quanto a Arlete Piedade e outros colaboradores deste jornal, mas embora estando para lá dos oceanos a Denise sempre nos transmitiu pelas suas palavras, pelos seus poemas, pelas suas crónicas e relatos e pela sua forma de estar connosco - através do seu carinho e compreensão - que a amizade e o companheirismo não esbarram em quaisquer fronteiras.
Sempre prestável, sempre amiga, sempre colaborante, a ela, Denise, devemos muito daquilo que neste jornal se vê imediatamente e daquilo que se não vê desde logo.
Por isso, ao mesmo tempo que desejamos à Denise a ao Márcio a maior felicidade que sem dúvida merecem não podemos deixar de lhes enviar também o nosso agradecimento por serem nosso amigos.
Obrigado Denise, Obrigado Márcio!
Três Poemas
Por Denise Severgnini
Costurando meu arremate
Tempo voeja,
Entranhas em ebulição clamam liberdade
Astrológico ser impetra-me um fadário
De passagem, apanho a bagagem...
Não sei se ainda é tarde, ou se a manhã é morna
Lacrimeja a boca da noite, abluída em sangue posterior
Lápide marmórea e alva aguarda-me...
Senhora das trevas amadrinha-me... Batismo derradeiro!
Visão sem luz!
Em outras searas,
___reconciliar-me-ei com minhas letras!
Presentemente é tarde!
Van Gogh vem dizer-me:_ Starry night!
Versos cadavér_(s )_icos
Matei meu poema e de seu corpo fiz mortalha
Retalhei o verso à navalha, de cada corte
Eu fiz meu suporte a sustentar toda insensatez
Proveniente da morbidez estática de todos
Adeus à inspiração que vive a povoar meu imo
Cadaverize-se ante a hipocrisia... Sorria!
Carpideiras hão de chorar pelo leite derramado,
Lágrimas de crocodilos que salgarão a bala
De canhão apontado para a alma da poetisa.
Não pensem que esta morte é fugaz!
Tem tempo certo, definido nas leis de Moisés.
Como resistir ao apelo da morte que me sorri?
Alma e realidade caminham juntas, mas peleiam
Sobrando apenas o velho epitáfio:_R. P. I.*!
A Poetisa Fenecida
Expirado o momento d’inspiração
Carnífice martírio de letras soltas
Mal diagramadas numa expiação
Em plúmbeo veludo, já envoltas
Traçam ritos da vate tão exaurida
Harpejam fúnebres árias... Riem
Do seu não ser expresso em vida
Letras malfadadas sobrevivem...
Poetisa serpenteia na soturnidade
Diáfanas vestes encobrem a agonia
Sem sua lira, não há prosperidade
Nem como poder falar de idolatria
Epopéias do desencanto desfraldam
Bandeiras que sacolejam escuridão
Perecidas almas a ela circunavegam
Impingindo um tanto de aliviação...
Não há conforto na palavra oblíqua
Um ego sorumbático nada produz
Nem mesmo um cura a ele se adequa
Pois ela não se ajoelha ante uma cruz
Sucumbiram quimeras, versos alados
Desalento unânime na incerta essência
Tranquiliza na lápide, ossos cansados
Como epitáfio: Poetisa por excelência!
Histórias da Vida Real
Crónicas por Martim Afonso Fernandes
Eleições Políticas - Parte III
Houve uma época de eleições em que Imbituba era distrito de Laguna. Um certo
candidato a prefeito por Laguna, era médico, figura muito popular. Atendia na
Clínica Previdenciária de Imbituba e também fazia atendimento particular. Tinha
duas residências, uma em cada cidade.
Como em Laguna as eleições lhe estavam garantidas, foi fazer o trabalho de «boca
de urna» em Imbituba. Proprietário de certo automóvel, só transportava mulheres.
Parava em frente ao lugar em que elas iam votar.
Por ser ginecologista e ter muitas pacientes, pedia licença e colocava a mão
dentro do sutiã, dizendo para elas: - Sou médico, não tem problema. Tirava as
cédulas eleitorais do candidato opositor e as substituía pelas dele. Neste
trabalho, conseguiu muitos votos.
Este assunto foi muito comentado por suas pacientes eleitoras e também por
outras. Era um trabalho sem maldade, que rendeu-lhe a eleição à Prefeitura. Fez
ótima administração, a prova é de que nas eleições seguintes foi eleito Deputado
Estadual. E chegou também a ser Secretário Estadual de Saúde.
Outro fato, que nada tem a ver com o candidato acima, mas que chamava muito a
atenção, era após as eleições a quantidade de notas de dinheiro que apareciam
coladas ao meio com fitas adesivas ou com tiras de papel.
O comércio ou quem visse estas tais notas, já sabia que eram o pagamento de um
ou mais votos. A metade era dada antes das eleições. Se o candidato vencesse o
pleito, o eleitor passava posteriormente para receber a outra metade e colá-la.
Outra estratégia era a do voto carbono. A cédula era entregue com papel carbono,
o voto marcado, o eleitor voltava da urna e mostrava para o cabo eleitoral, que
conferia e o «recompensava».
Um outro tipo de voto muito famoso era o chamado «voto formiguinha». A cédula
era marcada, o eleitor depositava o voto na urna e trazia a cópia de volta. E
assim ia passando de eleitor a eleitor.
Além de toda esta maracutaia e bandalheira, também existia o «eleitor falecido».
Era muito comum em algumas cidades pequenas o coronelismo político que
controlava todo o município, delegacia, fórum, promotoria, exatoria e outros
departamentos, cartórios, escolas, enfim eram as oligarquias políticas que até
hoje sobrevivem, mas com muito menos força e poder, graças às urnas eletrônicas
e ao recadastramento dos eleitores.
Houve municípios em que diminuíu muito o número de eleitores, porque os «mortos»
deixaram de votar. Era comum o eleitor falecer e os parentes não darem baixa no
título de eleitor no cartório eleitoral, aí o parente votava no lugar do
falecido!!!.
Com o avanço da tecnologia e da informática, o Brasil foi o primeiro país a
publicar os resultados totais das eleições presidenciais, após três horas do
término do pleito.
Alguns países já adotaram o sistema brasileiro de votação e apuração, sem que
haja fraude ou manipulação. Só quem critica são aqueles políticos de mau-caráter
e corruptos, que, de tanto prometer serviços para os municípios e para a Nação e
não cumprir, esquecem-se de que não tem mais vez.
Achavam-se eleitos, mas aos poucos os brasileiros vão-se politizando e tirando de circulação muitos políticos que deveriam estar atrás das grades.
Vidas perdidas

Haroldo P. Barboza
(3º lugar I Festival Alternativo de Poesia – SP – jul / 99)
Quem votou nos mesmos
Tava lelé da cuca
Ou é filho batuta.
Hoje chora nos cantos
A falta de emprego
E o futuro do medo.
O salário vira fumaça
Não dá nem pra birita
Quanto mais pra marmita.
O barraco, quando chove,
Fica mais inclinado
Para oito tá apertado.
Dos carros que controlo
Da boate na esquina
O guarda leva propina.
A mulata sem emprego
Não tem mais faxina.
Já nem lava a vagina.
As crianças sem futuro,
De dia jogam bola
À noite cheiram cola.
E a turma do palácio
Que só caga camarão,
Ri à toa na televisão.
Dizem que tudo vai bem
E logo vai melhorar.
Não suporto esperar.
Mesmo sem estudo
Sei que fui enganado.
Tô perdido, tô cagado.
Ainda rezo aos santos
Pedindo de coração
Que tenham compaixão.
Não é este o destino
Que sonhei para nós.
Fico até sem voz.
Por que esta terra
Desde o descobrimento
Vive no sofrimento?
Peguem seus foguetes
Partam para outro planeta.
Vão chupar uma caceta.
Me rejeitam, me humilham.
Que na fome eu sorria.
Isto é a democracia?
Nem possuo um CPF.
Dizem que tenho valor
Pelo título de eleitor.
Agora manjei a jogada
No meio destas cobras
Somos massas de manobras.
Só queria voltar 1500
Apenas um breve tempo
E soprar outro vento.
Lamentar não adianta.
É preciso ter esperança
E ensinar à criança.
Recuperem a cidadania
Sumam as raposas e gaviões.
Prendam-se os ladrões!