Pagª 6 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
O Alvaro e o Raul Solnado
Por
João Furtado
Mais uma vez estava eu, hoje dia nove de Agosto de dois mil e nove, na sala de
espera do Hospital Agostinho Neto, na Cidade da Praia. Fui ver o namorado da
minha filha, o Alvaro. O Alvaro é namorado da Lizita. Ele é, tal como alguns
jovens com idade compreendida entre dezoito e vinte e cinco anos, actor amador.
Esta arte tão antiga como o mundo continua incipiente em Cabo Verde. Existem
alguns semi-profissionais, quase todos em Mindelo, na Praia, cidade onde vivo,
não creio que exista. Acho mesmo que ainda ninguém consegue viver da arte de
representar em Cabo Verde.
O Alvaro é guarda nocturno, terminou os estudos liceais e pensa continuar os
estudos de dia e trabalhar a noite. Quando esta de folga, aproveita para ensaiar
e quando possível representar.
Já o vi representar, foi no dia do teatro e foi na rua. Estava bonito e muito
original, principalmente porque conseguiram fazer com que a população que
atravessava a rua no momento fizesse parte do teatro. Era no dia internacional
do teatro há cerca de dois, três meses, não tenho na memória a data. Parece que
tenho que passar a datar as coisas, sou muito mau no capitulo de recordação das
datas.
Ontem ele teve um acidente. Ele caiu e bateu com a cabeça no chão, a parte de
trás, julgo ser a occipital, desculpem se errei no nome, formou um «galo»
enorme. Passou uma horas em observação e foi mandado para a casa. Os médicos
acharam que não era caso para - nem uma radiografia foi feita - alarme, o «galo»
com o tempo desaparecia.
A dor de cabeça continuou toda a noite e ele teve que regressar ao banco de
urgência, mas isto foi esta manha, há cerca de duas horas. Tive que ir vê-lo. A
minha filha foi com ele e eu não podia ficar indiferente.
Não gosto de ir ao banco de urgências, sempre que vou sofro com a dor dos
outros. Desta vez, alem do Alvaro, estava a sentir a dor de uma mulher que teve
um pequeno corte num dos pés. Coisa sem importância, tão sem importância que ela
nunca imaginou que dava no que deu e não cuidou do pé ferido. Enfeitou e estava
a doer e muito pelo choro e lágrimas que via nos olhos da mulher abandonada a
sua própria sorte e pagando com a dor o desleixo que teve por julgar sem
importância um pequeno corte num pé, pois este mal se via no volumoso pé
inchado.
Foi naquele momento que senti outra dor, tantas vezes jurei não ouvir os
noticiários por causa das noticias más como a guerra, os desastres e as mortes,
outras tantas vezes me vejo com olhos pregados na televisão à espera de ouvir
algo sobre o Benfica. Só o Benfica me obriga a faltar o meu juramento e ouvir o
noticiário, desta vez a noticia foi a morte de Raul Solnado . Preferiria mil
vezes fazer como as Avestruzes, meter a minha cabeça na areia e fingir que o
Raul continuava vivo. Mas não pude, e única acção valida foi fazer este poema
mentalmente:
Raul Solnado
Resta sentir a dor da morte
A dor que se repete sempre que
Um ser humano parte e sozinhos ficamos
Lágrimas são poucas para tanta perda!
Sem te conhecer pessoalmente
O teu humor e teu trabalho me cativou
Larguei tudo para te escutar à distância
Não admira que à distancia a tua morte me abalou
A dor de uma grande falta sentida
Deus tenha tua alma, Raul Solnado, no céu, enquanto
Obras tuas na terra, o teu humor gravado, sempre, permanecerão!
Era um pouco diferente, mas muito pouco, mal cheguei em casa passei para papel,
mas algumas palavras foram esquecidas e substituídas.
O Alvaro, desta vez conseguiu ter direito a uma «chapa», acabei de ligar a minha
filha, estão na sala da radiografia para que ele consiga fazer a «chapa». Não
sei se foi por ter chamado um amigo e pedido uma «cunha» ou se foi para que o
Alvaro os deixasse em paz ou se foi porque o medico que hoje esta de serviço é
mais profissional que o de ontem.
Bem isto só Deus, que neste momento tem ao seu lado o Raul Solnado sabe.
Praia, 09 de Agosto de 2009
NET cresce 10,6% no Brasil
O número total de usuários com acesso à internet em casa ou no trabalho é de
44,5 milhões, de acordo com o Ibope ( Instituto Brasileiro de Opinião Pública e
Estatística).
O internauta brasileiro navegou uma média de 44 horas e 59 minutos durante o mês
de junho, o que representa um aumento de 10,6% em relação ao mês anterior. O
número se refere tanto à navegação doméstica quanto àquela feita no trabalho. Os
dados foram divulgados pelo Ibope.
Em ao menos um desses ambientes, 33,2 milhões de pessoas estiveram conectadas. O
número, entretanto, é 3,9% menor do que o mês passado, quando 34,5 milhões de
pessoas acessaram a internet.
O número total de usuários com acesso à internet em casa ou no trabalho é de
44,5 milhões, de acordo com o Ibope.
Somente no âmbito da internet residencial, o tempo de navegação aumentou 8,1% e
atingiu a marca inédita de 27 horas e 48 minutos por pessoa -superando o pico de
26 horas e 15 minutos que havia sido registrado em março de 2009. O número de
internautas ativos em residências manteve estabilidade em relação ao mês
anterior e permaneceu em cerca de 25,6 milhões.
A quantidade de pessoas que moram em domicílios em que há a presença de
computador com internet é de 40,2 milhões.
O Ibope informa que projeta a existência de 62,3 milhões de pessoas com acesso à
internet em qualquer ambiente - como residências, trabalho, escolas, LAN houses,
bibliotecas e telecentros.
Entre as dez subcategorias com maior tempo de navegação por pessoa, «portais»
registrou o maior aumento com crescimento de 22% em relação ao mês de maio. A
categoria foi seguida por «ferramentas de internet», que cresceu 20%. Os e-mails
aparecem em terceiro lugar, com 16%.
De acordo com o Ibope, entre os dez países sul americanos em que é realizada a
pesquisa, o Brasil continua com o maior tempo por usuário, tanto na navegação em
páginas quanto no tempo total, incluindo programas on-line.
Já em Março de 2009 um estudo realizado pela consultoria Deloitte, onde foram
entrevistados 1.022 brasileiros chegava a conclusões igualmente interessantes
sobre esta primazia da net sobre a tv.
Seja para trabalhar, seja nos momentos de lazer, os brasileiros já passam mais
tempo na internet que em frente à televisão, segundo revela o estudo «O futuro
da mídia».Vale dizer que o tempo médio de navegação (32,5 horas semanais) já é
três vezes superior ao de audiência de TV (9,8 horas).
Outras informações são reveladoras: 81% dos entrevistados disseram considerar o
computador como a ferramenta de entretenimento mais importante. Questionados
sobre suas atividades preferidas, 53% deram como resposta o uso da internet, que
só perde para assistir a filmes (55%). Como terceiro lugar está justamente ver
TV (46%), seguido de ouvir música (36%) e ir ao cinema (30%).
Aliás, TV e internet aparecem quase sempre como atividades relacionadas. Dois
terços dos que assistem TV executam outra tarefa enquanto estão no sofá, como
navegar na internet, ver e-mails e acessar sites.
Igreja deve dar exemplo ao acolher imigrantes
O bispo auxiliar de Porto Alegre, Alessandro Ruffinoni, disse, nesta
quinta-feira, no Santuário de Fátima, que a Igreja Católica deve dar o exemplo
no acolhimento dos migrantes, ajudando a superar preconceitos. «Como Igreja,
devemos nós primeiro dar o exemplo para uma melhor acolhida dos migrantes,
ajudando os fiéis a superar preconceitos e prevenções», afirmou Ruffinoni, na
missa de encerramento da Peregrinação do Migrante e do Refugiado.
Destacando que «o migrante não pode ser considerado um problema, nem pela
Igreja, nem pelo Estado que o acolhe», ele declarou que essas pessoas são «uma
riqueza de grande valor que devemos agradecer a Deus». «O migrante não é um
estrangeiro, mas um mensageiro de Deus que surpreende e rompe a regularidade e a
lógica da vida cotidiana», declarou, considerando que «estrangeiro» é uma
palavra «triste, fria, que separa e divide».
Referindo-se a viagens que realizou ao Japão e aos Estados Unidos, o bispo
responsável pela Pastoral para os Brasileiros no Exterior disse ter constatado
«como a presença dos migrantes é uma forte contribuição para o crescimento de
valores cristãos e humanos entre as pessoas». «Feliz daquele povo que sabe
acolher e abrir a porta ao migrante, porque encontrará paz, alegria, progresso»,
afirmou.
Dirigindo-se aos migrantes brasileiros, que são cerca de cinco milhões
espalhados por todo o mundo, e particularmente aos presentes em Fátima, ele
garantiu que a Igreja do Brasil está orgulhosa «de todos» pela «sua fé, pelo
trabalho e pelo espírito de alegria que contagia a todos», manifestando ainda o
desejo de que «não lhes falte acompanhamento espiritual e o apoio fraterno».