Pagª 29 - EDIÇAO NºXXXV , IVº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Odete Pereira Alves (Deth Haak)
No dia 21 de agosto, de 1989, falecia, aos 44 anos, o mais aclamado roqueiro
brasileiro Raul Seixas. Sua meteórica carreira infelizmente definhou na década
de 80, mas mesmo assim ele lançou mais seis grandes discos culminando com «A
Panela Do Diabo». E neste Poema dedicado a esse que foi e será sempre o ídolo de
uma geração, grifo títulos de canções inesquecíveis
QUE PENA ! ... Raul Seixas
Que Pena!
Na escravidão concebida de marido
Viu-se na lousa preso na inércia
E com medo de dilúvios afogou-se
Na própria chuva, carpi o mármore
Em sua lápide na existência do eclipse...
Que pena!
Lágrimas de um amor que veio trazer
Perdido no medo, de amor perecer
Não semeou o solo, por assim dizer
Desvarios, na mágica de canções fazer..
Que pena!
No clamor ao Pai temendo a loucura
Na padieira escuridão afastada da luz
Que o conduziu, entrou na arapuca
De ratos e pulgas sugados por urubus...
Que pena!
Profetizando apocalipse ventando planeta
Na senda evolutiva da criação peregrinou
Empinando bandeiras filosóficas de luta
Foi ouro de tolo vislumbrando a ampulheta...
Que pena!
No jogo sagrado ao amor reduziu-se a carta
Fora do baralho, adicionando e multiplicando
O poder da palavra falada, Deus espalhando
Câncer na janela, vomitada de limão sujando...
Que pena!
Assanhando nuvens tempestivas nas bocas
Bestas se igualha, emporcalha Jó um rei posto
De barriga vazia de comer alpiste, um demo
De asas o inferno encontrou! Vendo Cristo...
Que pena!
Na Babilônia que riscou em seu mapa, Drácula
Sorveu seu sangue ardendo no fogo a pagar
Seus pecados, nas velas que acendeu pro Papa
Escarneceu deitado em sua sentença plasmada...
Que pena!
Na diamba da vida proferida lendo símbolos
Sagrados nas religiões, Salomão cantou salmo
Ki diabo! Não foi pra isso anjo entorpecido
Nos vícios, pensando agradar Deus dando ao diabo...
Que pena!
Fecha-se o sésamo na teimosia do guerreiro
e desliga-se o cordão de prata da cauda do cometa,
Fenece «O Maluco Beleza», com a boca escancarada
Cheia de dentes, essa feita sua vontade plasmou...
Que pena!

Escracho...
Aos brados dou um basta pro tudo certo ,
Digo não mais, para tantas convenções...
Pronunciarei mal o verbo, que decerto;
Rasgando ao meio as interrogações...
Mergulhando nas lacunas dos sonhos
Nado costas nado peito na imaginação
Confesso boiando aos versos risonhos
Ser um grafitinho do insano coração!
Que palpita com a mais ínfima fantasia
Irrigando de magia, o muito que escrevo
O papiro a mim sorri duma tola poesia
Quisera ser analfabeto pautando enlevo.
Hoje, somente hoje, abro as comportas
De minhas águas represadas nos adágios
e deixo fluir a realidade nas linhas tortas
Quebrando silencio invertendo presságios.
Sigo nadando tantas quantas modalidades
Competindo lado a lado com meu ser Poeta
Que se diz sábio, quando abraça saudades
Afagando a alma desta que se diz, profeta!
Desfragmentando os idos nos recônditos
Da mente, onde habitam prelúdios tão belos
e dons plasmados nas penas dos benditos
Tentando imergir afanando ar dos alvéolos.
Incito o limite, nadando a busca da margem
repousando na expiração, os verbos e vírgulas
respirando rimas que se atrevem nessa viagem
quis eu deixa-las, se vieram, irei sem máculas!
Dizer ao poema que componho o melhor de mim
E deitado nas gramas do lúdico, embalados á lira
Descambamos por advérbios segredados ao fim
por não saber traçar o que inspiração pedira...
Um ESCRACHO!
«A Poetisa dos Ventos»
Deth Haak
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do - RN
Cônsul Poeta Del Mundo - RN
Embaixadora Universal da Paz
15/10/2006
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=1048