Pagª 27 - EDIÇAO NºXXXVIII
, II NUMERO DE SETEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
O teatro da vida
Por Francis Raposo Ferreira
Quantos de nós já teremos sonhado em conseguirmos imitar aquele actor de teatro que é o nosso ídolo, proferirmos aquelas declarações de amor, tão bem ensaiadas, que nos deixam a sonhar o resto da noite de uma peça de teatro. Quantos de nós já não sonhámos em imitar o actor principal e conquistar, no fim da peça, os favores da linda actriz que vai contracenando em cima do palco.
Pois é. Mas quantos desses actores principais conseguiram desempenhar na perfeição o papel que a vida, por vezes, nos obriga a desempenhar? Quantas vezes nos apetece dizer àquele familiar muito chegado que ele não passa de um crápula da pior espécie, de um oportunista que só espera o momento ideal para nos apunhalar pelas costas? Quantas vezes somos como que obrigados a lutar contra o nosso próprio interior só porque alguém, julgando-se superior a nós, nos diz que o melhor é esquecer e tudo?
Quantas vezes nos apercebemos que há pessoas a gravitar à nossa volta só para se poderem aproveitar do momento exacto para cravarem as suas garras de águia sedenta, não de carne, mas sim de poder, tenha ele a forma que tiver.
Quantas vezes que algumas pessoas conseguem usar uma capa, onde a própria
hipocrisia tem vergonha de habitar, para nos virem dar lições de moral, e
depois, passados poucos tempos revelam não ter qualquer moral para nos voltarem
a incomodar.
Pois é meus amigos, é assim o teatro da vida.
Quantas vezes ouvimos os nossos amigos falarem da sua família com todo o orgulho e nos calamos acerca das sacanices e dos oportunismos da nossa própria família só para não nos sentirmos inferiores?
Pois eu quero dizer-vos que, nesta vida, o papel daqueles que ainda continuam a
viver na ilusão de que todos fazem tudo na melhor das intenções, mais não é do
que o papel do bobo da corte, e o mais triste é que quando tentamos levantar a
cabeça, alguém venha logo dizer:
- Deixa-te disso, tu nasceste para bobo.
Amigos, eu recuso-me a ser bobo por mais tempo, e se para deixar de ser bobo eu
tiver da abdicar daqueles que, sob a capa de uma família unida, sempre se têm
aproveitado da situação, então eu prefiro dizer:
«Muita da minha família morreu hoje, e se amanhã morrerem realmente, eu não os
chorarei»
Pode parecer duro, mas esta é a grande realidade, porque haveria eu de chorar a morte das pessoas que me fazem chorar em vida?
Não me venham falar do sangue que corre nas nossas veias e que é todo o mesmo, se isso fosse verdade como seria possível tanta sacanice?
Afinal até fico a ganhar, não terei irmãos para chorar na morte, pois irmãos não tenho mais, não mais me incomodará saber que a desgraça bateu à porta de alguém, porque se a desgraça o encontrou é porque esse alguém se portou como um mero fariseu e os fariseus não terão descanso.
Sou feliz assim, tenho quem me ama e merece ser amado e amigos que se preocupam
comigo, isto é, consegui ser o actor principal e conquistar a linda actriz.
Francis Raposo Ferreira
A fábula do beija-flor
«Certo dia houve um incêndio numa floresta onde viviam muitos animais e todos se puseram em fuga procurando salvar-se das chamas. Somente um beija-flor voava até ao lago, apanhava algumas gotas de água e deitava-as no incêndio. Um outro animal, intrigado, perguntou: - Beija-flor, achas que vais conseguir apagar o incêndio?! - Não, claro que não, respondeu, mas estou a fazer a minha parte».

A fábula do beija-flor serve bem para ilustrar a ideia do projecto «Limpar Portugal».
Um movimento nacional iniciou muito recentemente a iniciativa sob o mote «vamos
limpar a floresta portuguesa num só dia». O projecto prevê sensibilizar milhares
de voluntários em que cada um fará a sua parte. O objectivo é que apenas na data
marcada para 20 de Março de 2010 se consiga retirar o máximo de sujidade
possível do país.
Uma nítida consciência ambiental, aos poucos, já se vai implementando em
Portugal, através de campanhas de sensibilização para a reciclagem, programas
educacionais nas escolas, a instalação de caixotes do lixo e ecopontos em vários
locais, sacos para apanhar dejectos de animais, etc. No entanto, não chega a
todos, porque o território nacional continua sujo.
Sendo assim, Nuno Mendes, membro do LandMania Clube de Portugal, decidiu lançar
o repto e, mal fez a sugestão, o grupo aceitou e iniciou o movimento. Está
criada uma rede social que irá gerir as equipas – (http://limparportugal.ning.com/)
–, na qual os interessados se poderão inscrever e aceder à actualização de todas
as informações.
O projecto começou na Estónia em 2008 e teve um êxito surpreendente, pois em
apenas cinco horas de um só dia o país estava limpo. Logo outros países bálticos
quiseram seguir a medida, tais como a Lituânia e a Letónia. Agora a sugestão
tocou consciências portuguesas e estas querem implementar a medida em Portugal.
O primeiro passo da Estónia foi determinar um número de voluntários (40 mil); o
segundo, procurar parceiros e o número ascendeu os 500, envolvendo empresas,
ONG’s, políticos, comunicação social e até o presidente da República; o terceiro
foi localizar e mapear o tipo e quantidade de lixo (10655 pontos foram
demarcados); a seguir, criaram uma campanha publicitária monumental que chegasse
a todos e de que ninguém se esquecesse (foi a maior na história do país) e por
fim, conseguir que os participantes se registassem na página de internet.
O inesperado aconteceu, porque mais de 50 mil pessoas apareceram para ajudar. Em
circunstâncias normais, o governo teria necessitado de três anos e de 22 500 mil
euros para o efeito.