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EDIÇAO NºLXI , III NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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Poesia de Sá de Freitas


 

 

 

 

MINHA HOMENAGEADA DA SEMANA ...

PATRICIA NEME

Essa grande Engenheira Têxtil é tão simples que adora raspar o fundo do tacho quando faz doce e correr de pés descalços pelo gramado da Fazenda, como ela mesma diz no seu monumental livro «SONETOS EM DOR MAIOR», riqueza incomparável com a qual ela me presenteou recentemente. Somente não concordo, lendo a sua Biografia, que ela fale cinco idiomas, porque, na realidade, não são cinco, são seis: foi omitido o sexto que é a linguagem dos Anjos que ela usa para compor seus versos.

Escritora de renome ela se sobressai em todos os estilos poéticos e em outros escritos também, não afeitos à poesia, e por isso se faz merecedora dos nossos aplausos e do nosso respeito como pessoa e como literata. Contudo, vou apenas homenagear a Incrível sonetista, porque essa é a minha praia, embora não saiba eu caminhar, como ela, com tanta elegância e arte, nesse sonetear na areia das letras.

Meio criterioso que sou em relação ao soneto e traduzindo isso na linguagem vulgar, direi: «sou um verdadeiro zica», pois analiso tudo que há nos catorze versos e se houver uma simples quebra que seja, interrompo a leitura. Com a Patricia não. Ela é uma sonetista que consegue me prender na beleza e na perfeição do que escreve.

Como amiga é simplesmente uma criatura angelical, pois pouco fala e muito demonstra do grande amor que sente pelas pessoas amigas que transitam em sua vida.

Enfim, Patricia Neme é uma maravilhosa e sincera amiga que, com a graça de Deus, permanecerá em meu coração para sempre, aqui e além daqui.

Aceite, minha querida, essa pobrezinha homenagem que lhe faço com toda a sinceridade da minha alma.

PARA TERMOS UMA VAGA IDEIA DA GRANDEZA DO SEU LIVRO CITADO, LEIAMOS:

O QUE E O AMOR

Talvez brisa sutil, cujo toque acalanta
o botão a florir, em promessa de vida...
Ou será minuano, que, hostil, aquebranta
a palmeira que, em prece, se eleva, incontida?

Arrebenta, revira, destroça, desplanta...
Há de ser vendaval, em loucura homicida?
Ou, bem mais, tempestade, que o peito agiganta
e desperta o queimor da paixão reprimida?

Ah, o amor! Explicá-lo é tarefa impossível...
As lembranças sussurram baixinho: é factível...
Tomo lápis, papel, e me entrego ao labor.

Um silêncio... Saudade... Uma lua tão cheia...
E o poeta que, errante, em minh´alma vagueia,
um soneto plangente começa a compor!

Patricia Neme

MINHA HOMENAGEM

Refresca a chuva a terra sedentada,
Pela estiagem longa e inclemente
E aí as flores viçam novamente,
A exalar perfume na Alvorada.

Tua poesia é assim, amiga amada:
Pois traz certeza à alma já descrente,
De que no mundo ainda exista gente,
Capaz de florescer a nossa estrada.

E, com teus versos, tudo tu floresces,
Quando, com arte, o amor tanto engrandeces,
Mesmo a falar, às vezes, de lembranças.

Pois amenizas com a tu'alma pura,
Prantos, tristeza, dor e desventura,
Com teus toques sutis de esperanças.

Samuel Freitas de Oliveira

Avaré-SP


SENHORES ERUDITOS

Sá de Freitas

(Para alguém que vive querendo dar-me lições de como se escreve, sem ao menos escrever tal qual escrevo.)

Do meu mundo pequeno, mas bonito,
Vejo o que só o poeta ver consegue,
Porque eu deixo a minha mente entregue
Á Terra, ao mar, à vida e ao Infinito.

Do meu espaço exíguo tudo fito
E a minha alma mais e mais se atreve,
A ditar tudo o que a minha mente escreve,
Dentro do meu saber inda restrito.

Sábio não sou, nem tenho Doutorado,
Só um Diploma de Letras sem Mestrado,
Mas ponho muito amor nos meus escritos.

Deixe-me amigo em paz, pedir me atrevo,
Pois é aos simples como eu que escrevo,
E não para os senhores eruditos.

 

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