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Poesia de Cremilde Vieira da Cruz

AO AMANHECER; BROTARA FOGO; SONHO DE UMA NOITE
AO AMANHECER
Abro a janela do meu quarto,
Avisto as verdes montanhas,
E dou-lhes um abraço.
E ao mar, o que é que faço?
Peço-lhe que me leve bem longe,
Na espuma das suas ondas.
Peço um barco emprestado.
Peço aos peixes que me empurrem.
Peço ao vento que me diga,
Quanto tempo vou levar.
E ainda peço ao céu,
Que me deixe lá chegar.
Cremilde Vieira da Cruz
BROTARA FOGO
Brotará fogo
Dessas rosas cor de prata
Mentirosas
Transparentes
Brotará fogo
Da gruta envolta em hera
Quem me dera
Fossem rosas sem espinhos
Fossem plumas cor-de-rosa
Brotará fogo
Dessas rosas cor de prata
Mentirosas
Transparentes
Brotará fogo
Dessas rosas caprichosas
Mentirosas
Transparentes
Borboletas
Cremilde Vieira da Cruz
SONHO DE UMA NOITE
Gaivota voando sobre minha loucura;
Gaivota dizendo versos que não digo;
Gaivota ritmo da palavra;
Gaivota em liberdade,
Poisando aqui e ali,
Na areia molhada,
Na pedra parada,
Na falésia enxuta,
Na mais recôndita gruta,
Na madrugada azul,
Na noite de lua escondida,
No seio do mar infinito.
Vai,
Vem,
Plana,
Faz círculos no espaço...
Aqui estou,
Olhando a gaivota,
Perdendo-a de vista,
Querendo ser gaivota
Neste diminuto espaço.
Cremilde Vieira da Cruz
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