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POESIA DE PATRICIA NEME
CHUVA? - MORTE... VIDA... - Libertação
CHUVA?
Do céu cinzento, chega a chuva fina...
Vem mansamente, quase em desalento.
E chove, chove... Nunca que termina...
E chuva d’água... Ou chove sofrimento?
A terra dorme sob a gris neblina,
o tempo para, já não canta o vento...
Nem leve sol, a vida descortina...
E chuva d’água, ou chuva de lamento?
E vão-se o dia, noite, madrugada...
E sempre a chuva, tão desalentada...
Minh’alma indaga às nuvens: até quando?
Até que exista paz, amor, verdade,
e todo humano viva a boa-vontade...
Não vês? Não chove... Deus está chorando!
MORTE... VIDA...
Se existe um amanhã... Um «logo mais»...
Quem sabe, onde a certeza do momento?
Viver, morrer... E tudo tão fugaz...
Efêmero... Qual é o pensamento.
Se agora, aqui... Em breve o corpo jaz
em meio ao canto triste do lamento.
Os sonhos... São entregues ao jamais...
Os planos... Perdem-se em esquecimento.
O Agora é tua vida, teu instante,
traze bem junto a ti quem é distante,
quem dá sentido a tu'alma, ao teu amor.
Pois só o amor conduz à eternidade,
o mais... O mais é vão, tola vaidade,
que em si traz o vazio, angústia e dor!
Libertação
E certo, amei-te além do meu bom senso,
com força, com delÃrio... Com loucura!
Amei, tão de profundis, tão intenso...
Que me perdi... Quando à tua procura.
E achei-me em pranto largo, triste, denso,
nos campos semeados de ternura.
Amei-te... E o meu amor foi tão imenso...
E para ti, foi tudo uma aventura...
Porém, quando faltou-me o tudo e o nada,
a vida fez surgir nova alvorada,
nos sonhos que eu sonhei, como jamais.
E agora, hoje eu me encontro em outro peito,
que pulsa em meu viver e no meu leito...
De ti... Por fim, eu não me lembro mais!
