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POESIA DE PATRICIA NEME
Em ti, Jesus!
Hei de montar minh’alma andeja e em vôo largo,
irei em busca dos caminhos do meu ser,
para encontrar quem, do meu fado tão amargo,
foi redentor e deu-me forças pra viver.
Hei de vencer a vida, a morte e todo embargo,
até que, enfim, encontre O que é meu bem-querer;
e desnudada de qualquer terreno encargo,
ao contemplá-Lo, a eterna paz quero sorver.
E aconchegar-me no Seu colo e ter descanso,
e penetrar Seu coração, tão terno e manso...
Não mais sentir o peso ingrato desta cruz,
de conviver com ódios, guerras, extermínio,
e ver perdido todo humano auto-domínio...
Como eu te anseio, meu Senhor, Cristo Jesus!
Comunio
Que, hoje, eu comungue do sofrer do nordestino,
a quem a terra nega um prato de comida.
Que eu sinta a dor de quem, na vida, é clandestino,
pois, por um vírus, faz-se gente preterida.
Que eu seja amparo da mulher em desatino,
em prol dos homens sempre usada, consumida;
e dos menores marginais, cujo destino
é morte inglória, cova rasa, alma perdida.
Que em comunhão com o universo brasileiro
tão desprovido do direito verdadeiro -
eu me transmute em cada irmão sofrido, exangue.
Somente assim, meu Deus, terei merecimento,
(pois do lutar por igualdade não me isento)
de receber em Comunhão Teu corpo e sangue.
EDIÇAO NºLXI
, III NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
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