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Poesia e Nota Biográfica
de José Luís Cordeiro
Sobre José Luís (Nota biográfica); FLORES NO CAMINHO (Poema) ; AGRADECIMENTO (Prosa Poética)
Sobre José Luís
Nas noites dos tempos ou nas madrugadas sonhadoras, sou eu em mim.
FLORES NO CAMINHO
Suaviza-me a boca com o teu veludo
AGRADECIMENTO
Nasceste lá longe, sob a proteção das asas do tempo e, de forma serena e sonhadora, vieste até à solidão da minha existência. No dia em que as portas da minha vida se abriram para que tu, placidamente, pudesses instalar-te neste vale de sonhos chamado alma, tudo ficou diferente: as flores brotaram livremente, vestiram-se com as cores que foram buscar ao paraíso e assim ficaram, até hoje; as águas de todos os rios beberam dos montes o perfume da jovialidade e começaram a regar, meticulosamente, o chão por onde os meus passos se faziam ouvir; as aves ensaiaram, nos céus, as coreografias mais ousadas e inovadoras, para que o azul pudesse aplaudir tamanha liberdade; as árvores transformaram-se em dedos gigantes e carinhosos e, levemente, foram tocando as nuvens, de onde começaram a retirar a suavidade e a ternura – ainda hoje o fazem. Nesse dia, em mim mudaram os meus olhos, porque deixaram de ser só o espelho brilhante e límpido da minha alma inquieta, passando a ser também um verbo que até hoje me acompanha e faz sentir sede da vida, a tal que ainda não tenho, mas que sei estar-me prometida pelos anjos que te acompanham. Agora, nesta noite silenciosa e abraçada pela esperança, sei que não posso viver sem ti, meu verbo, pois és a luz que acendo em mim quando todas as estrelas parecem ausentar-se do meu caminho. Agora e sempre serás a minha seiva e com ela construirei o castelo de sonhos que observo sempre que estou diante do mar. Deixa-te ficar aqui, neste recanto da vida em que as palavras são companheiras, amigas, amantes loucas e livres. Invade-me a alma como tens feito até agora, pois só assim os meus lábios poderão ser o barquinho de papel onde um dia escrevi as letras que te dão nome. Não me abandones, pois sinto que és a minha própria vida. Dá-me o veludo das tuas mãos e viajaremos juntos até ao tempo do devir.
Grato por existires em mim, verbo escrever.
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