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Lista dos Trabalhos que entram de novo neste número. Para consultar o índice de cada uma das divisões vá à barra ao lado direito. Para consultar o índice do número anterior (e os números anteriores a esse) carregue aqui. (Nota: o nosso arquivo online fica composto pelos últimos números publicados)


«QUALQUER CULTURA NASCE DE UM PARADOXO INAUDITO...» - Por Paulo - Em Filhos de um Deus Menor

Qualquer cultura nasce de um paradoxo inaudito. Quando crianças, entramos, por vezes, na sociedade sob o signo da violência. Uma cultura sob os auspícios da violência tudo nos tira: a nossa procura insaciável de uma satisfação ilimitada, o nosso amor infinito por nós próprios que, por força das circunstancias, se há-de confundir com o tipo de quotidiano onde, paulatinamente, nos movemos.

 

A Metamorfose - Retirado do Blogue «As leituras de Madame Bovary»

Passados muitos anos, voltei a reler A Metamorfose de Kafka. Recordei o gume da frase de abertura: «Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto.»

 

Cansaço - Prosa Poética por Daniel Teixeira

Sinto que o percurso é curto e enredado entre os meus e os teus dedos, percorridas que são céleres as distâncias enquanto os nossos corpos permanecem estendidos, deitados como corpos de outros que não nós colados em silêncio que é ao mesmo tempo grito vindo de dentro de nós como o fogo ardendo que não queima.

 

Poesia de Liliana Josué - Primavera Branca; Gostar; Harpejos de Felicidade


Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - ANOITECER; MINHA FORMA DE DIZER


Poesia de Edvaldo Rosa - Anotações do tempo; Depoimento de mim poeta...


Poesia de Maria Alvaro - Não!; Professora; Algarve

 

Poesia de Daniel Teixeira - I; II; III


Poesia de José Manuel Veríssimo - Semente – ou receber e transmitir uma pequena mensagem em 1979; (Re) Descoberta ; Razões


Poesia e prosa poética de Daniel Camacho - Voz;Salgadas como as ondas do mar ; Vida (Prosa Poética)


Poesia de Virgínia Teixeira - Veneno; Campo singelo


O sabor da paz - Dueto Poética de António Tavares e João Furtado - A PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER ( António Andrade Lopes Tavares ) ; A PAZ ( João Pereira Correia Furtado)


Contradição - Texto de Maria Alvaro

Ontem o dia fora compensador. Era o silêncio dos quartos adormecidos, e ainda em mim o palpitar entusiasta dos ecos de um rodopio sonoro que havia marcado os meus passos sonhadores na aula de dança das duas horas anteriores. Em meu leito, ainda em júbilo, os olhos bem abertos e vivazes, estavam direcionados para um alvo no escuro...a mente lúcida, os pensamentos fugazes...

 

AS CRIANÇAS POBRES DOS MEIOS RURAIS - Texto de Paulo em Filhos de um Deus Menor

A criminalidade infantil é uma realidade inquestionável. Os criminologistas dos nossos dias ainda não estão sensibilizados para compreender certas espécies de crianças -incendiarias, ladras, mentirosas, das que urinam na cama, das de mau génio, etc...

 

Debaixo do mesmo céu - Conto retirado do Blogue As Leituras de Madame Bovary

Conseguia ver-se uma ampla planície do Alentejo, com um sobreiro, glorioso na sua solidão, a suportar o quebrado pôr-do-sol violeta, que inundava a alma de Elisa, de fantasmas antigos e saudade, sentada de olhos fitos no horizonte, num poial de pedra branca e gelada. Com a mão esquerda ia pescando punhados de terra que levava à boca de modo intermitente, e observava aquele sobreiro, que sabia-se lá há quanto tempo ali estaria, olhava o seu tronco rugoso acastanhado

 

Ternura... - Conto de Irene Fernandes Abreu in Blogue Valium 50

Marisa deu uma corrida e ainda conseguiu apanhar o comboio, que fechou logo as portas mal ela entrou. A carruagem nem estava muito cheia.
Olhou indecisa para o banco que estava logo à entrada da porta para se sentar, mas desistiu da ideia, porque a mulher que lia uma revista, estava sentada de tal forma, que não sobrava muito espaço para ela.

 

Luiz Vaz de Camões - Escreve Arlete B. Deretti Fernandes

Poderíamos chamá-lo de «cavaleiro letrado». Nele sempre existiu o ideal cavaleiresco e o ideal humanista. Se, de um lado a teoria do amor solucionava as questões ligadas à existência pessoal, do outro restava a questão do homem português como coletividade. Foi isto resolvido nos Lusíadas. Luiz Vaz de Camões é o maior nome da Literatura Portuguesa, como poeta épico e lírico e um dos maiores da literatura mundial. E é comparado a Cervantes e a Sheakspeare.

 

Fiel companheiro - Texto de Joaquim Nogueira

«… chamava-se Ben-Hur… não tinha raça certa e era preto… hoje o meu Black faz-me lembrar um pouco esse meu primeiro cão… eu tinha na altura os meus 5 anos e me lembro muito bem dele…
tinha a sua casota ao fundo do quintal junto aos galinheiros e ao pombal… (já naquele tempo o meu pai era columbófilo e de muito cedo a minha paixão pelos pombos se revelou que mais tarde, vim também a interessar-me pela modalidade)… servia de guarda mas de dia andava solto pelo quintal…

 

A Babosa - Conto de João Furtado

O martírio era enorme. O José dos Ramos não tinha um minuto de sossego. A barriga estava a funcionar ao ritmo do mar. Se era maré-alta a barriga inchava que nem um tambor. Ia se esvaziando ao ritmo do mar até ficar completamente colada a costa.
Minutos depois iniciava o sentido inverso. Começava a encher aos poucos no mesmo ritmo do mar.

 

Considerações sobre a Sublimação - Texto de Daniel Teixeira

A sublimação, em termos correntes quer dizer elevação, atingir um estado superior em que o objecto sublimado permanece ou não na sua configuração própria, devidamente depurado do seu valor relativo anterior à sublimação, ficando subsumido, subalternizado, perante o indivíduo ou o grupo sublimado.

 

Jornal Raizonline nº 258 de 30 de Outubro de 2014 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Recordar será mesmo só reviver?

Esta questão, de recordar é viver, recorrente aliás, leva-nos a pensar que existe, na sua definição, assim como que um regresso saudosista a um passado que nos marcou de uma forma mais ou menos forte. Bem, se em parte estou de acordo por razões evidentes com aquela parte da ideia que nos remete para algo marcante já acontecido, no entanto tenho algum desacordo com a redução desta terminologia a esse ou esses simples factos.

 

A Marta - Conto de Daniel Teixeira

Pensava muito eu, dizia-me ela, «Pensas e pensas, mas não é só da reflexão interior que as coisas saem. Se eu não tivesse tanto que fazer levava-te pela noite fora pelos bares até de madrugada…depois, bem, depois levavas-me a casa e talvez eu te convidasse a subir e tomar mais uma bebida…talvez, talvez…!» e depois ria-se naquele jeito sugestivo que eu tão bem lhe conhecia, acariciava-me as mãos, revolvia-me o cabelo e acabava por vezes com um beijo na testa.

 

Poesia de Pedro Du Bois - Mãos; Trajetória Oposta; Responsável

 

Poesia de Virgínia Teixeira - Dragão; Eclipse; A minha casa sonhada

 

Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - Lembranças longe do Mar; Passou Janeiro...


Poesia de Sergio António Meneghetti - Quem é importante pra Deus?; Dominação e Liberdade


Poesia de Ilona Bastos- A Vinha e a Esperança; A chuva; Os Balanços do Vendaval


Poesia de Maria Alvaro - Palavras que eu nunca te direi; A Rota; Na Sala


Poesia de Mário Matta e Silva - Uma braçada de Magnólias; Caprichos do Sol e da Lua


Poesia da Marcos Loures como Tenesmo Telencefálico - MEU VERSO; ACUADO; PECADO


JULINHA E A AMIGA FADA - Conto Infanto - Juvenil de Avómi (Cremilde Vieira da Cruz)

A Julinha é uma menina inteligente, bonita, simpática, sempre atenta a tudo que lhe possa ser útil e quando está com outras crianças da sua idade, mas distraídas, não enaltece a sua sabedoria. Ela lê e escreve com desenvoltura e responde a certas perguntas como se de pessoa crescida se tratasse.


Gilgamesh - Recolhido no Blogue Livres Pensantes

A floresta de cedros
«Ninsun foi ao seu quarto, vestiu um vestido que lhe ficava bem, pôs jóias que lhe embelezavam o peito, colocou uma tiara na cabeça e as suas saias varriam o chão. Então subiu ao altar do Sol, que era no telhado do palácio; queimou incenso e levantou os braços para Shamash enquanto o fumo subia:
«Oh Shamash, porque deste tu este inquieto coração a Gilgamesh, meu filho? Porque lho deste? Tu o inspiraste, e agora eis que parte para uma longa viagem para a terra de Humbaba, a viajar por uma estrada desconhecida e a travar uma singular batalha.


AUGUSTO DOS ANJOS – Poeta Singular - Por Pedro Luso de Carvalho (Blogue Panorama)

AUGUSTO DOS ANJOS nasceu no Engenho de Pau D’Arco, junto à vila Espírito Santo, Estado da Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Aprendeu as primeiras letras com seu pai, advogado estudioso e dono de uma excelente biblioteca, na qual se encontravam obras de Darwin, Spencer e outros teóricos evolucionistas. Cursou o secundário no Liceu Paraibano e Direito em Recife. Essa graduação, no entanto, não lhe serviu como profissão, já que nunca exerceu a advocacia, por não ser essa sua vocação, mas, sim, o magistério.


A valsa do mendigo - Por Se Gyn

Toda cidade é uma realidade inconfundível, com características muito próprias, que resultam num universo particular, que muda, se movimenta e expande, freneticamente.
Dentro desta realidade, a população, um contingente de destinos, propósitos e necessidades, que se constitui na mola propulsora da vida e do movimento.


O Rei da Sarjeta - Texto de Marcelo Pirajá Sguassábia

«Eu vou tirar você da sarjeta». Felizmente, quis o destino que ninguém dissesse isso quando ele era um zé ninguém. O que a princípio soaria como uma ação redentora e beneficente, no caso dele seria uma maldição.
O infeliz que fizesse isso privaria o mundo da oportunidade de testemunhar a saga de um dos mais bem-sucedidos empreendedores de que se tem notícia.


As Cerejeiras do Japão - Por José Pedreira da Cruz

Sou um brasileiro que vergonhosamente nunca viu um Pau Brasil (razão do batismo de meu País), esquecido por todos e quase que exterminado descaradamente pelo ganancioso vandalismo econômico no transcorrer de séculos, mas que muito admira a beleza exuberante do Sakura, ou «Sakurá», como se pronuncia em japonês; ou simplesmente cerejeira, como se diz por aqui.


Podemos viver sem medo? - Por Miriam Cristina Ubaldo

«Enquanto uns fazem amor, outros fazem guerra e ainda há quem consiga fazer as duas coisas ao mesmo tempo no mesmo espaço».
Vivemos tempos extremamente neuróticos e competitivos onde a busca da perfeição se torna a chave da sobrevivência. Resistimos a tufões, secas, terramotos, tsunamis, crises econômicas, guerras sociais e tantos outros holocaustos, mas ainda a maior guerra de todas travamos dentro de nós.


Crónica de Gociante Patissa - COMO COLHER A SEMENTE

Um ano depois, ficamos a saber, já com aquela inofensiva – sem deixar de ser sádica – alegria, que a ministra tinha sido exonerada. As razões à volta do facto eram-nos irrelevantes (mas explico lá mais adiante porquê). Hoje, visitei a residência sede da Rádio Ecclesia (agora Diocesana), na cidade de Benguela, junto do Bispado, como não fazia há seis anos. Foi preciso algum esforço para disfarçar os sorrisos de nostalgia, no mínimo, para não ser tomado por visitante emparvecido, como se arrisca quem esbanja alegria sem contextualizar os vizinhos.


SERIAM HUMANOS OU ANJOS? - Por António Carlos Affonso dos Santos - ACAS

Certa vez um senhor muito rico e poderoso, ao caminhar sozinho por uma rua deserta, na periferia da cidade em que morava, deparou-se com uma linda criança de seus cinco anos de idade. Notou que a criança estava agachada próxima do leito de um pequeno e poluído córrego que passava por aquele bairro. Este senhor poderoso, olhou para os lados e percebeu que àquela hora da manhã daquele Domingo, na rua não havia ninguém, a não ser ele e aquela linda criança.


Laudelina - Por: Cecílio Elias Netto

Sempre estiveram abertas e viçosas as flores de Laudelina. Quem passasse pela antiga casa, na esquina da 15 com José Pinto de Almeida, poderia vê-las, ainda que protegidas por grades, pedindo para serem roubadas. Pois as flores de dona Laudelina Cotrim de Castro surgiram para ser roubadas por moços enamorados.


A Lenda da Senhora Matilde e da «San Líjà Bote» - Conto de João Furtado

Vestida imaculadamente de branco, a senhora Matilde, sim era este o nome da velha que diariamente sentava-se a berma do rio Papagaio.
Usava saias longas e de pregas e uma blusa de mangas folhadas. Esperava alguém, alguém que deveria voltar e nunca mais voltaria. Aquela zona era denominada de «San Lijà Bote», em português, senhora Luísa Bote.

Os saltimbancos - Conto de Maria Petronilho

Chegaram em carroças. Os miúdos da aldeia medieval onde estive entregue ao abandono, corriam atrás, rindo muito dos velhos chapéus de palha que os burros levavam enfiados nas cabeças, as orelhas felpudas surgindo por entre dois buracos, disfarçados com flores de papel desbotado. E à noite, lá fomos: eu, a minha avó e a Henriqueta, juntar-nos à roda de povo no pequenino largo.


A competência causa medo… - Texto de Irene Fernandes Abreu no Blogue Valium 50 - Macau- China

A violência é o último refúgio do incompetente. (Isaac Asimov)
Não se atreva a ser «diferente» ao mostrar rasgos de compreensão, que mostrem ao «outro», que é inteligente e competente, porque a sua vida vai tornar-se muito complicada.
Não raro temos encontrado pela nossa vida, gente incrivelmente incompetente em lugares complexos, onde deveria haver alguém mais qualificado.


VIVA AOS BARRIGUDINHOS ! - Conto/Crónica de José Geraldo Martinez

Ainda outro dia recebi um e-mail bastante interessante, para não dizer confortante, com relação aos barrigudinhos. Como pertenço ao clube e sendo fiel a ele, achei de certa forma importante repassar ao grande números de associados anônimos deste Brasil a matéria bastante interessante da Psicóloga, especialista em sexologia e terapias de casais, Carla Moura!


Viva a Itália, viva Garibaldi!!! - Por Arlete Brasil Deretti Fernandes

Três horas da manhã.
Pasquale tinha bebido todas, mesmo assim trocando as pernas acertou o caminho de casa. Enquanto caminhava estabelecia seu monólogo e oferecia seus brindes: - Per Baco! Per l´Itália, l´ Itália, Garibaldi!!!
No caminho encontrou um vira-latas e disse-lhe:
- Tu, figlioli dum cane.
E Pasquale cantava a canção «Dall´Itália noi siamo partiti».


Crónicas do Oriente - Por: António Cambeta - Macau / Tailândia

O primeiro português a chegar à zona de Macau 500 anos atrás chamava-se Jorge Alvares. - A chegada dos portugueses no Sudeste da China - O primeiro português a chegar e visitar o Sudeste da China foi Jorge Alvares, em 1513. durante a Era dos Descobrimentos iniciada pelo Infante D. Henrique (O Navegador). Ele levantou um padrão com as armas de Portugal no porto de Tamau, localizado numa ilha vizinha de Sanchuão (ou Sanchoão), na foz do Rio das Pérolas, perto de Macau.


Reflexão - Texto/Conto curto de Daniel Teixeira

O terreno à minha frente está escuro, acinzentado. Parece que por ele passou labareda. E passou mesmo, digo-o a mim enquanto olho para aquele espaço tristemente defunto. Passou o fogo dos dias tórridos de um estio que não sei bem se destrói ou se purifica a terra. Ou faz as duas coisas, destrói e purifica, deve ser assim que as coisas se passam, penso eu agora.


EXERCICIOS MENTAIS E SENILIDADE - in Memórias da Ilha - Por Manuel Fragata de Morais

Ao chegarmos à média idade, notamos que começamos a esquecermo-nos de pequenas coisas, pequenos acontecimentos e situações e entramos em parafuso, preocupados com a nossa memória que já não mais responde aos comandos tradicionais.


Sortido de Anedotas - Recolhidas na Net

Se algum dia apanharem a vossa mulher com outro gajo na cama, primeiro ouçam o que ela tem para dizer, e só depois tomem uma decisão.
Um sujeito, voltando de uma viagem de negócios, entra num táxi no aeroporto. Enquanto se dirigem para casa, pergunta ao taxista se não se importa de ser a sua testemunha, pois suspeita que a esposa tem um caso e pretende apanhá-la em flagrante.


UM CONTO PARA PENSAR ! - José Geraldo Martinez

Anos e anos era assim ...Henrique tratava a perna de dona Aurora com todo carinho. Tudo muito normal se não fosse Henrique um jovem ainda de trinta anos, vivendo num mundo consumista e com todas as mordomias tecnológicas desta era. Criado em berço nobre, onde os pais mantinham um conglomerado de usinas de álcool. Assim mesmo insistia em cuidar da perna de dona Aurora que padecia com uma ferida exposta e nunca cicatrizada.


Canções do Ceguinho - Recolha e adaptação de Raizonline

As «Canções do Ceguinho» foi uma actividade cultural (sub-cultural para alguns) que quase caiu no esquecimento - embora haja ainda quem se lembre dos folhetos vendidos e cantados por cegos em mercados e romarias. Esses cegos, que se faziam acompanhar por uma concertina ou um bandolim, cantavam histórias de uma violência tão real que parecia inventada. Ao mesmo tempo vendiam folhetos que continham os versos e algumas ilustrações a condizer.


A Criação do Mundo - Lenda Indígena (Brasil)

Os índios Carajás, no princípio do mundo, viviam dentro do furo das pedras. Não conheciam a Terra. Eram felizes e tinham a eternidade, vivendo até avançada velhice, só morrendo quando ficavam cansados de viver.
Um dia, os Carajás decidiram abandonar o furo das pedras, na esperança de descobrir os mistérios da Terra. Apenas um deles, por ser muito gordo, não conseguiu passar pelo furo da pedra, ficando nele entalado.


Carla - Conto de Marcelo Torca

Eu só me lembro de dois barulhos secos, e a minha mão ficar vermelha, logo em seguida, o meu pai cai ao chão, pedi para se levantar, mas ele estava morto. Hoje tenho dezoito anos, e dez já se passaram, estou nesta clínica psiquiátrica para fazer tratamento, ainda não consegui recuperar dos traumas acometidos na infância, o meu nome é Carla, e sou paciente do Dr. Mário Alves,


Poemas de Denise Severgnini - Quebra a mudez, dizendo eu te amo! ; Alma Outonal


Poesia de Arlete Deretti Fernandes - A Quem muito amei; Bolinhas de sabão; Sementes de Amor; Sonho


Poesia de Liliana Josué - Três Momentos de Natureza Morta; Menina / Mulher


Poesia e Prosa Poética de Daniel Camacho - Voz; Salgadas como as ondas do mar ; Vida (prosa)


Mayyahk (Pseudónimo) - Introdução e Poesia (A CARPA - Alexandre O'Neill; Soneto a propósito da Carpa de O'Neill - Mayyahk; Reza do Chacal na Praia do Namibe - Mayyahk

 

Poesia de Maria Alvaro - O mar... ; Tensão; Nas Dunas da Ilha

 

Poesia de Abilio Pacheco - mixórdia de maio - para o dia das mães

 

PROSA POETICA POR ILONA BASTOS - Inspiração ( I, II e III)

 

Poesia de Marcos Loures como Tenesmo Telencefálico - Racismo Divino ; Não poderia mesmo conceber; A vida se transcorre em turbulências

 

Poesia da Mário Matta e Silva - Smile; Culpas; Idosa Indolência

 

Um encontro casual ao almoço - Crónica (Do arquivo) de Gociante Patissa

No Lobito, contam-se aos dedos os restaurantes que sobreviveram à segunda república. O calar das armas e a transição para a abertura do mercado abalaram economias e hábitos de consumo. De sorte que, quando a paz não mais precisar da guerra para se autodefinir, os humanos ter-se-ão transcendido a si próprios, digo eu.

 

Poesia de Xavier Zarco - Uma ode alcaica; Todo o tempo do mundo cabe em verso,


Lendas Algarvias - A Moura do Ameixial - (Recolha da Redacção na Net)

A lenda, retirada da obra «As Mouras Encantas e os encantamentos do Algarve» de Ataíde Oliveira, refere-se a um sítio, próximo do sítio Pego dos Cavalos, designado precisamente Sítio da Moura. «Diz a lenda que semanas depois da expulsão dos mouros, passou por aquele sítio um rapaz de vinte anos, filho de abastado proprietário daquela freguesia.


Poesia de Virgínia Teixeira - Narciso bravio ; Nevoeiro


Mulherzinhas - Texto recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»

Constatei recentemente que me comporto com os livros como uma mulherzinha. Um de cada vez, nada de promiscuidades. A relação exclusiva intrigou-me. Nunca fiz da fidelidade estandarte e confesso, sem qualquer orgulho ou pudor, que atraiçoei várias ideias e amantes apenas pelo doloroso prazer de trair (quem precisar de instruções neste prazer, procure-os n’ A Insustentável Leveza do Ser e preste redobrada atenção à personagem Sabina).


A menina e a metralhadora - Texto de Cecílio Elias Netto

Quando crianças – estimuladas pelos pais – aprendem a atirar com metralhadoras, descortina-se o sombrio futuro da humanidade.
Lenda ou realidade, passou à história a resposta de Einstein, a um jornalista, a respeito de guerras. Foi logo após o término da II Guerra Mundial. O repórter ter-lhe-ia perguntado como, em sua opinião, viria a acontecer a Terceira Guerra Mundial. A resposta de Einstein, surpreendente, aterradora: «A Terceira eu não sei. Mas a Quarta será com arco e flecha».


LER - Por Maria Alvaro

«Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo.»
Fernando Pessoa - Sempre tenho tido esta sensação. Ler é permitir deixar-se levar por uma pessoa, uma única pessoa... A forma de Livro dá uma impessoalidade ao que está escrito que facilita a TENDENCIA para se aceitar como inegáveis as afirmações nele expostas.


Ana - Conto de Daniel Teixeira

Por vezes a gente lê ou ouve histórias e acha que as coisas se podem passar assim como se conta nas histórias. E por vezes também sabemos que as coisas não se passam assim e que não poderiam nunca passar-se assim, mas que é bom acreditar que as coisas se passam daquela forma que ouvimos ou lemos.


«FELIZES PARA SEMPRE» UMA OVA! - Por Marcelo Pirajá Sguassábia

O sujeito dá vida à gente, cria aquela história maravilhosa, diz que todos viveram felizes para sempre, põe um ponto final e se arranca. Nunca mais volta para ver o que aconteceu depois às suas indefesas criaturas, no mundo do faz-de-conta. Ora, quem põe filho no mundo tem responsabilidades a honrar. Como é que pode um autor se comprometer com a posteridade e colocar sua credibilidade em jogo, fadando seus personagens a um destino cor-de-rosa sem dar a eles meios para isso?


Carta - Prosa poética de Joaquim Nogueira

...a carta que escrevo aqui e agora é o que «eu»sinto e penso da vida e não «serve»para todos...
não há respostas definitivas e únicas para todos nós... vivemos num mundo de desafectos em vez de vivermos num de afectos... vivemos num mundo onde o sentirmo-nos bem com a nossa própria identidade é já tão difícil que usamos estas identidades «falsas»para podermos falar e ouvir...


O cavalo que morria devagar - Conto de Daniel Teixeira

Havia um cavalo pastando e um velho sentado numa pedra olhando o cavalo.
Havia também os dois netos do velho e um pequeno prado murado e com muitas pedras soltas musgadas. Parecia um prado tão velho quanto o velho. Ou talvez mais. Eu sempre o conheci assim, aquele prado e aqueles muros meio derrocados.


SEGREDOS DO ALGARVE - Texto de Lina Vedes

A partir de 1947 comecei a frequentar a escola primária da Sé de Faro, situada na parte velha da cidade, na Rua Rasquinho.
Todas as tardes, de bata branca, obrigatoriedade escolar, saía de casa perto do Largo da Palmeira carregando a pasta com o lanche, sebenta, o livro único de leitura, uma caixa de madeira com tampa deslizante onde guardava o lápis de escrever, borracha e caneta de aparo.


Poesia de Pedro Du Bois - Banho; Música; Pano

 

EXCERTOS DO CONTO «SAPALO E A AVENIDA DO QUASE» - por Gociante Patissa

«— Tá ver bem, chefe? — Sapalo assegurava o contacto visual, de sorriso a destacar a brancura dos dentes. A testa tinha a cor da barba, tal era a graxa. — Acho que preciso de uma consulta, um dia. — já éramos dois a achar que sim, mas calei ao que seria o motivo, aguardando que completasse a ideia. — Oiço muito a chuva.


Vitalinas e Galos de São Roque - Por Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano.

E tira o pó, Vitalina,
Bota o pó, Vitalina,
Môça velha não sai mais do caritó
(cantiga popular)
Certas coisas da infância, vividas numa fazenda de café no Brasil, eu não esqueço. Uma delas era o fato de que os patrões, vez ou outra, «convocava» uma moça dentre as colonas da fazenda, para servi-los na capital, como empregada doméstica. Estava em marcha a formação de mais uma vitalina, ou galo de São Roque:


«Cidade de Prazeres» - Ilustração Portugueza, 1908 - Texto e imagens de João Botas in Macau Antigo

«Não é a embriaguez brutal do occidente, é ainda a forma hypocrita de gosar núma nuvem de fumo o que sem ella ninguém pode obter. As maiores loucuras, mulheres correndo nuas como n´um paraizo novo por entre árvores de sombras bellas e roseiraes sem espinhos, de agradável perfume, os sue lábios abertos para beijos, os seus braços sôfregos de se enlearem; é o amor em toda a sua subtileza divina e em todo o seu final bárbaro.


Realidade fictícia - Conto de João Furtado

Não consigo escrever. Vivo este vazio sempre que termino um conto e quero começar a escrever outro. E à minha volta é o nada. Nada me sai da cabeça para o papel. A febre que sinto enquanto coloco no papel as minhas ideias mais ou menos formadas se esvazia rapidamente.
Sinto uma paz interior, o mesmo que se sente após o orgasmo. E a mesma vontade de continuar e não poder.


Poesia de Liliana Josué - COMUNIDADE EDUCATIVA

 

POEMAS DE JORGE VICENTE - 1. ; 2.

 

Poesia de José Carlos Moutinho - Vento da serra; Deserto de um sonho

 

Centenário de Julio Cortázar - Recolhido em Livres Pensantes

«Qualquer um que não leia Cortázar está condenado; não lê-lo é uma doença grave e invisível que, com o tempo, pode ter terríveis consequências. Não quero que essas coisas aconteçam comigo, então devoro avidamente todas as invenções, mitos, contradições e jogos mortais do grande Júlio Cortázar.»
Pablo Neruda


A estrutura da bolha de sabão - Por Lygia Fagundes Telles

Recolhido no Blogue Panorama - Pedro Luso de Carvalho
Era o que ele estudava. «A estrutura, quer dizer a estrutura» - ele repetia e abria a mão branquíssima ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso, porque uma bolha de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho. Película e oco. «A estrutura da bolha de sabão, compreende?»


Katherine Anne Porter, aka Miranda

Texto Recolhido em «As leituras de Madame Bovary»
Tenho uma nova heroína na minha lista de admirações: Katherine Anne Porter.
Desde o ano passado, altura em que a Antígona anunciou a publicação de «Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro», que aguardava com impaciência a chegada deste título às minhas mãos. A razão desta impaciência era apenas intuitivamente emocional, convocada pelo título poético, pois nada sabia desta autora.


POLITIC@ & PUBLICID@DE - Texto de Miriam de Sales Oliveira

Não procure a verdade na publicidade; ela, não só não estará no fundo do poço, como sumiu de lá; restou a imagem, a impressão da verdade, que pode até ser uma mentira.
Em suma: não é o que você diz; mas, sim, o que o outro entende.
Ora, na política, a verdade sempre foi posta de lado; por isso o casamento da publicidade com a política deu tão certo; combinam como feijão e arroz.


O TI MARCOS - Crónica de Daniel Teixeira

O Ti Marcos, por esta ordem, era tosquiador, barbeiro e comia coxas de rã. Morava no final da azinhaga que partia do antigo Lagar dos Tomáses, depois de passado um espaçoso terreiro que fazia uma das entradas para as moradias destes Lavradores e donde se via a entrada da casa que foi do Sargento Gabriel e da Dona Maria, Tomás por nascimento.


Poesia de Pedro Du Bois - ENVENENAR; MADRUGADA; MORAL


Poesia de Mário Matta e Silva - NO SONHO DO BEM - ME - QUER ; GEOGRAFIA DO MEDO; NOS MURMURIOS DA HARPA


Poesia de Sergio Antonio Meneghetti - Existem Gerações; Sobra? Obra!


Coluna de Poetas - Carlos Fragata: Tentativa Falhada; Cremilde Vieira da Cruz: Teu nome; Edvaldo Rosa: Lembranças de um grande amor...; Maria de S. Pedro: Num qualquer por de sol; Se Gyn: adjetivos


JARDIM MANUEL BIVAR - Faro - Texto de Lina Vedes

Conhecido, vulgarmente, pelo Jardim da Doca, era vivo e barulhento com imensa gente, crianças, jovens e adultos a procurá-lo para agradáveis convívios.
Os farenses, nas horas de lazer, enchiam o Jardim andando nele às cotoveladas, aos encontrões, conversando e rindo uns com os outros, indo e vindo desde o monumento a João de Deus até ao coreto.


árabes e judeus, aqui - Texto / Crónica de Cecílio Elias Netto

A harmoniosa convivência entre árabes e judeus em Piracicaba impede-nos de entender a estupidez do fratricídio no Oriente Médio.
A história humana – contada pelos chamados livros sagrados – foi e continua sendo escrita com sangue e discórdias. O Deus monoteísta – de judeus, cristãos e islamitas – causa muito mais espanto por sua cólera do que pela misericórdia. Pelo menos, para mim.


Numa aldeia na montanha - Conto de Daniel Teixeira

Era um aldeia algures por Deus e pelos homens colocada no topo de um monte que ficava no topo de uma montanha. Os Tempos, Deus e os homens tinham mantido aquela aldeia tão isolada durante tantos dos últimos anos que eram agora nenhuns os contactos que aquela gente tinha com as gentes das aldeias mais próximas, estas também colocadas por Deus e pelos homens no topo de outros montes que ficavam noutros topos da montanha.


O VERDE DA MATA - Prosa poética de Ilona Bastos

Pode pensar-se, ou mesmo dizer-se, que o verde é simplesmente verde. Mas não é. Nunca o verde é simplesmente verde - é sempre complexamente verde.
Observem-se as nuances, as sombras, os brilhos. Os toques de veludo, de cetim, ou de serapilheira agreste. E como tudo se reflecte e nos atinge em incontáveis tons que nem o nosso mais minucioso olhar destrinça. E como nos tons se adivinham cheiros, mais ou menos silvestres, ou densos, ou ténues, ou voláteis.


Poesia de Ivone Boechat - Perdoe seu filho; Seja melhor do que o seu pai; Todo pai é adotivo


Poesia de Sherpas (Manuel Xarepe) - ... mas... as crianças...


MISSA DO GALO – CARLOS CARVALHO

Com a navalha no bolso, esperou a mulher na porta da igreja. Quando ela apareceu, foi se chegando, pegou no braço dela e disse:
– Quero falar contigo, Maria.
Ela não respondeu, Puxou o braço e foi caminhando. Ele insistiu:
– Volta, Maria.
Ela parou no primeiro degrau. Olhou-o, antes de responder, e ele sentiu vergonha da roupa amassada, da gravata puída, da barba de dias.


Christopher Nolan: o primeiro filme

Christopher Nolan notabilizou-se junto do grande público por ter feito a trilogia do Batman e o «Inception». Dois anos antes de ter realizado o original filme «Memento» (2000), Nolan realizou em 1998 a sua primeira longa-metragem.  Pouco conhecida do grande público, mas enaltecida por uma minoria de cinéfilos: chama-se «Following» e narra as desventuras de um jovem escritor que, mentalmente instável, vagueia pelas ruas seguindo pessoas pouco convencionais em busca de material para a sua escrita.


A vida e morte de Aaron Swartz - Por Victor Afonso - Blogue «O Homem que sabia demasiado»

Aaron Swartz foi uma criança prodígio, inteligente e ávida de conhecimento. Porém, aos 26 anos, em Janeiro de 2013, suicidou-se (foi encontrado enforcado no seu apartamento de Nova Iorque). Talvez a maioria não o conheça, mas o trabalho de Aaron está presente na nossa vida quotidiana há bastante tempo. Desde os 14 anos que Aaron trabalhava como programador informático criando ferramentas, programas e organizações na Internet.


Poesia de Carlos Fragata - DESEMPREGO; O NOSSO FILME; PORTUGUESES

 

Poesia de Xavier Zarco - o poema da minha rua teima; A FAUSTO; Uma ode alcaica, que hoje estou virado para isto!

 

 

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