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Lista dos Trabalhos que entram de novo neste número. Para consultar o índice de cada uma das divisões vá à barra ao lado direito. Para consultar o índice do número anterior (e os números anteriores a esse) carregue aqui. (Nota: o nosso arquivo online fica composto pelos últimos cinco números publicados)


Procissões da Quaresma - Texto de Lina Vedes

Tive o privilégio de viver, em jovem, na actual Rua 1º de Maio, local por onde passavam quase todas as procissões de Faro. Ao recordá-las, principalmente as realizadas durante a Quaresma, não posso deixar de focar, o padre José Gomes da paróquia de S.Pedro, homem ímpar na organização e incrementação de procissões. Este padre morador no edifício, hoje intitulado Via Valadim, na Rua Tenente Valadim, ao tempo conhecida por rua dos Cavalos, durante o dia fazia vários percursos de sua casa à igreja, passando pela Rua Filipe Alistão, sempre apressado, cumprimentando à esquerda e direita.

O FANTASTICO NA PROSA ANGOLANA - Por Manuel Fragata de Morais - ISAQUIEL CORY - O ULTIMO FEITICEIRO

Quem for a Catete, via Luanda, há-de encontrar, nos arredores de Mazozo, bem junto à dita estrada nova, em contraposição à outra, velha, inteiramente abandonada ao capim e aos passos infatigáveis dos camponeses locais, um embondeiro outrora majestoso, caído, derrotado pelas forças humanas da destruição. Foi a partir daí, dessa paragem que o povo chama do «Embondeiro Caído», que fui vencendo o longo percurso ravinado até à sanzala que viu os meus pais nascerem.

Os Carvoeiros de Lisboa - Crónica de Daniel Teixeira

Eu praticamente nasci ao lado de carvoarias aqui em Faro, não propriamente aquecido pelo calor das brasas, mas tinha um vizinho que era carvoeiro e que morava duas ou três portas ao lado da minha e que por sua vez tinha um armazém de carvão no Beco Ataíde de Oliveira, o senhor Faneca, onde eu ia comprar o carvão que fazia falta lá em casa e não era só em alturas específicas de churrascadas e coisas assim.

William Faulkner, A Fábula - Recolhido em contra mundum e ípsilon

« Então fica com o mundo — disse o velho general. — Eu reconhecer-te-ei como meu filho; juntos fecharemos a janela sobre esta aberração e trancá-la-emos para sempre. Depois abrir-te-ei outra num mundo que nem César nem sultão nem khan alguma vez viram, que nem Tibério nem Kublai nem todos os imperadores do Leste alguma vez sonharam, nem Roma ou Baiae, um mero depósito para a rapina de salteadores e bagnio para uma derradeira exaustão de estruturas terminais dos seus axónios antes de regressarem aos seus desertos sombrios para arrancarem mais de um ou enfrentarem no lar as facas contratadas dos seus subalternos imediatos e ávidos para os curar da necessidade de ambos.» 1

O soldado desconhecido - Crónica de Daniel Teixeira

Naquele dia o Narciso chamou-me, ia eu passando em frente à Igreja dos Capuchos, em Faro, que estava de portas abertas o que era sinal de que havia lá um defunto a ser velado. Ele estava à porta da Igreja quando me viu e disse-me para ir ali «ver aquilo» e aquilo era um defunto no caixão vestido com um pijama de hospital.

TEMPORARIO 12-Destin Cretton- E.U.A. - 2013 - Recolhido em Cine Clube de Faro

Num centro de acolhimento para adolescentes problemáticos, o dia-a-dia é vivido entre dramas, traumas e também algumas vitórias. A acompanhá-los está Grace (Brie Larson), uma supervisora dedicada e comprometida com a sua missão. No entanto, debate-se com os seus próprios fantasmas e, apesar de contar com o apoio incondicional de Mason (John Gallagher Jr.), seu colega e namorado, tem extrema dificuldade em confiar nos outros.

Jornal Raizonline nº 248 de 16 de Abril de 2014 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Eu e o facebook

De esclarecer antes de mais que uma coisa é aquilo que eu afirmo a título pessoal e outra coisa pode ser aquilo que enquanto Jornal Raizonline se pode afirmar. Dito isto gostaria de começar, a só a título pessoal, referindo que cada vez encontro menos interesse nesta chamada de moderna e promissora plataforma. E para mim, o mais importante, ou grave, para aqueles que no facebook fazem fé, é que não vejo como esta plataforma global poderá encontrar alternativa para se diversificar.

MEMORIAS DA ILHA - Crónicas - Por Manuel Fragata de Morais - AMORES

Os subordinados há muito que o aguardavam, impacientes, às vezes até barulhentos. Sempre atrasado, talvez pensasse que quem não chega atrasado não é reconhecido. Coisas da infância, quem sabe, talvez alguma rejeição pela qual todos pagavam. A porta abriu-se e ele entrou, erecto e sorridente, como sempre. O silêncio desceu natural, enquanto todos se levantaram.

E às vezes tenho receio da vida. Da Minha Vida! - Prosa poética por Pena

Poesia de Maria da Fonseca - Na Primavera; Sinais da Primavera ; O Cantar dos Passarinhos

Um bom livro é difícil de encontrar - Texto recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»

Como no amor, talvez existam livros que se impõem como paixões maiores, diminuindo a eventualidade de arrebatamentos fátuos. Tenho lido muito. Quando me deito na cama para descansar os ossos dos múltiplos alugueres quotidianos e ler, é como se o tempo se dilatasse de forma milagrosa. E às vezes, consigo ler um livro inteiro nessa hora. No entanto, jamais pouso numa palavra para voar e adormeço invariavelmente como que envolta numa tristeza pós - coital, não sabendo o que fazer desse novo silêncio que fica após cada livro. Nem sabendo como o nomear: deserto, morte ou paz?

O universo (também) conspira a favor... - Texto de Edvaldo Rosa

Volto às letras para dar ciência a outros sobre certos mistérios da vida...
O cenário, terminal interestadual de ônibus de Taubaté, numa tarde quente, onde existe uma estátua de Monteiro Lobato, junto aos seus personagens clássicos... Os presentes, todos de passagem no local, eu, minha esposa, que diante da estátua, presenciamos a chegada de três jovens, um menino e duas meninas...

Canalhas estão sempre presentes - Texto / Crónica de Jorge Sader Filho

O mundo tem conhecido, ao longo dos tempos, uma série de homens que passam destruindo tudo e todos. Não tenho intenção de fazer história, e muito menos a capacidade para tal fato. Sou apenas um observador atento. Como surgem estes símbolos do mal, geralmente deificados pelo povo? Não é muito difícil a resposta, embora sempre incompleta. O momento em que passa determinado povo é propício ao aparecimento deste tipo canalha.

Lisboa, 2 de Setembro - Retirado do Blogue «As leituras de Madame Bovary»

Oslo, 31 de Agosto.  - Não falta ali nada. Um homem de 34 anos perdido, ex-toxicodependente tenta regressar à vida. Recomeçar do zero é impossível, os outros e ele próprio não perdoam. Os outros que também estão no mesmo barco à deriva, e que não admitem que alguém esteja mais partido que eles. Todos fodidos, náufragos pouco solidários: importa manter a farsa e seguir andando. O homem é apenas a baixa mais evidente, a braços com um problema comum que excede a heroína. A droga nunca é o problema. Antes a solução. Existem outras: o trabalho, a televisão, o casamento, os filhos, blá-blá.

A lenda da Prímula ou Primavera - Texto de Dulce Rodrigues

A Primavera é anunciadora de renascer e com ela assistimos, com efeito, a um recomeço do ciclo natural das estações. A Natureza acorda da letargia a que a submeteu o Inverno, maravilhando-nos com uma profusão de cores – as das flores. De entre essas flores, distingue-se a prímula. O nome botânico desta flor vem da palavra latina primula, que significa «a primeira» e indica que esta planta é uma das primeiras a florir na Primavera em certas regiões mais frias.

Cornélio Pires - Um caipira ilustre - Autoria: Cecílio Elias Netto

Quando se fala em folclore, fala-se, também, de alguns caipiras ilustres. Cornélio Pires foi um deles. Poeta, humorista, folclorista, trovador, músico, repentista, Cornélio Pires nasceu em Tietê (SP) em 13 de julho de 1884, falecendo em São Paulo no dia 17 de fevereiro de 1958. Por sua vontade, foi sepultado no Cemitério Municipal de Tietê. De família pobre e protestante, era, porém, descendente de figuras ilustres como Pedro Taques e Brás Cubas.

A estranheza - Conto de Daniel Teixeira

O Vasconcelos vivia numa habitação toda em madeira – tinha-me dito o homem já com ar de reformado que andava por ali e tinha uma enxada – e era em madeira polida, vi eu depois, era em madeira polida e brilhante, onde o sol batia naquela hora em que lá fui e onde quase se via a nossa imagem na parede.

Ciganos - Conto / Crónica de VIRGINIA TEIXEIRA

A erva cresce selvagem em ambas as margens do rio. Naquela zona parece alargar o caudal do rio e as margens separam-se mais, e o som do povo, tão ruidoso e alegre, não chega a galgar a outra margem. Parecem parte da natureza, não são vistos nem ouvidos, e sentem-se seguros para ali ficar algum tempo. Montam as tendas com os panos envelhecidos mas ainda coloridos e distribuem as tarefas pelos homens, enquanto as mulheres se juntam na tenda maior e aquecem a comida nas grandes panelas que parecem vibrar quando são retiradas da caravana.

A Mulher na cidade do homem - Texto de Sophia Mello Breyner Andresen

Retirado de Livres Pensantes  - «[...] Quando olhamos para o passado vemos que a contribuição da mulher no mundo da criação é muito limitada. As leis, a filosofia, a matemática, a pintura, a arquitectura, a escultura, a música foram quase exclusivamente criadas por homens. A mulher aparece nalgumas artes como intérprete, raramente como autora. Isto «parece mostrar» que a capacidade criadora da mulher só existe em planos secundários ou subsidiários.

Queria ser o teu sonho - Texto de Joaquim Nogueira

«…Em frente ao espelho da cómoda do teu quarto, sentada num banquinho forrado a tecido de cortinado vermelho, penteavas os teus cabelos, num ritual que funciona mesmo sem dares por isso… a escova passava ora uma, ora duas vezes, de cima para baixo e alisava os teus cabelos sedosos, cor de mel e de marfim… brilhavam no espelho e te revias momento a momento numa expectativa de mudança, o que não acontecia pois não podias ficar mais bela do que aquilo que já eras… a beleza em ti não residia nem morava … era!…

A Fita Branca (2009) - Texto Recolhido em Cinema Pela Arte

«O holocausto nasceu e foi executado na nossa sociedade moderna e racional, em nosso alto estágio de civilização e no auge do desenvolvimento cultural humano, e por essa razão é um problema dessa sociedade, dessa civilização e cultura.» — Zymunt Bauman - Castigo e crime? - Quero contar os fatos estranhos que aconteceram na nossa aldeia. Talvez eles possam esclarecer uma série de acontecimentos que sucederam neste país, revela a voz vacilante do narrador, pronto para compartilhar suas reminiscências.

ANTON TCHEKHOV - Mestre do Conto - Por : PEDRO LUSO DE CARVALHO

Escrever sobre Anton Pavlovitch Tchekhov, um dos escritores mais importantes da narrativa ficcional do género conto, de todos os tempos, poderia parecer pretensão demasiada caso o ato de escrever sobre ele não se constituísse em homenagem ao génio da história curta, como de fato se constitui esse preito. Sendo assim, sinto-me à vontade para falar um pouco da sua vida e obra, começando por L. N. Tolstoi, o grande literato russo autor do épico Guerra e Paz, dos extraordinários romances Ana Karenina e Ressurreição, e do excepcional conto A Morte de Ivan Ilitch, que afirmou ter sido superado por Tchekhov como escritor na técnica da ficção, e por ter ele criado novas formas de escrever.

Visita às Igrejas - Texto / Crónica de Lina Vedes

Pela Páscoa, na altura da Semana Santa, era tradição, e toda a cidade se envolvia nela, visitar as igrejas de Faro, na quinta-feira à noite. O circuito percorrido era quase imposto, com naturalidade, devido à localização das igrejas a visitar – S.Pedro, Misericórdia, Sé, S.Francisco, Pé da Cruz, Carmo. Poder-se-ia iniciar por qualquer delas, indo para a esquerda ou direita, caminhando em carreirinha, uns atrás dos outros, encontrando outros, no mesmo percurso, em sentido contrário.

Poesia de Virgínia Teixeira - Nevoeiro; Dragão

Poesia de Arlete Piedade - AMANHECER; A NOITE!; MOMENTOS

Poesia de Albertino Galvão - Primavera é poesia; Moinhos...

Poesia de Abilio Pacheco - Retrato II; Andança; Habitação; Habitat; Construção

Poesia de Liliana Josué - QUIS ; MENINA/MULHER

Poesia de Pedro Du Bois - Ultrapassagem; Vidraças; Províncias

Dentes Alvos - Conto de Daniel Teixeira

Eu acho que há sempre um sinal, um pormenor, um detalhe ou mesmo uma conversa que guardamos na memória primeira que temos de uma pessoa, de um acontecimento ou de qualquer coisa. Deve haver, penso eu, no nosso cérebro e na nossa organização das memórias assim como que um elo de ligação escondido que desperta espontaneamente quando se fala de alguém, de um caso, de uma coisa ou quando não se pensa em nada, mesmo. E é quando essa memória, esse indício, aparece por acaso, não sendo nunca um acaso.

Saudade - Recolhido em Livres Pensantes

«L’expression d’un sentiment est toujours absurde» Paul Valéry
Regressar ao meu país é sempre um exercício de profundo prazer e de grande emoção. Senti-o inúmeras vezes. A sensação de retorno ao chão que nos é familiar supera a alegria do filho pródigo que regressa a casa. Não foi um abandono. Não foi uma deserção. Não foi um malquerer. Não foi uma desilusão. Não foi um ponto final e nem sequer uma interrupção. Foi tudo e desse tudo nunca foi nada.

A Religião - Texto de Miguel Carvalho, in Aqui na Terra

«Foi no habitual mês de festas, romarias e regressos dos emigrantes para as vacances que o País se pôs a cantarolar o Pimba, já lá vão quinze anos. A moda pegou. E logo o termo foi adoptado para catalogar, a bem ou a mal, a nova roupagem da cantiga popularucha, de rima fácil, brejeira, provocadora.

Tão linda que é a Paula - Conto de Daniel Teixeira

E é assim como vou dizer que as coisas se passam e devo logo dizer que há muito tempo que não escrevo, assim como estou a escrever agora e que não sei se vou conseguir dizer tudo o que quero, mas vou tentar, vou tentar ser claro, vou tentar fazê-los compreender como as coisas se passaram, todas as coisas, desde que conheci a Paula. E é linda, ela, muito linda e ainda hoje acho que ela é linda mesmo que não a possa ver lá onde ela está todos os sábados, precisamente às dez horas da manhã, quando vou vê-la.

Comentários sobre as publicações

Ao longo dos tempos temos ido guardando os comentários que são colocados no nosso Blogue de Comentário com a intenção de colocar no jornal uma vez que, por aquilo que sabemos, alguns dos autores comentados nem sempre têm a oportunidade de ir ao Blogue ver esses comentários. Aqui deixamos mais uma remessa:

A hora e vez do Romi-Isetta - Texto de Cecílio Elias Netto

Em 1955, a indústria Romi (barbarense) construiu o carro mais inteligente que podia existir. Mas foi esmagada pela estúpida indústria de carrões. Foi em 1956 que surgiu, no Brasil – e fabricado pelas Indústrias Romi, barbarenses – o revolucionário carro Romi-Isetta. Era o primeiro veículo produzido nacionalmente. O visionário Emílio Romi conseguiu, em 1955 – da empresa italiana Isso, que o idealizara – o direito de construção no Brasil. Tratava-se de um veículo de praticidade espetacular, mais ainda do que o já minúsculo Fusca.

última vontade - Por Marcelo Pirajá Sguassábia

- Como era da vontade do senhor Arquibaldo Calixto, e passados 30 dias do seu sepultamento, cabe-me agora abrir este envelope, à frente de todos da família, para conhecermos o destino que se dará ao seu espólio. Posso começar?
- Corre logo com isso, doutor, que eu já estou gastando por conta o que me é de direito.
- Aos dezoito dias do ano da graça de dois mil e ... bla, bla, bla, bla, bla, bla. Ei, espera aí...

ASSINAR NO LOBO - Crónica de Gociante Patissa

Alguém asseverou certo dia que «do imposto e da dívida, o ser humano não se livra». Com tudo o que há de discutível nas frases feitas, parece ser inquestionável a fatalidade que a citação supra encerra, bastas vezes faísca para o azedume nas relações humanas. Devíamos mesmo emprestar dinheiro? Mas, do lado oposto, vem a questão: e se fôssemos nós a precisar? A resposta seria seguramente um evasivo «depende do caso». Como já abordado, há uma correlação entre a dívida e o conflito no sistema de valores dos Ovimbundu.

Dois Poemas de Mário Matta e Silva - é tempo de Primavera; Ir e voltar nas gaivotas

Prosa poética de Ilona Bastos - A escrita em mim; Pinturas fotográficas; Escrever ou não escrever; A Observação dos Pássaros

Poemas de Liliana Josué - PRIMAVERA - TRILOGIA

Poesia de Arlete Piedade - A primeira andorinha; Amanhecer

O Direito e o Avesso - Crónica de José Pedreira da Cruz

Foi numa tardezinha quente de um trinta e um de dezembro, a bordo de uma barcaça e bem acompanhado, que realizei um passeio náutico entre a cidade do Rio de Janeiro e Niterói, numa espaventosa e reluzente viagem de estupefata beleza pela encantada Baía de Guanabara onde, vivenciei, sem dúvida, um dos mais belos e agradáveis momentos. Na popa da embarcação assistíamos deslumbrados a um belíssimo final de tarde de um último dia de ano, enquanto uma agradável brisa soprava suavemente esvoaçando os nossos cabelos no ar.

Favela em morro do Rio de Janeiro - Crónica de Antônio Carlos Affonso dos Santo (ACAS)

Lá, no alto do morro da favela, onde o vento faz a curva e encosta o lixo e onde o antigo riacho vira esgoto a céu aberto, o pobre Manduca aguarda a chegada do Papai Noel. Ele nunca havia visto o bom velhinho, no entanto ele queria acreditar que o bom velhinho existia. Ele se aplicou na escola e ajudou todas as pessoas que precisavam de sua ajuda; em que pese o corpo franzino, a pouca estatura para um menino de doze anos: ele queria muito ganhar um presente!

O Ipê que não queria ser Poste - Texto de Antônio Carlos A. dos Santos, Acas

Um poste de luz, feito do tronco de uma árvore cortado nos matagais do estado de Rondônia (Brasil), localizado pelas coordenadas (Google Earth => 8047´24”S, 63052´44”W), ou seja; na Avenida Jatuarama, em Porto Velho, capital do estado de Rondônia, foi notícia durante o ano de 2010. E o motivo foi surpreendente: o poste foi colocado numa Avenida no ano de 1994. Cheguei a pensar que a foto mostrada nos vários sites de informação pudesse ser uma montagem de computador, ou qualquer truque do gênero. Não é o que aconteceu com o poste florido! Na estação correta, em que os ipês florescem em Rondônia, fez surgir suas flores para calar quaisquer suspeitas de mágica ou enganação, tão comum na internet.

Segunda-Feira ao Sol (2002) - Fernando León de Aranoa

Texto Recolhido em Cinema Pela Arte - Emmanuela - Fernando León de Aranoa, com seu filme «Segunda-Feira ao Sol», lança luz sobre os batalhadores, pessoas que conheceu, que «falavam sobre o trabalho não como algo que gera riqueza, mas como uma coisa de muito valor. Algo com alto valor que você não pode maltratar nem falar mal ou transformá-lo em algo precário.» - Trajetórias errantes -

A Cidade - Texto de Maria José Vieira de Sousa

Recolhido em Livres Pensantes - «A escrita tem as suas próprias leis de perspectiva, de luz e de sombras, como a pintura e a música. Se nasces com elas, perfeito. Se não, aprende-as. Em seguida, reorganiza as regras à tua maneira.» Truman Capote - A Cidade - 1- Vista da Ponte, a Cidade parece intemporal e sem dúvida fascina-me o seu casamento com o rio e com o mar num braço aberto , mas foi sempre assim.

Os sons dos 80: Tropicalíssimo - Texto recolhido no Blogue Bairro do Oriente

Depois do êxito da telenovela «Gabriela, Cravo e Canela», inspirada na novela homónima de Jorge Amado no Portugal dos anos 70, as portas ficaram abertas para uma «invasão» de produtos da cultura brasileira. Cultura salvo seja, pois algumas dessas telenovelas eram verdadeiros enlatados que pouco ou nada tinham a ver com a nossa realidade ainda um tanto ou quanto cinzentona, mas outro «produto»que chegava do outro lado do Atlântico era a música.

Os preceitos do Baldão - Por José Francisco Colaço Guerreiro

Recolhido em Património - Em volta de uma mesa sentam-se os cantadores, normalmente juntinhos e sobre a mesma dispõem-se os copos e coloca-se o mais.Buscam posições , procuram parceiros, trocam olhares fugidios, disfarçadamente miram a aparência dos concorrentes, tossem, pigarreiam , limpam a garganta, passam sugestivamente a mão pelo pescoço e invariavelmente lamentam-se pela sua fala que hoje para nada presta. Tenho estado tão constipado....se calhar até nem canto, é costume dizerem.

A moça do parque - Conto de Jorge Sader Filho

Inventam muitas histórias engraçadas neste mundo. Talvez algumas sejam verdadeiras, talvez não, nunca se sabe onde mora a verdade, aquela que todos procuram e poucos encontram. O fato é que numa cidade grande, e aqui não se diz qual, havia um parque de árvores frondosas, brisa fresca, lago e um pequeno bosque. As mães levavam a criançada para brincar e tomar Sol. Casais de namorados sentavam-se nos bancos e trocavam confidências e carinhos. Mas o bosque não era muito frequentado. Estava quase sempre deserto.

Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações - Por Daniel Teixeira - A estranha leveza do bucólico

Para mim, e para a larga maioria das pessoas, penso eu, dissertar sobre a desertificação humana de espaços não implica que o estudante se debruce exclusivamente sobre aquilo que podem ser consideradas as razões para que a tal de desertificação humana (sócio - económica) tenha tido lugar. Desertificação existe em qualquer lado, sendo que nuns locais pode ser mais dramática nos seus resultados do que noutros. Aqui em Faro (cidade do Algarve cercada por mares e rias, campinas e um pouco de serra baixa) é recorrente o debate sobre a desertificação que se verifica na tradicional e histórica Baixa Farense.

Restos de Carnaval - Escreve: Clarice Lispector

Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava?

Epifanias de uma alma pequena - Texto retirado de «As leituras de madame Bovary»

Acredito na existência da alma. Acredito porque já senti a minha a querer partir-me o peito algumas vezes. Uma alma curiosa e inquieta e não aceita confinar-se a nada, recusa convenções e devoções e nem sempre obedece aos meus desígnios. As vantagens e as despesas de uma alma deste tipo são conhecidas. O bem e o mal coincidem no mesmo ponto, a imaginação empática. Gosta-se demasiado de visitar e imaginar toda e qualquer alteridade, pois o que interessa é abarcar a vida nas suas múltiplas manifestações e contradições.

IMPUNIDADE DOS TITULARES DE CARGOS PUBLICOS - Texto de Paulo em Filhos de um Deus Menor

Os regimes democráticos, com todas as suas admissíveis virtudes, são os que oferecem menos defesas em relação aos abusos do poder. Por vezes não há meios de defesa contra uma injustiça que a opinião pública não reprove. Porquanto, o corpo legislativo, o poder executivo, a força publica e, nalguns casos, os juízes, representam essa opinião publica, ou são o seu reflexo. Porém, em Portugal ainda não se chegou a este extremo…

Wenceslau de Moraes nasceu há 160 anos - Texto de João Botas

Em Maio celebram-se os 160 anos do nascimento de Wenceslau de Moraes, um dos mais importantes autores portugueses que trataram literariamente assuntos ligados ao Oriente, em especial o Japão. Na fotobiografia de Wenceslau de Moraes, da autoria de Daniel Pires, edição Fundação Oriente, 1993, esta imagem abaixo (da Biblioteca Central da Marinha) está na pág. 64 com a legenda «Oito oficiais em uniforme de Verão. O escritor é o último à direita».

EU E TU, Bernardo Bertolucci, Itália, 2012

Texto Recolhido em «Cineclube de Faro» - SINOPSE
Lorenzo é um jovem solitário de 14 anos, diferente dos outros. Um dia, engana os pais e falta a uma viagem escolar para realizar o sonho de se esconder numa cave abandonada do prédio onde mora. Durante uma semana, pode finalmente evitar todos os conflitos e as pressões e comportar-se como um adolescente dito normal. A chegada inesperada da meia-irmã Olivia vai mudar tudo.

Mocidade Portuguesa - Crónica de Tózé Brito

Recolhido em Vieira Calado - Blogue «O cão Merdock» - Afinal...não era só no Liceu de Faro - Sabe-se agora que... naquele tempo da Era Merdockiana, também em outros liceus do país, os mestres dos mestres (vulgo Benfeitores - presumindo-se que tudo o que faziam, era a bem do povo, por desígnio superior e era bem feito – não confundir com os Reitores dos liceus, pois esses, por razões óbvias, eram escolhidos a dedo...) ministravam fielmente aos subordinados as orientações vindas do S.enhor, auto-proclamado Supremo Chefe.

AS ORIGENS DO MERDOCK - Vieira Calado

Poucos, muito poucos, lhe conheciam a paternidade, ou a proveniência.
Mas diziam uns moços que às vezes apareciam junto ao Liceu, que o Merdock era seu conterrâneo. Segundo eles, o cachorro teria sido nascido e criado nas Campinas, - um lugar rural e isolado -, filho de mãe perdigueira e pai incógnito, provavelmente rafeiro – a avaliar pelas características físicas que patenteava.

Doutor Joaquim Magalhães – récitas do 6ºano - Texto de Lina Vedes

Na década 50, vivíamos um regime sisudo e intolerante que pretendia encaminhar-nos para a OBEDIENCIA absoluta e nos obrigava a travar todos os sentimentos de AMOR e atracção sexual. Para os nossos superiores, professores, pais e até padres, a FELICIDADE não existia, exerciam a autoridade como segredo do poder, numa verdadeira atitude repressiva.

A dor e o Optimismo - Por Irene Fernandes Abreu

Uma amiga de longa data começou a adoecer e, os médicos ainda não diagnosticaram com exactidão o problema e nem sabem como a tratar, apesar de alguns exames e muitas observações, começou por perder o andar, não consegue segurar nada nas mãos, sente-se frágil e só. Ainda está nos sessenta…

Um pequeno matador - Por Cecílio Elias Netto - Viver vive-se vivendo (11)

As almas são bordadas com filigranas estranhas. Nunca, talvez, haveremos de saber qual o segredo, mas é como se, ao abrir os olhos para o mundo – escapando do aconchego do útero – a criança já visse a história escrita por antecipação. Conforme a alma que recebe, tal será a sua caminhada.

Perda de ser amado - Por Albert Camus- Recolhido em Livres Pensantes

«Perda de ser amado, incerteza daquilo que somos; são as ausências que segregam as nossas piores dores. Podemos ser idealistas, mas precisamos do tangível. E é numa presença que julgamos encontrar a certeza. E, embora a não amemos, pelo menos vivemos nessa necessidade. Mas o que é espantoso, ou o que é triste, é que essas faltas nos trazem o remédio ao mesmo tempo do que a dor.

O Senhor Francisco - Conto de Daniel Teixeira

Quando me dirigi à Ana não havia mais ninguém nem por perto nem por longe. Aquele lugar parecia deserto mesmo a só tinha encontrado um velhote num alpendre sentado numa cadeira de balouço, balançando a um ritmo tão sincronizado que parecia fazer aquilo desde sempre. O senhor Francisco - disse-me a Ana quando lhe falei disso, do velhote e do silêncio dele e de ele nem ter dado por mim e pelas minhas perguntas, e ter ficado sempre balançando, balançando e balançando.

Crónicas da Infâmia - Do ( Des)amor - Por Maria José Vieira de Sousa

Recolhido em Livres Pensantes - Portugal foi sempre o meu país e a minha pátria. Todavia, creio que país e pátria já não são coincidentes, nem tão pouco complementares. Não sei se alguém o afirmou. Digo-o, apenas porque senti. Um país preenche e ilustra um mapa. Uma pátria habita e adorna um coração. A guerra começa quando se pretende apô-los e se descobre que essa pátria não veste aquele país e esse país não tem corpo para aquela pátria.

Coluna de Manuel Fragata de Morais - Momento de ilusão - Contos

CARTAS - Minha Genoveva, Senta-te para que não caias de surpresa, já que é a primeira vez que nos falamos e poder-te-á ser, ou não, agradável o que vou contar. Quando o meu bisavô foi para as Africas, já lá vão precisamente 98 anos, certamente ninguém pensou na sua aldeia que voltasse, mas foi o que fez, como talvez saibas. Deixou aí filhos com uma lavadeira negra, um deles o teu avô, de nome Miguel Gomes, só isso é que sei.

Triste fado - Conto de VIRGINIA TEIXEIRA

Há pessoas a quem o fado é a tristeza e a espera. São pessoas a quem o olhar húmido é mais belo do que o risonho, e a quem um esgar de dor se torna com o tempo num sorriso apreciado por todos. São seres de olhar perdido mais além. Ela sempre foi fadada à tristeza. Eu adivinhava-o no rosto da criança pequena que ajudei a criar, e sempre soube mais do que os outros o significado daquele olhar perdido no além.

Ter ou não ter compromissos? - Crónica de Miriam de Sales Oliveira

Essa sempre foi a minha dúvida desde garota, pois, não gosto de obrigações. Só escrevo quando tenho algo a dizer, quando me dá vontade, sem método, ou compromisso, aliás compromissos não quero nenhum com ninguém ou com nada, o bom de passar dos setenta é que você só faz o que lhe dá na telha. Direitos adquiridos, Darling!

The Spirit, de Will Eisner e, outros super heróis adaptados para o cinema.... - Por Se Gyn

Diante da minha paixão inveterada por histórias em quadrinhos, muita gente já me perguntou a razão desse gosto. Como um apaixonado pela coisa, respondo que as HQs (ou, como dizem os portugueses, bandas desenhadas) é uma mídia que tem sua própria forma de comunicação, unindo de uma forma muito original, história, texto, desenhos e cores.

Quem somos nós, afinal!? - Texto de Daniel Teixeira

Tenho-me deparado quase desde sempre com alguns trabalhos, que vou lendo por essa Net fora, onde a pergunta - pelo menos implícita - que surge é a já velha questão «netística» de se saber se as pessoas que se apresentam na Net e na forma como se apresentam são reais ou são diferentes da sua realidade.

Cría Cuervos (1976) (Carlos Saura) - Por Emanuella - Cinema pela Arte

«Não acredito no suposto paraíso da infância. Ao contrário, me parece que a infância constitui uma etapa durante a qual o terror noturno, o medo do desconhecido, o sentimento de incomunicabilidade e a solidão estão presentes do mesmo modo que a alegria de viver e a curiosidade, das quais se fala bem mais.» — Carlos Saura

Poesia de Ilona Bastos - Consegues ouvir?; Amizade; Amigo

Poesia de Virgínia Teixeira - Narciso bravio; Alvorada; Eclipse

Poesia de Mário Matta e Silva - Obsessão; Ess' outra Nau Catrineta

Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - Só por amor; Quando o mar me fala

Histórias da Vida Real - Crónicas por Martim Afonso Fernandes - CAMPEONATO DE FUTEBOL

Quarta-feira. Dia de campeonato catarinense de futebol. O Imbituba Atlético Clube era prejudicado pelos árbitros quando jogava contra clubes de cidades renomadas e de maior poder aquisitivo. Para a segunda divisão de futebol a Federação determinava que os jogos fossem disputados as quartas-feiras e domingos.

O Filho - Por Manuel Fragata de Morais

Este conto faz parte do seu livro «Momento de Ilusão».
«E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho...e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando à luz, lhe tragasse o filho. S. JOAO - APOCALIPSE 12» Há sete longos anos que o filho lhe remexia as entranhas. Não havia dúvida, há sete anos que a criança a apalpava por dentro, que lhe falava em silêncio penoso.

JORNADA CREPUSCULAR - Por Mário Matta e Silva - SARAMAGO: UM ATEU PERVERSO

Passeio-me com a Bíblia por entre as mãos e vou viajando, de parábola em parábola, durante a jornada crepuscular dos nossos dias, atento à polémica em volta do escritor Saramago. Reparo nas reacções e confrontos com as palavras deste assumido ateu, mais do que ao seu livro agora editado, CAIM, e sinto quanta perversidade existe na sua acalorada afirmação de que a Bíblia «é um manual de maus costumes».

Sobre a Música lá fora - Por Eugénio Lisboa

Recolhido em Livres Pensantes - «Não é infrequente serem as virtudes mais profundas de um autor as principais responsáveis pelo seu (ainda que relativo) esquecimento ou ... provisório abandono. As virtudes cardeais, observava Montherlant, isolam. E, entre nós, o autoapagamento dos discretos e dos nobres é pesadamente facturado pelos que tomam, de roldão, os palcos, as luzes da ribalta e as buzinas da autopromoção.

O ORACULO - Um Conto / Crónica - Por João Furtado 

Foi o Gregório quem levou aquele livro, o copo e um dado, recordo como se fosse hoje, por duas razões. Uma porque o dado era de fundo vermelho e pontos brancos, a cor que fazia lembrar o equipamento do Benfica. A outra razão é a rivalidade entre mim e o livro, para todos o livro dava uma resposta sonhadora, menos eu. Definitivamente, o «ORACULO DE NAPOLEAO» não quis nada comigo.

Ganhões - Texto de José Francisco Colaço Guerreiro

Os descantes partiam da vila como um murmúrio, subiam de tom ao passar das cercas e prolongavam-se caminhadas fora. Durante a jornada, os mais afoitos e os ganhantes na arte, davam a deixa do começo e todos os outros pegavam depois na moda, aberta ao improviso dos requintas, sempre aconchegante para o conjunto, por isso repetida até à exaustão, no troar do coro que unido como as vozes, avançava no êxtase seara dentro.

A Rainha morta ou a estória de amor de Pedro e Inês - Dulce Rodrigues

(Artigo originalmente publicado em inglês no Boletim da OTAN de Fevereiro de 1998).
Muitas são as estórias que começam por «era uma vez...», mas a que vos vou contar tem um princípio diferente porque «esta é uma outra estória...» E se escolhi contá-la em Fevereiro, o mês dos namorados... bom, tanto melhor, pois trata-se de uma grande estória de amor que atravessou as fronteiras do tempo e se tornou eterna – a estória de amor de Pedro e Inês.

No mês do Amor, mais uma estória de Amor - Por: Dulce Rodrigues

O amor comanda o mundo, e este seria muito melhor se os seres humanos seguissem o postulado de praticar o amor em vez da guerra. Mas o amor incontrolado e irracional – a que chamamos paixão – pode ser tão devastador quanto a guerra. A História da humanidade é fértil em amores sublimes e paixões devastadoras. A que vos vou contar hoje inspirou, tal como o amor de Pedro por Inês, um monumento de grande beleza arquitectónica, a que deu igualmente o nome – o Mausoléu.

Sou pássaro de fogo - Por Abílio Pacheco

O título poderia ser «impossível não se apaixonar por Paula Fernandes». O leitor já deve ter percebido que sou meio avesso a títulos longos. Talvez já tenha percebido que procuro e prefiro os curtos e inusitados. Mas eu não sou pássaro de fogo. O título – o leitor que ouve rádio, assiste tv e aquele que gosta de música sertaneja já deve ter percebido – o título é um verso de uma das canções interpretadas por Paula Fernandes.

A Morte, o Tempo e o Velho - Conto por Mia Couto

Transcrição integral do conto «A Morte, o Tempo e o Velho» do livro «Na berma de nenhuma estrada» de Mia Couto. O homem se via envelhecer, sem protesto contra o tempo. Ansiava, sim, que a morte chegasse. Que chegasse tão sorrateira e morna como lhe surgiram as mulheres da sua vida. Nessa espera não havia amargura. Ele se perguntava: de que valia ter vivido tão bons momentos se já não se lembrava deles, nem a memória de sua existência lhe pertencia?

Poemas de Manuela Pittet - à toa...; Saudade...

COLUNA POETICA DE MARIA PETRONILHO - Preciso a vela de um barco; Em busca de uma centelha; Envelhecendo  

Poesia e prosa de Arlete Deretti Fernandes - Alquimia (Poema) ; Cheiro de Manacá (Prosa)

O MENINO XICO - Texto de Lina Vedes

Nasceu puro e continuou pela vida fora, mantendo a ingenuidade de menino com um sorriso amplo, olhos brilhantes de alegria, a transmitirem aos outros que a vida deve ser encarada de maneira singela e descontraída. Nunca perdeu essa vontade de rir, pondo a alma a descoberto com humildade sem ser submisso, com despreocupação mas sem descuidos.

TENHO FRIO - Prosa poética de Joaquim Nogueira

«…tenho frio, tenho mesmo muito frio… sinto um arrepio dentro de mim que me faz encolher a alma… dobro-me sobre mim mesmo e procuro a razão do frio que sinto… sinto-me cheio de um vazio que se instala no meu cérebro e deste passa para o meu ser... sinto-me entorpecer e as pernas dobram-se e enregelam... o frio que sinto faz-me tremer… não vejo sol dentro de mim e a lua passou já muito ao largo e não deixou rastos... as estrelas estão longe e não me iluminam o suficiente para aquecer o meu coração...

O Quartel dos Mouros e a Capitania dos Portos - Texto recolhido no Blogue Macau Antigo - João Botas

O Quartel dos Mouros (conhecido por «Soi Si Chong») albergou durante muitos anos a Capitania dos Portos, mas nem sempre foi esse o seu uso. Inaugurado em Agosto de 1874 - incluído em 2005 na lista de Património Mundial do UNESCO - foi projectado pelo arquitecto italiano Cassuto (outras fontes indicam trata-se de um projecto do Barão do Cercal) começou por alojar a Companhia dos Mouros do Corpo de Polícia de Macau, polícias de origem indiana.

A Máquina de Joseph Walser: Gonçalo M. Tavares - Por Sylvia Beirute

O romance A Máquina de Joseph Walser, do escritor português Gonçalo M. Tavares, é um livro pertencente à tetralogia O Reino (editada em Portugal pela Caminho), também apelidada de Os Livros Pretos, em razão das capas de fundo totalmente negro e com letras brancas, prenúncio do ambiente que se pode encontrar nos quatro livros.

Tocha humana - Conto / Crónica de José Pedreira da Cruz (Tico Cruz)

Para aquelas pessoas, aquele não seria um dia comum como um outro qualquer. Havia muita tristeza entre elas e o motivo era dolorosamente visível: a despedida de mais um que partia para terras distante; somando-se, com ele, o terceiro a se ir. Não chore, minha gente! Eu voltarei são e bem de vida. Garanto! – foi o que todos ouviram daquele filho que ora repetia a mesma fala antes dita por outros irmãos na hora do adeus.

Poesia de Mário Matta e Silva - Psicanálise à República (actualizado)

Coluna de Denise Severgnini - Almas Negras; Osculo Ausente; Depressão e Escrita (Texto)

As vizinhas - Conto por Arlete Piedade

Era nos arredores do aeroporto de Luanda que a casa alugada do casal de enfermeiros, se situava, numa rua sossegada, em que a única casa vizinha se situava a cerca de 200 metros, separada por uma extensão de terreno baldio, sem nada que impedisse a vista, a não ser aquelas centenas de metros.

Inesperado Encontro - Conto por Maria Petronilho

Ele estava sentado num ramo caído. Era magro, grisalho, e segurava um raminho com que ia desenhando enigmáticos sinais no chão. Parecia absorvido no meio cinzento, uniforme, em que o englobavam a terra e o céu. O colete era castanho. A camisa verde azeitona. As calças estavam rotas, manchadas, queimadas nas bainhas. Os dedos dos pés saíam da biqueira das botas.

Outono da Vida - Crónica de Maria das Candeias Leal

Primavera é nascer / Verão esperança e desventura / o Outono envelhecer / o Inverno a sepultura/. Canta-nos Jorge Ferreira, numa das suas canções cujo nome esqueci. Esta quadra vem-me à mente várias vezes. Talvez por me sentir no Outono da vida e pensar que o Outono é uma das mais belas estações do ano e muito mais da vida. E é nele que recolhemos tudo o que plantámos na Primavera e no Verão.

Corpo / Espírito - Texto de Liliana Josué

Há sempre o reflexo dos nossos passos em cada esquina, mas nem sempre em cada esquina que viramos o cérebro acompanha os passos, vai noutra direção, naquela que os pés não atingem. O espaço cerebral é sempre amplo demais comparativamente às ruas que percorremos com os nossos pés, mas os nossos pés tornam-se cada vez mais reflexo, e vamos com ele sem nos importarmos saber para onde.

João Fernandes, paradigma do anónimo pescador olhanense - Texto recolhido em in Algarve - História e Cultura - José Carlos Vilhena Mesquita

João Fernandes, paradigma do anónimo pescador olhanense que correu os mares do mundo. O povo de Olhão orgulha-se, ainda hoje, da grande epopeia que um grupo de pescadores locais empreendeu num frágil caíque, atravessando o temeroso Atlântico em direcção às terras de Vera Cruz, para dar de viva voz ao rei exilado, D. João VI, a boa nova da revolta dos olhanenses contra o jugo napoleónico.

Dia Mundial do WC - Texto e imagens de Irene Fernandes Abreu - Blogue Valium50 - Macau - China

O «Dia Mundial do WC» existe e comemora-se todos os anos a 19 de Novembro! Nunca pensei que tal coisa existisse, mas pelos vistos enganei-me... Aqui fica alguma informação, que consegui obter sobre o acontecimento: A World Toilet Organization é uma organização global sem fins lucrativos, empenhada em melhorar as condições de higiene e saneamento em todo o mundo.

Os sons dos 80: Festival RTP da Canção - Texto de Leocardo - Blogue Bairro do Oriente

Já aqui falei dos anos 80 na Eurovisão, mas e a nível doméstico, em Portugal? Depois de ser considerado o maior evento musical anual do país nos anos 60, época de ouro do nacional-cançonetismo, e ter atravessado um período de estranhas mudanças após a Revolução dos Cravos, o Festival RTP da Canção chegava a 1980 com um estatuto de evento «assim-assim» no que dizia respeito a revelar novos talentos.

AS CHAGAS ou CAPUCHINHAS, para a linha e a vitalidade do nosso corpo - (do latim «Tropaeolum majus») - Texto de Dulce Rodrigues

História: Originária do Peru, a capuchinha foi trazida para a Europa, no séc. XVII, pelos Espanhóis, que lhe chamaram então agrião da India. Na planta original a flor era amarela, mas com os vários cruzamentos ao longo dos séculos, hoje em dia as flores podem declinar-se numa só cor ou em mistura de cores, sempre na gama dos amarelos, do laranja e do vermelho.

Prosa Poética de Ilona Bastos - O Presente e o Futuro

Era jovem. Entrou em passo rápido, semblante sisudo, olhar no chão.
Do seu aspecto, tudo diziam as faces cavadas e pálidas, o cabelo à escovinha, a argola na orelha, a camisola larga de capuz caído. Sentou-se e pareceu-me então que tremia. O seu discurso era hesitante. Tinha dificuldade em explicar o que o trazia, misturando assuntos, tecendo frases e ideias entrecortadas de pequenos soluços inaudíveis mas perceptíveis.

Pedrinho e o Pássaro Encantado - Conto de Antônio Carlos Affonso dos Santos - Acas

Uma Ave do Paraíso cantou bonito na árvore do quintal da casa do Pedrinho; o pequeno engenheiro. O menino admirou-se com o canto e com as cores das plumas do pássaro. Mas, o pássaro era um ser encantado. Em verdade, era um anjo da guarda; o anjo da guarda do Pedrinho, que tinha sido transformado em pássaro por uma terrível e invejosa feiticeira.

Os meus fantasmas - Conto de Virgínia Teixeira

Quando comecei a escrever não havia mais do que ideias a voar, como pássaros selvagens, na minha mente confusa. Tentei apanhá-los com as mãos nuas, mas eles continuaram a escorrer-me pelos dedos, e a circundar a minha mente vezes sem fim. Foi então que os tentei segurar com um lápis, e eles docemente foram pousando na grafite prateada, um a um.

 

 

 

 

 

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