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Lista dos Trabalhos que entram de novo neste número. Para consultar o índice de cada uma das divisões vá à barra ao lado direito. Para consultar o índice do número anterior (e os números anteriores a esse) carregue aqui. (Nota: o nosso arquivo online fica composto pelos últimos números publicados)


Poesia de Pedro Du Bois - Heróis; Trair; Viver


Poesia de Virgínia Teixeira - Uns e outros; Inverno; Menina, Mulher, Mãe, Companheira


Ao Domingo Há Música - Carlos do Carmo

in Blogue Livres Pensantes
No dia em que Carlos do Carmo recebeu o Grammy «Lifetime Achievement Award», foi-lhe prestada uma homenagem pela Rádio Comercial com trinta e cinco artistas a cantar «Lisboa Menina e Moça». Um fado que se tornou um tema emblemático de Lisboa, do Fado e da carreira de Carlos do Carmo com poema de José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e Fernando Tordo e música de Paulo de Carvalho.

 

O preço dos figos - Conto de Daniel Teixeira

De calças compridas dali onde estava, eu nada percebia no seu corpo levantando-se e baixando-se sob uma figueira. De costas abaixadas aqui rente ao chão, a pessoa que eu via logo levantava o dorso mais além num emaranhado de ramos e ramagem onde despontavam pequenos pontos arroxeados. Virou-se então um pouco e ainda ao longe na minha direcção e eu, incerto, penso ter divisado um volume de seios.

 

A visita do Tio João - Conto de João Furtado

A única riqueza que lhe restava era a vida. Com setenta e poucos anos parecia ter mais de oitenta. Todo curvo e cheio de reumatismo. Os amigos foram se escasseando, os mais novos ocupados com a vida e os mais velhos iam aos poucos para a verdadeira morada. Os vizinhos iam se trocando e os novos inquilinos vieram vacinados e imunes do conhecido e tradicionais «olá», «bom dia», «boa tarde» ou «até amanha, se Deus quiser».

 

Coluna de Liliana Josué - Conto - QUANDO AS FOLHAS CAEM

O velho Manuel era um homem alto e pesado; olhos pequenos, ligeiramente rasgados e brilhantes, de tom pardo e vivos como os de uma criança. Os cabelos brancos ainda se mostravam um tanto vaidosos do seu vigor, emoldurando graciosamente as aquelas faces bordadas de rugas. Suas mãos eram mapas de gelhas, salpicadas de largas sardas acastanhadas mas ainda com alguma destreza.

 

Banda «Os Magnatas» - L'amour Enterdit. - Por Se-Gyn

Andei publicando uns textos com o título de «Standards - as músicas que me balançam», falando de músicas que ouvi e, que por algum motivo ou outro, me impressionaram e guardei na memória. No último texto, fazendo um comentário da música «Je t'aime... moi non plus», fiz referência à banda de baile que existia em Turvânia / GO, que existiu até o começo dos anos 90.

 

Natal - Texto de Maria Alvaro

Aí está vindo ele na sua longa viagem do Pólo Norte!!!...
Os Shoppings e as lojas de rua já estão engalanados, prontos para o receberem e lhe venderem os presentes que ele irá distribuir pelos que se governam na Vida muito bem... ou um pouco menos bem...mas que se governam, de alguma maneira...

 

Prosa Poética de Maria Petronilho - Olhinhos de água

A nuvem menina, que se condensara na fria alvorada, abriu os olhos de água e espreguiçou-se em respingos de alegria, fazendo brilhar arcos íris cada vez que um raio de sol nascente lhe tocava.

 

Preferências vocabulares - Por Arlete Deretti Fernandes

Fato provado é que falando ou escrevendo deixamos transparecer a nossa preferência para certos vocábulos ou torneios de expressão.
Afirmou o cronista Francisco Pati no antigo CORREIO PAULISTANO, que «quando se escolhe a obra completa de um escritor para uma romaria às regiões do estilo, acabamos descobrindo predileções vocabulares que constituem ou acabam constituindo verdadeiros «cacoetes».

 

Poesia de Ivone Boechat - Natal; Ceia de Natal; As velas do Natal


Poesia de José Carlos Moutinho - Navego em mim; Versos sem sentido; Anseios


Poesia de José Manuel Veríssimo - Trazido pelo Mar - ou para alguém que chegou a ser muito especial; Razões; Lá do Oceano Indico ou Sobre uma noite na Internet

 

Poesia de Maria Alvaro - Solidão; Paixão; Eu percebo...

 

O João e a Filó - Conto de Daniel Teixeira

Os dentes dele batiam de uma forma que o assustava, mas era sempre assim. Não era porque estivesse muito frio, de facto a sala estava sempre bem aquecida, naquela temperatura ideal para um dia de inverno, tinha-o sentido quando se despira e quando a enfermeira abrindo a porta um pouco, sem olhar muito para ele, lhe tinha perguntado se já estava despido.

 

PROSA POETICA POR ILONA BASTOS - Olhares

Tudo se resume a um olhar sobre o mundo e ao desvendar das maravilhas que encerra.
Já em criança o fazia: colhia flores, apanhava pedrinhas, folhas, conchinhas, e trazia-as para casa.

 

ALEXANDRE O’NEILL E O SURREALISMO - Por Liliana Josué

MOVIMENTO SURREALISTA
Não se podem estabelecer datas rígidas em relação ao desenvolvimento humano, seja qual for a perspectiva. As viragens rápidas , quanto a mim, não existem, pois qualquer estudioso do seu desenvolvimento não consegue fazer cortes radicais. Há sim evoluções menos ou mais rápidas, assim sendo, a passagem do Realismo/Futurismo para o Surrealismo aconteceu com alguma brevidade mas a seu devido tempo.

 

Poemas de Sá de Freitas - COMO SINTO UM ADEUS; HEI DE ENCONTRAR; LUTES


OS DENTES DO SOBA - Conto de Gociante Patissa

Em Outubro de 1945, um arrolamento extraordinário estava na iminência de ocorrer na Ombala de Tchiaia, capital de cinco aldeolas plantadas no cimo de montanhas vizinhas, que mais se pareciam com dedos de uma mão tentando tocar o céu: Pedreira, Kandongo, Samangula, Kawio e Tchiaia, hoje pertencentes à comuna do Sambo, município da Tchikala Tcholoanga, na província do Huambo.

 

A Santa e a Leitoa - Crónica / Causo de Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS

Prequeté, prequeté, prequeté!. E a charrete subia a rua principal.
Na boléia, mascando um pedaço de bom fumo goiano, ia o Souza, legítimo africano de quatro costados. Pouco abaixo de seus pés, entre as rodas murchas do pneu careca e à sombra, ia o Viajante; um querido e legítimo canino puro-sangue tomba-latas. Vez ou outra alguém gritava para ele: - dia Souza!, ao que ele apenas murmurava um «dia» de muito mau grado.

 

Fofocar é mesmo uma grande arte! - Texto de Miriam de Sales Oliveira

«Eu tenho uma grande arte: eu firo, duramente, aqueles que me ferem...»
Rubem Fonseca
Será que todos fazem, todos gostam, todos praticam? Será que tem coisa melhor que a vida dos outros? Meu pai dizia que é pecado fofocar, mas, é divertido. Uma fofocazinha de vez em quando apimenta aqueles tediosos jantares em família, é muito salutar numa igreja – entre um padre -nosso e outro – e, na política então, nem se fala, ou melhor, fala-se a todo momento.

 

Jornal Raizonline nº 261 de 10 de Dezembro de 2014 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Os anos da miséria

Viver em Portugal nunca foi fácil: basta ler alguns dos nossos clássicos, descontando aqueles que fizeram apologias em curtos períodos da nossa história, para ficarmos certos que umas vezes com razão outras sem muita razão, rara é a perspectiva positiva sobre o ser-se português em Portugal.

 

O Jogo Sério ou a pantomina do amor - Texto recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»

O Doutor Glas deixou-me muito curiosa sobre a obra de Hjalmar Söderberg, pelo que fiquei muito alegre quando soube na Feira do Livro que a Relógio d’Agua tinha acabado de publicar outro livro do autor.
O Jogo Sério é, nas palavras de Henning Mankel, «uma história de amor que não envelhece. Mantém-se tocante, evocativa e vívida».


O gato preto - Conto de Daniel Teixeira

A Arminda vivia no décimo andar de um prédio cujo elevador se mantinha entaipado havia anos. Os condóminos, por razões que todos achavam certas, variavam nas suas objecções ao arranjo do mesmo, razões essas que me não cabe a mim desenvolver aqui. Aliás, nem moro lá - caso isso não tenha ficado subentendido até agora.

 

Menina Solta ao Sabor das Estações - Conto por Maria Petronilho

Para ir à escola, era preciso subir a montanha. Não havia caminho. A vereda mal se via, pois só era pisada aos domingos, quando a minha avó e a criada iam à missa. Desembocava enfim na estrada romana, larga, polida, ladeada por muros. As vezes perdia-me por entre a erva esparsa. Sobretudo se avistava gafanhotos e me punha a persegui-los.

 

Comentários sobre as publicações

Ao longo dos tempos temos ido guardando os comentários que são colocados no nosso Blogue de Comentário com a intenção de colocar no jornal uma vez que, por aquilo que sabemos, alguns dos autores comentados nem sempre têm a oportunidade de ir ao Blogue ver esses comentários. Aqui deixamos mais uma remessa:


O ORACULO - Conto / Crónica de João Furtado

Foi o Gregório quem levou aquele livro, o copo e um dado, recordo como se fosse hoje, por duas razões. Uma porque o dado era de fundo vermelho e pontos brancos, a cor que fazia lembrar o equipamento do Benfica. A outra razão é a rivalidade entre mim e o livro, para todos o livro dava uma resposta sonhadora, menos eu. Definitivamente, o «ORACULO DE NAPOLEAO» não quis nada comigo.

 

Poesia de Virgínia Teixeira - Todos os poemas que escrevi com a mão cansada; Eu sou; Opera


Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - ANOITECER; A CAMINHO DO NORTE


Poesia de Arlete Deretti Fernandes - Poema da vida; Amigos virtuais


Poesia de João Furtado - Ao entardecer o quadro continua; Meu nome na infância

Poesia de António Cambeta - VENDAVAL; SAUDADES NO CAIS DEIXEI


Poesia de José Geraldo Martinez - DIVIDIDOS!; TENHO INVEJA...


Noites Cromáticas 1 - Recolhido em «as Leituras de Madame Bovary»

Picnic no Parque de Alvalade: há muito tempo, que não me deitava na erva a desfrutar do banho da luz da lua. Não percebia os corpos, ouvia apenas as vozes, deliciada e imaginava as rostos dos que não conhecia. Longe do som do mal, dos passos que ecoam fortes e solitários nas igrejas fechadas e húmidas. Percebo a quietude da natureza, das árvores nos passeios, das ervas daninhas nos intervalos das pedras de calçada, à espera de um intervalo nosso para recuperar o que lhe furtámos.


Pequena análise sobre um texto publicado por José Varzeano no Blogue Alcoutim Livre - Por Daniel Teixeira

Introdução: Gostaria de esclarecer que o José Varzeano, entretanto infelizmente falecido, fez várias recolhas sobre etnografia e antropologia social no Concelho de Alcoutim e que eu, motivado por afinidades familiares e por recordações dos tempos passados naquelas terras e daquelas gentes colaborei no seu Blogue que, para quem não sabe, é uma verdadeira enciclopédia da específica ruralidade da Serra Algarvia.


A CIDADE E AS SERRAS de Eça de Queirós - Por Arlete Deretti Fernandes

é sempre enriquecedor conhecer a Obra de um dos maiores escritores portugueses, Eça de Queirós. Seu romance «A Cidade e as Serras» traça um paralelo entre a civilização em que o escritor sempre vivera e a pureza rústica dos costumes que principiara a apreciar com as suas estadas na quinta do Douro, propriedade da família, depois da morte da sogra, a Condessa de Resende. Este livro, por seu idealismo pode fazer lembrar A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Diniz. O crítico Alberto de Oliveira é que sugere o paralelo.


Não é com as pernas que corremos (*) - Conto de Gociante Patissa

Numa aldeia muito distante do nosso tempo, no contar do meu avô, havia espaço para tudo, menos para a felicidade de pessoas com deficiência. Acreditava-se que a limitação motora seria praga dos deuses por eventual erro dos ancestrais. Lumbombo, cujo nome na língua Umbundu quer dizer raiz, na típica essência proverbial dos nomes africanos, era visto como um ser frágil.

 

O DIA A DIA DOS BONZOS - Por: António Manuel Fontes Cambeta (Macau)

Diariamente os bonzos tomam conta do mosteiro efectuando diversas tarefas entre elas cortar a relva, varrendo os aposentos e lavando as instalações, rezam e estudam os ensinamentos budistas. Os bonzos levantam-se por volta das 05.00 horas, um deles toma conta de acordar os restantes.

 

O passeio - Conto de Daniel Teixeira

As coisas estavam a correr bem, pelo menos era assim que eu pensava e tudo levava a crer que nada de mau poderia acontecer.
O Fernando ia à frente, fazendo de batedor, a seu gosto e com algum prazer apesar do potencial perigo. O resto do pessoal vinha todo em fila indiana atrás de mim e eu por meu lado tentava seguir os sinais das pisadas das botas grossas do Fernando.

 

compaixão - caridade - Por Maria Alvaro

Na dicotomia compaixão -caridade reside, a meu ver, toda a essencial diferença que define as diversas posições políticas. Os dois conceitos confundem-se nas mentes das pessoas, mas não têm muito semelhança um com o outro e podem, em termos políticos, determinar uma oposição abismal de conceitos. Muita gente pratica caridade sem qualquer compaixão. Eu sinto compaixão por quem convive comigo e não pratico, regularmente, caridade.

 

JORNADA CREPUSCULAR - VIAGEM NO SEBASTIANISMO - Por Mário Matta e Silva

Enfrento o crepuscular dos dias seguindo em jornada sebastiânica, numa procura incessante, não de um vencido, de um perdedor, de um desaparecido, mas de um herói, de um destemido, de um salvador, de um Messias, que procuramos. Viajo nos trilhos do sebastianismo (meu último livro de Poemas, editado em Março passado, com o título «SEI QUE VOLTAS SEMPRE») que vêm de 1598 aos nossos dias.

 

COLUNA POETICA DE MARIA PETRONILHO - Que o vento me levante!; Jaz o semeador na seara; O Poeta Palhaço

 

Hai-cais - Soin; Reikan; Moritake; Ryusui; Issa; Anónimo; Chiyo; Issa


Pensamentos a esmo sobre cães a esmo - John Steinbeck

Recolhido em Blogue Panorama de Pedro Luso de Carvalho
Um homem muito sábio, escrevendo recentemente sobre o surgimento e o desenvolvimento de nossa espécie, sugere que a domesticação do cachorro teve a mesma importância que o uso do fogo para o primeiro homem. Pela associação com o cachorro, o homem dobrou sua percepção e, além disso, o cão - dormindo aos pés do homem primordial - permitiu descansar um pouco sem ser perturbado por animais sorrateiros.

 

A minha Tia Dionísia - Texto de Daniel Teixeira

A minha tia Dionísia foi uma personagem peculiar em muitos sentidos: foi a primeira da irmandade a «debandar» de Alcaria Alta. Sempre a conheci como sendo cozinheira como métier principal, embora houvesse alguma polivalência sempre nestas coisas.
Ela tinha um dom mesmo no que se refere à cozinha: fazia o tal arroz solto, daquele mesmo solto bago a bago e isto num tempo em que a qualidade do arroz não era tão refinada como hoje.

 

Meu Henrique querido - por Cecílio Elias Netto

Ele foi uma das mais doces e generosas pessoas com quem convivi. Não houve, em Piracicaba, quem não amasse Henrique Spavieri. O homem bom morreu de dor.
Morte e luz
A de Henrique Spavieri foi morte anunciada. Mais dramaticamente ainda, morte generosamente desejada por seus amigos, que não mais suportavam ver aquele todo e injusto sofrimento. Os últimos anos de vida de Henrique abalam crenças, convicções, credulidades.

 

Boneca de Tripas - Conto Recolhido em «As leituras de Madame Bovary»

Não fui uma criança alegre. Fui uma adolescente fabulosa, entusiasmada e enérgica, mas enquanto criança fui uma menina triste, metida comigo mesma em contas misteriosas. Não sei bem porquê. Gostava de estar sozinha, achava as meninas da minha idade imaturas e não gostava que me despertassem da minha reclusão. Recordo um Agosto, passado na casa de praia dos meus pais, com a minha tia, o seu marido, os meus primos e o meu irmão mais novo.

 

O café suspenso - Conto de Daniel Teixeira

O homem espreitou pela porta entreaberta e perguntou ao senhor do balcão se havia algum café suspenso que ele pudesse tomar e este respondeu-lhe que não havia nenhum café suspenso mas que ele podia arranjar. Ele que entrasse, disse-lhe. A pastelaria estava vazia e o senhor que estava atrás do balcão e que limpava copos com um pano branco perguntou então ao homem que tinha já entrado se ele não queria outra coisa, talvez uma sandes e um galão, disse.

 

Poesia de Liliana Josué - PROFESSORES (1) - PROFESSORES (2)


Poesia de Marcos Loures como Tenesmo Telencefálico - NUAS MELODIAS; OCASOS; ALBORES


Poema de Roseli Busmair e Arlete Piedade - EU DEIXEI DE CHORAR


Poesia de Mário Matta e Silva - Caprichos do Sol e da Lua; Vibrações


Poesia de Pedro Du Bois - A direção do vento; Paixão; Ir


Poesia de Virgínia Teixeira - Maré; Vendaval; O meu caminho…


Corpo/Espírito - Texto de Liliana Josué

Há sempre o reflexo dos nossos passos em cada esquina, mas nem sempre em cada esquina que viramos o cérebro acompanha os passos, vai noutra direção, naquela que os pés não atingem.
O espaço cerebral é sempre amplo demais comparativamente às ruas que percorremos com os nossos pés, mas os nossos pés tornam-se cada vez mais reflexo, e vamos com ele sem nos importarmos saber para onde.


O Menino e o Executivo - Texto de Irene Fernandes Abreu - Blogue Valium 50

Mesmo que não possas acabar com o sofrimento dos outros, só o facto de te importares, irás diminuí-lo.
Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bastante afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns problemas de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são. Pedi uns filetes com arroz, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, não é?


A razão do Barriga na Sagrada Família - por Gociante Patissa

Vou eu em manhã de intermitente sol pelas cercanias do Sagrada Família, no simples gozo de caminhar. Luanda, para turistas, ganha-se a pé. Tudo sobre rodas é lento, quase preso ao lugar. Até das árvores, as copas perderam a ginga, não se dá o vento a colher, vento que se converteu em sólido em obediência à malha gigantesca de edifícios. Não chove.

 

A segunda vez que tentei fazer a Primeira Comunhão - Antônio Carlos Affonso dos Santos. - ACAS, o Caipira Urbano.

Era um sábado incomum. Há um bom tempo eu estava às voltas com os preparativos para a minha primeira comunhão. Durante muitos dias se discutiu se eu deveria usar uma roupa branca ou azul marinho. Finalmente chegaram à conclusão que só deveriam resolver no momento da compra.

 

Dia da Pátria - Texto de Ivone Boechat

Brasil, seus filhos hoje aqui estão, de mãos dadas, vibrantes, com toda a força que a união encerra, nessa mistura de raças, nessa grandeza de pensamentos. Meu Brasil, é preciso traçar seu perfil nos versos do poeta brasileiro, rimar sua beleza, cantar seu ritmo, sonhar ao som de suas maravilhosas cascatas: viver, um só ideal, uma só bandeira, uma só canção de liberdade.

 

Sortido de Anedotas - Recolhidas na Net

Premonição
Um homem vai ao quarto do filho para lhe dar boa noite e repara que o miúdo está a ter um pesadelo.
O pai acorda-o e pergunta-lhe se ele está bem.
O filho responde que está com medo porque sonhou que a tia Susana tinha morrido.
O pai garante que tia Susana está muito bem e manda-o de novo dormir.
No dia seguinte a tia Susana morre.

 

Admiração - Texto de Maria Alvaro

«Parecia-me que a Terra não seria habitável se não houvesse alguém que eu pudesse admirar»
Simone de Beauvoir
Com excepção sobretudo do Amor materno, mas também do fraterno, filial, de amizade ou de amor/empatia pelo próximo, julgo que nenhum tipo de amor entre casal resistirá com facilidade a uma ausência do sentimento de admiração.

 

A Flauta Mágica - Conto Infanfo / Juvenil de Avómi (Cremilde Vieira da Cruz)

Era um barulho ensurdecedor na capoeira e ninguém sabia porquê.
- Có, có, ró, có, có, có,
có, có, ró, có, có, có,
có, có, ró, có, có, có...
O Senhor Pinto, já cansado de ouvir tanto barulho, saiu de casa e foi até à capoeira, que era ao fundo da quinta.

 

«QUALQUER CULTURA NASCE DE UM PARADOXO INAUDITO...» - Por Paulo - Em Filhos de um Deus Menor

Qualquer cultura nasce de um paradoxo inaudito. Quando crianças, entramos, por vezes, na sociedade sob o signo da violência. Uma cultura sob os auspícios da violência tudo nos tira: a nossa procura insaciável de uma satisfação ilimitada, o nosso amor infinito por nós próprios que, por força das circunstancias, se há-de confundir com o tipo de quotidiano onde, paulatinamente, nos movemos.

 

A Metamorfose - Retirado do Blogue «As leituras de Madame Bovary»

Passados muitos anos, voltei a reler A Metamorfose de Kafka. Recordei o gume da frase de abertura: «Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto.»

 

Cansaço - Prosa Poética por Daniel Teixeira

Sinto que o percurso é curto e enredado entre os meus e os teus dedos, percorridas que são céleres as distâncias enquanto os nossos corpos permanecem estendidos, deitados como corpos de outros que não nós colados em silêncio que é ao mesmo tempo grito vindo de dentro de nós como o fogo ardendo que não queima.

 

Poesia de Liliana Josué - Primavera Branca; Gostar; Harpejos de Felicidade


Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - ANOITECER; MINHA FORMA DE DIZER


Poesia de Edvaldo Rosa - Anotações do tempo; Depoimento de mim poeta...


Poesia de Maria Alvaro - Não!; Professora; Algarve

 

Poesia de Daniel Teixeira - I; II; III


Poesia de José Manuel Veríssimo - Semente – ou receber e transmitir uma pequena mensagem em 1979; (Re) Descoberta ; Razões


Poesia e prosa poética de Daniel Camacho - Voz;Salgadas como as ondas do mar ; Vida (Prosa Poética)


Poesia de Virgínia Teixeira - Veneno; Campo singelo


O sabor da paz - Dueto Poética de António Tavares e João Furtado - A PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER ( António Andrade Lopes Tavares ) ; A PAZ ( João Pereira Correia Furtado)


Contradição - Texto de Maria Alvaro

Ontem o dia fora compensador. Era o silêncio dos quartos adormecidos, e ainda em mim o palpitar entusiasta dos ecos de um rodopio sonoro que havia marcado os meus passos sonhadores na aula de dança das duas horas anteriores. Em meu leito, ainda em júbilo, os olhos bem abertos e vivazes, estavam direcionados para um alvo no escuro...a mente lúcida, os pensamentos fugazes...

 

AS CRIANÇAS POBRES DOS MEIOS RURAIS - Texto de Paulo em Filhos de um Deus Menor

A criminalidade infantil é uma realidade inquestionável. Os criminologistas dos nossos dias ainda não estão sensibilizados para compreender certas espécies de crianças -incendiarias, ladras, mentirosas, das que urinam na cama, das de mau génio, etc...

 

Debaixo do mesmo céu - Conto retirado do Blogue As Leituras de Madame Bovary

Conseguia ver-se uma ampla planície do Alentejo, com um sobreiro, glorioso na sua solidão, a suportar o quebrado pôr-do-sol violeta, que inundava a alma de Elisa, de fantasmas antigos e saudade, sentada de olhos fitos no horizonte, num poial de pedra branca e gelada. Com a mão esquerda ia pescando punhados de terra que levava à boca de modo intermitente, e observava aquele sobreiro, que sabia-se lá há quanto tempo ali estaria, olhava o seu tronco rugoso acastanhado

 

Ternura... - Conto de Irene Fernandes Abreu in Blogue Valium 50

Marisa deu uma corrida e ainda conseguiu apanhar o comboio, que fechou logo as portas mal ela entrou. A carruagem nem estava muito cheia.
Olhou indecisa para o banco que estava logo à entrada da porta para se sentar, mas desistiu da ideia, porque a mulher que lia uma revista, estava sentada de tal forma, que não sobrava muito espaço para ela.

 

Luiz Vaz de Camões - Escreve Arlete B. Deretti Fernandes

Poderíamos chamá-lo de «cavaleiro letrado». Nele sempre existiu o ideal cavaleiresco e o ideal humanista. Se, de um lado a teoria do amor solucionava as questões ligadas à existência pessoal, do outro restava a questão do homem português como coletividade. Foi isto resolvido nos Lusíadas. Luiz Vaz de Camões é o maior nome da Literatura Portuguesa, como poeta épico e lírico e um dos maiores da literatura mundial. E é comparado a Cervantes e a Sheakspeare.

 

Fiel companheiro - Texto de Joaquim Nogueira

«… chamava-se Ben-Hur… não tinha raça certa e era preto… hoje o meu Black faz-me lembrar um pouco esse meu primeiro cão… eu tinha na altura os meus 5 anos e me lembro muito bem dele…
tinha a sua casota ao fundo do quintal junto aos galinheiros e ao pombal… (já naquele tempo o meu pai era columbófilo e de muito cedo a minha paixão pelos pombos se revelou que mais tarde, vim também a interessar-me pela modalidade)… servia de guarda mas de dia andava solto pelo quintal…

 

A Babosa - Conto de João Furtado

O martírio era enorme. O José dos Ramos não tinha um minuto de sossego. A barriga estava a funcionar ao ritmo do mar. Se era maré-alta a barriga inchava que nem um tambor. Ia se esvaziando ao ritmo do mar até ficar completamente colada a costa.
Minutos depois iniciava o sentido inverso. Começava a encher aos poucos no mesmo ritmo do mar.

 

Considerações sobre a Sublimação - Texto de Daniel Teixeira

A sublimação, em termos correntes quer dizer elevação, atingir um estado superior em que o objecto sublimado permanece ou não na sua configuração própria, devidamente depurado do seu valor relativo anterior à sublimação, ficando subsumido, subalternizado, perante o indivíduo ou o grupo sublimado.

 

A Marta - Conto de Daniel Teixeira

Pensava muito eu, dizia-me ela, «Pensas e pensas, mas não é só da reflexão interior que as coisas saem. Se eu não tivesse tanto que fazer levava-te pela noite fora pelos bares até de madrugada…depois, bem, depois levavas-me a casa e talvez eu te convidasse a subir e tomar mais uma bebida…talvez, talvez…!» e depois ria-se naquele jeito sugestivo que eu tão bem lhe conhecia, acariciava-me as mãos, revolvia-me o cabelo e acabava por vezes com um beijo na testa.

 

Poesia de Pedro Du Bois - Mãos; Trajetória Oposta; Responsável

 

Poesia de Virgínia Teixeira - Dragão; Eclipse; A minha casa sonhada

 

Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - Lembranças longe do Mar; Passou Janeiro...


Poesia de Sergio António Meneghetti - Quem é importante pra Deus?; Dominação e Liberdade


Poesia de Ilona Bastos- A Vinha e a Esperança; A chuva; Os Balanços do Vendaval


Poesia de Maria Alvaro - Palavras que eu nunca te direi; A Rota; Na Sala


Poesia de Mário Matta e Silva - Uma braçada de Magnólias; Caprichos do Sol e da Lua


Poesia da Marcos Loures como Tenesmo Telencefálico - MEU VERSO; ACUADO; PECADO


JULINHA E A AMIGA FADA - Conto Infanto - Juvenil de Avómi (Cremilde Vieira da Cruz)

A Julinha é uma menina inteligente, bonita, simpática, sempre atenta a tudo que lhe possa ser útil e quando está com outras crianças da sua idade, mas distraídas, não enaltece a sua sabedoria. Ela lê e escreve com desenvoltura e responde a certas perguntas como se de pessoa crescida se tratasse.


Gilgamesh - Recolhido no Blogue Livres Pensantes

A floresta de cedros
«Ninsun foi ao seu quarto, vestiu um vestido que lhe ficava bem, pôs jóias que lhe embelezavam o peito, colocou uma tiara na cabeça e as suas saias varriam o chão. Então subiu ao altar do Sol, que era no telhado do palácio; queimou incenso e levantou os braços para Shamash enquanto o fumo subia:
«Oh Shamash, porque deste tu este inquieto coração a Gilgamesh, meu filho? Porque lho deste? Tu o inspiraste, e agora eis que parte para uma longa viagem para a terra de Humbaba, a viajar por uma estrada desconhecida e a travar uma singular batalha.


AUGUSTO DOS ANJOS – Poeta Singular - Por Pedro Luso de Carvalho (Blogue Panorama)

AUGUSTO DOS ANJOS nasceu no Engenho de Pau D’Arco, junto à vila Espírito Santo, Estado da Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Aprendeu as primeiras letras com seu pai, advogado estudioso e dono de uma excelente biblioteca, na qual se encontravam obras de Darwin, Spencer e outros teóricos evolucionistas. Cursou o secundário no Liceu Paraibano e Direito em Recife. Essa graduação, no entanto, não lhe serviu como profissão, já que nunca exerceu a advocacia, por não ser essa sua vocação, mas, sim, o magistério.


A valsa do mendigo - Por Se Gyn

Toda cidade é uma realidade inconfundível, com características muito próprias, que resultam num universo particular, que muda, se movimenta e expande, freneticamente.
Dentro desta realidade, a população, um contingente de destinos, propósitos e necessidades, que se constitui na mola propulsora da vida e do movimento.


O Rei da Sarjeta - Texto de Marcelo Pirajá Sguassábia

«Eu vou tirar você da sarjeta». Felizmente, quis o destino que ninguém dissesse isso quando ele era um zé ninguém. O que a princípio soaria como uma ação redentora e beneficente, no caso dele seria uma maldição.
O infeliz que fizesse isso privaria o mundo da oportunidade de testemunhar a saga de um dos mais bem-sucedidos empreendedores de que se tem notícia.


As Cerejeiras do Japão - Por José Pedreira da Cruz

Sou um brasileiro que vergonhosamente nunca viu um Pau Brasil (razão do batismo de meu País), esquecido por todos e quase que exterminado descaradamente pelo ganancioso vandalismo econômico no transcorrer de séculos, mas que muito admira a beleza exuberante do Sakura, ou «Sakurá», como se pronuncia em japonês; ou simplesmente cerejeira, como se diz por aqui.


Podemos viver sem medo? - Por Miriam Cristina Ubaldo

«Enquanto uns fazem amor, outros fazem guerra e ainda há quem consiga fazer as duas coisas ao mesmo tempo no mesmo espaço».
Vivemos tempos extremamente neuróticos e competitivos onde a busca da perfeição se torna a chave da sobrevivência. Resistimos a tufões, secas, terramotos, tsunamis, crises econômicas, guerras sociais e tantos outros holocaustos, mas ainda a maior guerra de todas travamos dentro de nós.


Crónica de Gociante Patissa - COMO COLHER A SEMENTE

Um ano depois, ficamos a saber, já com aquela inofensiva – sem deixar de ser sádica – alegria, que a ministra tinha sido exonerada. As razões à volta do facto eram-nos irrelevantes (mas explico lá mais adiante porquê). Hoje, visitei a residência sede da Rádio Ecclesia (agora Diocesana), na cidade de Benguela, junto do Bispado, como não fazia há seis anos. Foi preciso algum esforço para disfarçar os sorrisos de nostalgia, no mínimo, para não ser tomado por visitante emparvecido, como se arrisca quem esbanja alegria sem contextualizar os vizinhos.


SERIAM HUMANOS OU ANJOS? - Por António Carlos Affonso dos Santos - ACAS

Certa vez um senhor muito rico e poderoso, ao caminhar sozinho por uma rua deserta, na periferia da cidade em que morava, deparou-se com uma linda criança de seus cinco anos de idade. Notou que a criança estava agachada próxima do leito de um pequeno e poluído córrego que passava por aquele bairro. Este senhor poderoso, olhou para os lados e percebeu que àquela hora da manhã daquele Domingo, na rua não havia ninguém, a não ser ele e aquela linda criança.


Laudelina - Por: Cecílio Elias Netto

Sempre estiveram abertas e viçosas as flores de Laudelina. Quem passasse pela antiga casa, na esquina da 15 com José Pinto de Almeida, poderia vê-las, ainda que protegidas por grades, pedindo para serem roubadas. Pois as flores de dona Laudelina Cotrim de Castro surgiram para ser roubadas por moços enamorados.


A Lenda da Senhora Matilde e da «San Líjà Bote» - Conto de João Furtado

Vestida imaculadamente de branco, a senhora Matilde, sim era este o nome da velha que diariamente sentava-se a berma do rio Papagaio.
Usava saias longas e de pregas e uma blusa de mangas folhadas. Esperava alguém, alguém que deveria voltar e nunca mais voltaria. Aquela zona era denominada de «San Lijà Bote», em português, senhora Luísa Bote.

Os saltimbancos - Conto de Maria Petronilho

Chegaram em carroças. Os miúdos da aldeia medieval onde estive entregue ao abandono, corriam atrás, rindo muito dos velhos chapéus de palha que os burros levavam enfiados nas cabeças, as orelhas felpudas surgindo por entre dois buracos, disfarçados com flores de papel desbotado. E à noite, lá fomos: eu, a minha avó e a Henriqueta, juntar-nos à roda de povo no pequenino largo.


A competência causa medo… - Texto de Irene Fernandes Abreu no Blogue Valium 50 - Macau- China

A violência é o último refúgio do incompetente. (Isaac Asimov)
Não se atreva a ser «diferente» ao mostrar rasgos de compreensão, que mostrem ao «outro», que é inteligente e competente, porque a sua vida vai tornar-se muito complicada.
Não raro temos encontrado pela nossa vida, gente incrivelmente incompetente em lugares complexos, onde deveria haver alguém mais qualificado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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