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Lista dos Trabalhos que entram de novo neste número. Para consultar o índice de cada uma das divisões vá à barra ao lado direito. Para consultar o índice do número anterior (e os números anteriores a esse) carregue aqui. (Nota: o nosso arquivo online fica composto pelos últimos cinco números publicados)


para j.d., com amor e sordidez

Recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»
Sexta-feira e sábado são dias de uma felicidade mansa e terna, pelo simples facto de ter um novo suplemento cultural para ler. A breve visita ao quiosque alegra a rotina matinal e de jornal colado ao peito, sigo mais acompanhada para o trabalho ou casa. Como todas as pequenas euforias, julgava-me única no seu gozo. Até que um dia viajei para Madrid, juntamente com um livro de Juan José Millás, e conheci a mãe de uma amiga que ficou encantada por hospedar uma portuguesa que lia o referido escritor.

Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações - Por Daniel Teixeira - As diferenças da vida

Conforme tem sido notório aquilo que me tem interessado neste conjunto de crónicas e de uma forma geral noutros locais e formas onde intervenho, seja sobre a forma de crónica ou simples conversa, mesmo escrita que seja, o que me interessa, repito, é a história contada e feita pelas gentes.

COSTUREIRAS E MODISTAS - Texto de Lina Vedes

Nos anos 40 e até 50, era hábito em minha casa e em muitas da cidade contratarem costureiras duas ou três vezes no ano. Geralmente iam no início do Outono e da Primavera, recebiam pagamento diário, com direito a almoço e lanche. O pronto-a-vestir era nulo ou desconhecido para a maioria dos farenses. Essas costureiras executavam peças de vestuário íntimo e remendavam o necessário, porque na altura, o principal lema de vida consistia no «aproveitar».

O Sherpas - Apresentação e Poesia - ... das brincadeiras perdidas!!!...

O Técnico - Texto de Miriam de Sales Oliveira

Não, esse título está errado. Borges não era só o técnico daquele time, mas, também, seu mais empolgado torcedor. Comia, dormia, vivia e trabalhava para aquela equipe, que, diante de tanta dedicação, era, sem dúvida a melhor daquele Estado do Nordeste.

O REGRESSO DO PANTUFA - Conto Infanto - Juvenil de Avómi (Cremilde Vieira da Cruz)

Recordam-se do Carlinhos, aquele menino que estava muito triste, porque o Pantufa não tinha vindo visitá-lo no ano anterior.....? Precisamente no primeiro dia de Primavera, um lindo dia de Março, o Carlinhos acordou com um chilrear encantador. Correu para a janela do quarto, abriu-a de par em par e o que os seus olhos observaram, é difícil de descrever, já que os pássaros eram às dezenas e voavam em todas as direcções: de tal maneira, que por mais que o Carlinhos procurasse, não conseguiu, entre tantos, descobrir o Pantufa.

A charrete e a égua - Texto de Cecilio Elias Netto

Acreditem ou não, a vida tem o eterno retorno. Trata-se da sobrevivência do belo e do bom. E já está acontecendo.
Por muitos anos, morei num local distante da cidade, entre chácaras e sítios. No início, nem sequer tinha iluminação pública. E essa não era uma deficiência, mas algo que beirava a bênçãos.

Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - A força dos Ventos ; Silêncio Amigo

Poesia de Ilona Bastos - NEVOEIRO; O POEMA QUE SE SEGUE; COMO SOA O POEMA

Poesia de Sylvia Beirute - Premissa de tempo ; Ilusões conclusivas; Página em branco; Definições

Poemas de Liliana Josué - PARTIDA/CHEGADA; PRIMAVERA - TRILOGIA

Crónica de Gociante Patissa - AS PARTIDAS DO ELISEU

A pior das partidas que nos pode alguém chegado pregar é, certamente, partir. Eliseu Mondi Pedro Figueiredo confunde-se com a língua inglesa, à qual viria a dedicar duas décadas de auto-didactismo, chegando a dar aulas no terceiro nível dos Bambus na Catumbela, onde residia, e mais tarde no católico Instituto de Ciências Religiosas de Angola (ICRA), no bairro da Caponte, Lobito, onde veio a residir.

Poemas de Mário Matta e Silva - Noturnos; é tempo de Primavera; Ir e voltar nas gaivotas

um livrinho precioso - Texto recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»

«A própria localização do Pátio Maldito era estranha, como se tivesse sido calculada para aumentar as torturas e os sofrimentos dos presos (frei Petar voltava muitas vezes a isto, tentando descrevê-lo). Do pátio nada se vê da cidade, nem do porto, nem do arsenal abandonado lá em baixo na margem do estreito. Só há o céu, imenso e cruel na sua beleza e, ao longe, um canto verdejante da margem asiática, do outro lado do mar invisível, e o vértice do minarete de uma mesquita desconhecida ou da copa de um cipreste gigantesco, atrás do muro.

Previsões para amanhã - Por Marcelo Pirajá Sguassábia

Os garis de Copacabana não divisarão nenhum navio no horizonte, nem horizonte que recicle o lixo de suas vidas. A enfermeira de plantão lerá «As Intermitências da Morte»e acabará morrendo de tédio ao virar a página 153. Na sala ao lado, a caneta do médico falhará quando estiver prescrevendo Viagra ao paciente.

Anatomia do beijo - Prosa poética de Joaquim Nogueira

A garagem - Conto de Daniel Teixeira

Ah! Como os carros eram bonitos, todos brilhantes, alinhadinhos, tão alinhados que pareciam ter sido ali metidos com as mãos como os carrinhos em miniatura das colecções, com os espaçamentos calculados quase ao milímetro e as riscas brancas cuidadosas a delimitar cada pneu, todas elas direitinhas, encostadas aos rodados todas à mesma distância, talvez vinte centímetros ou mesmo trinta para cada lado, e a realçarem do solo, quase como se tivessem espessura e não fossem antes um minucioso tracejado de tinta sem falhas.

Contos breves - Abilio Pacheco - Ritornelo; Tirando da gaveta; Falando água

Ritornelo - Todos os dias ordenava que se lhe contassem aquela história da reconquista. Sempre dormia e esquecia o enredo no dia seguinte. Mesmo que lhe dissessem tê-la ouvido ontem, não lembrava sequer de ter pedido que contassem.

Reclusa - Conto de Virgínia Teixeira Antunes - Segundo lugar em Prosa nos III Jogos Florais dos Bonjoanenses (2014)

Não nasci para ser reclusa, mas hoje aqui estou, encerrada numa cela escura onde entrei pelo meu próprio pé. Nasci nos campos floridos da minha terra, debaixo de uma árvore onde a minha mãe se sentou a descansar numa tarde de calor. Não nasci para ser reclusa, enterrada no silêncio ensurdecedor destas paredes de pedra fria e impenetrável, mas aqui estou, já tão habituada ao silêncio que, quando um pássaro canta mais alto pela fresta da pequena ranhura da minha cela a que chamam janela, acordo do mais profundo sono.

Poesia de Pedro Du Bois - União; Horas; Atualizar

Jornal Raizonline nº 252 de 2 de Julho de 2014 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - A paragem por causa de uma bola

Levámos mais tempo a fazer este número, a organizar, a completar uma lista razoável e diversificada de publicações por causa do futebol, ou seja, por causa de uma bola, que é redonda, por sinal.

Pessoalmente admito ter a maior parte das culpas neste atraso, mas também pensei que durante este período não haveria assim tantos leitores tal como não houve assim tantas colaborações a que tivéssemos acesso.

Poesia de Virgínia Teixeira - Veneno ; Eclipse; A minha casa sonhada

Poesia de Xavier Zarco - poemas da minha rua ; uma redondilha de 2009 ; há dias em que o verso se derrama

Poesia de Sylvia Beirute - Desejo infinitesimal ; Exercícios para os olhos ; Correspondência

Quinta feira da Espiga ou da Ascenção - Soledade Martinho Costa - Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. IV

O dia da Ascensão ou dia da Ascensão do Senhor, tem lugar quarenta dias após o domingo de Páscoa. Designado, popularmente, por quinta-feira de Espiga, comporta praxes e tradições que assumem carácter universal. A mais comum está ligada ao ramo de espiga, com «poderes de virtude benfazeja», que se colhe neste dia pelos campos, constituído por espigas de trigo (abundância de pão), tronquinhos de oliveira (que simbolizam a paz), papoilas (a alegria), malmequeres brancos (a prata) e malmequeres amarelos (o ouro) – sempre em número ímpar em relação a cada um destes elementos.

Poesia da Mário Matta e Silva - Cântico à Musa ; Vim de longe

Poesia de Pedro Du Bois - INCIDENTAL; OBVIEDADE; ANO CIVIL

Poesia de Sergio António Meneghetti - Porta da vida; Na Vinha Do Mestre

BARCAS E BARCOS NA DOCA - Texto de Lina Vedes

Na década de 40 e princípios da de 50, as vias de comunicação terrestre eram insuficientes havendo ainda o inconveniente da Serra do Caldeirão ser uma verdadeira barreira quase intransponível. Para reforçar esse défice recorria-se ao transporte marítimo de pessoas e cargas.

AS CILHAS - Crónica /Texto por Daniel Teixeira

Por vezes posso dar a impressão que partilho daquela ideia citadina de que os montanheiros trabalham pouco (ou quase nada, nalgumas afirmações) porque quando vamos a uma aldeia ou Monte um pouco antes da hora do almoço e logo depois desta hora os encontramos normalmente sentados nos poiais das suas casas, ou no caso também nos poiais das tabernas, isto sobretudo no Verão que é quando o pessoal se aventurava a andar por lá de carro.

Macacos e gente - Por Cecílio Elias Netto

Acho estranho alguém se ofender por ser chamado de macaco. Pois, em tempos tão cruéis, macaco é que deve se ofender se for chamado de gente, de certa gente.
Não creio que a questão – ainda em nível universal – seja de preconceito. Pelo contrário, acredito seja falta de conceitos. Jamais teria, eu, a audácia de escrever a respeito dos profundos significados de conceito.

FRANZ KAFKA – Um Cruzamento - Por Pedro Luso de Carvalho

FRANZ KAFKA nasceu em Praga no dia 3 de julho de 1883; vítima de tuberculose, morreu em 3 de junho de 1924, no Sanatório de Kierling, perto de Viena; foi enterrado no Novo Cemitério Judaico de em Praga.
Até esse ano, Kafka era conhecido apenas por um círculo de amigos; sua obra somente seria conhecida 20 anos após sua morte.

Comentários sobre as publicações

Ao longo dos tempos temos ido guardando os comentários que são colocados no nosso Blogue de Comentário com a intenção de colocar no jornal uma vez que, por aquilo que sabemos, alguns dos autores comentados nem sempre têm a oportunidade de ir ao Blogue ver esses comentários. Aqui deixamos mais uma remessa:

O cavalo preto - Conto de Daniel Teixeira

Ali, à minha frente, havia um cavalo preto que rodava. Depois veio um pequeno cão que ladrou correndo desde o portão todo verde escuro da casa amarela. E ali ficou ladrando, perto do cavalo preto. Indiferente, na sua majestade, pensei eu, ficou o cavalo. E eu pensando o que o cavalo não poderia pensar: o que representará para um cavalo um cão pequeno que ladra?

A solidão dos idosos - O Lugar - Por Maria José Vieira de Sousa

Recolhido em Livres Pensantes
Quando voltou ao salão de convívio teve pela primeira vez consciência plena da segregação etária que as novas gerações estavam a impor. O convívio e a coabitação intergeracionais estavam, efectivamente, em processo de regressão, senão mesmo em declarada extinção. O quadro com que deparou nessa manhã, naquele salão, impôs-lhe abruptamente a dolorosa assunção dessa realidade chocante que nunca se dispusera sequer a formalizar.

Coluna de Manuel Fragata de Morais - OS SONHADORES ( in Memórias da Ilha - Crónicas )

Há quem afirme que os sonhadores são os salvadores do mundo, talvez porque ao escutarmos as mais belas músicas, ao lermos os mais belos livros e poemas, ao nos revermos nas mais maravilhosas pinturas, ao tentarmos entender as mais engenhosas profecias e a sabedoria universal, cheguemos à conclusão que tudo isso é possível porque houve e há gente que sonhe. E acho que isso é um facto, as realidades, os avanços conseguidos nas sociedades, são e serão fruto do sonho de alguém que soube acreditar em si mesmo e partiu para a labuta, para a concretização do seu desejo, da sua visão, da ânsia do querer.

Auguste de Saint-Hilaire - equívocos de interpretação da realidade colonial do interior do Brasil - Texto de Se Gyn

Conversando com colegas sobre coisas da cultura de Goiás, chegamos acidentalmente a declarações de Auguste de Saint-Hilaire, sobre a população da província de Goyaz, no início do século XIX no seu «Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goyaz - 1º volume». Admirável e esperto naturalista (colhia e enviava acobertadamente espécies medicinais da flora do cerrado para Martinica e Caiena, territórios franceses nas Antilhas), sou da opinião de que foi de uma incapacidade atroz, quando descreveu a população humana e os costumes do interior do pais.

Série : Eu e Paderne - A NOSSA FORMA DE ESTAR… - Texto de João Brito Sousa

Anda carecida de ética a nossa forma de estar ou de nos relacionarmos. A sociedade deverá ter um comportamento ético, seja, deve colocar em prática, uma maneira de ser respeitável, possuindo um carácter consubstanciado em atitudes que tenham em conta, princípios e valores tidos como credíveis. A existência de ética ou não, na nossa maneira de estar, deriva da forma muito ou pouco correcta como nos comportamos em sociedade...

Um Holocausto Brasileiro - Por Vítor Afonso

Recolhido em «O Homem que sabia demasiado»
Acaba de ser editado em Portugal um livro de uma jornalista brasileira, Daniela Arbex, sobre um tema de grande perturbação social, histórica e psicológica: um genocídio de 60 mil brasileiros ocorrido durante décadas num... manicómio. Chama-se «Holocausto Brasileiro»e nele conta-se que milhares de crianças, mulheres e homens foram violentamente torturados e mortos, no Brasil, no hospital de doenças mentais de Colônia, em Barbacena (Minas Gerais), fundado em 1903.

Poesia de Edvaldo Rosa - ACALANTO...; PINTURA...

Crônicas da copa de 2014 - I - aquela alegria que nos foge agora... - Por Se Gyn

Era uma situação que, de tão esquisita, parecia engraçada: um país que não tinha boa escola, bons serviços de saúde, garantia de segurança pública, nem nada - tudo por fazer ou refazer. Mas, alguém inventou que a Copa do mundo de 2014 seria no Brasil - sabe como é, uma vitrina para mostrar a pujança do país, que entrara num ciclo virtuoso em todos os setores, no período que se seguiu à redemocratização do país.

Poesia de Sylvia Beirute - Poemoterapia; Açúcar - Matéria; Conoscenza

Poesia de Xavier Zarco - A Zeca Afonso; à Graça Soares; hoje sérgio bebi a certeza

O mestre que disso não passava - Texto / Crónica de Gociante Patissa

«Os mestres mentem, todos eles. O pedreiro não entrega no prazo acordado; o mecânico tem sempre uma desculpa; o canalizador, tirando proveito da semelhança nas três primeiras sílabas, faz-se canalha perfeito; o electricista é outro a quem é arriscado confiar, tão arriscado como seria pôr a mão no fogo pelo ladrilhador ou pelo pintor, enfim... Será que devo mesmo voltar à escola para o mestrado?», lia-se.

A Política Do Dia - Poema e Texto de Natália Correia - Retirado do Blogue Livres Pensantes

A Política Do Dia
Hoje a vida tem o sorriso
dentífrico dos candidatos
e pelas ruas nos aponta
o céu em múltiplos retratos

Rir, de quê? - Texto de Miriam de Sales Oliveira

Um professor ensinava aos alunos que a hiena é o único animal de quatro patas que ri.
Surpreso, o aluno perguntou:
-Professor, um animal horripilante, fedorento e que vive comendo merda, ri de quê!?
Vocês não acham que essa conversa se encaixa muito bem ,no Brasil?

A chave está aqui - Texto de João Brito Sousa

O tempo passa e, a chegada de cada dia, ao seu fim, quererá dizer que é um dia a menos que nos fica para desfrutarmos, no âmbito da contabilidade social de cada um de nós. E é bom não esquecer, que o nosso stock pessoal, em termos de dias de vida, é limitado. Entretanto, vivemos os dias ou passamos pelos dias. Enquanto temos saúde, esse pormenor importante que é o «ter saúde», deveria ser estimado e preservado, mas, muitas vezes fica em segundo ou terceiro lugar na tabela das nossas preferências.

Poesia e Prosa Poética - Cremilde Vieira da Cruz - Sedutor (Poema) - Ausência (Prosa Poética)

O furto da Japona. - Crónica de José Pedreira da Cruz

A meteorologia alertava que nos próximos dias o frio iria ser de doer nos ossos e que por precaução todos teriam que se prevenir com roupas adequadas para tal. E foi nesse clima de grande preocupação que Renilda se acorreu ao crediário e lá deixou uma dívida com a aquisição de uma japona: como assim eram chamadas as jaquetas dos anos oitenta.

Verdades - Conto/Crónica por Jorge Sader Filho

Talvez ela fosse a única moça que lia no parque. O livro era agradável.
Talvez ela fosse a única que lia, enquanto mães e crianças brincavam. Brincar é bom. A pessoa sai do seu cotidiano chato, acorda, limpa-se e vai para a primeira refeição. Dizem que o hábito faz o monge. Faz mesmo. O costume diário nos dá um ritual, mas é bom pensar no que temos em energia. Os que escrevem, pintam, ou exercem qualquer outra atividade, não sabem mais sobreviver sem ela.

Até amanhã, Camaradas - In: Cineclube de Faro

Joaquim Leitão, Portugal, 2005, 192 m, M/12
SINOPSE
Portugal, 1944. Num país oprimido pela ditadura, há quem resista e se organize para mobilizar o povo para a luta pelo pão e pela liberdade. Mesmo que isso lhe possa custar a prisão, torturas, ou até a vida. Pessoas como Vaz, Ramos, António e Paula militantes e funcionários do Partido Comunista, que desenvolvem a sua acção na clandestinidade, reorganizando o Partido nas zonas dos arredores de Lisboa e do Ribatejo, ao mesmo tempo que preparam uma grande jornada de luta, com greves e marchas contra a fome.

«…o avental todo sujo de ovo.» - Por Cecílio Elias Netto

Para idosos, a orfandade de mãe é ainda mais dolorosa. A saudade de um colo onde se abrigar torna-se necessidade.
Um fradezinho santo – velho confessor de doentes e moribundos – contava-nos da agonia final dos enfermos. E dizia que – nos últimos momentos e se ainda podiam balbuciar algo – eles diziam, quase todos, uma só palavra: mãe. E ele, o fradezinho, nunca conseguiu saber se era alegria do reencontro ou um apelo final, um pedido de ajuda e de socorro.

And if it is not love then it's the bomb, the bomb... - Recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»

Depois de muitos dias intensivos de estoicismo apercebi-me que continuo extremista. Depois de ter dedicado alguns anos à investigação afincada do projecto hedonista, tomando o prazer e o riso como missão, retornei a Lisboa com a minha revolução sexual concluída, as finanças arruinadas e com os nervos algo descompensados.

J. D. SALINGER – Sob o fogo da crítica - por Pedro Luso de Carvalho

O famoso recluso J. D. Salinger antes de dedicar-se à literatura passou rapidamente pelas universidades de Nova York e Columbia. Depois que retornou da Segunda Guerra Mundial suas histórias foram publicadas regularmente pela revista The New Yorker; com isso tornou-se bastante conhecido, principalmente nos Estados Unidos. Escreveu um único romance, «O apanhador no campo de centeio», um clássico da adolescência (1951); e os contos e novelas curtas, Nine stories (1953); Fanny and Zooey (1961); Carpinteiro, levantem bem alto a cumeeira (1963); Seymour: Uma Apresentação(1963).

Poesia de Pedro Du Bois - NASCER; CAPAZ; FAUNO

O Dr. Silva Nobre e o meu braço partido - Texto de Lina Vedes

Data – Maio de 1948
LOCAL – CASA DO ALENTEJO, situada, na altura, na Rua Baleizão, num 1º andar, por cima da SALCO – Sociedade Algarvia de Combustíveis. Aconteciam, nesse local, encontros semanais de alentejanos, residentes em Faro. Como «penetra»e vizinha, partilhava, por hábito, dos convívios dos nascidos no Alentejo.

A morte do Mário - Conto / Crónica de Daniel Teixeira

Sentir medo é uma coisa natural que quase ninguém reconhece ter ou ter tido. Sentir aquele medo muito forte, aquele medo que nos persegue, aquele medo que nos não dá descanso é mais raro acontecer, mas acontece ...e eu soube disso, tive contacto com esse mesmo medo era ainda uma criança. Esta história que eu não deveria contar tem muito poucas palavras. Dizem que o medo é um sinal interior nosso, uma defesa, um alarme, assim como a dor quando dói e dizem que tudo isso nos faz falta. Certo, até aí eu aceitei sempre.

A ETERNA PROCURA - Prosa poética de Joaquim Nogueira

«… avanço na direcção certa ainda que não saiba o caminho, mas avanço… não me deixo ficar a olhar para a vereda que já percorri… avanço em frente, passo a passo, com cuidado mas com força e determinação… não são os meus pés que caminham mas a minha alma, o meu sabor de caminhar e o meu saber de que o estou a fazer… avanço porque quero… porque espero… porque sei que vou encontrar…

Arroz do Céu - Por Irene Fernandes Abreu - Recolhido no Blogue Valium50

Esta, é uma metáfora perfeita da condição social de muitos emigrantes que trabalham por esse mundo fora...
A história narra o quotidiano de um emigrante de leste, cujo trabalho é o de limpar o lixo, que vai caindo nos respiradouros do Metro de Nova Iorque.

E é sempre assim - Conto de Daniel Teixeira

Desde sempre que pensei que as coisas iam ficar por ali. Aliás desde o primeiro minuto que interiormente já pensava isso. Quer dizer, eu já a conhecia um pouco, muito pouco, é certo, mas sabia que havia uma diferença grande entre nós. Talvez não fosse assim tão grande, essa diferença, afinal e talvez fosse eu mesmo que a fizesse grande. Talvez tenha sido assim tal como as coisas se passam nos dias das nossas vidas quando nem sequer queremos desejar uma coisa que sabemos não poder vir a ter.

Maria de Olhão - Por João Brito Sousa - A MINHA HOMENAGEM

O livro Maria de Olhão, agora trazido à estampa em edição da Câmara Municipal de Olhão, poderá ser considerado, respeitosamente, como um Manual de Instruções sobre a vida, onde cada um, à sua maneira, poderá retirar os ensinamentos que precisa ou julga necessários, para conseguir um comportamento equilibrado e sobretudo justo, na sociedade onde se insere.

Minha mãe - Texto de Daniel Teixeira

As pessoas como a minha mãe nunca deveriam envelhecer, não é que ela seja diferente das outras mães, que também não deveriam envelhecer, acho eu, é apenas um sugestão, mas deveriam as mães todas amadurecer, assim como os cereais, como as frutas, como os legumes, sei lá, qualquer coisa assim que lhes desse aquele ar de já não serem jovens mas que não lhes desse aquele ar de planta, flor ou fruto em deperecimento, fracamente agarradas aos ramos das árvores e ameaçando continuamente que vão cair no solo e por lá ficar.

Doze léguas de amor - Conto / Crónica de José Pedreira da Cruz (Tico Cruz)

Dizem que Diná nunca tomara uma surra, nem do pai e nem da mãe; e para isso possuía o dengo, o mimo e a bajulação, o que faziam-na a pessoa mais querida da família de dona Filó e de seu Mourão. O tempo foi passando, passando, e Diná começou a se encorpar, a esbanjar uma graciosa feminilidade, de tal forma que os garotos se babavam ao vê-la passar. Ela era a razão da perplexidade sexual na cabeça dos garotos dali. Um despropósito aos olhares irreverentes dos homens e um certeiro martírio na mente das mulheres ciumentas.

Os 10 de Junho: Dias dos sonhos não cumpridos - Texto de Daniel Teixeira

Um sonho é um sonho, quer dizer, é mesmo um sonho, aquela coisa que nós pensamos e não pensamos enquanto dormimos e não dormimos. Um sonho é isso. Pelo sonho é que vamos desejando e pela realidade é que vamos sabendo que aquela realidade desejada foi toda ela só e apenas sonho e que nem sequer uma nesga, uma nesguinha, daquilo que se desejou enquanto se sonhava, daquele castelo que se construiu enquanto dormindo ou não, pensámos, nem uma pedrinha desse desejado castelos temos na nossa mão ao acordar.

CHOMSKY - As 10 Estratégias de Manipulação Mediática

Recolhido em Filhos de um Deus Menor - Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Mediática. O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das «10 estratégias de manipulação» através dos média: «1- A Estratégia da distracção : O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

As Jóias da terra - Texto de José Francisco Colaço Guerreiro

As jóias da terra são os recantos onde os meninos brincam agachados, empurrando carrinhos, imaginando estradas infindas, seguindo com o olhar uma folha levada num regato como se fora uma embarcação num rio caudaloso. São as esquinas, as calçadas que se pisam amiúde e já se lhes adivinha os rebaixos e os encalhos, são os poiais que diariamente se sobem e no verão servem de assento para se apanhar o fresco depois da ceia enquanto se cavaqueia e o calor do dia se vai despegando do corpo.

Quanta distância nos separa do que nos falta? - Texto / Crónica de Gociante Patissa

O bar perdeu parte de sua graça sem a Edna, a atendedora mais experiente. Cansou-se. Há lá empregadas novas. Alguns clientes vivem a falta de rapidez e domínio dos seus hábitos de consumo. Só mesmo um livro para atenuar a impaciência, ou então ter Internet no telemóvel. Pois é, o móvel anda cada vez mais armado em que «pode tudo».

Prosa de Ilona Bastos - COR-DE-CHUMBO - Dulce

Sem precisar de se olhar no espelho compreendeu que novamente devia ter o aspecto de uma pessoa abatida: a tez baça e macilenta, os ombros fechados sobre o peito, os olhos piscos - como quem não vê -, o pensamento sem Norte. Puxou de um papel amarelo, quadriculado, e começou a escrever, em letrinhas tão minúsculas quanto o seu ego - inversamente proporcionais à sua vontade de gritar, bem alto, num desabafo universal.

Poesia de Jorge Vicente - Transição; Transição 1; Transição 2; Transição 3

Poesia de Xavier Zarco - há dias em que o verso se derrama ; o poema da minha rua teima

O Imenso Encanto da Existência! - Prosa poética por Pena

Poesia de Sylvia Beirute - ONZE PALAVRAS; BEIRUTE ; O BEIJO DE RODIN

Coluna de Mário Matta e Silva - Sophia não morreu; Nos cabelos de Eurídice; Vim de longe

O CULTO DA MESA - Texto de Lina Vedes

Em tempos idos, não podem ser muitos, porque não me considero velha (nasci em 1940)… cada acontecimento era festejado com um envolvimento característico. Explico melhor acrescentando que, só na altura da Páscoa, apareciam as amêndoas doces, os folares e outros. Pelo Natal, era a vez do bolo-rei, filhós, empanadilhas, peru, não permitindo o enjoo dessas novidades, tornando-as bastante desejáveis.

Corpo-a-corpo - Texto Recolhido em «As leituras de Madame Bovary»

Vai somatizar.
E somatiza:
A grande ruptura acontece nessa rua desgarrada em que o corpo caminha como quem marcha. Sem qualquer aviso prévio, a rugosidade de uma parede diz-lhe que está indefeso perante a morte e todos os trabalhos que a precedem. E assim, de súbito, o corpo perde afectos e deveres, rachado ao meio por um golpe de asa negra.

TELINHA QUENTE 118 - Por Roberto Biscaro - Blogue do Albino Incoerente

Numa de suas autobiografias, o ator Michael Caine conta que nos anos 1960 Londres começava a se modernizar e informalizar. Alguns restaurantes desobrigaram clientes do uso da gravata e fechavam mais tarde. Graças ao sucesso duma rádio pirata, a sisuda BBC1 teve que abrir as pernas e tocar rock. Os Beatles/Rolling Stones revolucionavam a música. Era o balanço da Swinging London.

Santarém Cidade da Liberdade - Texto de Arlete Piedade Louro

(Texto integrante do livro ERA NO TEMPO DE...Crónicas de Outras Epocas, lido no lançamento, pela Srª Engª. Emília Daniel Marques Leitão, prefaciadora e apresentadora do mesmo.) Estamos em 1147 e na madrugada de um domingo, um grupo de guerreiros comandados pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques aproximam-se a coberto da escuridão dos altos muros da cidade adormecida, que há quatro séculos está sob o jugo dos muçulmanos, e capitaneados pelo decidido capitão Mem Ramires

Procissões da Quaresma - Texto de Lina Vedes

Tive o privilégio de viver, em jovem, na actual Rua 1º de Maio, local por onde passavam quase todas as procissões de Faro. Ao recordá-las, principalmente as realizadas durante a Quaresma, não posso deixar de focar, o padre José Gomes da paróquia de S.Pedro, homem ímpar na organização e incrementação de procissões. Este padre morador no edifício, hoje intitulado Via Valadim, na Rua Tenente Valadim, ao tempo conhecida por rua dos Cavalos, durante o dia fazia vários percursos de sua casa à igreja, passando pela Rua Filipe Alistão, sempre apressado, cumprimentando à esquerda e direita.

O FANTASTICO NA PROSA ANGOLANA - Por Manuel Fragata de Morais - ISAQUIEL CORY - O ULTIMO FEITICEIRO

Quem for a Catete, via Luanda, há-de encontrar, nos arredores de Mazozo, bem junto à dita estrada nova, em contraposição à outra, velha, inteiramente abandonada ao capim e aos passos infatigáveis dos camponeses locais, um embondeiro outrora majestoso, caído, derrotado pelas forças humanas da destruição. Foi a partir daí, dessa paragem que o povo chama do «Embondeiro Caído», que fui vencendo o longo percurso ravinado até à sanzala que viu os meus pais nascerem.

Os Carvoeiros de Lisboa - Crónica de Daniel Teixeira

Eu praticamente nasci ao lado de carvoarias aqui em Faro, não propriamente aquecido pelo calor das brasas, mas tinha um vizinho que era carvoeiro e que morava duas ou três portas ao lado da minha e que por sua vez tinha um armazém de carvão no Beco Ataíde de Oliveira, o senhor Faneca, onde eu ia comprar o carvão que fazia falta lá em casa e não era só em alturas específicas de churrascadas e coisas assim.

William Faulkner, A Fábula - Recolhido em contra mundum e ípsilon

« Então fica com o mundo — disse o velho general. — Eu reconhecer-te-ei como meu filho; juntos fecharemos a janela sobre esta aberração e trancá-la-emos para sempre. Depois abrir-te-ei outra num mundo que nem César nem sultão nem khan alguma vez viram, que nem Tibério nem Kublai nem todos os imperadores do Leste alguma vez sonharam, nem Roma ou Baiae, um mero depósito para a rapina de salteadores e bagnio para uma derradeira exaustão de estruturas terminais dos seus axónios antes de regressarem aos seus desertos sombrios para arrancarem mais de um ou enfrentarem no lar as facas contratadas dos seus subalternos imediatos e ávidos para os curar da necessidade de ambos.» 1

O soldado desconhecido - Crónica de Daniel Teixeira

Naquele dia o Narciso chamou-me, ia eu passando em frente à Igreja dos Capuchos, em Faro, que estava de portas abertas o que era sinal de que havia lá um defunto a ser velado. Ele estava à porta da Igreja quando me viu e disse-me para ir ali «ver aquilo» e aquilo era um defunto no caixão vestido com um pijama de hospital.

TEMPORARIO 12-Destin Cretton- E.U.A. - 2013 - Recolhido em Cine Clube de Faro

Num centro de acolhimento para adolescentes problemáticos, o dia-a-dia é vivido entre dramas, traumas e também algumas vitórias. A acompanhá-los está Grace (Brie Larson), uma supervisora dedicada e comprometida com a sua missão. No entanto, debate-se com os seus próprios fantasmas e, apesar de contar com o apoio incondicional de Mason (John Gallagher Jr.), seu colega e namorado, tem extrema dificuldade em confiar nos outros.

MEMORIAS DA ILHA - Crónicas - Por Manuel Fragata de Morais - AMORES

Os subordinados há muito que o aguardavam, impacientes, às vezes até barulhentos. Sempre atrasado, talvez pensasse que quem não chega atrasado não é reconhecido. Coisas da infância, quem sabe, talvez alguma rejeição pela qual todos pagavam. A porta abriu-se e ele entrou, erecto e sorridente, como sempre. O silêncio desceu natural, enquanto todos se levantaram.

E às vezes tenho receio da vida. Da Minha Vida! - Prosa poética por Pena

Poesia de Maria da Fonseca - Na Primavera; Sinais da Primavera ; O Cantar dos Passarinhos

Um bom livro é difícil de encontrar - Texto recolhido em «As Leituras de Madame Bovary»

Como no amor, talvez existam livros que se impõem como paixões maiores, diminuindo a eventualidade de arrebatamentos fátuos. Tenho lido muito. Quando me deito na cama para descansar os ossos dos múltiplos alugueres quotidianos e ler, é como se o tempo se dilatasse de forma milagrosa. E às vezes, consigo ler um livro inteiro nessa hora. No entanto, jamais pouso numa palavra para voar e adormeço invariavelmente como que envolta numa tristeza pós - coital, não sabendo o que fazer desse novo silêncio que fica após cada livro. Nem sabendo como o nomear: deserto, morte ou paz?

O universo (também) conspira a favor... - Texto de Edvaldo Rosa

Volto às letras para dar ciência a outros sobre certos mistérios da vida...
O cenário, terminal interestadual de ônibus de Taubaté, numa tarde quente, onde existe uma estátua de Monteiro Lobato, junto aos seus personagens clássicos... Os presentes, todos de passagem no local, eu, minha esposa, que diante da estátua, presenciamos a chegada de três jovens, um menino e duas meninas...

Canalhas estão sempre presentes - Texto / Crónica de Jorge Sader Filho

O mundo tem conhecido, ao longo dos tempos, uma série de homens que passam destruindo tudo e todos. Não tenho intenção de fazer história, e muito menos a capacidade para tal fato. Sou apenas um observador atento. Como surgem estes símbolos do mal, geralmente deificados pelo povo? Não é muito difícil a resposta, embora sempre incompleta. O momento em que passa determinado povo é propício ao aparecimento deste tipo canalha.

Lisboa, 2 de Setembro - Retirado do Blogue «As leituras de Madame Bovary»

Oslo, 31 de Agosto.  - Não falta ali nada. Um homem de 34 anos perdido, ex-toxicodependente tenta regressar à vida. Recomeçar do zero é impossível, os outros e ele próprio não perdoam. Os outros que também estão no mesmo barco à deriva, e que não admitem que alguém esteja mais partido que eles. Todos fodidos, náufragos pouco solidários: importa manter a farsa e seguir andando. O homem é apenas a baixa mais evidente, a braços com um problema comum que excede a heroína. A droga nunca é o problema. Antes a solução. Existem outras: o trabalho, a televisão, o casamento, os filhos, blá-blá.

A lenda da Prímula ou Primavera - Texto de Dulce Rodrigues

A Primavera é anunciadora de renascer e com ela assistimos, com efeito, a um recomeço do ciclo natural das estações. A Natureza acorda da letargia a que a submeteu o Inverno, maravilhando-nos com uma profusão de cores – as das flores. De entre essas flores, distingue-se a prímula. O nome botânico desta flor vem da palavra latina primula, que significa «a primeira» e indica que esta planta é uma das primeiras a florir na Primavera em certas regiões mais frias.

Cornélio Pires - Um caipira ilustre - Autoria: Cecílio Elias Netto

Quando se fala em folclore, fala-se, também, de alguns caipiras ilustres. Cornélio Pires foi um deles. Poeta, humorista, folclorista, trovador, músico, repentista, Cornélio Pires nasceu em Tietê (SP) em 13 de julho de 1884, falecendo em São Paulo no dia 17 de fevereiro de 1958. Por sua vontade, foi sepultado no Cemitério Municipal de Tietê. De família pobre e protestante, era, porém, descendente de figuras ilustres como Pedro Taques e Brás Cubas.

A estranheza - Conto de Daniel Teixeira

O Vasconcelos vivia numa habitação toda em madeira – tinha-me dito o homem já com ar de reformado que andava por ali e tinha uma enxada – e era em madeira polida, vi eu depois, era em madeira polida e brilhante, onde o sol batia naquela hora em que lá fui e onde quase se via a nossa imagem na parede.

Ciganos - Conto / Crónica de VIRGINIA TEIXEIRA

A erva cresce selvagem em ambas as margens do rio. Naquela zona parece alargar o caudal do rio e as margens separam-se mais, e o som do povo, tão ruidoso e alegre, não chega a galgar a outra margem. Parecem parte da natureza, não são vistos nem ouvidos, e sentem-se seguros para ali ficar algum tempo. Montam as tendas com os panos envelhecidos mas ainda coloridos e distribuem as tarefas pelos homens, enquanto as mulheres se juntam na tenda maior e aquecem a comida nas grandes panelas que parecem vibrar quando são retiradas da caravana.

A Mulher na cidade do homem - Texto de Sophia Mello Breyner Andresen

Retirado de Livres Pensantes  - «[...] Quando olhamos para o passado vemos que a contribuição da mulher no mundo da criação é muito limitada. As leis, a filosofia, a matemática, a pintura, a arquitectura, a escultura, a música foram quase exclusivamente criadas por homens. A mulher aparece nalgumas artes como intérprete, raramente como autora. Isto «parece mostrar» que a capacidade criadora da mulher só existe em planos secundários ou subsidiários.

Queria ser o teu sonho - Texto de Joaquim Nogueira

«…Em frente ao espelho da cómoda do teu quarto, sentada num banquinho forrado a tecido de cortinado vermelho, penteavas os teus cabelos, num ritual que funciona mesmo sem dares por isso… a escova passava ora uma, ora duas vezes, de cima para baixo e alisava os teus cabelos sedosos, cor de mel e de marfim… brilhavam no espelho e te revias momento a momento numa expectativa de mudança, o que não acontecia pois não podias ficar mais bela do que aquilo que já eras… a beleza em ti não residia nem morava … era!…

A Fita Branca (2009) - Texto Recolhido em Cinema Pela Arte

«O holocausto nasceu e foi executado na nossa sociedade moderna e racional, em nosso alto estágio de civilização e no auge do desenvolvimento cultural humano, e por essa razão é um problema dessa sociedade, dessa civilização e cultura.» — Zymunt Bauman - Castigo e crime? - Quero contar os fatos estranhos que aconteceram na nossa aldeia. Talvez eles possam esclarecer uma série de acontecimentos que sucederam neste país, revela a voz vacilante do narrador, pronto para compartilhar suas reminiscências.

ANTON TCHEKHOV - Mestre do Conto - Por : PEDRO LUSO DE CARVALHO

Escrever sobre Anton Pavlovitch Tchekhov, um dos escritores mais importantes da narrativa ficcional do género conto, de todos os tempos, poderia parecer pretensão demasiada caso o ato de escrever sobre ele não se constituísse em homenagem ao génio da história curta, como de fato se constitui esse preito. Sendo assim, sinto-me à vontade para falar um pouco da sua vida e obra, começando por L. N. Tolstoi, o grande literato russo autor do épico Guerra e Paz, dos extraordinários romances Ana Karenina e Ressurreição, e do excepcional conto A Morte de Ivan Ilitch, que afirmou ter sido superado por Tchekhov como escritor na técnica da ficção, e por ter ele criado novas formas de escrever.

Visita às Igrejas - Texto / Crónica de Lina Vedes

Pela Páscoa, na altura da Semana Santa, era tradição, e toda a cidade se envolvia nela, visitar as igrejas de Faro, na quinta-feira à noite. O circuito percorrido era quase imposto, com naturalidade, devido à localização das igrejas a visitar – S.Pedro, Misericórdia, Sé, S.Francisco, Pé da Cruz, Carmo. Poder-se-ia iniciar por qualquer delas, indo para a esquerda ou direita, caminhando em carreirinha, uns atrás dos outros, encontrando outros, no mesmo percurso, em sentido contrário.

Poesia de Virgínia Teixeira - Nevoeiro; Dragão

Poesia de Arlete Piedade - AMANHECER; A NOITE!; MOMENTOS

Poesia de Albertino Galvão - Primavera é poesia; Moinhos...

Poesia de Abilio Pacheco - Retrato II; Andança; Habitação; Habitat; Construção

Poesia de Liliana Josué - QUIS ; MENINA/MULHER

 

 

 

 

 

 

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